Entre Sombras

24 CAPÍTULO 24: O amor nos eleva


Notas iniciais
HO-HO-HO, o papai noel cheg— a coffee chegou! Papai noel tá empolgado na inspiração em? Obrigada pelos comentários maravilhosos no capítulo anterior, espero muito que gostem desse, boa leitura!

Entre Sombras

Escrita por Coffee

CAPÍTULO 24: O amor nos eleva

Enquanto esteve em Amegakure, ela teve notícias esporádicas de outras vilas, principalmente por membros da aliança que iam até outros locais a fim de fazer acordos comerciais e conseguir matérias primas para a reconstrução da vila.

Uma dessas notícias, recebida num sábado à noite, sete meses depois que chegou, enquanto estava sentada em um dos poucos comércios da Vila Oculta da Chuva junto com Tsunade tomando uma dose de sakê, a deixou surpresa.

— Raioko contou tudo.

Ouvir o nome dele era comum ali, muitos ainda lembravam dos dias passados, alguns com pesar e outros com admiração. Mas como o ninja tinha acabado de chegar de viagem, muitos largaram o que estava fazendo para prestar atenção nele.

— Está enlouquecendo na prisão. A maioria das coisas que ele diz não são confiáveis, mas essa em particular os juízes levaram bem a sério. Ele contou o esquema sujo que tinha com o Tsuchikage, parece que o Raikage também estava envolvido, mas em um nível menor. Já o Tsuchikage estava emaranhado com ele em suas sujeiras até o pescoço. Ele sabia sobre a vila, toda a verdade, e inclusive havia sido ele quem estimulava Raioko a cometer muitas das suas barbaridades. Jornada de trabalho exaustiva? Ideia dele. Hospitais privados e caros? Ideia dele. Salários baixos e preços absurdos? Ideia dele. O cara praticamente manipulava essa vila e Raioko a distância!

Ela estava em choque. Sabia que tinha algo errado ali, mas não imaginava que fosse algo daquele nível. Logo que chegou em Amegakure pela segunda vez ela tentou ir ao prédio onde Raioko guardava a papelada para ver se achava algo sobre sua relação com o líder da Vila Oculta da Pedra, mas todos os papéis haviam sido carbonizados. Chegou até mesmo a procurar em outros locais da vila, inclusive no porão da casa de Raioko que continuava intacto, mas não encontrou nada. De todo modo ela sabia que em algum momento a verdade iria aparecer, só não sabia que ia ser tão rápido, somente sete meses após a condenação do ex-Amekage.

— Além disso, depois de um tempo o Tsuchikage começou chantagear Raioko, dizendo que contaria tudo que ocorria na vila para o conselho, e por isso, Raioko teve que passar a dar alimentos e mantimentos de graça para a Vila Oculta da Pedra. Foi por isso que ele dobrou as jornadas de trabalho que já eram exaustivas, porque além de fornecer mantimentos para todas as vilas que compravam, ainda tinha que mandar uma grande soma para a Pedra, sem receber nada em troca.

— E o que aconteceu após isso?

Um dos moradores de Ame perguntou ao ninja que contava a história. Ao redor deles havia se formado uma roda tanto de ninjas, quanto de civis que ouviam o relato.

— Fizeram uma busca em Iwagakure. Acharam na casa do Tsuchikage várias papeladas que confirmavam o esquema sujo, estava tudo escrito em códigos, mas um homem da Vila Oculta da Folha, Shika-alguma-coisa, transcreveu tudo e ficou provado. Além disso, só de analisar os livros da economia da Pedra era fácil notar que havia algo errado, pois havia muita entrada de mantimentos e poucas saídas de pagamentos.

— Isso é um absurdo! Fomos enganados durante todo esse tempo! Manipulados!

— Tenho certeza de que Raioko fez isso contra a vontade dele!

Ainda hoje tinha moradores que defendiam Raioko. Apesar da raiva que a tomava ela não falava nada, no geral eram pessoas de idade que passaram grande parte da vida durante o governo do Ichigo, e dificilmente mudariam suas convicções.

O bate boca foi instalado, alguns contra e outros a favor de Raioko, e ela e Tsunade levantaram-se e foram aos seus quartos improvisados, nos fundos do hospital para dormirem. Elas caminharam discutindo a notícia que tinham acabado de receber.

— Será que ele já foi punido?

— Imagino que sim, Tsunade-sama, ou será julgado em breve.

