Entre Revoluções
10 A irmandade de Robb e Jon
Não demorou muito para que o filho de Eddard e Catelyn chegasse. Robb nasceu quase um ano após o casamento de seus pais, o que trouxe muita alegria a ambos.
Ned agora tinha uma família mais completa, nem ele nem Jon estavam mais sozinhos, porém Ashara nunca perderia o lugar especial em seus corações. Robb e Jon cresciam lado a lado, mais que irmãos de sangue, eram irmãos de alma, o melhor amigo um do outro e a companhia de todas as horas.
Era comum vê-los correndo dentro e fora da mansão Stark, com gravetos nas mãos, suas brincadeiras davam vida às histórias de soldados corajosos. Se ficassem muito tempo sem supervisão, Robb e Jon poderiam colocar a mansão de pernas pro ar. Geralmente o mais novo era o mais levado, e o mais velho levava as broncas por ele. Mas mesmo assim, Jon continuava participando das brincadeiras. Num dos dias mais frios de inverno, Robb desafiou o irmão a fazer algo muito travesso.
—Não, não, nem pensar mocinho — Jon tentou, lembrando de como seu pai falava com eles.
—Anda Jon, você não pode ser covarde — contrapôs Robb — você não quer ser um cavaleiro como Daeron? Assim você vai provar sua coragem.
—Isso não tem nada a ver com cavalheirismo — Jon balançou a cabeça — sentindo-se derrotado.
Os irmãos então executaram sua brincadeira, subiram no alto do parapeito da fortaleza que protegia a mansão, acumularam o máximo de neve que conseguiram, e esperaram a primeira carruagem passar. Ao verem o cocheiro, empurraram a neve sobre ele.
—Lorde Eddard vai ficar sabendo disso, seus pirralhos! — gritou o homem lá de baixo, os meninos o ignoraram rindo.
Quando se tratava de travessuras extremas como essa, Lorde Eddard fazia questão de dar um sermão nos meninos, mas isso não impedia que eles continuassem brincando no mesmo nível travesso. A avidez de Robb e Jon por espadas e aventuras se transformou em coragem e habilidade conforme eles foram crescendo. Quando fez 18 anos, Jon decidiu alistar-se, mesmo com a grande preocupação de seu pai, pelo risco que correria.
—Eu sei que é arriscado, mas se não fizermos nada, a quanto tempo vamos ficar oprimidos pelo sul, o resto de nossas vidas? — Jon apontou seus motivos a Eddard — tio Benjen e o senhor se alistaram, subiram de patente e estão bem até hoje.
—Mas nem todos podem ter a mesma sorte, meu filho — Ned rebateu, mas paciente — eu vi muitos perderem a vida, homens que eu conhecia, que sabia seus nomes... Você, eu vi nascer, vi crescer...
—Ser seu filho não anula a responsabilidade que eu sinto dever ao meu país e ao meu povo — Jon respondeu um pouco mais calmo.
Eddard entendia o filho e o considerava nobre por isso, e mesmo com o coração pesado, autorizou o alistamento de Jon. Robb, ao ver o seu exemplo, começou a pensar em seguir a mesma carreira quando a hora chegasse.
Nevava muito o dia em que Jon partiria para se unir ao Exército, depois de ser convocado para defender a Muralha. Arya até ameaçou chorar, já que era muito apegada ao irmão mais velho, mas decidiu ser forte, o que era impressionante para uma garotinha de 11 anos. Sansa apertou a mão de Jon cordialmente, como uma dama educada faria, mas o irmão insistiu em lhe dar um abraço, o que fez a jovem de 14 anos sorrir. Bran e Rickon ainda estavam dormindo, mas Jon lhes deu um último olhar atencioso e fraternal. Robb foi o último a se despedir do irmão mais velho.
—Eu não acredito que vai mesmo — confessou o mais novo — sabe que agora eu vou ter que ser o irmão mais velho responsável, não sabe?
—Eu sei, e confio em você pra isso — Jon segurou o ombro dele — cuide bem dos nossos irmãos e não dê nenhuma dor de cabeça ao nosso pai.
—Eu não sou mais criança, Jon — Robb revirou os olhos, mas entendia todas as exigências do irmão — eu vou sim, e você, faça o mesmo, tome cuidado, não faça nenhuma tolice, e... Por favor, volte são e salvo pra casa.
—Vou fazer o meu melhor — Jon envolveu o irmão num forte abraço, por mais que fosse difícil para os irmãos vê-lo partir, suas preocupações, saudade e medos eram os mesmos que os deles — diga a Bran e Rickon que eu os amo e só não me despedi porque eles estavam dormindo.
Robb assentiu, prometendo cumprir esse pedido.
—Bom, eu vou indo — Jon ajeitou a bagagem nas costas — cuide-se, Robb.
—Você também, Jon — Robb lhe deu um último abraço.
E assim o restante dos irmãos Stark viu o primeiro deles partir à galope, Sansa e Robb acenaram enquanto Arya correu um pouco mais à frente da mansão, para ver Jon mais um pouco. Tudo que eles desejavam é que ele voltasse logo, são e salvo.
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