Notas iniciais
Somos rápidas né?
Partes tensas by Malu.
Aproveitem *-*

POV Brenda

Saímos do avião, pegamos as malas e vamos embora daquele lugar. Não aguento mais, nesse momento só quero terra firme. Pedimos ajuda a uma mulher que nos recebe bem – até demais.

- Bom dia. — Ela sorri — Seu carro está te esperando.

- What? – Digo assustada. Não tenho carteira de motorista, muito menos um carro.

- O carro da senhorita. Ele está esperando.

- Obrigada. – Diz Rafaella com um sorriso safado e uma cotovelada na minha barriga.

Saímos do aeroporto, de encontro ao carro, e AIMEUPAIDOCÉU! UMA MERCEDES!

Olho pra Fafá assustada e satisfeita. Ela é uma boa mentirosa. Entramos no carro e “nosso” motorista nos serve vinho branco enquanto aproveitamos o conforto da Mercedes.

- Fá, véi, eu te amo! – Digo agradecida por todos os luxos que ela conseguiu nos proporcionar com o uso de uma simples palavra.

- Eu sei que sou demais. – ela diz com um uma cara que não me parece muito sóbria.

- Mas será que teremos algum problema?

- Relaxa amiga! Não vai acontecer nada, as velhinhas vão aproveitar o mês no Canadá. – Diz caindo na gargalhada. Paro de me preocupar e rio também.

A coisa é que eu sei que vai dar merda, mas Rafa tem esse jeito de relaxar a gente, de levar a gente para o lado escuro da força – ok, isso foi péssimo. De qualquer forma, ela me convenceu a simplesmente aproveitar.

Chegamos ao hotel e nos dirigimos à recepção.

- Com licença, nós reservamos uma suíte aqui...

- Ah, sim, sim! Disseram que vocês chegariam mais ou menos nesse horário. – A mulher diz, digitando nervosamente – Aqui está o cartão e... – Ela fala apressada olhando para um dos funcionários – Johnny! Leve essas moças até a suíte máster.

POV Rafaella

A porta da suíte abre com um clique quando o funcionário passa o cartão. Fico deslumbrada com a mesinha de centro de vidro e o sofá que se estende à nossa frente; aí percebo que aquilo era só a entrada. Atrás deles se estendem duas camas queen size com lençóis de seda preta e branca, um pouco para a esquerda. Mais para a esquerda, depois das camas, uma porta se abre na parede – para o banheiro imenso. Na direita, logo no fundo, encontra-se um mini-bar, com algumas garrafas dos mais variados tons. Depois dele – mais para a direita – tem uma cozinha pequena, com uma mesa de vidro, um micro-ondas, um fogão de duas bocas e uma mini-geladeira.

Eu já estou babando, andando para todos os lados e sentindo a fofura dos tapetes nos meus pés – nem me pergunte onde estão meus sapatos, eu os joguei em algum lugar quando vi a cena –, quando percebo que Brenda ainda está na porta. Eu posso dizer que ela está parada, encarando o quarto, mas estaria mentindo descaradamente. Porque, na verdade, ela está dançando. A dança de Louis, para ser mais precisa. A da bola de basquete e da lâmpada. Me jogo na cama e desato a rir, me enrolando nos lençóis enquanto ela começa a cantar Up All Night e Johnny olha para gente com uma cara estarrecida.

Ele abre a boca, como se fosse falar alguma coisa, mas nessa hora Brenda chega ao refrão e ele faz uma careta e desiste. Ele não deve ser um fã – mas foda-se, eu estou curtindo a voz da minha amiga numa suíte incrível na Nova Zelândia. Foda-se o maleiro – ou Homem Das Malas, sei lá.

Levanto-me e vou até a porta para dar a gorjeta – tem um dinheiro sobrando, já que não vai ser necessário pagar o hotel. Fecho a porta dançando e me ponho a cantar junto com Beu.

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Depois de banhos de banheira – ou mini-piscina, chame como quiser – demorados e muitos produtos para a pele que estavam no banheiro, eu me encontro com um short cinza, uma blusa com decote em V com a frase “Party All Night Long” e um sapatênis e Brenda se encontra com um macaquinho logo acima do joelho de um pano leve e um saltinho.

Sentamos em uma das camas e nos olhamos por um tempo.

- E agora? – Ela me pergunta.

- E você me pergunta? – Solto – Eu já falei com a minha mãe, antes que ela surte. Você também. Mas, na boa, eu não sei o que se faz na Nova Zelândia.

- Quer pesquisar?

- Não sei, estou cansada... Não sei que horas são aqui, mas lá em casa seriam quatro da manhã...