No dia seguinte uma carta de Sasuke chegou, contando a história que tinham ouvido no dia anterior, e que o Tsuchikage havia sido condenado sem julgamento, e que também estava em prisão perpétua. Além disso, havia uma outra novidade, a resposta ao pedido de Sasuke havia saído: era oficial. Mulheres são seriam mais condenadas a execução em casos de adultério, e agora os juízes discutiam uma emenda que previa que em breve casos de adultério deixariam de serem julgados juridicamente.

Ela contou a novidade para Tsunade, Shizune e para os alunos delas, e todos vibraram com a grande conquista.

— É um grande passo para igualdade feminina.

— Sim Shizune, acho que todas as pequenas conquistas devem ser comemoradas. E não podemos desistir e deixar de lutar por mais.

Elas atenderam os pacientes do dia, e no final do expediente, comemoraram brindando no pequeno bar de Amegakure, mesmo embaixo de chuva.

Uma gota de suor escorreu pela sua testa, e um residente veio rapidamente com um pano e a secou.

— Obrigada.

Era uma simples cirurgia de apêndice, mas ela já tinha atendido o dia todo e estava cansada. Contudo, estava feliz por estar ali, se não estivesse era possível que o paciente tivesse ido a óbito sem um socorro imediato. Tinha sido um longo dia. Hoje, finalmente tinha ocorrido a votação para kage, e surpreendendo a todos quem ganhou foi um civil. Era um homem honesto, que já lutava por Amegakure há muito tempo, um dos poucos que sobreviveu as rebeliões nas fábricas. No centro da vila estava tendo uma comemoração, com muita dança e comida, e havia poucas pessoas trabalhando no hospital, somente dois internos, três enfermeiros, Shizune e ela. Até mesmo Tsunade tinha sumido a uma hora atrás, provavelmente em busca de sakê.

— Petri? Você pode fechar.

A garota olhou para ela em dúvida, assustada com a possibilidade de colocar em prática aquilo que tinha estudado na teoria e treinado algumas vezes em carnes de animais.

— Sakura-s-s-ama. Tem cer-teza? Eu não sei se—

— Está preparada sim, vou ficar aqui com você até o final. Pegue o material, por favor.

— Sakura-sama? — Uma enfermeira que não estava no centro cirúrgico apareceu na porta.

— Sim?

Ela olhou para a mulher, mas continuava vendo pela visão periférica Petri arrumando o material para sutura com as mãos tremendo.

— Tem um paciente querendo te ver.

A garota deixou a agulha cair no chão, e ela fez sinal para que ela esquecesse e pegasse outra sobre a mesa de instrumentos.

— É muito grave? Estou quase acabando aqui, mas imagino que ainda vá demorar um pouco.

— Imagino que não.

— Peça para ele esperar, por favor.

A enfermeira acenou positivamente e saiu, e ela se virou para a estudante.

— Pode começar.

Insegura e com as mãos tremendo a garota tentou duas vezes antes de finalmente conseguir furar a pele do paciente e dar o primeiro ponto. Ela observou tudo em silêncio, dando um palpite ou incentivo vez ou outra. Sabia o quão difícil era aquilo, lidar com a ansiedade e o medo e colocar a teoria em prática pela primeira vez.

A enfermeira retornou, algum tempo depois.

— Eu já estou indo, estamos quase acabando.

— Oh! Não, eu vim apenas pegar esse instrumento que só temos um para levar para Tsunade-sama. O homem disse que pode esperar o tempo que for necessário.

Acenou positivamente, e continuou auxiliando a aprendiz.

Quando acabaram, ela andou até o vestiário, tirando as roupas suadas e sujas e tomou um banho rápido antes de ir atender o paciente que a esperava. Provavelmente era o senhor Thomyo, que ficara de vir essa semana tirar os pontos de uma sutura.

Ela andou até o consultório que dividia com Shizune, já colocando as luvas nas mãos.

— Senhor, desculpe pela demora, eu estava ensinando uma interna e—

— Com certeza não demorou tanto quanto eu da última vez.

Ela ficou chocada.

— Sas-suke?

Lá estava ele, com a usual capa negra, encostado na mesa como se aquilo fosse algo corriqueiro.

— O que... O que está fazendo aqui?

— Ficou tão surpresa assim quando Naruto veio?

— Você mandou uma carta na semana passada, não disse nada eu—

— Foi uma decisão de última hora.

