Entre Twix E Nandos
1 Avião Errado
Notas iniciais
Espero que gostem *--*
Não esqueçam de deixar reviews ;D
POV – Rafaella
Nunca pensei que um dia poderia viajar sozinha com minha melhor amiga. Claro, é meio estranho, mas finalmente me sinto livre. Ando até o prédio de Brenda, não estava muito longe. Já estou na porta quando meu telefone toca. É ela.
– Falando.
– Que tipo de roupa eu levo? – Pergunta ela do outro lado da linha.
– COMO ASSIM? – Berro — Eu já estou aqui embaixo, nosso voo é em quatro horas, e temos que estar lá duas horas antes, e você vem aqui me dizer que está começando a fazer as malas agora?
O telefone permanece mudo por alguns segundos. Com certeza ela está procurando uma desculpa, mas como é minha melhor amiga, não posso fazer nada.
– Foi mal. – Responde enfim – Fiquei até tarde no computador.
Ótima desculpa, mas percebo algo.
– Eu ainda estou aqui em baixo, esqueceu? Dá pra abrir a porta ou vou ter que esperar mais uma hora? O aeroporto é longe daqui.
– Eu sei, vou andar rápido. – Diz Brenda
– Mas não dá pra você abrir... – E então desliga na minha cara – a porta?
Além de ser mentirosa, ainda é mal educada. No basquete você realmente conhece ótimas companhias – ou amigas que pulam vários abdominais. Olho para o porteiro e peço para me deixar subir para a casa dela.
O elevador não demora muito para chegar, e muito menos subir, já que é um dos primeiros apartamentos. Toco a campainha, e lá está Brenda, de pijama, cabelos bagunçados e com o celular na mão. Quando me vê, empalidece. Com certeza esqueceu de que estava lá em baixo esperando. Dá um sorriso falso.
– Nossa! Você por aqui. – diz descaradamente – Que surpresa! Qual é o problema mesmo menina?
– Nenhum. – Falo ironicamente — Esqueci que você não queria viajar. – Reviro os olhos, entro na casa, tirando-a de meu caminho, e a arrasto pelo braço até o banheiro. – Quando acabar eu te dou a toalha, vou buscar agorinha. Daí você só sai depois que tiver pronta!
Ela termina o banho e então jogo suas roupas para dentro do banheiro. Brenda usa uma segunda pele, calça jeans e botas – além de um casaco grande e grosso na mão. Olha-me de cara feia.
– Cadê minhas outras roupas? Não quero usar esta.
– Ah minha filha, — respondo – já coloquei suas malas no táxi.
Pego nossos documentos em cima da mesa, puxo-a pelo braço e desço apressadamente. O homem do táxi buzina como um doente. É gordo, careca, barbudo, não tem um dos dentes embaixo da boca e, ainda assim, masca chiclete como se quisesse tirá-lo pelo buraco de seu dente ausente. Olho para a cara de Brenda, como se quisesse matar o motorista asqueroso que dirige o carro. Respiro fundo e entro no carro, no banco do fundo, é claro. O fedor já não é agradável no acento traseiro, imagine se eu estivesse na frente?
Chegando ao aeroporto, seguro minhas malas e corro para o Chek-in. Coloco as malas e assino os documentos, dirigindo-nos para o voo internacional. Tem duas mulheres em nossa frente, uma delas velha e esquelética, reclamando do serviço da empresa, enquanto a outra lê um livro e resmunga para si mesma sobre os personagens. Ouço a funcionária falar que a máquina do código de barras quebrou e que ela precisa pegar a outra. Para adiantar, deixo nossas passagens em cima da mesa, junto com a dos outros clientes. A mulher chama o grupo para o outro lado do balcão, pegando todas as passagens.
Outra que chega para ocupar seu lugar quando ela volta para trás do computador nos dá metade do ticket, que informa onde é o voo e o acento. Andamos rapidamente para o avião e procuramos os lugares. Percorremos o corredor repetidas vezes, analisando os assentos, e nada. Não achando os nossos bancos na classe econômica, entregamos os tickets para a aeromoça, que nos ajuda, levando-nos para a primeira classe...
Primeira classe...
– Beu, como assim? Você comprou na primeira classe?
– Tá brincando comigo? – Responde ela confusa – Desde quando eu tenho dinheiro pra isso?
– Cala a boca. — Cochicho, tentando nos manter em nossos novos e melhorados acentos – Vamos desfrutar dessa “benção”.
Nos sentamos nos melhores assentos que já vi na minha vida. Uma mulher com cara de sonâmbula aproxima-se para nos servir um vinho da França. Tipo; eu tenho 17 anos, não bebo nada e vou aceitar um vinho que custa o olho da cara? Why Not?
– Gentlemen passengers put their seat belts as the plane will take off. Thank you for choosing us, and have a good trip.
Essa é, sem dúvidas, a viagem mais demorada do mundo. Só até agora eu já vi três filmes: Comer, Rezar e Amar; Gente grande e X-men – Primeira Classe. Brenda está com os fones de ouvido no máximo, o que me permite escutar baixas batidas de Tell Me a Lie, da One Direction.
– Brenda. – sussurro – Brenda. – Falo com um tom mais alto. – Ô vadia! – Grito sem paciência.
Ela retira os fones dos ouvidos com um pulo.
– Putz, não grite desse jeito. Quer me matar de vergonha?
– Que horas são? – Pergunto com cara de tédio.
Ela olha para o relógio, tentando enxergar as horas. Demora um pouco para contar os pontinhos corretamente e depois faz uma cara de espanto.
– Estamos viajando há dezesseis horas e meia. Quanto será que ainda vai demorar?
Quase caio da cadeira. Isso não pode estar certo. Quero dizer, não demoraria tanto assim para chegarmos ao Canadá. Meus pais foram juntos quando eu ainda era pequena, e ligaram assim que pousaram. Lembro-me perfeitamente de que não demorou tanto. A não ser que o voo tenha tido problemas, alguma coisa tem de estar errada. E pelo que vejo, não há nada de estranho aqui.
Vejo a aeromoça entrar na cabine principal para nos dar um recado. Devemos estar pousando.
– Ladies and gentlemen passengers, 30 minutes to our destination, New Zealand.
– Brenda, — Falo tentando não explodir – o que essa mulher falou?
Ela pensa por um tempo na tradução até que por fim a revela:
– Faltam 30 minutos pra chegarmos à Nova Zelândia.
Meu. Deus. Do. Céu.
– Brenda...- Tento não gritar – Se ainda me lembro bem... – Missão impossível. Logo a seguir grito a plenos pulmões – ERA PRA IRMOS AO CANADÁ, NÃO PARA NOVA ZELÂNDIA!
Não acredito que não tínhamos percebido isto antes. Passagens de primeira classe, vinho caro, dezesseis horas de voo... Claro que algo tinha de estar errado, mas nos apegamos demais ao luxo – e muito rápido – para nos darmos conta, e, devido a isto, agora estamos sendo mandadas para o outro lado do mundo!
– E o que a gente faz agora? – exclama assustada, tirando os fones e jogando-os de qualquer jeito dentro da bolsa.
Suspiro. Eu não vou poder me teletransportar, não vou poder pegar outro voo – porque era mais distante, sairia mais caro – não vou poder me jogar do avião – pois ficaria ainda mais perdida do que o programado – e não vou poder contar a ninguém que roubamos dois assentos para a Nova Zelândia.
E eu também estou um pouco bêbada.
Só há uma coisa que podemos fazer agora.
– Vamos aterrissar.
Notas finais
Deixe seu review!!
xx
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