- Por isso mesmo. A gente não esse horário, está meio cedo... Acho que a gente deveria procurar a programação do hotel à noite. Quem sabe não tem alguma festa...

- Tudo bem. Vou ligar para a recepção. – Me dirijo à cozinha, onde um interfone está preso na parede. Tem outro ao lado da cama, mas... eu não estou a fim. Ou alguma coisa do tipo.

Disco o número indicado como o da recepção e espero. Eu espero uma voz máscula e sexy, mas uma mulher atende do outro lado da linha, com uma voz esganiçada.

- Boa noite, recepção Crowne Plaza Hotel.

- Boa noite. Nós não temos muita certeza de que horas são por aqui, mas o seu “boa noite” já foi uma bom sinal. – E solto um sorriso nervoso – Estamos procurando pela programação do hotel. Queremos saber de alguma festa ou...

- Ah, claro. Hoje à noite o salão foi reservado para um noivado. Amanhã teremos uma festa, à noite. – Ela espera por novas perguntas, mas eu não digo nada – Mais alguma coisa?

- Não, obrigada. E tenha uma boa noite.

- Na verdade, são... – Mas eu não ouço o resto. Fico tentada a ligar de volta para saber que horas são, mas me vem uma preguiça e resolvo contar a Brenda que a gente não tem programação e eu vou dormir mesmo. Não preciso me dar ao trabalho. Ela já está deitada na cama mais perto do banheiro, coberta e sem os sapatos.

Aquela vaca.

Deito-me na outra cama e deixo os pensamentos voarem. Não por muito tempo, já que eu logo adormeço.

POV Brenda

Acordo me sentindo relaxada e nova. Olho para a cama ao lado e Rafaella está dormindo toda esparramada. Resolvo deixá-la descansando, afinal, foi uma longa viagem.

Levanto da cama, vou até o banheiro, tomo uma ducha bem fria pra acordar, escovo os dentes e coloco um vestido amarelo bem leve e minha jaqueta branca com a manga dobrada.

Prendo meu cabelo escovado em um coque folgado e vou procurar algo para comer. Nada. Resolvo ligar para a recepção para pedir que tragam o café da manhã aqui no quarto.

- Boa tarde, recepção falando. – Diz a mulher que nos atendeu ontem quando chegamos.

- TARDE? – Pergunto assustada. Dormimos tanto tempo assim? – Por favor, poderia me informar que horas são?

- São três da tarde, senhorita.

- Hum... Obrigada. – Digo, aturdida.

- Senhorita, o almoço já está sendo servido, só pra informar.

- Muito obrigada – Digo – Será que teria como trazerem o almoço para nós aqui no quarto mesmo? Foi uma longa viagem e eu não tenho certeza se minha colega vai acordar tão cedo... – Era meio mentira, meio verdade. Claro que eu queria almoço no quarto. Mas Rafaella, ia acordar. E logo.

- Mas é claro. – A mulher diz – Estaremos mandando dentro de meia hora.

- Perfeito – Respondo e desligo o interfone.

Vou até a cama onde Rafaella está deitada com o cobertor até o nariz.

- RAFAELLA! – Grito em seu ouvido.

- Hãã? – Diz ela sonolenta e mudando de lado da cama.

- ACORDA! TÁ NA HORA DE ALMOÇAR! JÁ SÃO TRÊS DA TARDE! TRÊS, CARAMBA!

- O quê? Comida? – Fala saindo da cama com um pulo. – Hã? Três? Três comida?

- Isso, comida. Você vai tomar banho ou vai almoçar de pijama mesmo?

- Já estou indo... – ela diz, sem ter muita certeza a quê está se referindo – Sei lá.

Eu solto meu cabelo e procuro algo pra calçar, enquanto Rafa entra no banheiro pra tomar banho. Encontro meu Oxford dourado e calço. Desligo o ar – está realmente frio e, mesmo com tudo pago, não quero abusar. Fafá sai do banheiro com um vestido florido com decote em V e com o cabelo amarrado em um lindo rabo de cavalo.

- Então, vamos almoçar? – Pergunto.

- Vamoos! — Diz ela entusiasmada.

Com um perfeito timing, batem na porta. Abro e um homem vestido no uniforme do hotel está parado na porta, com o cabelo loiro caindo nos ombros. Rafa me empurra e sorri para ele, abrindo mais a porta para que ele entre com o almoço. Ele o deixa perto da mesa da cozinha e pega a gorjeta que Rafa lhe estende com educação e sai. Em certo ponto penso que ela vai convidá-lo para se sentar conosco, mas não acontece.