Ela acenou positivamente, ainda tentando acreditar que aquilo era verdade. Que ele estava em uma vila há três ou quatro dias de viagem da sua e que tinha tomado a decisão de última hora.

— Como foi a viagem?

Foi tudo que ela conseguiu pensar em perguntar.

— Tudo bem.

Acenou positivamente, remexendo os pés em ansiedade. O que ela deveria fazer? Queria... Queria tanto tocá-lo, sentir os lábios dele nos seus, mas não sabia como estava a relação deles... Nunca tinham tocado no assunto em cartas e ela não sabia como deveria reagir naquele momento.

— Eu... Eu estou feliz por você estar aqui. O que te traz aqui? Um acordo ou—

— Você.

— Desculpe?

Olhou para ele embasbacada, ainda digerindo a resposta.

— Eu vim por você.

Ela cambaleou dois ou três passos até bater as costas na parede, petrificada por ele ter sido tão direto e falado aquilo abertamente. Sabia que não era algo fácil para ele, era Sasuke, afinal.

— Eu só vou conferir se está limpo e já chamo o senhor.

Shizune abriu a porta de supetão e ficou sem reação quanto viu os dois ali dentro.

— Oh! Eu, eu não sabia que vocês estavam aqui. Otokage-sama — Ela fez uma reverência polida — Eu—

— Você precisa usar o consultório Shizune?

— É uma sutura simples, posso arrumar outro lugar e—

— Não, fique à vontade, eu e Sasuke vamos dar uma volta.

Não era certo ela ocupar a sala que dividia com Shizune com os seus problemas pessoais. Eles passaram pela morena, que continuava boquiaberta e com as bochechas vermelhas, e saíram pelo corredor do hospital improvisado. O novo estaria pronto provavelmente na semana que vem.

— Eu... Eu tenho um quartinho nos fundos, teremos mais privacidade lá.

Ela se arrependeu das palavras assim que elas saíram da sua boca, como ele interpretaria aquilo? De todo modo ela sabia o quanto ele era discreto e que não gostaria que outras pessoas ouvissem a conversa dos dois.

Sasuke pareceu não se importar com a sua fala, e a seguiu sem fazer perguntas. Eles saíram pelas portas de trás do prédio, e andaram cinco ou seis metros na garoa até as pequenas construções de quartinhos que havia no terreno dos fundos.

Ela abriu a porta para que ele entrasse.

Era um local pequeno, e parecia ainda menor com ele ali no meio. Tinha apenas um colchão de solteiro no chão, uma escrivaninha, uma cadeira e uma pequena cômoda de três gavetas do lado direito onde ela guardava suas coisas. Além disso, havia uma pequena porta que dava para um banheiro simples. Havia sido construído a partir de destroços de um antigo prédio público, e pintado junto com o hospital provisório, por isso as paredes eram brancas e lisas, assim como o chão. Um pouco estéril, talvez.

— Eu... Pensando bem, eu não tenho nada para te oferecer para comer aqui, se quiser podermos ir em um bar na rua principal, está tendo uma comemoração e—

— Eu não estou com fome.

Acenou com cabeça. Estava nervosa e nem ao menos sabia como disfarçar. Ela mordeu o lábio inferior, incerta em como proceder, quando sentiu ele tocar seu rosto e erguer seu olhar para encontrar o dele.

E então, com esse incentivo, ela tomou coragem para fazer aquilo que ansiava desde que o viu. Aproximou seus lábios e deleitou-se com o beijo suave, que trazia tantas lembranças, tanta saudade e tanto amor.

— Você não faz ideia do quanto eu senti sua falta.

Ela disse entre beijos, estava mais quente agora, a saudade batendo sobre eles da mesma forma que a chuva batia no telhado acima. Apressada ela retirou a capa negra que ele usava, e tomando coragem, empurrou-o até que ele estivesse em frente a única cadeira do quarto.

Era uma cadeira simples, de madeira, e ela fez com que ele se sentasse ali, com ela por cima. Suas pernas se abriram, ficando uma de cada lado da cadeira, e ao sentar-se, mesmo com as roupas ela pode sentir a ficção dos seus sexos.

Uma agonia.

Sasuke parecia tão eufórico quanto ela, e retirou seu jaleco e depois sua blusa com pressa, tocando seu pescoço, seu busto e seus seios com as mãos e com a boca feito um homem esfomeado. Ela também retirou a blusa com pressa, tonta pelas carícias dele em seus peitos, e com o interior implorando por mais.

