Entre Sonhos e Bloqueios

6 Entre Fofocas e Futricas


Notas iniciais
Demorou, mas saiu, pessoal! ♥ A Yoru anda muito ocupada então a betagem vai ser nesse ritmo mesmo. É até bom que tenho mais tempo pra fazer as capas. Gosto de colorir as budegas! ^^ E como está rolando o "Concurso Saint Seiya PWP" com Milo e Camus no Facebook, o cap 7 pode atrasar um bocado também. Só avisando. ^^ Queria aqui deixar meu MUITO OBRIGADO à Katrinnae Aesgarius por ter me deixado uma recomendação na fanfic! Menina, valeu mesmo! E é uma grande honra tê-la por aqui. Fiquei de cara quando vi que você estava lendo. ♥ Quero agradecer também a galera que deixou review até agora: Youko Yoru, Secret Gemini, Lanny Missmuse, Litha Chan, Suh, Amelinda, Sheilinha, Cle, AngelMu, Yullen, Bakamonique, MissLoner, MilaScorpions, Alexiel e Delencei! Valeu, pelo encorajamento! ♥ Pela capa, podem ver que entreguei a participação especial neste capítulo, né? Vamos ver o que sai disso! xD Boa sorte com a leitura! PS: Como o Milo tira umas referências do arco da velha... vou colocar números atrás delas e no final do cap suas respectivas explicações. See ya! o7

Passaram dois dias desde o telefonema de Camus e ainda assim não conseguia parar de sorrir sempre que me lembrava das palavras dele ao falar do meu novo romance.

Como eu achava isso estranho. Só o tinha encontrado pessoalmente uma única vez na vida e desde então o cara não saía do meu pensamento. Apesar de ter divagado, ainda bêbado, que poderia estar de quatro por aquele ruivo, a verdade era que eu o queria de quatro na minha frente enquanto me recebia vigoroso e cheio de tesão por trás, gritando de puro deleite com aquela voz potente que poderia causar inveja até mesmo ao anjo Metatron[1]... Se anjos existirem, é claro.

Eu não estava apaixonado, não mesmo. Não tinha nem cabimento estar, nem ao menos nos conhecíamos direito. E eu não era muito adepto dessas historinhas de amor à primeira vista, já desejo era outra completamente diferente.

Não, eu NÃO estou me enganando. Eu tenho certeza absoluta de que se eu o comesse logo, no outro minuto perderia o interesse. Era o que sempre me acontecia. Estou mesmo nessa fissura toda, porque como um bom escorpiano adoro um desafio difícil. Não que não achasse que nunca me apaixonaria, nada disso.

Acho que acontece naturalmente uma ou duas vezes na vida das pessoas. Talvez algum dia chegue a minha vez.

Só espero ser correspondido, porque amar sozinho e curtir dor de cotovelo deve ser foda.

Já tive minhas aventuras por aí e me lembro bem de como elas acabaram. Com um marmanjo chorando na minha porta dizendo que me amava e pedindo mais uma chance, ou falando que o amor viria com o tempo e que eu deveria experimentar uma vida a dois, como se eu fosse obrigado a sentar e esperar pacientemente ficar apaixonado pela pessoa!

Não tenho paciência, nem adianta testar, porque já tentei várias vezes e vi que essa porcaria não funciona direito comigo.

E por mais que eu tivesse pena dos caras, não via porque eu que teria de me sacrificar só para fazer alguém feliz. Minha felicidade onde ficava? No rabo deles?

Não, obrigado!

Aí você se pergunta: Como é que ele se vira com sua vida sexual?

Bem, não é muito difícil. Basta me arrumar, passar um perfume, pegar a carteira, as chaves do carro e partir pra balada. E Nova York era o point pra isso. Eu chegava numa boate gay famosinha, tomava uns drinks, ia pra pista dançar e bingo! Todos queriam ir pra cama com o garotão aqui.

