Entre Sombras
5 CAPÍTULO O5: A incredulidade nos revolta
Notas iniciais
Entre Sombras
Escrita por Coffee
CAPÍTULO O5: A incredulidade nos revolta
Eles andaram de volta para casa imediatamente. Não houve festa ou comemorações. A mesa estava posta somente para os dois, ele puxou a cadeira para que ela se sentasse e em seguida sentou-se a sua frente.
Comeram em silêncio.
Ela não estava com humor para conversar, para perguntar qualquer coisa ou até mesmo para tentar descobrir os segredos que aquela vila parecia esconder. Ele também não puxou assunto e ela não podia sentir-se mais grata.
Quando terminaram, ele foi o primeiro a cortar o silêncio.
— Por que não vai lá para cima?
Ela soube imediatamente que deveria subir e ficar preparada para o que estava por vir.
A noite de núpcias.
Engoliu em seco, acenou com a cabeça e subiu as escadas encenando como o bom cachorrinho que ele gostaria que ela fosse.
No banheiro escovou os dentes, jogou uma água no rosto e respirou fundo ao ouvir a porta do quarto sendo aberta.
Tinha que fazer isso funcionar.
O Amekage era somente alguns anos mais velho que ela, quatro, talvez... Era um homem bonito, e, já que estava casada com ele, tinha que criar uma afeição, algum tipo de afeto por aquele homem para que sua vida não fosse tão infernal.
Talvez se esquecesse de que fora obrigada a tudo aquilo, se respirasse fundo e tentasse gostar dele, teria uma chance de fazer aquilo funcionar.
Tinha.
Precisava.
Não poderia ficar casada com um homem que odiasse, não poderia ter que se entregar todas as noites e sentir a dor de ser forçada.
Não era mais uma garotinha virgem. Havia sim, dormido com alguns homens, principalmente na sua adolescência, quando pensava que se ficasse nos braços de outro alguém, poderia (ao menos por alguns minutos) esquecer-se da dor de não ter Sasuke ao seu lado.
Nunca funcionara.
E ela duvidava que funcionasse agora.
Porém, agora não era uma noite aleatória, com um homem aleatório. Era seu marido e ela teria que suportar isso por muito tempo, talvez pelo resto da vida.
Devia ser forte.
Esforçar-se para criar uma atração ali.
Um afeto. Por mínimo que fosse.
Foi com esse pensamento que abriu a porta do banheiro. Raioko estava sentado na beirada da cama, agora sem a capa de kage, somente com uma calça negra e uma blusa da mesma cor. Um contraste com o vestido branco que ela ainda usava.
Ele levantou-se imediatamente e chamou-a com a mão.
Andou até ele, quando chegou, ele virou-a de costas, tocando o nó que segurava seu vestido amarrado ao corpo. Tocou seu ombro primeiro com os dedos, depois com os lábios.
Em seguida, com um movimento firme e rápido, desatou o nó do seu vestido, que caiu no chão ao redor de seus pés. Lá estava ela, de lingerie branco para um desconhecido.
Fechou os olhos, sentindo o toque dele alisando suas costas, abrindo o fecho do seu sutiã, tentando formar em sua mente uma imagem que não fosse aquela, tentando sentir o toque plenamente, desejar, ansiar.
— A desejei desde que a vi pela primeira vez.
Ela pensou em dúvida se havia o visto antes daquele dia na sala de Naruto, porque era o que ele parecia dizer, mas não se lembrou de nada. No fim, o beijo dele no seu pescoço a desconcentrou e ela voltou à tentativa de ansiar por ele.
Não estava funcionando ao todo, mas ela achava que poderia deixá-lo entrar sem se sentir forçada. Talvez com a preliminar certa... O toque no lugar exato...
Isso não aconteceu.
Ele segurou seus seios com as mãos, e por fim, a empurrou com um joelho em direção à cama. Andou incerta, com o clima totalmente quebrado.