Meu deus.

Ele tirou o sutiã dela, tocando seus peitos com os dedos, rodeando seus mamilos e pressionando a auréola intumescida antes de levá-la para boca.

Meu deus.

O Uchiha gemeu quando ela colocou uma das mãos atrevidas dentro da sua calça, encontrando o membro pulsante, o movimento dele em seu seio com a boca e com as mãos parou um milésimo de segundo enquanto ele apreciava o contato. Ela queria dar prazer a ele, mas não achava que conseguiria, não naquele momento, estava a tanto tempo ansiando por aquilo... Tendo que lidar com sonhos indevidos em noites de solidão que precisava senti-lo dentro dela.

Ele seguiu seu exemplo e enfiou uma das mãos sob sua calça branca, e a tocou ainda por cima da calcinha, fazendo com que um arrepio percorresse sua coluna.

— Molhadinha.

Não passou de um sussurro, enquanto ele procurava a sua boca. Ele levantou-se com pressa, com ela ainda no colo, desenroscando suas roupas e tirando primeiro a sua calça e calcinha, e depois a dele própria.

Ele fez um movimento tentando levá-los até o colchão, mas ela acenou negativamente com a cabeça, parando-o, e desceu do colo dele, sendo sustentada pelas próprias pernas.

— Não, eu quero aqui.

O olhar malicioso dele anuiu uma única vez, e ele se sentou na cadeira novamente. Ela abriu as pernas, colocando-as uma de cada lado da pequena cadeira, e pegando o membro dele com as mãos, começou a descer devagar.

Assim que a glande entrou os dois gemeram pela sensação, pela umidade, pelo prazer. Ela desceu até o fim, subiu uma vez, e desceu de novo. Uma gota de suor escorreu da testa dele, e já havia algumas se formando na sua também.

Ela se sentou em seu colo, rebolando devagar, sentindo o membro dele dentro dela.

— Que delícia.

Deixou escapar, quando ele moveu-se encaixando ainda mais os seus corpos e pedindo para ela continuar os movimentos.

— Pelo amor de deus Sakura.

Ele parecia estar sendo torturado pelos movimentos lentos dela. Dava pra ver nos olhos dele que ele queria mais.

— O que você quer, Sasuke?

Perguntou com a voz manhosa, embora já soubesse a resposta. Continuou com mais dois movimentos lentos, subiu, desceu e rebolou.

— Cavalgue em mim, Sakura.

Ele finalmente pediu, parecendo ter perdido todo o controle. Ele segurava a cintura dela com força, e ele lhe deu suporte com as mãos grandes para que começasse a se mover mais depressa.

Estava nas pontas dos pés, sentada sobre ele, sentindo-o a penetrando.

Céus.

Seu sonho não estava errado, aquela era uma ótima posição.

Levou poucos minutos até que ela perdesse a paciência assim como ele e começasse a se mover ainda mais rápido em busca de alívio. Ele tirou uma das mãos da sua cintura, e tocou seus seios, seus lábios e depois se encaminhou para o seu clitóris.

Delicioso.

Ele pressionou o ponto enquanto ela continuava a cavalgar sobre ele. Ela gemeu alto e torceu para que ninguém dos quartos vizinhos ouvisse, embora duvidasse.

Durante um dos seus movimentos uma das pernas da cadeira quebrou com a força exercida e eles quase foram ao chão, mas Sasuke conseguiu levantar-se a tempo, ainda dentro dela, e com um sorriso malicioso e uma risada anasalada, levou-os para o colchão.

Era pequeno demais para eles, e ele ficou por cima.

Ela finalmente se rendeu as sensações, sentindo-o tomar o controle agora, e deixou que o prazer a levasse. Primeiro no seu centro pulsante, no local onde seu corpo estava totalmente em contato com o dele, depois se espalhando para o baixo ventre e depois para o corpo inteiro.

— Não pare.

Pediu, quando estava tão próxima do clímax embora soubesse que ele não pararia. Pelo contrário, os movimentos se aceleraram ainda mais, e eles finalmente atingiram o máximo, ela sentiu o líquido dele preencher seu interior enquanto o corpo dela amolecia nos braços dele.

Suas bocas se encontraram ainda famintas e ela sufocou um gemido, ouvindo um baixo vindo dele, ambos tentando não chamar atenção, e ela desejou que ele tivesse usado algum jutso nas paredes como fizera em Oto.

