Notas iniciais
Faz alguns anos que estou longe do mundo das fanfiction, espero não ter perdido a prática.
Creio que essa história coloca FaBerry num mundo bem diferente, não lembro de já ter visto uma abordagem parecida. Espero que alguém se interesse, se tiver pelo menos um leitor já ficarei feliz.

Estávamos andando há horas. As solas dos meus sapatos ficaram gastas, e a umidade estava começando a se infiltrar, rastejando em minhas meias a cada passo. Eu me sentia suja, desgrenhada e cansada.

Não entendia por que minha irmã gostava tanto desses passeios ao ar livre. A floresta continuava tão chata e cheia de insetos como sempre.

“Olha, Quinn!”

Segui a direção que ela apontava. A razão de todo aquele alvoroço era um amontoado de flores que cresciam perto de um barranco.

Parecia que todo este lugar era feito de lama e coisas que queriam me comer. Os malditos mosquitos estavam tentando drenar todo o meu sangue. Definitivamente eu não era uma pessoa do campo.

Eu só quero ir para casa, aquecer-me na frente da lareira, e ter o jantar e um pouco de vinho servidos à mim.

Minha irmã, no entanto, se movimentava pela floresta com alegria e facilidade.

"Todo esse ar puro é revigorante" disse ela, e fez um tipo de salto feliz.

O guarda real, encarregado de nos proteger, observava-a com um sorriso de adoração. Frannie tinha esse poder sobre as pessoas, ela encantava e fascinava a todos.

Algum dia Francesca Anabelle de Córdoba Fabray será a rainha perfeita. Minha irmã é uma pessoa incrível, mas em momentos como este, onde ela me arrasta em caminhadas sem sentido, preciso me controlar para não esquecer a posição que ela ocupa e atira-la na poça de lama mais próxima.

Retardei meus passos, deixando Frannie e o guarda seguirem na frente. Eu estava totalmente absorta em meus pensamentos, lembrando-me do banheiro do castelo, todo de mármore brilhante e suave, toalhas limpas... E com isso parei de prestar atenção na floresta ao nosso redor. O primeiro sinal que tive do lobo a minha frente, foi o cheiro de cachorro molhado que invadiu as minhas narinas.

Eu quase podia ouvir as palavras do meu pai. “Preste atenção, Quinn” ele dizia constantemente. “Na floresta, o perigo está sempre ao virar da esquina.”

"Merda!" falei. Minha irmã e o guarda estavam longe. Não havia nada que eu pudesse fazer quando o lobo voou para mim.

Nunca tive medo quando cães saltavam para cima de mim, nunca me importei com suas patas me arranhando e o hálito horrível. Mas, de repente, eu podia entender aqueles que temiam.

Suas patas dianteiras bateram no meu peito com bem menos força do que eu esperava, mas ainda foi o suficiente para me fazer cair de bunda no chão.

A respiração do lobo era forte, fétida, e seus dentes brilhavam fortemente. Havia espuma nos cantos de sua boca, mas eu não acho que teria tempo de me preocupar com pegar raiva se seus dentes arrancassem minha cabeça.

Porém, em vez de me dilacerar, o lobo simplesmente saiu de cima de mim, e começou a andar ao meu redor em um circulo perfeito demais.

Ainda com os dentes arreganhados, ele parou na frente dos meus pés. Seu focinho levantou no ar, e começou a cheirar intensamente os meus sapatos.

Movi minhas mãos cegamente para trás, por sorte encontrei algo, e fechei meus dedos em torno de um galho caído ali.

Brandi o galho na minha frente, tentando afastar o lobo. Ele apenas levantou a cabeça e olhou para mim sem piscar. Era como se ele procurasse alguma coisa, mas talvez eu estivesse dotando o animal com muita inteligência. O nosso reino era cheio de criaturas mágicas, mas um lobo é apenas um lobo, a menos que...

Balancei o galho novamente, tentando parecer tão ameaçadora quanto podia com a minha bunda na lama.

Passos correndo em nossa direção sinalizaram que minha irmã e o guarda finalmente perceberam o que estava acontecendo, nesse instante, juro por Deus, vi o lobo mostrar um sorriso. Em seguida, ele virou-se e correu para dentro dos arbustos, deixando apenas um sussurro para trás.

"Que diabos foi isso?" perguntei, em voz alta.

"Um lobo" respondeu o guarda numa voz plana.

Tive que me controlar para não arremessar nele o galho que eu ainda segurava.

“Você está bem?” minha irmã perguntou, preocupada. Sua testa franzida enquanto ela olhava para dentro do mato.

Respondi que sim, mas a lembrança daquele sorriso ainda enviava arrepios para minha espinha.

* * *

Durante todo o dia, enquanto caminhávamos, continuei vislumbrando o lobo nos seguindo por entre as árvores. Pairando a curta distância, ele desaparecia quando eu me virava para encará-lo de frente, parecia algo saído de uma história de fantasmas. Ninguém mais parecia ter notado sua presença, e assim eu tentei ignorá-la.

Quando chegamos ao palácio, falei para minha irmã seguir na frente e voltei para dentro da floresta, estava um pouco escuro já, mas eu não me sentia ameaçada. A pior coisa que encontrei foi um esquilo e, a menos que este fosse totalmente diferente dos esquilos comuns, não estava muito preocupada.

Continuei andando... E então, lá estava ele. O lobo. Como se soubesse que eu estava vindo. Mas, de alguma forma, eu não estava muito preocupada com ele também.

Enquanto eu encarava o lobo, de dentro da floresta saiu uma garota loira segurando uma escova de dente, ela olhou para o animal como se estivesse pronta para lhe dar uma bronca. Mas parou assim que me viu. Sua mão se enrolou no pelo grosso da nuca do lobo, em um gesto de carinho.

