Entre Revoluções

13 De volta ao campo de batalha


Depois de ler as cartas dos comandantes do Exército e enviar suas cartas a seu pai como resposta, Jon rumou de volta ao campo de batalha o mais rápido possível. Sua missão entre os refugiados já tinha acabado e ele sempre seria grato pela bondade e gentileza deles. No entanto, ele realmente precisava voltar ao comando de sua tropa.

Embora fosse um campo de conflito, a visão do acampamento aliviou o coração preocupado de Jon, ele cavalgou até os estábulos, deixando seu animal sob os cuidados dos cavalariços, indo diretamente para a tenda de Robb. Jon sabia que não era prudente entrar na tenda do Comandante tão de repente, mesmo o Comandante sendo seu pai. Jon caminhou no meio do acampamento, sem causar muito espanto ou atenção dos soldados. Achava melhor assim, sempre fora uma pessoa discreta que detestava atenção demais.

Robb tinha entrado para o exército assim que completara a idade mínima para isso, e se esforçando como Jon, foi subindo de nível até ser condecorado Coronel. Havia muito tempo que os dois irmãos não se viam, o que causou uma grande emoção em ambos, assim que se encontraram.

—Como é bom te ver Jon, nem parece que você mudou muito — comentou Robb, sorridente.

—Bom, não faz muito tempo que não nos vemos, não o suficiente pra eu envelhecer demais — Jon aceitou a brincadeira — tem notícias de casa? E as meninas e os meninos, como estão?

—Estão todos bem, ansiosos por nossa volta — replicou Robb.

—Volta? — Jon achou aquilo estranho — como assim, volta? Eu voltei às tropas porque achei que atacaríamos de novo, pensei que retornaria pro meu batalhão.

—E vai, claro que vai, no entanto, vamos ter que aguardar mais um pouco, ordens do papai — Robb explicou — ele pretende convocar uma reunião com os principais comandantes em breve, é apenas o que eu sei.

—Está bem, por ora já é o suficiente pra me manter informado — Jon assentiu.

—Falando em informação, você deve ter muito que reportar ainda — se lembrou Robb — vou deixar você organizar isso, mas assim que terminar, volte até aqui, ainda há muito que quero conversar com você, irmão.

—Eu também, Robb, eu também — Jon disse, organizando-se para começar seus relatórios.

Se despedindo brevemente do irmão, Jon então foi diretamente até a tenda do pai. Por mais que estivesse ansioso para vê-lo por sentir falta de sua companhia, também estava nervoso sobre o o seu trabalho no exército. Nunca se sentiu confortável com o fato de ser um espião, e agora que tudo tinha acabado aparentemente, ele esperava ter feito um trabalho satisfatório.

—Permissão para entrar, senhor — Jon bateu continência ao ver o pai, sem perder o respeito que devia a ele, já que ali eles eram soldado e comandante, um sob as ordens militares do outro.

—Permissão concedida, meu rapaz — Ned não conseguiu conter a emoção ao ver o filho e eles trocaram um abraço — como foi lá?

—Bem, na medida do possível, acredito ter me saído bem — Jon deu de ombros, se sentindo mais confortável agora — espero ter ajudado a nossa causa.

—Claro que ajudou, está claro o quanto se esforçou pra isso — seu pai elogiou seus esforços — e depois de tudo, merece boas notícias.

—Boas notícias? — Jon se surpreendeu positivamente — são sempre bem vindas.

—Tivemos grandes vitórias nos últimos tempos e, por isso, estamos mais calmos — Ned começou a explicar — vamos poder passar uns dias em casa, a tempo do Baile de Inverno.

—Mesmo? Isso é ótimo pai — Jon não conteve sua alegria — confesso que era justamente o que eu precisava antes de voltar ao campo de batalha.

—Tem razão filho — Ned pôs uma mão no ombro de Jon — você realmente merece esse descanso, mas logo depois, temo que suas tropas estejam o aguardando.

—Eu sei, a luta continua, e estou disposto a lutar — confirmou o jovem tenente.

Então, nos dias seguintes em que passou no acampamento, apenas esperando o dia de retornar para casa, mesmo que fosse por um curto período de tempo, Jon observou algo diferente em seu irmão. Junto do acampamento dos soldados, ficava uma ala médica, onde os médicos e enfermeiras ficavam de prontidão para receber e atender os feridos. E Robb estava passando muita parte de seu tempo ali, mesmo não estando ferido.

Mais tarde, Jon se encontrou com o irmão como tinha prometido fazer, e o mais velho só conseguiu encontrar seu irmão justo na enfermaria. Robb estava conversando com uma das enfermeiras, o que Jon estranhou.

—Estava fazendo um levantamento dos feridos ou vendo como eles estão? — Jon perguntou conforme eles iam andando até a tenda do tenente.

—É, é claro que sim — Robb se sentiu sem graça de repente — em parte, pelo menos.

—Por que exatamente? — continuou o mais velho, disposto a descobrir se era verdade o que estava desconfiando.

—Eu... Jeyne, a enfermeira com quem eu falava... — Robb se envergonhou mais.

—Sim, eu sei... — Jon não pôde deixar de sorrir — está claro que gosta dela. Pretende cortejá-la?

—Eu realmente quero, mas com toda essa guerra acontecendo... — Robb hesitou um pouco — não tem como eu tomar uma decisão agora.

—Compreendo, mas vai saber o que fazer no momento certo — o irmão mais velho manteve o otimismo — você sempre sabe.

—Eu realmente espero tomar uma decisão correta sobre isso, mas não quero mais aborrecê-lo — Robb encerrou o assunto para começar outro — está animado por voltar pra casa?

—Sem dúvidas — Jon se permitiu sorrir — sinto falta de Winterfell e de todos lá.

—E o Baile é sempre o maior evento do ano, embora você não goste muito dele — apontou o mais novo.

—Nem tanto assim, aprecio o Baile menos que as outras pessoas, só isso — o mais velho tentou se justificar — não fico tão animado quanto você, mas entendo porque as pessoas ficam ansiosas por ele.

—Tudo bem, Jon, eu te entendo — Robb assentiu por fim, deixando seu irmão mais velho em paz para cuidar de outras coisas mais importantes que necessitavam da atenção dele.