Entre Razões e Emoções
13 Emotion Wins
No covil de Slade...
O vilão inescrupuloso estava, como sempre, tramando alguma. Ele precisa acabar com Robin de uma vez por todas. E ele iria fazer algo com Estelar para poder chamá-lo. E dessa vez, sem volta.
— Robin... Você nem sabe o que está por vir... Posso até demorar para aparecer mas vou vir com algo grande.
No silêncio da noite, ouvia-se a risada diabólica de Slade.
Na enfermaria dos Titãs...
— Está precisando de alguma coisa? – Ciborgue insistia em perguntar.
— Não. – Respondeu Robin, de braços cruzados e emburrado.
— Tem certeza? – Insistiu Estelar.
— Tenho.
— Mas quem sabe... Você não quer ver televisão? – Ciborgue mostrou uma pequena TV que estava encima de um móvel com alguns remédios.
Robin suspirou.
— Só quero ficar sozinho.
— Não vai rolar. Se deixarmos você sozinho, você foge. Estamos aqui pro seu bem, ingrato. E nem vem dizer “não mandei virem”. Estelar é quem mais se importa com você e você nem dá a mínima atenção que ela merece.
Estelar sorriu, sem jeito.
— Não fale assim, amigo. O Robin me dá a atenção necessária aqui no grupo.
— Tem certeza? Só vejo ele te tratando mal... – Ciborgue coçou a cabeça, não acreditando no que ela dissera.
“Isso porque não viu quando ele é carinhoso...” – Pensou a alienígena.
— Eu tô com sono. Vamos dormir. – Robin não queria saber daquele assunto e tratou logo de arranjar desculpa.
Ciborgue deu de ombros, bem como Estelar, que até queria que ele descansasse.
— Boa noite, amigão. – Ciborgue bateu de leve nas costas do líder.
— Boa noite... Valeu. – Robin não sabia como agradecer, isso porquê ele perdera o costume quando mudou de “personalidade”.
Cib já se contentou com isso.
— Boa noite, amigo. Que sua noite seja gloriosa e que você melhore para poder chutar os vilões. – Estelar se aproximou e beijou a bochecha do líder.
Robin ficou corado e tentou disfarçar, mas não conseguiu.
— Aposto que agora você melhora. – Cutucou Ciborgue, provocando-o.
Robin balançou a cabeça.
— Até parece.
— Mas é verdade. Quando eu era todo humano, sempre que eu me machucava, minha mãe dava um beijinho no machucado e PUF! Ele sumia. – Contou o garoto-robô.
— Eu não estou machucado, Ciborgue. Só fraco. – Contestou o abelhudo do Robin (kkkk).
— Ah, está com um pouco de tudo. – O garoto-robô deu de ombros e sorriu.
— Amor é um ingrediente muito importante, ainda mais nessas horas... – Estelar comentou, deixando Robin ficar parecendo um tomate mascarado.
— Tanto faz... – Ele falou com dificuldade, pois aquela conversa o deixava sem ar. Ainda mais se fosse vinda de Estelar.
Ciborgue não parava de rir e Estelar dava piscadelas para o líder, que queria sumir debaixo daquelas cobertas.
— Ciborgue, apaga essa luz, por favor? – Pediu o líder, desesperado.
Ciborgue fez como ele queria e apagou.
— Boa noite! – Estelar disse.
— Boa noite. – Responderam.
Robin decidiu esquecer as provocações e os afetos de Estelar (que era impossível quase para qualquer resistir). Começou a pensar em Slade (mas que novidade) e no que estaria tramando. Não seria pouca coisa. Cada vez estava ficando mais difícil combatê-lo. Mas Robin não temia. Ele só precisava treinar. Estava certo que estaria melhor amanhã e poderia fazer qualquer coisa. Heróis não descansam. Bom, só o Batman. E ele ficava na Batcaverna.
Robin sabia que Slade viria atrás de Estelar de novo, só para poder feri-lo. Mas isso não iria acontecer se ela estivesse sempre em grupo. E ele não conhecia Estelar bem o suficiente para poder ficar preocupado com ela e tudo mais...
— Caramba! – Exclamou Ciborgue. – Tenho que recarregar rapidinho. Já volto.
— É mesmo uma boa ideia você ficar aqui, Ciborgue? – Perguntou Robin, finalmente saindo de baixo das cobertas.
— Claro, você pode precisar de alguma coisa. Por isso, eu e Estelar estamos aqui.
— Eu vou ficar bem. Vão dormir no quarto de vocês. Até eu podia ir pro meu... – O líder insistia, mas os outros dois balançaram a cabeça.
— Não sabe o que é relaxar, né? – Cib suspirou.
— Mas, gente...
— Nunca tirou férias, garanto. – Ciborgue disse, fechando a porta.
Estavam só ele e Estelar. De novo.
Ao perceber isso, Robin começou a corar no escuro.
“Para, coração! Para de bater assim! Não precisa parar tudo, mas desacelera! Cérebro, uma ajudinha aqui!”
Estelar também ficou vermelha, mas não achou ruim.
— Robin?
— O que? – Ele respondeu rapidamente, muito assustado.
— Tudo bem? – Ela perguntou, chegando perto dele.