— ‘Se apoie.
O kage mandou, ela entendeu. Apoiou as mãos na beirada da cama, ele tirou sua calcinha em um movimento rápido, e moveu seu quadril em direção ao dele.
— Puta que pariu.
Ele ciciou quando colocou o membro perto da sua entrada. Ela nem ao menos podia ver sua expressão, pois estava de costas para ele, sendo comida feito uma cadela.
Não estava lubrificada o suficiente, mas ele pareceu não se importar quando começou a penetrá-la. Tentou ficar o mais relaxada possível para que pudesse ficar livre da dor.
Funcionou de certa forma.
Ele entrou e saiu vezes seguidas. Em um momento mais lento ela até cogitou que sentiria prazer, mas novamente ele quebrou o clima com a volta de movimentos rápidos e duros, puxando seu cabelo com mais força do que o necessário.
Quando acabou, ela não podia se sentir mais grata.
— Tão gostosa quanto imaginei.
Disse, antes de sair de dentro dela e se fechar no banheiro.
Ela não viu o seu rosto nem ao menos uma vez. Por fim, sentou-se na beirada da cama, sentindo-se melada e insatisfeita. Levantou-se, colocando a calcinha e o sutiã, queria um banho, mas não estava no humor de sair pela casa procurando outro banheiro que pudesse usar então se pôs a arrumar suas malas, colocando seus pertences no guarda roupas.
No fundo da mala ela encontrou a foto do time sete e suspirou fundo.
Aquele tempo parecia um sonho agora.
Eles realmente já estiveram unidos? Juntos em um mesmo lugar?
Parecia irreal agora. Tudo parecia distante e difícil.
Colocou-o no fundo de uma gaveta, antes de Raioko sair do banheiro de banho tomado. Ela não o olhou, apenas pegou um pijama e uma roupa íntima limpa e se trancou no banheiro.
Dois dias depois ela cansou de ficar dentro de casa. Então perguntou para Fuji onde era o correio e saiu pelas ruas da cidade.
De dia a vila parecia menos triste, com os seus moradores transitando por ela. Hoje a garoa era fina e gelada. Ninguém parecia se importar, a maioria andava sem guarda-chuvas (como ela) como se não estivesse chovendo naquela cidade.
Os cidadãos a olharam, mas ninguém veio até ela perguntar nada ou conversar. Todos continuaram sua rotina normalmente.
Chegou ao correio. Foi até a bancada, escrevendo uma carta simples para Naruto. Disse que estava bem, que esperava vê-lo em breve e que sentia saudades. Enviou.
Depois, deu mais uma volta pela vila, observando as grandes construções de metal, e, quando a chuva tendia a engrossar voltou para sua casa vazia. Seu marido tinha saído cedo, não viera para o almoço e ela rezava para que não aparecesse para o jantar.
Quanto menos tempo tivesse que ficar na companhia dele, melhor.
♣
Nanadaime,
Naruto, não pude atender seu pedido devido a problemas que estava resolvendo.
Ainda espero poder ajudar de alguma forma.
Otokage.
Sasuke releu a cópia do bilhete que havia mandado para Naruto há dias. Não houve uma resposta. Não sabia se o loiro estava bravo por ele não ter ajudado ou apenas estava esperando se encontrarem pessoalmente para pedir o favor.
Em poucas semanas teriam um encontro de kages na Vila Oculta da Pedra e imaginava que o quer que o Uzumaki precisasse iria pedir-lhe lá.
O loiro provavelmente havia se metido em um dos problemas que estavam acostumados, como há dois anos, quando havia brigado com o chefe da vila que exportava sakê para Konoha, por achar que o homem passara tempo demais olhando para sua Hina-chan.
Ofendido com os ralhos de Naruto, o homem cortou toda a exportação e Konoha passou meses sem sakê, até Naruto mandar um subordinado até Oto. Ele lhe pediu para Oto fizesse um pedido maior de barris e mandasse um pouco para Konoha.