O almoço está muito bom. Tem dos mais variados tipos de comida. Dá pra perceber que Fafá está super feliz, mesmo sem o louro.

Saímos do quarto direto para a recepção – cansamos de ficar usando o interfone – para saber sobre o horário da festa à noite.

- Com licença, é que queríamos saber os horários de hoje à noite.

- Ah, claro. Hoje às vinte horas, haverá uma festa.

- Obrigada.

Voltamos para o nosso quarto – a visita à recepção foi puramente simbólica –, navegamos na internet e jogamos conversa fora. Quando olho no relógio são sete e quinze – no horário de lá, já que mudamos o horário em todos os aparelhos nesse meio tempo. Resolvemos nos arrumar – mesmo querendo chegar um pouco atrasadas –, afinal, é uma coisa que demoramos de fazer. Pego minhas roupas e as jogo na cama sem saber o que vestir. Demoro pelo menos uma hora só nesse processo.

Tomo banho, visto minha saia xadrez e uma blusa preta de manga comprida e faço uns cachinhos no meu cabelo com o baby liss. Calço uma bota preta de cano curto e começo a colocar a maquiagem quando noto o silêncio.

- Fá, já está pronta? – grito.

- Ainda não.

- Então vai logo, criatura.

Fico observando pela porta de vidro que dá na varanda a bela vista da ilha. O momento que eu mais gosto do dia, a noite, logo após o pôr do sol – mesmo que o mais me encante seja este. E este lugar deixa tudo tão bonito. Observar o pôr-do-sol aqui me lembra o Brasil, os meus amigos e a minha família.

- Estou pronta! – Diz Rafaella saindo do banheiro com um Jeans skinny, uma blusa com um decote discreto e um salto médio vermelho.

- Finalmente!

- Então, vamos?

- So c-come on – brinco.

Assim que chegamos à boate do hotel, Rafaella já está dançando ao som de Sexy and Know It. É a preferida dela. Apesar das músicas serem legais, eu realmente não estou no clima. Pego um refrigerante – já que eu não sou cara de pau que nem Fafá — e me sento, observando as coisas ao meu redor.

- O que aconteceu? – pergunta ela.

- Nada. Só não estou no clima.

- Como assim? Lá em cima você estava empolgadíssima.

- Mas, sei lá. Perdi a vontade.

- Beu...

- Olha, Fá, eu só preciso de um pouco de ar fresco, ok?

- Ok, então... – Diz ela voltando para a pista de dança.

Saio do hotel e vou passear pelas ruas de Queenstown – sim, eu procurei saber onde estávamos. Está tudo escuro e as lojas estão fechadas. Atravesso a rua olhando para o chão, até que me esbarro em alguém.

- Ai! Olha por onde anda! – Falo irritada.

- Ai, grossa – Diz ele. Sua voz é rouca e sexy, e eu tenho certeza absoluta de que já a ouvi antes. Olho para o rosto da pessoa, mas a iluminação onde estamos é fraca e não consigo ver muito mais do que uma silhueta alta e magra.

- Nhe nhe – Digo fazendo uma careta mesmo sabendo que ele não verá por conta do escuro.

- Nhe nhe nhe – Diz ele me fazendo rir. – Posso saber aonde a senhorita vai?

- Of course not. Não dou informações a estranhos. – Digo e saio, refazendo o meu caminho até o hotel – com aquela voz rouca na minha cabeça.

POV Rafaella

Estou dançando ao som de Laserlight quando vejo um cara vindo em minha direção. Ele é alto e moreno e com a iluminação fraca da boate posso ver que é lindo. E sabe dançar. E está olhando diretamente nos meus olhos. É demais para mim – e é pedir muito que eu não entre na onda.

Penso em Brenda e em como ela provavelmente vai me estrangular se eu me envolver com alguém, mas isso só toma um segundo do meu tempo. Minhas prioridades estão sendo seriamente reavaliadas.

Ele chega em mim e começamos a dançar juntos. Não me reprimo de forma alguma, e fico ainda mais descontrolada quando sinto a respiração irregular dele na minha nuca. Viro-me de frente para ele, que coloca a mão na minha cintura e chega mais perto.

Eu já espero, mas isso não evita a reação que tenho quando ele me beija. Estou sem ninguém há três meses. A seca me deixou completamente sedenta. Não diga, Rafaella.

