Entre Razões e Emoções

7 No Escurinho do Cinema


— Que filme é? – Perguntou o líder, chegando perto dos amigos.

— Fuga Ninja 3! – Disse Ciborgue, mostrando o DVD.

— Como você tem esse DVD? – Perguntou o líder, desconfiado.

— É do Mutano!

— Eu comprei. – Mutano riu e pegou o controle remoto. – Acomodem-se enquanto eu arrumo tudo.

Eles assentiram. Para o azar (ou não) de Robin, o único lugar vago era ao lado de Estelar. Mas ele não queria sentar perto dela. Era capaz de dar um ataque cardíaco (que exagero, Robin).

— Ciborgue, posso sentar aí? – Perguntou o líder, apontando para um lugar entre o menino-robô e Ravena.

— Não, o Mutano vai sentar aí.

Robin fez uma careta.

— Qual é, sentar ao lado dela não é tão ruim... Vai ser bom pra você. – Sussurrou Ciborgue no ouvido de Robin, que rapidamente ficou vermelho. Sorte que estava escuro e não dava de ver.

Ele sentou, meio constrangido. Estelar sorriu para ele e ele só deu meio-sorriso.

— Vai ser glorioso assistir um filme com amigos! Primeira vez que faço isso! – Estelar disse, se aproximando um pouco de Robin, que congelou na hora.

— É-é... É legal. – Respondeu ele. “Droga, Robin! Pare de gaguejar! É só uma alienígena! Não se aproxime dela! Nada de afeto! Não aja como um idiota perto dela! Você é o melhor e sabe disso...”

Mas Estelar sem querer encostou o braço nele e foi como uma bomba relógio. Robin começou a tremer todo.

— Cara, está com frio? – Ciborgue perguntou ao ver o estado do líder.

— É! Isso mesmo! – Robin disse, para disfarçar. – Eu queria um cobertor.

— Eu pego! – Cib disse, saindo.

Agora ele começou a sentir algo estranho no estômago. Estelar estava perto demais dele. Sentiu cada batida do coração.

— Estelar... Dá pra ir mais pra lá? Está muito quente. – Pediu ele.

— Ué? Mas não estava com frio? Eu estava tentando te aquecer, amigo. – Ela não tinha entendido mais nada.

— Não precisa. Ciborgue já foi pegar um cobertor para mim. Vou ficar bem. – Ele sorriu, bem falso.

— Tudo bem... – Suspirou a tamaraneana, meio desapontada. Ela queria mesmo era ficar pertinho de seu líder.

Ciborgue chegou com dois cobertores. Um para Estelar e Robin e o outro, maior, para ele, Ravena e Mutano.

O filme começou, eles iam comendo pipoca e tomando refri. Estelar estava deslumbrada com tudo aquilo. Para ela, era tudo novo. Ter amigos terráqueos e ainda, fazer programas com eles. Ela estava adorando. E sentia seu coração bater feliz. Robin estava bem ao lado dela, mesmo com a expressão séria, olhando para a tela. Ela de vez em quando, se pegava olhando para ele.

Ela se lembrou de quando ele mostrou seu rosto para ela. Ele era muito bonito e isso a fez suspirar sem querer. Percebendo o que fazia, resolveu ver o filme, quieta. Já bastava ter Robin ao seu lado.

Ciborgue via o filme e dava altas gargalhadas com Mutano, pois era muito engraçado. Além da ação, tinha muita comédia.

Mutano estava ao lado de Ravena, que não falava nada. Não demonstrava nada. Só olhava para a tela com cara de tédio. Estava gostando do filme mas não iria falar nada. Esta estava sem o capuz dessa vez.

Num momento, a mão de Estelar tocou a de Robin e isso fez os dois ficarem vermelhos e tirar lentamente dali. Estelar sorria de canto para Robin não ver e ele por sua vez, fingiu estar com fome e comeu quase todo o balde de pipoca.

— Cara! Você atacou a pipoca! – Reclamou Ciborgue.

— Ué... – Falou o líder, ainda mastigando. – Eu estava com fome.

