Entre Sombras

6 CAPÍTULO O6: A verdade nos destrói


Notas iniciais
Obrigada por todos os comentários incríveis! Boa leitura!

Entre Sombras

Escrita por Coffee

CAPÍTULO O6: A verdade nos destrói

Seu marido não voltou naquela noite. Ela não podia se sentir mais grata. Pouca a importava onde ele estivera se estava com outras mulheres, se estava em seu gabinete. Quanto mais longe dela, melhor.

Ouvir que uma pessoa é sanguinária era um sentimento totalmente diferente de ver isso com os próprios olhos. Uma demonstração foi o suficiente para que ela soubesse que tudo que diziam dele era real. Era um homem inescrupuloso de fato.

Havia quebrado o pescoço do seu falcão não satisfeito em apenas roubar-lhe a carta. E ainda a ameaçou, fazendo-a tremer por dentro embora mostrasse uma pose superior por fora. Estava em uma vila desconhecida, onde claramente ninguém gostava dela e com um homem que ela não sabia o que era realmente capaz de fazer. Ou talvez soubesse, mas sua mente preferisse negar.

Por hora deveria se manter calma e discreta. Não tentaria mandar mais cartas para Naruto. Em poucas semanas haveria um encontro de kages para definir detalhes sobre o próximo Exame Chunnin, e Raioko já tinha avisado que ela iria junto, se ela conseguisse se livrar dele por alguns minutos e falar com Naruto, tudo ficaria bem.

Respirou fundo. Passava das dez da manhã, Fuji limpava a casa e ela estava sentada no sofá sem nada para fazer. A empregada não a deixava ajudar (ordens do senhor), e ela não estava com humor para xeretar na vila depois do que acontecera.

Resolveu agir como uma mulher recatada e respeitável. Uma dama do kage. Quanto menos atenção chamasse, mais Raioko abaixaria a guarda e mais chances ela teria de falar com Naruto.

A porta a sua frente foi aberta. O moreno passou por ela com uma caixa nas mãos. Os ombros não estavam mais tensos como na noite passada, estavam mais relaxados.

— Venha.

Ele chamou enquanto subia as escadas. Ela não retrucou, apenas subiu as escadas junto com ele, ficando longe dos olhos amedrontados de Fuji.

Entraram no quarto. Ao contrário do que pensou ele não a jogou na cama. Apenas a encarou, respirou fundo e começou:

— Peço desculpas por ontem. Não deveria ter te tratado daquele jeito. Perdi o controle depois que descobri que estava mandando informações confidenciais para outras vilas.

Eu queria perder o controle e quebrar essa sua cara.

Não respondeu, apenas acenou positivamente, fingindo aceitar suas desculpas.

— Quero que você entenda que pertence a essa vila agora. Para o bem ou para o mal. É a senhora de Amegakure e deve manter informações aqui.

Acenou mais uma vez. Ele mexeu a cabeça, deu um sorriso e lhe mostrou a caixa.

— Comprei para você.

Ela ia o pegar na mão, mas ele não permitiu, apenas abriu a caixa, mostrando um delicado cordão dourado.

— Não creio que possa dar para uma ninja como você um anel.

Ele disse provavelmente se referindo ao fato dela usar as mãos em combate.

— Comprei essa peça para você.

O homem tirou o colar da caixa, era fino, mas elegante, tinha uma pequena joia na ponta, quartzo, provavelmente.

— Por que não se vira?

Contragosto (ela não queria ser a mulher que perdoa insultos por joias) se virou para que ele colocasse a corrente em seu pescoço.

O mesmo pescoço que ele queria quebrar ontem à noite.

Ridículo.

Você ainda me paga por toda essa encenação e humilhação.

Ele colocou a fina corrente em seu pescoço e fechou com um click.

Ela caiu no chão imediatamente, os joelhos dobrados, os braços jogados ao lado do corpo.

— O que diabos...?

Tentou levar as mãos até o pescoço para tirar a peça, mas seus braços não saiam do lugar. Tudo estava letárgico, sua mente parecendo querer apagar aos poucos.

Seu coração bateu desesperado, a parte da sua mente em lucidez gritava: tire isso, tire isso.

Mas ela não conseguia fazer nada.

Viu ele se agachar a sua frente e puxar seu queixo para cima para que ela o olhasse.