— O meu arquiinimigo está à solta, não posso treinar porque estou fraco. Como acha que estou? – Respondeu o abelhudo (Robin kkk).
— PELA ÚLTIMA VEZ, VOCÊ NÃO ESTÁ BEM! DESCANSE PELO MENOS UMA VEZ NA VIDA, TEIMOSO!
Ele se espantou pelo tom de voz de Estelar. Ela era sempre tão meiguinha.
— Desculpa... – Ela reverenciou. – Mas melhor cumprir.
— Tem razão. Eu sou um mané. – Robin coçou a nuca, pensando nas palavras de Estelar.
— Você preocupou a gente e agora se faz de difícil. Robin, tem que ser sempre assim? Até entre amigos?
Ele suspirou.
— Mesmo entre amigos, não sei se posso confiar totalmente. Aqueles que se disseram meus amigos me traíram. Por isso, tenho medo de confiar e sou todo desconfiado. Não quero me apegar e me machucar.
— Entendo sua dor... Temos coisas em comum, afinal.
— Você também não pode confiar muito, né? – Robin finalmente estava mais a vontade.
Estelar balançou a cabeça.
— Em Tamaran, a vida era feliz. Até vir a minha irmã terrível e tudo virar guerra. – Suspirou a princesa alienígena.
— Eu... sinto muito.
Aquilo já bastava para servir de consolo para ela.
— Sinto muito o que passou também. – Ela o abraçou, deixando-o todo sem jeito e tendo mais uma briga razão x emoção. – Se eu pudesse tirar todas as suas dores...
Robin ficou espantado com a pureza dela.
— Eu queria ficar com suas dores, pra pelo menos, não te ver sofrendo. Dói mais vê-lo sofrer do que ter alguma outra coisa. – Estelar começou a chorar.
“Ela realmente se importa comigo... Que idiota eu estou sendo. Talvez por poucos minutos possamos ser outra coisa além de heróis. Coração, vamos conversar.”
— Estelar, nunca ninguém me disse isso... – Robin disse, emocionado.
— É de coração, Robin... Eu te amo mais que tudo... – Ela começou a soluçar e abraçou Robin mais uma vez, só que mais forte.
O coração dele estava gritando dentro do peito e agora Robin decidiu arriscar. Ele não ligou de não agir pela razão naquele momento. Precisava consolar aquela que sempre estava ao seu lado (desde que chegou).
“Dê uma chance pra mim! Não deixe-a sofrer mais! Olhe só como ela gosta de você!” – Robin ouvia seu coração dar-lhe uma bronca.
Robin suspirou e puxou Estelar para si. O calor era enorme, mas agora Robin decidiu ir até o fim. Ele começou um beijo calmo, suave. Estelar chorava mas retribuía. Robin a segurava firme. Ele estava de joelhos na cama e como Estelar era alta, ficava da altura exata (e ele é baixinho kkk).
Quando se desgrudaram pela falta de ar, Robin olhou nos olhos dela. Podia vê-los, mesmo no escuro. Eram os mais brilhantes que ele já tinha visto.
Ela sabia que debaixo da máscara estavam os olhos mais lindos que ela já conheceu.
Robin acariciou o rosto dela, suavemente e ela sorriu, fungando ainda um pouco.
“Muito bem!” – Dizia seu coração.
“Ei!” – Reclamava o cérebro.
“Quieto, cérebro. Estelar está melhor graças à mim. Eu não posso mais fazer uma pessoa tão bondosa sofrer. Eu acho que por ela, posso desligar minha razão um pouco.”
“Não pode! O que você disse sobre usar emoções em luta?” – O cérebro já reclamou.
“Em combate não, fora dele...” – Suspirou Robin.
— Robin, tudo bem? Está tão quieto... – Estelar observou o líder, mas ele estava sorrindo de canto.
— U-há! – Ciborgue entrou, dando um susto neles.
— C-Ciborgue? Por quanto tempo está aí? – Robin arrepiou mais os cabelos (kkk).
— Desde a parte em que você estava consolando ela.
— Você nem foi recarregar, né? – Robin fez bico, achando muito estranho o amigo tê-lo deixado junto com Estelar. Os dois, sozinhos.
— Fui sim, espertão. Eu cheguei quase agora. – Ciborgue riu.
Estelar e Robin estavam muito envergonhados.
— Não conte nada ao Mutano. – Pediu Robin, vermelho, apesar de estar escuro.
— Posso contar para a amiga Ravena? – Estelar perguntou, louca para contar pra alguém.
— Ela não liga... – Ciborgue deu de ombros.
— Mas o Mutano... – Suspirou Robin.
— Qual o problema em saber que vocês se gostam? Não é segredo. – O garoto-robô coçou a cabeça.
Robin arregalou os olhos por baixo da máscara.
— Não fale em voz alta!
— O que? Que vocês...
— CHEGA! Boa noite! Tchau. – Robin deitou e virou pro outro lado. Seu coração estava a mil. Pelo menos sabia que era bom sinal. Se estava batendo, estava bem vivo.
Ciborgue e Estelar riram.
— Mó marrento, né?
— Acredito que isso seja teimoso no seu planeta. – Sorriu a alien.
Ciborgue riu, alegando que sim.
Robin bufou, querendo que a noite passasse logo. E olha que eram apenas 23:00.
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