Quando disse que era "bem apanhado" eu não estava brincando. Sou loiro de cabelos compridos ondulados que terminam em cachos pesados, 1,85 metros de altura, 84 quilos de músculos bem definidos, adquiridos pelos exercícios que faço, ombros e costas largos contrastando com a cintura mais fina, coxas e nádegas são bem volumosas, pele bronzeada como o grego típico que sou, dando um grande destaque aos meus olhos bem azuis.

Cara, modéstia a parte, essa combinação não falha nunca.

Naquele domingo mesmo, por exemplo, depois de curar a maldita ressaca, decidi sair para uma das minhas baladas favoritas. Tomei um banho demorado, me barbeei com cuidado, passei uma loção pós-barba pra ajudar a diminuir a irritação da lâmina. Usei meu perfume Kouros[2] com notas de cravo, florais de jasmim e musgo de carvalho que exalava o cheiro da mais pura virilidade. No vestuário peguei uma blusa azul marinho com uma estampa da banda Def Leppard[3] bem justa (comprei uma de número menor de caso pensado), coturnos, uma jaqueta de couro preta estilosa, uma calça jeans azul desbotada, também apertada pra exibir sem qualquer pudor a curvatura dos meus atributos, tanto atrás como na frente.

E a parte frontal chamava bastante atenção, diga-se de passagem.

Chegando à boate não demorou muito e já estava sendo disputado. Achei até que ia rolar briga entre alguns caras que se estranharam por minha causa. Acabei encontrando um rapaz bonito com seus vinte e poucos anos, olhos verdes bem claros, cabelos negros na altura dos ombros e uma boca carnuda de parar o trânsito. Mal bati os olhos e já a imaginei me chupando com gosto, senti meu corpo inteiro se arrepiar.

Após as apresentações, uns amassos intensos com direito a mão boba na minha virilha, fomos para um motel, me acabei dentro daquele corpo jovem e apertado como se fosse um animal no cio. No primeiro orgasmo ele me cavalgou com vontade parecendo mais desesperado do que eu. No segundo, rolou um oral de ambas as partes e depois o virei de bruços na cama me enterrando mais uma vez dentro dele. Essa rolou com mais calma, mas ainda febril e cheia de tesão.

Depois de todo aquele exercício, descansamos por um tempo, tomamos um banho, ele me deu o número de seu telefone, o qual, provavelmente, nunca vou usar, e seguimos cada um o seu caminho.

Ao chegar em casa às cinco da manhã eu estava satisfeito, relaxado, com meu ego massageado e morto. Dormi a segunda quase inteira só acordando porque meu estômago vazio estava reclamando muito.

É assim que me resolvo... Ah, e tudo com camisinhas, claro! Não vou me arriscar.

Apesar de toda essa revolução a minha volta, queria mesmo era catar um certo ruivo. Mas, é a vida... Não se pode ter tudo.

Em meio à minha contemplação divina sobre os mistérios da vida, do universo e tudo mais a campainha toca. No mesmo instante eu sorrio de canto. Estava esperando alguém. E não era um ruivo e sim uma ruiva.

Vi pelo olho mágico que se tratava realmente de Marin, noiva de Aiolia, minha agente e melhor amiga nas horas vagas. Olha, sinceramente, não sei como ele conseguiu fisgar uma beldade dessas. Ela era ruiva de cabelos cacheados na altura dos ombros, grandes olhos amendoados expressivos, uma boquinha bem desenhada de boneca, pele alva com algumas sardas aqui e ali, um corpão de dar inveja a qualquer top model e ainda tinha aquela voz sensual encorpada e não uma fina enjoativa.

Se eu gostasse da fruta o meu amigo estaria perdido, afinal nos damos super bem.

— Marin, minha querida, vem cá! – puxei-a para um abraço apertado e caloroso, pois não a encontrava desde que havia saído do país para visitar alguns parentes no Japão, isso há quase um mês atrás.

— Milo, que saudades! — ela retribuiu o abraço com a mesma intensidade. Ou quase. – Mas, não me aperta desse jeito, seu cachorro, isso dói! Não é você que tem dois melões acoplados no tórax!

— Ah, desculpa! Não foi por querer. – Afrouxei o aperto, mas ainda mantinha meus braços envolvendo seu corpo e trazendo-a para dentro do apartamento. — É que tanta coisa aconteceu e eu queria muito te ver.