— Eu não via a hora de ficar pronto. O vendedor acabou demorando mais do que o esperado, mas no fim, saiu perfeito. Nem mesmo você percebeu.

Ela sentia o corpo fraco, como se desfalecesse.

— Está contendo meu chakra.

Afirmou depois de algum tempo, quando o corpo se acostumou com a supressão.

— Achou mesmo que eu viveria dentro da mesma casa que uma mulher que pode destruir minha vila com um único soco? Seu poder é ótimo para os meus inimigos, para que eles saibam que somos poderosos juntos. Para mim, é um perigo que não estou disposto a correr.

Não respondeu. Grunhiu sentindo-se fraca.

— Cogitei não colocá-lo em você, mas depois de ontem vi que não posso confiar.

Acostumando-se a falta de chakra, conseguiu mover seu braço lentamente até o pescoço. Lá procurou por um feixe para pudesse tirar aquilo de si, não encontrou.

— É inútil tentar tirar, uma vez que colocado jamais vai conseguir tirar. Muito menos sem minha ajuda.

— Vão descobrir que você fez isso comigo, as outras pessoas vão ver, elas vã—

— Não. Não vão. O colar não suga seu chakra. Apenas o suprime.

Prestando atenção, ela percebeu que ele realmente estava ali, porém parecia suprido nos pontos principais, ela não conseguia espalhá-lo por todo o corpo.

— Foi criado por um mestre em chakra. Ele mexe somente com esse tipo de coisa. Visualmente, você continua normal. Até para kekkei genkai seu fluxo se chakra está aí, inteiro e forte. Você só não consegue mais controlá-lo.

Desesperada ela passou novamente a mão pela peça, tentou puxá-la, mas nada aconteceu.

Ele riu.

— Poderia até tentar falar para o conselho de kages, eles fariam exames e verificariam que seu chakra está normal. Totalmente espalhado pelos pontos principais.

Maldito. Maldito. Maldito.

— Temos uma reunião com kages daqui poucas semanas. Você pode até tentar dar alarme, mas a única coisa que vai conseguir é se envergonhar. Agora venha, levante.

Ele puxou-a pelo braço. Primeiro testou ficar em pé, o corpo se acostumando aos poucos.

Raioko encostou o corpo ao seu, beijou seu pescoço e passou a mão pelos seus seios sobre a blusa.

— É bom se acostumar, boneca. Pertence a mim e a minha vila, deve ser fiel a nós. Não há saída.

Não recebeu nenhuma resposta do Hokage. Porém estava indo para um encontro de kages e esperava que lá pudesse entender melhor tudo que tinha acontecido nessas últimas semanas.

Chegou a Iwagakure no fim da tarde. Somente Suigetsu e outros dois subordinados o acompanhavam. Na praça central da cidade havia vários moradores observando a chegada dos kages de diversas vilas.

Ele mal pisou dentro dos portões da Vila Oculta da Pedra quando algo veio em sua direção. Deixando todo o protocolo o honrável Nanadaime correu até ele dando um abraço vergonhoso e desequilibrado.

Com seu mau humor usual, ele afastou Naruto de si, deixando-o reclamando que fazia quase um ano que não se viam.

— Teme! — Ele gritou, alto demais. Várias pessoas se viraram para eles, observando o comportamento deplorável do kage da Vila da Folha.

Revirou os olhos.

— Menos, usuratonkachi.

Respondeu, quando eles começaram a andar lentamente para distrair as pessoas e fugir de seus olhares.

— Faz quase um ano que não nos vemos e você continua um merda. Nada receptivo.

— E você continua estúpido.

O loiro riu alto sendo acompanhado por Suigetsu.

Eles andaram cumprimentando alguns kages que também havia chegado (com discrição), e foram recebidos pelo chefe de Iwagakure. Aquele mesmo que estivera em reunião com ele semanas atrás, o impedindo de atender ao pedido de Naruto.

O impedindo de receber ela.

Desviou os pensamentos, tentando voltar a se concentrar no que acontecia ao seu redor.

O Tsuchikage fez um pronunciamento, explicando que alguns kages ainda não haviam chegado, e por isso a reunião seria amanhã após o almoço. De todo modo, era exatamente isso que estava planejado. Também disse que nesse meio tempo as comemorações estavam abertas, a segurança da vila triplicada e que todos poderiam se divertir e relaxar.

