Entre Sombras e Segredos
15 📖 Capítulo 14 - Luz entre Raízes
Xyros caminhava pelos corredores iluminados do Refúgio Celestial, cada passo ecoando suavemente sobre o mármore dourado. Ao chegar ao salão principal, inclinou-se levemente e cumprimentou:
— Ayla Braverd, Guardiã do Sepulcro,Saudações!
Ayla ergueu os olhos dele, imponente e serena, como se cada movimento estivesse previsto. Mas algo na forma como a luz banhava seu rosto parecia diferente: não era apenas a Guardiã de um título antigo… era viva, pulsante, presente.
Durante anos, todos acreditaram que Ayla havia partido para sempre. Mas ali estava ela, inalterada pelo tempo, guardando o Refúgio Celestial com a mesma autoridade que outrora selou o Abismo. O mundo mortal talvez jamais tivesse imaginado que a Guardiã do Sepulcro permanecia entre os vivos, observando os fios do destino se entrelaçarem.
Xyros inclinou-se mais uma vez, sério.
— Elion está livre. Abyssus o libertou.
O semblante de Ayla permaneceu firme, mas seus olhos acompanharam cada palavra, absorvendo cada detalhe.
— E Leonardo? perguntou, a voz firme como pedra.
— Ele está acompanhado de Aurélia e se encontra na cidade élfica de Sylvaris
— respondeu Xyros.
Um pequeno sorriso curvou os lábios de Ayla, discreto, mas cheio de significado.
— Então… o destino finalmente começou a se mover
— murmurou ela, com a voz suave, quase um sussurro.
— Um dia… nós veremos você, meu filho querido.
Enquanto isso, nas profundezas da Floresta da Morte, Aurélia avançava com cautela entre árvores retorcidas e sombras densas. Cada passo parecia levar mais fundo em um labirinto de raízes e neblina.
— O portal deve estar perto, Aurélia estavasentindo a energia pulsante à frente.
Leonardo manteve a mão firme na dela enquanto atravessavam a última clareira. Um clarão azul surgiu entre as árvores, tremeluzindo como se fosse feito de pura luz líquida.
— É aqui!
-disse ela, respirando fundo, Vamos.
De mãos dadas, atravessaram o portal, sendo engolidos por um clarão que os levou a outro mundo.
Quando os olhos se acostumaram com a luz, perceberam que estavam em uma cidade cercada por árvores gigantescas, cujas raízes formavam pilares vivos que tocavam o céu. A atmosfera era serena, mas carregada de vigilância: guardas élficos os cercavam, lanças erguidas, observando cada movimento.
Leonardo deu um passo à frente, mão próxima da espada, mas Aurélia o conteve com um gesto firme.
Então, rompendo o círculo de guardas, surgiu a Cavaleira Negra, montada em seu corcel sombrio. Seus olhos brilharam ao reconhecer Aurélia.
— Deixem-nos passar — ordenou, a voz firme e inquestionável.
O círculo se abriu. Guiados sob olhares atentos, Leonardo e Aurélia seguiram pelo coração de Sylvaris, onde cada raiz ancestral parecia guardar segredos milenares. À frente, entre troncos imensos e luz filtrada, erguiam-se os tronos do Rei e da Rainha dos Elfos.
Ali, sob a sombra viva da cidade, onde cada raio de luz lembrava a presença silenciosa de Ayla, o destino os aguardava.
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