— Bem, eu voltei, querido! – Disse, se soltando e fechando a porta como se o local fosse a casa dela. Como isso me divertia, afinal era a única pessoa que deixava fazer o que quisesse no meu espaço pessoal. — E não se preocupe. Vou voltar a ficar no seu pé igual a uma sarna, fazer você trabalhar como nunca na sua vida.

— Ah, não começa! – Deuses, essa workaholic realmente não parava nunca! — Eu juro que tenho feito o meu melhor todos os dias.

— A-ha! Só acredito vendo. – E me lançou um sorrisinho sarcástico antes de continuar. — Onde estão as mais de quinhentas mil palavras que você me prometeu antes de eu viajar?

— Você não tá falando sério, né? – Retornei incrédulo. Às vezes era difícil saber se ela estava brincando ou não. — Eu disse aquilo na zoação.

— É eu sei... Mas, a esperança é a última que morre... – E me olhou de cima abaixo parecendo desconfiada no mesmo segundo. – Mas, por favor, não me diga que tem passado todo esse tempo assistindo Netflix e baixando animes.

Minhas íris rolaram nas orbitas sem que pudesse evitar a expressão impaciente – É sério, eu trabalhei! – mas logo abri o meu melhor sorriso de contentamento. — Tanto que temos novidades. E das boas!

— Verdade? Então me mostra logo! – E finalmente ela pareceu irradiar aquela energia animadora que sempre me fascinava. Parecia notar que eu estava satisfeito comigo mesmo e isso se traduzia em coisas novas para seu entretenimento.

— Vem comigo, meu laptop está lá no quarto – comecei a atravessar a sala e antes de pegar o corredor já fui avisando como se precisasse – A propósito, se quiser comer ou beber alguma coisa você sabe muito bem onde pegar.

— Por enquanto nada, acabei de almoçar. – e aquilo me deixou intrigado.

— Nossa, mas já passam das três! – Confirmei pelo meu relógio do celular. O que ela estaria fazendo para ter se alimentado tão tarde?!

— Eu precisei resolver uns problemas com o vestido, pegar convites de casamento... – deixou que um suspiro pesado escapasse pelos lábios bonitos e levemente rosados pelo batom – Falando nisso... – remexeu numa sacola que havia colocado em cima de minha cama e estendeu-me um envelope num tom pastel, o qual a cor real nem em sonhos saberia identificar — Este é o seu.

— Nem acredito que este casório vai sair!! – aceitei o convite e passei os dedos para sentir as letras discretas em alto relevo que revelava o nome dos noivos. — Vocês ficaram enrolando durante seis anos. Já até moram juntos.

— Eu sei. Mas se dependesse de nossa vontade não sairia. – Mais um suspiro e a vez dela de rolar os olhos impaciente com a situação — É apenas parte da minha família que faz muita questão, você sabe...

— Não a deixariam em paz enquanto não casasse. – Disse sentando-me na beirada da cama e batendo com a mão ao lado indicando que se sentasse e descansasse um pouco.

— Pois é... – concordou e repentinamente pareceu se lembrar de algo importante e desatou a falar enquanto eu esticava o braço alcançando o laptop perto da cabeceira da cama. — Ah, e você tem que comprar um terno bem bonito pra fazer par com a Shina, afinal de contas vocês são meus padrinhos nesse teatro e eu não vou aceitar pagar este mico sozinha com o Aiolia.

— Não esqueci disso... – fiz uma leve careta de desgosto e apreensão ao lembrar que teria de ficar lá na frente no altar durante toda a cerimônia. Pelo menos eu faria par com a Shina e com certeza ficaríamos fazendo piadinhas sobre o casamento bem no meio do mesmo. — Só não sei comprar direito essas coisas. Ternos e gravatas... Sapatos eu até que levo jeito. – ri com aquele pensamento enquanto ligava o computador já no meu colo.

— É fácil! É só aparecer na loja e gritar: Me vê um terno que não seja um saco de batatas e não fique pega-frango! – seu belo rosto se contorceu numa figura cômica me fazendo rir ainda mais com aquilo.