Quando finalmente paro de pensar nisso, deixo minhas mãos se perderem no cabelo dele – e minha língua em sua boca. Estamos entrelaçados e ele me guia até a parede. Não sei por quanto tempo ficamos assim, mas enquanto isso eu capto um remix de Where Have You Ben, Marry The Night, Moves Like Jagger, Up All Night e outro remix, de Paradise, além de umas duas que eu não conheço. Paramos para conversar umas três vezes. O nome dele é Dilan e ele é da cidade. Se oferece para me mostrar a cidade, e eu me esgueiro dessa com um “quem sabe” bem elaborado – e seguido de alguns beijos no pescoço, mas isso foi só para disfarçar. Falo somente o básico sobre minha estadia, já que nem eu sei direito como é que a coisa vai funcionar. Tenho vinte e oito dias de férias, mas digo a ele que eu talvez volte mais cedo. Não que eu o esteja tratando como um descartável, mas eu não quero prometer nada a ninguém – muito menos no meu segundo dia por aqui. E não vou, já que não sou idiota.

Ele está com as mãos na minha coxa, e sobe, por baixo da blusa, quando eu as seguro e interrompo o beijo. Dou uma olhada rápida no relógio. É uma da manhã. Eu digo no ouvido dele – o som estava alto demais, mas não é só por isso – que tenho que voltar para o meu quarto e ele diz que me acompanha. Aceito, já que ele vem tentando se oferecer para qualquer coisa comigo, e saímos da boate de mãos dadas. Esperamos o elevador e ele me dá alguns beijos discretos – ou eu acredito que sejam discretos – e quando este chega, para minha surpresa, ele entra comigo. Eu deveria ter desconfiado. Dilan começa a me beijar de novo, e me pega pelas pernas. Estou pendurada na cintura dele quando o elevador se abre de supetão. Dou um pulo para o chão, onde ele fixa o olhar e pigarreia.

Uma senhora está nos olhando, do lado de fora, com os olhos levemente arregalados. Aperto o botão para que a porta do elevador permaneça aberta e espero que ela entre, mas ela fica parada. Depois de uns dois minutos assim, ela engole seco e dá um sorriso amarelo.

- Desce? – Pergunta.

- Sobe. – Dilan diz, e tira o meu dedo do botão. Assim que a porta se fecha, eu olho para ele e começo a rir. Ele ri também, mas percebo que se sente desconfortável. O próximo andar – finalmente – é o meu, e nós mal paramos de rir. Dou um beijo na bochecha dele – para que ele entenda que talvez termine ali, já que ele parece bem confortável com a ideia de estar comigo em geral – e saio, parando na porta com um suspiro quando me lembro que estou sem o cartão. Para não ter ninguém preocupado comigo, me viro e dou um tchauzinho para ele enquanto o elevador vai embora.

Encosto a cabeça na porta. Ela está latejando, já que bebi três copos esta noite – o que representa três copos a mais do que eu geralmente bebo. Sei que Brenda já está dormindo, e sei que ela deve ter deixado a chave em algum lugar para mim. Me abaixo com esforço e tateio embaixo do tapete. Estou tão azoada que quase não percebo o cartão. Abro a porta com cuidado e encontro uma luz fraca vindo do notebook de Brenda. Mal posso acreditar que ela ainda está acordada.

- Pensei que você já estaria dormindo... – Digo tirando os brincos e o sapato no banheiro – Que horas são? Uma e vinte?

- Uma e vinte. – Ela me corrige – Mas eu não planejava dormir antes de você chegar, de qualquer jeito.

- Tem muito tempo que você voltou?

- Muuuito. Eu andei por uns quinze minutos. A rua estava meio escura, acho que teve algum problema. Depois que eu voltei vim direto para cá e vi Jogos Vorazes.

Eu rio. É muito a cara dela isso. Deixar de ir para uma festa incrível para ver um filme.

- Eu esbarrei em um cara – Diz. Eu saio do banheiro correndo, só de calcinha e sutiã, e olho para ela com os olhos arregalados – Não, não! – E começa a rir – Só esbarrei mesmo, sua safadinha. Um doido aí no meio da rua.

Ela me conta o que aconteceu e volto ao banheiro rindo. Quando estou entrando no banho, ela chega na porta e olha para mim com os olhos cerrados.

- E você, hein? Se deu ao trabalho de perguntar o nome dele? Ou deles? – Ela ri. Sabe que eu não sou esse tipo. Tudo bem, se eu voltar lá amanhã, provavelmente vou chegar em outro cara, mas são duas coisas muito diferentes. Eu rio com ela e a encaro, fingindo estar séria.

- Dilan, Beu. O nome dele é Dilan. – eu digo abrindo o chuveiro.

Notas finais
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Repetindo, partes tensas by Malu.
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.