Como se isso fosse possível para um kage.

Mesmo assim ele aproveitaria esse tempo para perguntar o que Naruto queria e, se possível, já resolver o provável problema.

— Um tempo para bebermos!

Naruto gritou. Shikamaru deu uma cotovelada no Hokage, dizendo para ele ser mais discreto e foi respondido com um sorriso amarelo por parte do Uzumaki.

— Eu e o teme vamos jogar conversa fora! Vocês estão dispensados.

Ele disse para a guarda.

— Naruto, não sei se é recomendável—

— Ora! Eu sei me proteger sozinho! ‘ttebayo!

Por fim, o Nara revirou os olhos, dando as costas e andando com os outros guardas para as festividades oferecidas pela Pedra. Dispensou Suigetsu e os outros dois homens, ficando sozinho com o ex-companheiro de time.

— Então teme, como anda a vida?

Naruto perguntou enquanto eles andavam em direção a um bar mais afastado.

— Por que não respondeu minha carta?

O Uzumaki coçou a cabeça e sorriu sem graça.

— Ah... Aquilo... Bem... Não era algo que eu poderia explicar por carta. Como eu sabia que nos encontraríamos aqui, resolvi esperar.

Acenou positivamente.

— Uma droga isso tudo não é? Uma verdadeira bosta.

— O quê?

— Tudo que aconteceu. Sabe, meu pedido. Eu sei que fui estúpido, se eu não podia abrir mão das minhas mercadorias, Oto também não poderia, sei que te coloquei em uma situação difícil, mas eu entendo perfeitamente que você não pôde abrir mão dos produtos que Oto importa de Amegakure.

— Naruto, do que você está falando?

O loiro o olhou de modo estranho. Piscou duas vezes e depois respondeu.

— Ué, estou explicando novamente tudo que Sakura-chan te explicou e falando que foi errado da minha parte te pedir algo assim.

Ouvir o nome dela ser pronunciado o trazia emoções confusas. Quentura, dúvida, saudade.

— Naruto, Sakura não me falou nada. Eu disse na minha carta que não tinha atendido seu pedido porque estava resolvendo problemas.

— Sim, eu entendi que você disse não para a Sakura-chan porque a Vila estava com problemas e você não podia abrir mão. Não foi isso?

— Eu estava em reunião no momento em que Sakura foi até lá. Quando acabei e fui vê-la, ela já tinha ido embora. Ela não te contou isso?

— Espera. Você não conversou com a Sakura-chan?

Acenou negativamente. O loiro deu um tapa na própria testa.

— Puta merda.

— Naruto conte o que realmente está acontecendo.

— Onde está o Kakashi-sensei quando preciso dele?

O jinchuuriki olhou para os lados como se procurasse o antigo mentor, mesmo sabendo que ele havia ficado cuidando de Konoha na sua ausência. Depois coçou a cabeça novamente e finalmente olhou para ele.

— Acho bom nós sentarmos.

Eles andaram mais alguns metros até um bar relativamente vazio. Sentaram em uma mesa mais afastada e pediram duas doses de sakê. Naruto ainda sussurrou que precisariam de muito mais que aquilo.

Enquanto o atendente buscava as bebidas, o loiro sussurrava sozinho:

— Por que essas partes sobram para mim? Justo eu tenho que contar? Mas que diabo...

— Naruto, o que está acontecendo?

— Por que diabos não foi mais claro na carta? ‘Se eu soubesse que não tinha encontrado com ela, teria trazido Kakashi-sensei para me ajudar a contar. Ou talvez um psicólogo... Sei lá...

O desespero visível de Naruto começou a incomodá-lo.

O que quer que Sakura tenha ido lhe pedir parecia sério.

E por que ela não tinha dito para Naruto que não havia o encontrado? Onde ela estava?

Sua mente voou por possibilidades, parando somente quando o garçom voltou com as bebidas. Para sua surpresa o loiro virou um copo de uma única vez. Depois olhou para ele.

— Vou precisar.

Ele sorriu amarelo (mais uma vez), deixando-o cada vez mais desconfortável e preocupado com aquela situação.

— Naruto. Vai contar ou não?