Ele o fez por meses.
No fim, a vila desconfiou do motivo pelo qual Oto precisaria de tantos barris de sakê e descobriu a manobra dos dois, ele e Naruto levaram um esporro dos demais kages e agora todas as vilas tinham que prestar contas de tudo que importavam e exportavam com detalhes e do que faziam com os produtos graças a eles.
Ano passado, eles descobriram que o chefe não tinha passado muito tempo olhando para Hina-chan, e sim, provavelmente para Naruto.
Tiraram essa conclusão após o flagrarem aos beijos em um bar com um garoto de programa no País dos Ursos.
Naquele momento ele não se importou que fosse o Nanadaime. Deu um bom soco em Naruto, fazendo-o praguejar pela dor dias seguidos.
♣
Ela estranhou quando se passou uma semana e nenhuma resposta chegou. Naruto não respondera sua carta. Decidiu ir ao correio, talvez, ali na vila as cartas ficassem no correio, e caberia a eles retirá-las. Talvez, eles ainda não soubessem quem ela era e onde morava (o que duvidava).
Para sanar a dúvida, passou no correio. Não havia nada.
Resolveu dar uma volta pela vila antes que enlouquecesse. Lembrava-se perfeitamente de dois dias atrás, quando pediu à Raioko para ajudar no hospital e foi prontamente recusada.
“Não vai trabalhar em um hospital, nem em lugar algum. É a mulher de um kage, comporte-se como tal.”
Foram as palavras dele. E ela teve vontade de dar-lhe um bom soco naquele nariz anguloso.
Não escondeu a raiva. Deixou a comida para trás e foi para o quarto pisando duro. Ele pareceu perceber o seu ódio, e, diferente das outras noites, não a tomou para si. Porém, ela não escapou nos dias que se seguiram.
Entrou em um mercado por pura curiosidade. Mas, depois de duas olhadas nas prateleiras, veio o estranhamento.
Os preços eram absurdos.
Algo fora da realidade. Ou os civis eram muito ricos naquela vila, ou estavam sendo claramente explorados.
Saiu dali, foi em uma mercearia, uma padaria e depois em uma loja de roupas.
Tudo exatamente igual.
Um preço absurdo que ela nunca vira em nenhuma vila.
Havia algo muito errado ali.
Voltou para casa e continuou pensando. No dia seguinte, deu mais uma volta pela vila, reparando que quase nunca via homens civis nas ruas, às vezes um ninja ou outro chegando de missões, mas civis, somente poucas mulheres.
Tinha uma criança brincando de bola na rua. Ela olhou para os lados, disfarçando, e se aproximou ao não notar ninguém. Perguntou onde estavam seus pais, e a menina disse que estavam trabalhando, ela então, como quem não quer nada, perguntou que horas eles saiam de casa e que horas voltavam.
Mesmo pequena a garota entendeu sua pergunta. E respondeu que eles saíam às sete da manhã, quando a deixavam na escola, e voltavam às oito da noite.
Mais de doze horas de trabalho seguido.
Perguntou então, se todos os dias eram assim e ela respondeu que sim.
Agradeceu sorrindo e saiu dali ao ver outros adultos se aproximarem.
Caminhou mais um pouco, e antes mesmo de chegar a casa, veio à constatação.
Era por aquele motivo que Amegakure havia crescido tão rápido. Tornado-se tão temida por ser fortemente armada, tão industrializada e tão autossuficiente.
É claro.
A vila havia crescido daquele jeito e com aquela rapidez porque seus cidadãos eram explorados ao máximo. Trabalhando o dia todo sem folga e gastando provavelmente todos os seus salários em mantimentos extremamente caros.
Desse modo, por mais que o governo pagasse salários justos, todo o dinheiro retornava para ele novamente em forma de tributações.
Ela voltou para casa de pressa, tentando não chamar atenção. Entrou, vendo que Fuji não estava ali, provavelmente havia saído às compras para a casa.