Ele saiu de dentro dela, e eles ficaram apertados no colchão de solteiro em silêncio por um tempo. Ambos tentavam – inutilmente – regular a respiração e as batidas do coração. Sua pretensão era um beijo, mas como sempre, acabaram em mais, muito mais.

Fazia onze meses que eles não se viam, e ainda sim a eletricidade, o desejo, e a cumplicidade, permaneciam ali. Sasuke estava com um dos braços atrás da cabeça, os olhos abertos, mas parecia preso em seus próprios pensamentos.

— No que está pensando?

Finalmente tomou coragem para perguntar. Ele demorou algum tempo para responder.

— Que não era exatamente nessa ordem que eu estava planejando as coisas.

Ela riu, aproximando sua boca da dele, e eles se beijaram mais uma vez. Lento, paciente, delicioso.

Deitados ali, conversaram um pouco sobre as últimas novidades do mundo ninja, falaram sobre Konoha, sobre Naruto, sobre o novo kage da Vila Oculta da Pedra, já que o antigo tinha sido preso e até mesmo sobre o novo líder que havia sido escolhido para Amegakure.

— Pensei que você fosse se candidatar.

Sasuke comentou, depois que eles tinham tomado banho juntos, trocando toques no banheiro apertado do quarto dela. Agora eles tinham se trocado e estavam sentados sobre o colchão.

— Não, não é algo que eu tivesse vontade.

Ele acenou positivamente, ainda parecendo perdido em pensamentos.

— Quer sair para comer?

— Não estou com fome.

Ela queria perguntar, na verdade, o que o havia trazido até ali, acabar a conversa que tinham começado quando eles se encontraram, mas tinha medo da resposta.

— Você não trouxe mochila?

— Está na entrada da vila, precisariam revisar ela e eu não estava com muita paciência.

— Posso te fazer mais uma pergunta?

Sasuke acenou positivamente.

— O que você colocou no genjutsu que aplicou em Raioko no dia do julgamento?

Aquela era a dúvida que rondava sua mente há meses. Ela cogitara várias e várias vezes perguntá-la por carta, mas não parecia apropriado.

— Nada.

— Como assim nada?

Ela podia lidar com sangue, morte, violência, mas... nada?

— Ele é vazio Sakura. Apenas fez tudo aquilo como forma de encontrar algo para se preencher. Mas o vazio Sakura, é terrível, eu já estive lá, e não há nada mais desesperador. Não ver, não ouvir, não falar, não sentir nada, não ter nenhuma perspectiva, nenhum sentimento... Nada. Isso é pior do que qualquer genjutsu de dor, de tortura ou de luta.

Acenou positivamente, aconchegando-se mais sobre ele, estremecendo, e decidida de que isso era a única dúvida que ainda a fazia pensar em Raioko. Agora não havia mais nada.

Agora tinha esgotado suas perguntas. A pergunta principal estava cada vez mais próxima, e a coragem de pronunciá-la cada vez mais longe. Mas ele a surpreendeu.

— Já decidiu o que vai fazer? Você vai morar aqui?

— O que? Não, claro que não.

— Na verdade, eu vim até aqui para isso.

— Isso o que?

— Para ver se você já sabe para onde vai, se prefere ficar aqui, ou ir para Konoha, ou... ou pra Oto.

Ela não respondeu, embora soubesse a resposta. Passara muito tempo pensando para onde iria, e tinha tomado uma decisão, planejara escrever uma carta para ele em breve, mas ele a surpreendeu vindo até ali.

— Eu estou disposto a largar o meu posto.

— Você o quê?

Ela falou mais alto do que o normal, horrorizada.

— Estou disposto a largar o meu posto. Passar meu cargo para alguém.

— Eu não entendo, você enjoou? Não quer mais? Aconteceu alguma coisa que não me contou? Algum outro kage desrespeitou você ou—

Ela estava de pé agora, balbuciando palavras indignadas com o que ele tinha lhe dito. Será que ele tinha enlouquecido? Se tornar kage era uma das melhores escolhas que ele tinha feito na vida. Era um bom líder, os moradores de Oto haviam conquistado tanta coisa desde que ele assumira a vila... Respeito, dignidade...

— Eu largo por você. Se você me disser que quer morar aqui, ou em Konoha, eu largo meu posto para ficar com você.

Notas finais
Feliz Natal!