— Tá, vou muito fazer isso! – mas, não deixava de ser uma boa ideia de todo.

— Do jeito que você é maluco bem capaz de falar coisa pior. – e concordei no ato. Nem precisava tentar negar. E se o vendedor fosse o meu tipo estaria totalmente perdido comigo, pois, não era nada tímido. Felizmente era difícil entrar numa loja e me deparar com algum que fosse do meu agrado, não estava muito a fim de passar uma saia justa num local público qualquer.

Passamos um bom tempo colocando a conversa em dia. Ela me contou como foram os lances no Japão e me deu várias coisinhas de presente, as quais disse que se lembrava da minha pessoa sempre que via. Sabia que eu era viciado em anime e mangá. Segue aí uma listinha de algumas coisas que mais gostei: dois posters gigantes do Abarai Renji e do Kuchiki Byakuya de Bleach, os mangas de ViewFinder da Yamane Ayano, lentes de contato que simulavam o Sharingan dos olhos do Sasuke de Naruto, não que eu vá usar algum dia na vida, mas, achei muito legal, tinha até um Garage Kit do Alucard de Hellsing que simplesmente adoro.

Anoiteceu e eu resolvi pedir uma pizza gigante quatro queijos com umas Cocas, porque estávamos morrendo de fome e sem paciência nenhuma para cozinhar. Marin me acompanhou também comendo bastante, apesar de me acusar de comprometer a sua dieta, não poderia ganhar nem mais uma grama ou não entraria no seu vestido.

No Japão ela havia se esbaldado por ter adoração à culinária Nipônica, e por conta disto ganhou alguns quilinhos, os quais, sinceramente falando, não faziam a menor diferença. Na verdade acho que ela ficou mais gostosa com aqueles seios ainda mais avantajados, às vezes me perguntava como não conseguia sentir desejo pelo corpo feminino, porque os achava visualmente agradáveis.

Desde muito jovem eu já sabia que gostava mesmo era de um belo pênis ereto e balançando na minha cara, tive sérios problemas em encarar os vestiários masculinos na escola, já que o que mais tinha ali dentro eram garotos nus fazendo gracinhas uns para os outros. Minha adolescência foi deveras difícil e até conseguir contar para os meus amigos que era gay, passei por uma crise existencial enorme imaginando que nenhum deles me aceitaria e colocariam fora de suas vidas.

Só no dia em que finalmente entendi que amigos de verdade estavam com você pro que desse e viesse, reuni a galera, respirei fundo e contei.

Para minha surpresa Aiolia foi o primeiro a dizer já saber, outros o acompanharam no mesmo raciocínio dizendo estar tudo bem. Imaginei que poderia ter alguns trejeitos afeminados e fiquei bastante confuso quando os indaguei sobre aquilo, mas, me asseguraram que eu era bem masculino, às vezes até tosco no modo de agir.

O que me delatava mesmo eram os olhares compridos e cobiçosos sempre que eu via um cara que fosse o meu tipo. Disseram que inconsciente eu não tirava os olhos, mirava intensamente até deixa-los sem jeito.

Por falar em meu tipo e sem jeito...

— Quer dizer então... – mudei de assunto ao me lembrar da minha mais recente obsessão – que você é prima do meu revisor, Camus Beaufort...?!

— Hm? – Ela parou por uns segundos com o copo no ar e depois de dar um gole do liquido borbulhante respondeu. – Como sabe disso? Quem contou?

— É uma longa história... – dei uma pausa fazendo certo suspense – mas, o resumo da ópera é que ele esteve aqui, lavou a minha cara por causa dos meus atrasos, me ajudou com um bloqueio criativo duas vezes e numa dessas confusões soltou que era seu primo.

— Por que não disse isso antes? – Ela arqueou as sobrancelhas ruivas naquele rosto bonito como quem diz que aquilo era uma informação importante.

— Só lembrei agora. – E enfiei mais um pedaço de pizza na boca, afinal não queria parar tão cedo, depois era só descontar numa corrida de alguns quilômetros na esteira.

