Entre Razão e a Tentação
1 Capítulo 1 – As Famílias
As famílias Singer e Winchester eram conhecidas em quase todos os círculos de caçadores. Desde gerações, carregavam no sangue a missão de caçar monstros, demônios e qualquer criatura que ameaçasse os humanos. Porém, junto com o legado de glórias, existia também uma rivalidade quase tão antiga quanto a própria história dos dois clãs.
Maya Singer era filha única de Bobby Singer, determinada, corajosa, com a língua afiada e um orgulho que não aceitava ficar atrás de ninguém. Desde cedo, seu pai lhe ensinou a atirar, montar armadilhas e recitar exorcismos.
Dean, por outro lado, era o filho mais velho de John Winchester. Tinha o mesmo fogo no olhar, a mesma garra de querer ser o melhor. Cresceu aprendendo a obedecer o pai, proteger o irmão mais novo, Sam, e se destacar em cada caçada.
O problema é que, para Maya e Dean, nunca bastava ser bons. Eles queriam ser melhores que o outro.
A noite estava pesada, úmida, típica de uma caçada. A lua mal se mostrava atrás das nuvens e o vento cortava as árvores, carregando o cheiro de terra molhada. O velho Chevy Impala preto estacionou a alguns metros da estrada, enquanto uma caminhonete azul parava logo atrás.
Do Impala, desceu John Winchester, alto, imponente, com o olhar de quem já vira o inferno de perto. Atrás dele, um jovem de cabelos curtos e olhar desafiador: Dean Winchester, com seus 24 anos, carregando a espingarda como se fosse uma extensão de seu corpo e em seguida desceu seu irmão mais novo Sam, de 22 anos, carregando seu notebook.
Ao lado do Impala, desceu da caminhonete azul escura Bobby Singer, o velho amigo de guerra de John. De chapéu surrado, olhar experiente e voz firme, Bobby era o tipo de homem que parecia carregar o peso do mundo, mas nunca deixava de lutar. Logo atrás dele, com passos firmes e expressão séria, estava Maya Singer, sua filha de 20 anos. Ela usava uma jaqueta de couro preta, jeans rasgado e botas pesadas. Seus cabelos castanhos caiam pelos ombros, e o olhar fulminante mostrava que estava pronta para qualquer coisa.
John sorriu ao ver o amigo:
— Bom te ver, Bobby. Parece que o tempo não mudou nada.
Bobby cruzou os braços, erguendo uma sobrancelha.
— Só mudou o bastante para me dar dor nas costas todo dia.
Ambos riram, se cumprimentando como irmãos. Já Dean e Maya trocaram apenas um olhar. Não precisaram dizer nada: a rivalidade estava estampada nos olhos deles.
Dean murmurou, com ironia:
— Olha só quem veio estragar a festa…
Maya deu um meio sorriso, carregado de sarcasmo:
— Engraçado, pensei a mesma coisa de você.
Bobby revirou os olhos.
— Vocês dois nunca mudam, né?
John completou:
— Desde criança. Se um fala que a lua é branca, o outro jura que é preta.
Dean bufou:
— Porque ela sempre acha que sabe tudo.
Maya cruzou os braços, o encarando firme:
— E você sempre acha que é o melhor em tudo.
O clima ficou pesado por um segundo, até que Bobby limpou a garganta.
— Certo, já chega. A criatura não vai se caçar sozinha.
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