Uma casa mantida com dinheiro e suor dos habitantes da Vila Oculta da Chuva.
Subiu até o quarto, pegando um pedaço de papel e uma caneta. Usou um código que somente os ninjas de Konoha sabiam e transcreveu uma mensagem para Naruto.
Era isso. ‘Se conseguisse achar provas daquela exploração, ela e Naruto poderiam levar os fatos até o conselho de kages, Amegakure pagaria por isso, não seria mais autossuficiente, precisaria da ajuda de outras vilas e ela ficaria livre daquele casamento.
Escreveu discretamente, contando como uma carta de amiga que havia ido ao mercado e achado as coisas caras, que os cidadãos estavam o tempo todo trabalhando.
O Nanadaime provavelmente não entenderia sua carta, mas sabia que Shikamaru também leria, e ele sim, entenderia.
Codificou tudo rapidamente, e com um jutsu simples, chamou uma ave de rapina.
Colocou o bilhete bem enrolado na pequena bolsa amarrada ao pássaro, deu as instruções, e o soltou na janela, vendo-o subir pelo céu.
♣
Eram vinte horas quando ouviu a porta da frente ser aberta. Sabia que deveria ser Raioko, ele sempre chegava nesse mesmo horário, tomava banho, jantavam e depois ele se satisfazia nela até cansar e depois dormia.
Estava no escritório ao lado da sala principal. Lá havia uma pequena estante de livros que ela usava para se distrair nos momentos de tédio (grande parte do seu dia). Colocava o livro de volta no lugar quando seu braço foi puxado com força.
Surpresa, ela encarou os olhos escuros de seu marido.
Raioko tinha o rosto vermelho de ódio.
Ele jogou algo sobre a mesa do escritório e ela desceu o olhar para observar.
Sua ave. Morta, o pescoço degolado.
Já dura e gelada.
O bilhete, ela pode ver, não estava na bolsa.
— Então é assim que gasta seu tempo livre? Fuçando na minha vila?
Como ele havia conseguido decodificar seu bilhete? E principalmente, como havia capturado sua ave?
— Vadia... Por que não pode ser como as outras, sair para comprar roupas ou ir fazer as unhas? Por que diabos tem que estragar tudo fuçando na minha vila?
Ela não se deixou abater pela ofensa, nem respondeu, sua cabeça estava maquinando outra coisa, as respostas chegando.
Por isso a carta que Naruto mandara no seu casamento havia sido tão política, provavelmente havia outra, que não fora repassada, por isso ela não recebera uma resposta da sua outra carta, ela nem ao menos foi enviada.
Raioko estava interceptando suas cartas. Sabendo tudo que ela mandava ou recebia.
Estava daquele modo, deixando-a presa ali. Reclusa a aquela vila.
— Está interceptando minhas cartas.
Afirmou. Ele nem ao menos tentou negar.
— Eu deveria te dar uma boa lição por se meter onde não lhe cabe.
A mão dele voou em direção ao seu rosto. O rosto dele cada vez mais vermelho de ódio.
Segurou o pulso grande antes que ele acertasse sua face.
Com mais força que o necessário.
Os olhos dele se arregalaram e uma careta de dor passou rápido pela sua expressão.
— Não ouse tentar me bater.
— Aí está... A poderosa Haruno Sakura que tanto falam. Pensei que tivesse me casado com uma gatinha, mas vejo que não...
Ele comentou, claramente pela sua força ao segurá-lo.
Raioko mexeu o pulso, fazendo com que ela o soltasse, embora quisesse mesmo torcê-lo.
— Não sei se devo me sentir lisonjeado ou com ainda mais ódio. Por hora, devo sair daqui antes que eu quebre esse seu lindo pescoço como fiz com o seu falcão.
Seu marido saiu dali feito um furacão, batendo a porta da frente, deixando-a com ódio, impotência, incredulidade e uma ave morta.
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