— Que estranho o Camus sair dizendo por aí ser meu primo... – Ponderou voltando a colocar mais um bocado de Coca-Cola em seu copo. – Era mais fácil você ter ouvido isso do Aiolia.

— Mas, ele disse. – Insisti de boca cheia. Não era como se ela se importasse com minhas sutilezas. Ou falta delas. — Ouvi do próprio Camus numa conversa pelo Skype.

— Bom, o pai dele é irmão da minha mãe que saiu da França, foi para o Japão e se casou por lá. – Que a mãe dela não era japonesa eu já sabia. Agora só não me lembro de ter me dito que era Francesa.

— Então ele nasceu na França? – Falando nisso, eu tinha que voltar a fazer um mochilão pela França qualquer dia desses... Será que um certo ruivo me acompanharia?

— Sim, mas, veio com uns treze ou quatorze anos pros Estados Unidos. Uma parte da família morava aqui e ele resolveu vir estudar. – Deu mais um gole no refrigerante despreocupada. – Acabou ficando no país...

— Hm... isso explica aquele leve sotaque... – Que me hipnotizava sempre que escutava aquela voz gostosa nos meus ouvidos, mas, isso ela não precisaria saber. – E quanto a ex dele?

— Espere aí! – Mais um pouco e ela teria engasgado. Seus olhos meio puxados se abriram mais revelando suas íris castanhas completamente. – Ele contou que foi casado? Explica esta história direito.

— O quê? Qual o problema dele contar que é divorciado? – dei de ombros e voltei minha atenção para o resto da pizza esfriando no meu prato.

— Bem... – Agora sim, aquele tom desconfiado mais uma vez. E eu claro, fingindo de égua completamente. – considerando que ele não fala sobre sua vida pessoal com estranhos... – E se perdeu por alguns segundos na memória analisando o que se lembrava sobre o primo. – Acho que até amigos e familiares tem dificuldades de arrancar alguma coisa dele.

— Bom... sabe... eu meio que acabei perguntando... – Soltei e dei um risinho baixo pensando na minha própria cara-de-pau.

— Você o quê?!! – Ela soltou o copo e colocou as mãos em cima da mesa, tamborilando com as unhas compridas e vermelhas na mesma, eu podia prever o que ela diria a seguir. – Pelos Deuses, Milo, não me diga que você ficou interessado nele?!

Droga, ela me conhecia muito bem.

— Na verdade, ele me pegou assistindo animes no dia que veio aqui e comentou que o filho também assistia. – encolhi os ombros fazendo um ar de inocente. — E como bom curioso, perguntei se era casado, ele respondeu divorciado e foi só... – contudo logo voltei a minha expressão safada de sempre. – Mas, não vou mentir, Marin, ele é muito gostoso.

— O Camus é realmente muito bonito mesmo... – examinou o que disse por um tempo e continuou. — Difícil de lidar, mas, lindo.

— Parece até um modelo de roupas da Armani. – eu deveria manter a minha boca fechada para não dar mais na cara de que estava interessado.

— Parece mesmo... – Concordou sem nem pestanejar, o que me deixou mais a vontade para falar de uma vez o que pensava.

— Meu queixo caiu quando ele apareceu... – E outra coisa quase subiu no mesmo minuto.

— Acredite, não só o seu. Camus tem esse efeito em todo mundo. – rebateu o que eu já imaginava.

— Bom saber que não estou exagerando!

Ela acenou positivamente com a cabeça e permanecemos em silêncio por alguns instantes. Ainda queria saber mais e via que ela queria me dizer algo, mas, estava decidindo se realmente deveria.

E foi então que, tomando uma decisão, começou a falar.

— Ele teve problemas com isso no colégio e na faculdade... – disse baixo e com certo pesar em sua fala. – As pessoas não largavam do pé dele pela sua aparência. Todos queriam tê-lo e exibi-lo como um troféu. Acho que por isso ele foi ficando cada vez mais introvertido com o passar do tempo. Sério demais, entende?

