Entre Sombras e Segredos

34 📖Capítulo 32: O Coração do Equilíbrio


Notas iniciais
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​O Refúgio Celestial guardava em seu âmago um segredo que os olhos mortais jamais ousariam contemplar. Além das nuvens douradas e das torres de marfim, existia uma dobra no tecido da realidade: o Mundo Místico. Ele não era apenas um lugar, mas um testamento de preservação.

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​Diziam as lendas que o mundo místico não foi erguido por mãos, mas tecido por palavras. As Bruxas, seres nascidos diretamente do equilíbrio entre a luz e a sombra, clamaram por um santuário onde a magia pudesse respirar sem as correntes da ganância humana. Voidrex, em sua onipotência, compreendeu a necessidade. Ele não as criou pois a natureza é uma força que se autodefine, mas reconheceu nelas a importância de manter as engrenagens do destino girando.


Sob o pedido das bruxas, o Refúgio Celestial selou esse domínio, tornando-o acessível apenas àqueles que carregam a centelha: Lobisomens que descendem do Refúgio Celestial, magos, criaturas ancestrais e, por vezes, os enigmáticos seres que rastejam do Abismo.


​No centro desse reino, onde a mana é tão densa que brilha como poeira estelar, reside o ápice do poder: as Cinco Bestas Sagradas. Entre elas, um nome era sussurrado com temor e respeito: Grimshadow.

​Como um dos cinco dragões primordiais, Grimshadow não era apenas uma criatura de escamas e Sombras, mas uma extensão da própria história. Seus olhos, que viram eras passarem como segundos, abriram-se subitamente. Ele sentiu uma vibração. Não era uma energia nova, mas um eco... uma ressonância de algo que ele não sentia desde que o tempo era jovem.


Muito antes de Ayla assumir o fardo como Guardiã do Sepulcro ou sequer tocar as profundezas do Abismo, ela e Grimshadow eram um só. Ele foi seu familiar, seu companheiro de alma. Quando ela partiu para seu destino solitário, o dragão permaneceu em vigília no Mundo Místico, uma relíquia viva de uma era de ouro.


​Grimshadow ergueu sua cabeça monumental, as escamas negras refletindo a luz mística do ambiente. Ele esperava por um mestre, alguém que pudesse comandar sua força novamente. Mas a vibração que vinha de Leonardo era perturbadora em sua familiaridade.

​O dragão não esperava por um estranho; ele esperava por um reencontro. Ele sentia em Leonardo o cheiro de Ayla, o ritmo do coração dela e a linhagem que desafiava a própria lógica do Refúgio. Ele ainda não sabia, mas o "novo mestre" que o destino lhe enviava era, na verdade, o sangue do seu sangue original.