— Vou lá fazer mais. – Bufou o meio-robô, enquanto Mutano ria e Ravena revirava os olhos.

Lá pela metade do filme, Estelar pegou no sono no ombro de Robin. Ele não sabia o que fazia. Não queria que ela deitasse nele mas não queria acordá-la. Olhou no relógio digital e viu que eram já 22:30.

— Acho que está na hora de dormir. – Falou o mascarado, tentando tirá-la de perto, mas quanto mais tentava, mais perto ela ficava, até que ele cedeu.

— Tá cedo! E o filme só está na metade. – Comentou Mutano, tomando refri.

— A Estelar já dormiu. – O líder disse, meio constrangido.

Ciborgue e Mutano se olharam.

— Hmmmm...

O rosto de Robin ficou vermelho, mas no escuro não aparecia.

— Que coisa mais meiga! – Provocou o menino-robô.

— É seu bichinho de estimação! – Mutano disse, às gargalhadas.

Os dois começaram a rir descontroladamente e Ravena se irritou.

— Será que dá para calar a boca? – A empata ergueu o tom de voz e todos se calaram. – Obrigada.

— Tá. Mas o que eu faço agora? – Robin mostrou uma alienígena deitada em seu colo.

— Ué, deixa ela aí e assiste o filme você. – Ciborgue respondeu na maior facilidade.

— Senão você também vai perder. – Mutano disse.

— Eu nem queria ver... – Murmurou o mascarado. Sorte que ninguém ouviu.

Para a alegria de Robin, o filme durou mais um pouco só e logo iriam dormir.

— Que filmaço! – Comentou Ciborgue.

— E aquela hora em que o ninja quase caiu no penhasco? Cara, eu gelei! – Mutano entrou na conversa.

— Ah, eu vou dormir. Boa noite. – Disse Ravena.

— Boa noite, amiga Ravena! – Estelar agora estava acordada (agora que acabou o filme, hahaha)

Os demais deram boa noite para ela.

— Amigos, agradeço por me deixaram ficar! – Reverenciou Estelar. – Obrigada de coração!

— Que nada! Você vai ser de grande ajuda! – Mutano sorriu.

— Ainda mais para nos ajudar a controlar o mal humor do... UGH! – Mutano cutucou Ciborgue para ele parar de falar, já que a cara de Robin já estava enfezada.

— Muito bem, Estelar. Hoje foi seu primeiro dia. Sempre precisamos estar prontos para salvar o dia, não importa o que nem quando. – O líder pigarreou.

— Vai ser fabuloso salvar o mundo com meus amigos! – Ela sorriu.

— Preciso carregar minhas baterias. Falou vocês. – Ciborgue se despediu.

— Mutano, lave a louça. – Mandou o líder.

— Mas por que eu? – O baixinho se irritou.

— Deixa ele dormir. Amanhã limpamos tudo. – Estelar deu a ideia.

— É! Obrigado, Estelar! – O verde tinha brilho nos olhos.

Robin suspirou.

— E eu achando que era o líder...

— Mas foi uma sugestão apenas. – Estelar disse.

— Deixa pra lá. Boa noite. – Robin disse, sério.

— Espera, Robin...

— O que...

Estelar puxou ele pelo braço e beijou a bochecha dele. Ele ficou incrivelmente corado, bem como a tamaraneana. Mutano só espiou atrás da porta e murmurava “Cara!” e sorria.

— Boa noite. – Ela disse, sorrindo envergonhada.

Ele murmurou um “boa noite”. Parecia que estava em transe. Como aquela garota podia demonstrar tanto afeto por alguém que sempre a desprezava? Como podia ser tão carinhosa o tempo todo? Estelar era incrível. Robin não podia negar.

— Vou adorar morar aqui... – Estelar riu, meigamente e flutuou até seu novo quarto.

“Os humanos são incríveis!”, pensava Estelar. E os aliens talvez não sejam de todo mau...” , pensava Robin.

Faltava Robin decidir quem ia ganhar a guerra coração x cérebro.