— Nossa, que barra... – comecei a achar aquela parte meio estranha. Não entendia como as pessoas achavam ruim ser desejadas pelas outras. – Nunca achei que beleza pudesse atrapalhar a vida de alguém... – se bem que eu também já tive meus pequenos perrengues com relação a isso, mas, não a ponto de me fazer mudar ou sofrer.

— Atrapalhou... – Então sua expressão passou de pesarosa para aliviada. – Até que ele conheceu a Natassia, a ex.

— Ele se apaixonou, casou e as pessoas pararam de correr atrás dele? – Ah, não sei por que, mas, aquele nome passou a me incomodar a ponto de me remexer na cadeira.

— Não foi bem assim... – Interveio ficando um pouco mais séria. – Na verdade, eles se tornaram grandes amigos. E como era também muito bonita tinha problemas com pessoas correndo atrás dela, acabaram concordando em fingir que eram namorados.

— Fingir? – Parem o mundo mais uma vez. Como assim fingir? A garota não era linda? Então, por quê? – Não era mais fácil eles namorarem de uma vez? Já que eram tão bonitos e atraentes deveria rolar alguma atração, não?

— Acredite, eram realmente amigos. – Voltou a afirmar e frisar bem a palavra amigos. – Nada mais que isso. Acontece que numa festa da faculdade que cursavam eles beberam muito e acabaram transando e ela engravidou na mesma noite.

— Então... o filho foi um acidente...? – E esse era o motivo de ter tido um filho ainda jovem.

— Isso... Acabou que resolveram se casar e o casamento durou doze anos.

Interessante... o divórcio não foi há tanto tempo assim... Será que ele ainda tinha algum tipo de sentimento com relação a ela?

— Considerando os casamentos de hoje em dia, até que foi uma coisa quase eterna. – Não podia negar que durou um bom tempo, se parar para pensar em quantos anos ou até meses as pessoas ficam juntas quando assumem um compromisso atualmente.

— Pois é...

E então ela me deixou no vácuo decidindo-se por parar com aquelas informações. No entanto, eu queria muito mais que aquilo e não iria parar de insistir até que ela rezasse essa missa inteira pra mim.

— Mas, por que se divorciaram? – retomei a conversa. – Brigas...?

— Ah, isso? Não. – Sem perceber voltou a tamborilar as unhas na mesa e despejou tudo de uma só vez: – Acabei ficando amiga da Natassia, ela me contava que eles nunca brigavam. Se havia algum problema apenas sentavam e conversavam. Achei no inicio que queriam manter as aparências, mas, depois de observá-los cheguei à conclusão que era verdade. A separação foi completamente amigável. Natassia se apaixonou por um colega de trabalho e propôs o divórcio. Camus aceitou numa boa e ainda são amigos.

— Nossa, que casamento estranho... – essa era a minha vez de arregalar os olhos. Era a primeira vez que ouvia falar desse tipo de coisa.

— Verdade... Eles não pareciam bem um casal... – prosseguiu me deixando ainda mais com a pulga atrás da orelha. – Pareciam mais dois irmãos que se davam muito bem morando juntos.

— Quê??? – Ah, agora sim! Eu estava atacado e não havia nada que me faria parar de perguntar: — Não vai dizer que não rolava sexo nesse casamento?!!

— Ah, rolava sim! – Marin riu da minha cara e ainda com aquela expressão de gato que roubou o frango, seguiu me fazendo ficar um tanto animadinho com aquele assunto. – Ela me contava algumas coisas sobre isso... Sabe? Quando mulher se junta pra conversar, sempre soltam alguns detalhes depois de umas taças de vinho.

— Aham... e você não vai me deixar curioso sobre o que ela falava, certo? – aprumei-me na cadeira colocando os cotovelos em cima da mesa e apoiando o rosto nas mãos com a maior cara de vizinha futriqueira, apenas esperando.

— Vou pensar no seu caso... – Disse e se calou.

Droga, eu podia sentir o leão da indiscrição rugindo dentro de mim. Não estava com paciência para joguinhos. Agora eu queria toda a verdade doa a quem doer.

— Marin, eu te mato! – voltei-me indignado. Ela não tinha o direito de fazer isso comigo.

