Entre Sombras e Segredos

8 📖 Capítulo 7 - Ecos Entre Sombras


O salão dos anciãos estava em silêncio. A Reunião continuava,parecia reverberar entre as paredes antigas.


Eryon bateu o cajado no chão.

— O garoto é ponte. Mas pontes podem ruir sob o peso de quem atravessa.


Varenn estreitou os olhos.

— E se ele falhar?


Maelith cruzou os braços.

— Observaremos. Mas não agiremos antes de compreender o que realmente cruza a ponte.


Eryon respirou fundo.

— Que seja assim. A ponte permanece intacta, sob vigilância.


Varenn suspirou.

— Então aguardaremos. Mas que não nos surpreenda.


Maelith assentiu.

— A decisão está tomada.


O silêncio tomou o salão. A escolha era definitiva.


Leonardo caminhava Ainda pela floresta, cada passo pressionando a escuridão à sua volta.


— Você teme — disse Aurélia, firme ao lado dele — mas ainda assim avança.


Ele engoliu seco.

— E se eu não quiser continuar?


Aurélia parou, olhando fixamente.

— Leonardo (.....)

O ar tremeu. Uma força invisível levantou Leonardo do chão. Ele girou descontrolado, sem conseguir tocar o chão. Aurélia tentou segurá-lo, mas ele flutuou.


Anastásia também foi erguida, olhos arregalados, mãos arqueando involuntariamente. Seus corpos ficaram frente a frente no ar, pressionados, doloridos. Aurélia recuou, chocada.


Kaorath observava, um sorriso nervoso surgindo apenas por um instante.

— Isso… não deveria ser possível — murmurou.


A névoa se abriu, revelando o Abismo, pulsante, vivo, escuro e brilhante ao mesmo tempo. Sua presença atravessou suas mentes.


— Vejo vocês… — sussurrou, pensamento e som ao mesmo tempo — Leonardo… você é ponte. Conduz o desconhecido, liga mundos que não deveriam tocar-se.


— Anastásia… — continuou, atravessando a mente dela — você não é ponte… mas sua percepção vê além. Foi sua mente que despertou a conexão. Você não entende totalmente, mas serve como espelho, como farol, revelando o que ele carrega. Vocês dois… juntos, são caminhos que o desconhecido percorre.


Imagens fragmentadas surgiram: mundos impossíveis, sombras que não pertenciam a nenhum lugar, fragmentos de uma presença desconhecida conectada a Leonardo. A visão compartilhada nasceu porque a percepção de Anastásia foi sintonizada pelo Abismo, uma ponte mental involuntária que ele explorou.


Leonardo gemeu, dor atravessando peito e braços, sangue escorrendo do nariz. Anastásia arquejou, músculos queimando, mãos marcando o ar. Cada instante da visão era um teste físico e psicológico.


O Abismo se aproximou de Kaorath, reconhecendo-o.

— Kaorath… (murmurou)

— você interferiu antes… mas o equilíbrio agora se mostra.

Kaorath engoliu seco, surpreso, sem medo, e estendeu a mão para cortar a visão.


Eles caíram no chão, machucados, respirando com dificuldade. Leonardo sangrava, músculos latejando. Anastásia caiu ao lado dele, trêmula, ainda tentando compreender a magnitude do que havia visto.

Kaorath agarrou Anastásia, protegendo-a, ainda surpreso com a audácia do Abismo. Aurélia correu até Leonardo, segurando-o com cuidado, consciente do peso de sua responsabilidade.

—Leonardo…sussurrou, apertando-o contra si.


O Abismo permaneceu, observando. Reconhecia Kaorath, sabia da importância de Leonardo e Anastásia, mas não os temia. A presença conectada a Leonardo continuava um mistério — algo que eles precisariam desvendar, e que ecoaria nos mundos ligados à ponte.


A floresta parecia respirar junto com eles. Cada sombra, cada movimento do vento carregava a lembrança da visão. O futuro estava mais sombrio, cada passo marcado pelo poder que enfrentavam.