O Uzumaki pigarreou, gaguejou e finalmente começou:

— Bem, estava recebendo o Amekage há cerca de um mês atrás... Como sabe, nós dependemos muito de determinados produtos deles, Konoha tem passado por momentos difíceis, mesmo fazendo alguns anos desde o fim da guerra, nós fomos muito prejudicados, muitas mortes, destruições, ataques pós-guerra em momentos de fragilidade... Enfim, dependemos muito de importação, principalmente de Amegakure.

Acenou positivamente. Não conseguia ver nada de novo ali, sabia de todas essas dificuldades, Oto também passava por elas.

— Então... Ele não estava disposto a renovar os contratos de exportação e importação. Ficaríamos sem as mercadorias e também sem o dinheiro de poucas coisas que exportamos para eles. Então ele propôs... Uma troca.

Mais uma vez... Nada novo.

— Direto ao ponto Naruto. Por que você enviou Sakura para Oto?

— A troca era a assinatura de contratos, por um casamento. No caso o do Amekage.

Já tinha ouvido falar muito do chefe da Vila da Chuva, era um homem sombrio e perigoso. Tinha o visto poucas vezes (para assinar alianças), mas não confiava nele.

— E no caso, o casamento dele com a Sakura-chan.

Foi puxado para a realidade de repente. Parecia ter levado um soco no estômago. Olhou para o loiro procurando por uma risada, mas ele estava mais sério do que nunca.

— Como?

— Casamento. A troca era que ele renovaria os contratos, mas, casaria com a Sakura-chan em troca. Então eu tive a ideia estúpida de mandá-la buscar sua ajuda. Imaginei que como você não é casado, se pudesse fingir que Sakura-chan era sua noiva e reclamá-la para si, ele não teria como ir contra isso ou ficaria mal perante o conselho. Por isso ele teria que buscar outro tipo de troca.

Sua mente era vazia.

Sua mente era um turbilhão de pensamentos.

— Ele nos deu um tempo, disse que tínhamos uma semana para decidir ou toda a importação e exportação seria cortada... Então eu a mandei até você.

— Está... Está dizendo que Sakura foi me pedir para casar com ela?

— Não, não casar, só fingir serem noivos. Depois de um tempo quando fizéssemos outra troca e os contratos fossem assinados, vocês poderiam dizer que romperam e ela voltaria para Konoha.

Outro soco.

Sakura precisava de sua ajuda. Ele não havia a atendido quando ela precisava dele.

— Certo... Qual foi a saída que você encontrou?

— Como assim?

— O que fez para que ela não se cassasse?

— Não teve saída, Sasuke.

Não.

Não.

Não.

Aquilo era uma brincadeira de muito mau gosto.

Não poderia ser verdade.

Sakura não tinha sido obrigada a se casar com um homem com uma péssima fama por uma negligencia dele.

Não.

Não.

Não.

Não me entenda mal, só eu sei o tanto que estou sofrendo com tudo isso, principalmente porque não consegui entrar em contato com ela nesses últimos tempos. Mandei várias cartas, mas ela não respondeu nenhuma. Não sei se está nervosa comigo... Mas eu não tinha escolha entende? A vila toda depende de mim, ela é minha melhor amiga, minha irmã... Mas milhares de habitantes passariam por necessidades sem aqueles produtos... Eu... Você entende, não entende?

Sim. Ele entendia.

Ele entendia melhor que ninguém.

Sakura fora obrigada a se casar porque ele não pôde recebê-la. Porque estava em uma reunião onde o destino da sua vila estava em jogo.

Consequentemente...

‘Se ele tivesse saído por alguns minutos... Se soubesse o real motivo da visita... Se...

— Teme? Você está bem?

Não, ele não estava bem.

Sakura tinha se casado.

Sakura tinha se casado com um homem que mal conhecia.

Sakura tinha se casado com um homem claramente perigoso.

Por culpa dele. Porque ele não tinha a atendido. Porque estava em uma maldita reunião.

Ela passou horas esperando e ele não a atendeu.

Não a ajudou quando ela mais precisava.

E ele jamais iria se perdoar por isso.

Notas finais
Sasuke finalmente ficou sabendo! :o Para quem ficou confuso, da primeira parte do capítulo para a segunda, passaram algumas semanas, mas no próximo teremos mais detalhes de tudo isso que aconteceu com a Sakura. Beijos!