— Mas, Milo... – Ela pareceu exasperar-se. – Tenha dó, isso é coisa muito íntima.

— Como se você tivesse alguma vergonha de falar disso comigo. – E me lembrei de uma conversa que tivemos anos atrás sobre o inicio de namoro dela. — Já até contou uma vez que o Aiolia gozou cedo demais, te deixando na mão e ainda teve de fingir que estava tudo bem, que tinha sido ótimo.

— Não é vergonha, oras! – Ela disparou com um leve rubor surgindo no seu rosto. — É da intimidade do meu primo que estamos falando.

— Ah, Marin, por favor, me conta. – Agora eu era quem estava ficando exaltado. – Se não quisesse falar não tinha nem começado!

— Ai, Milo... – Ela bufou.

— Por favor... Só um pouquinho. – E eu fiz minha melhor cara de Gato-de-Botas do Shrek pra tentar convencê-la. Estava ficando desesperado por um motivo que não sabia bem identificar. – Você sabe que eu não abro a boca pra ninguém...

— Você abre a boca sim... – Ela disse fazendo uma pausa e fiquei chocado. Quando eu havia contado para alguém os nossos segredos? – Pra outras coisas, mas, abre...

— Até parece que você não... – Entendi bem o que ela estava insinuando e devolvi irônico. — E não desconversa.

— Tá bom, Milo, tá bom... – Se rendeu cansada de ser pressionada, além de ter uma ideia do quanto posso ser persistente. Nunca, NUNCA atice a minha curiosidade e deixe de satisfazê-la. Os resultados podem ser catastróficos.

— Não sabe como eu te amo! – devolvi animado com minha vitória.

— Ah, pro inferno... – Ela ficou um tempo em silêncio provavelmente sem saber por onde começar. Até que a luz se fez em seu rosto. – Sabe... as aparências enganam, quem vê o Camus daquele jeito quieto e calado, nunca imaginaria que na cama, segundo Natassia, ele é bem intenso.

— Verdade? – Nossa, só de imaginar essa intensidade dele meu coração acelerou um pouco e já sentia meu rosto querendo esquentar. Eu precisava me segurar firme... Será que qualquer coisa sobre aquele ruivo era capaz de me tirar do sério?

— Não sei, eu não transei com ele... – rebateu com um leve franzir de cenho. – Apenas conto o que ouvi dela.

— Não importa, continua. – Cortei, afinal, não queria saber da ex, eu queria saber do Camus. A ex que ficasse bem contente com o novo marido e não o procurasse nunca mais.

— Disse que curtia posições diferentes do convencional papai-mamãe e não descansava enquanto ela não estivesse satisfeita. – Deuses, se ele conseguia satisfazer uma mulher que não amava, o que ele não faria com um homem que se excitava muito mais fácil? E que posições eram essas? Eu precisava saber!

— Que posições ele curte? – E claro que perguntei.

— Isso ela não entrou em detalhes, seu tarado! – ela fez uma cara de enfado, como se isso fosse óbvio. Mas, como eu poderia saber?

— Sou mesmo, admito. O quê mais? – Impaciente como só instigava ela a contar tudo.

— E ela também disse que às vezes era meio desconfortável, porque ele é bem... – e fez um gesto com as mãos indicando o tamanho que seu membro deveria ser.

Nossa, minha boca ficou seca no mesmo instante e eu desatei a beber Coca-Cola, mas, parecia que nada conseguiria umedecê-la novamente. Fui atacado de um calorão repentino, tinha certeza de que minhas bochechas estavam vermelhas. E claro, ela percebeu isso.

— Milo, Milo... – O tom de advertência de sempre. – Olha lá onde você está querendo se meter...

Ainda continuava em silêncio sem saber o que dizer. Mas, uma coisa era certa, eu sabia PERFEITAMENTE onde queria me meter, e isso eu não podia contar, por mais que tivesse vontade.

O telefone dela começou a tocar e eu mal percebi quando pediu licença, levantando-se indo para outro cômodo para atender, estava muito concentrado nos meus devaneios pra sequer me incomodar.