"Olá, novamente, lobo." eu disse, e não consegui impedir o tremor na minha voz.

Nem o lobo nem a garota (que só agora notei ter orelhas pontudas, sinalizando que era uma elfa) fizeram qualquer movimento, ficaram apenas olhando e esperando. Eu não me movi também, permanecemos em silêncio enquanto o tempo se estendia entre nós. Finalmente me cansei, eu teria que dar o primeiro passo.

"Por que você não está, você sabe, me atacando?"

O lobo rosnou duas vezes em resposta.

"Não costumo sair por ai atacando as pessoas." a elfa parecia traduzir o que ele dizia com aqueles rosnados. “Além disso, você tem o cheiro dela.”

"Tenho o cheiro dela?" A ideia era vagamente ofensiva. Eu não queria ter o cheiro de ninguém, eu sou uma princesa, as pessoas é que tentam parecer comigo.

O lobo fez mais barulhos, e a garota elfo espalhou suas mãos acariciando o pelo dele.

"Não Dela. Mas, como Ela." a garota olhou para o animal buscando confirmação, franzindo a testa para a dificuldade desta tarefa. "É o mesmo cheiro, mas diferente. É difícil de descrever em termos humanos."

O lobo rosnou mais, e a menina riu antes de traduzir.

"Você cheira como sua companheira." disse ela. "Como família da Filha da Lua."

"Tenho certeza de que não tenho nenhum parentesco com ela" eu respondi, e a garota sorriu. Seu tom sugeriu que o lobo quis dizer outra coisa, mas por enquanto decidi não pressiona-la.

É claro que eu já tinha ouvido histórias sobre os Filhos da Lua, e sua líder. Eles são um clã poderoso que dominam o norte.

Reza a lenda, que os Filhos da Lua são descendentes diretos do deus Fenrir, e por isso seus melhores guerreiros são capazes de metamorfosear-se em lobos. Mas o que eles estariam fazendo aqui? Nunca houve qualquer tipo de contato entre eles e o reino da minha família. Eles são um clã extremamente recluso.

"Ela quer que você saiba que, como parte da família real, você não vai ser prejudicada pelos membros do nosso clã."

Depois de falar isso, eles se viraram para sair, a menina ainda segurando o lobo, e seguiram para a floresta densa. Pouco antes de desaparecer, a elfa me lançou um último olhar e um aceno de despedida.

"Espero te ver de novo em breve" ela disse, e se foi.

* * *

Na manhã seguinte, acordei com as pernas um pouco doloridas devido a caminhada do dia anterior. Tive sonhos estranhos com lobos, alguns queriam me devorar, outros queriam dançar comigo.

Levantei lembrando-me que precisava ir ao mercado comprar sapatos novos (ah, o sacrifício! rs), poderia ordenar que todos os sapateiros do reino viessem até o palácio, mas eu gostava de andar pelo mercado, era tão cheio de vida.

Não demorei muito para encontrar os sapatos perfeitos. O couro era macio e bem colorido com algumas pedrarias exóticas.

"E você tem certeza que as pedras não vão cair em uma semana?" perguntei ao homem que me atendia.

"Claro que não, sua alteza. Estes sapatos foram feitos por elfos."

Entreguei uma moeda de ouro em suas mãos.

Olhei para a multidão em busca de mais alguma coisa que pudesse me agradar, quando peguei o vislumbre dos cabelos de uma elfa loira alta. Era a tradutora do lobo. Eu sabia disso. Não tinha nem uma grande evidencia, mas sabia disso.

Então, comecei a correr pela praça do mercado.

"Garota elfo! Espere!"

Acho que ela não ouviu, pois continuou andando. Corri atrás dela, passando entre as barracas, atraindo olhares incrédulos dos compradores ao meu redor. A maneira como suas bocas ficaram abertas, você pensaria que eles nunca viram uma princesa correr e gritar no mercado.

Ela virou numa esquina, e saiu da minha linha de visão.

Cheguei ao ponto onde ela havia desaparecido. A única porta que tinha ali parecia levar a um tipo de taberna.

Entrei no local e a decoração era bastante rústica. O chão estava coberto de serragem. Manchas molhadas aglomeravam-se onde os clientes derramavam suas bebidas, ou coisa pior. Enruguei meu nariz em desgosto.

Os clientes do bar olhavam para mim enquanto eu andava. Aproveitei para examinar seus rostos, buscando a menina elfo.

Ela estava no canto, sentada em uma mesa, segurando uma caneca de chocolate quente.

Ela só percebeu minha presença quando sentei na cadeira a sua frente. Por um momento, achei que ela não havia me reconhecido, e isso me deixou preocupada.

Será que eu tinha perseguido a elfa errada?

“Como você me achou?” ela perguntou, e eu dei de ombros.

“Não importa”

Uma tigela de doces foi colocada a sua frente, como eu havia pedido à garçonete.

É de conhecimento comum que elfos não resistem a chocolate e doces.

Quando ela viu o que havia ali começou a comer tudo rapidamente.

“Então, você vai me dizer quem enviou vocês.” Não era uma pergunta.

Ela estava prestes a falar, dava para ver, quando seus olhos foram atraídos para alguma coisa atrás de mim.

“Acho que a única que falará aqui” disse uma voz “Sou eu.”

Notas finais
Então, o que acharam?
Tem alguém aí? Se tiver, deixe um comentário com a sua opinião.

Ah, estou a procura de um beta. Tentei a Liga dos Betas, mas, entre os disponíveis, não havia ninguém com o perfil compatível com está fic. Se alguém se interessar, manda uma MP.