Olha, se quer realmente saber, várias imagens passavam de relance pela minha cabeça e numa delas eu me via ajoelhado na frente do ruivo, admirando a cor também avermelhada de seus pelos pubianos enquanto fazia movimentos de vai-e-vem na sua masculinidade firme, generosa.

Ele estava duro feito pedra e soltando sons leves pela boca enquanto se derretia de prazer na minha mão. Eu dava leves lambidas envolta de sua glande com toda a vagareza do mundo, pressionando a ponta da língua contra sua fenda, sentindo seu o sabor que só conseguia imaginar, fazendo aquele membro estremecer querendo pular em minha boca, eu o abocanhei, suguei, gemi, e...

— Terra para Milo! – Ouvi minha acompanhante dizer enquanto tentava imitar uma voz robótica ao mesmo tempo em que estalava os dedos bem na minha cara. – Ainda está aí?

Ai, Marin, por favor, agora não... eu estava tão perto de senti-lo derramar-se na minha boca. Mesmo que não fosse de verdade...

— Hã? O que estava dizendo? – Deveria virar ator logo, afinal de contas, era perfeito em me fingir de besta.

— Dizia que era o Camus no telefone! – Não entendia porque, mas, ela estava eufórica e de uma forma que pouquíssimas vezes vi na vida.

— O Camus?... – Mas, claro, meu cérebro estava voltado apenas para o nome do meu atual objeto de desejo.

— Isso mesmo! E com ótimas notícias! – Ela sorria de orelha a orelha. — Sabe aquele romance que está escrevendo e que me mostrou ainda hoje?



— Sim? O que tem ele? – Ah, esqueci de dizer. Havia mostrado a história nova pra ela, que leu um pedaço do inicio e salvou o resto num pen-drive para continuar em casa.

— Camus disse que o mostrou para um companheiro de trabalho e agora estão super interessados querendo ter uma reunião conosco pra fazer um seriado de TV!! – soltou num só folego ainda pulando de contentamento ao meu lado.

Espera um pouco... Ouvi direito? Seriado de TV? Daqueles que eu gostava tanto de assistir no dia-a-dia? Desnecessário dizer que a minha mandíbula despencou do meu rosto naquele exato momento, certo?

— O... o quê??

Notas finais
Alow! Tudo bem??? Dessa vez não tivemos muitas situações de escalpelar o Milo. :D .......................... Bem, vamos aos números, que foram poucos. [1] - Anjo Metatron: É um anjo Serafim (posição mais elevada entre os anjos. Os mais próximos de Deus e possuem 6 asas). É o porta-voz da Divindade Universal, Anjo Supremo e Pica das Galáxias! Por isso coloquei o Milo descrevendo a voz do Camus como sendo a desse anjo. Milo é um exagerado... :3 [2] - Perfume Kouros: Quando estava fazendo uma pesquisa na internet, sobre coisas que o Milo usaria, me deparo com este nome de perfume. Do fundo do meu crânio me lembrei que Kouros era um tipo de estátua feita na Grécia Antiga que sempre representa um jovem. Sempre homens, pelados, com cabelos compridos (detalhe: frisados como acabei de ver aqui numa nova pesquisa) e com um sorrisinho no rosto. E eu disse: “PRONTO! ESSA COISA É PERFEITA PRO MILO!” Na descrição do perfume também consta: “Kouros de Yves Saint Laurent é uma fragrância fougère para os homens de espírito conquistador.” E também falava sobre “força e virilidade”... Perfume inspirado no Milo, só pode. -_- [3] - Def Leppard: Uma das minhas bandas de Rock favoritas. Formada em Sheffield, Inglaterra no ano de 1977. Estouraram na década de 80 e continuam na ativa até hoje para minha total felicidade. :3 ............................. Obrigada a todos que estão lendo essa coisa. ♥ Próximo Capítulo: Camus tá na área pra ajudar o Milo de novo... Com uma pequena diferença na mudança de ares! :3 Vejo vcs lá! o7 PS: Tenham calma comigo... sou lerda pra responder mensagens... T__T Bjins ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.