Entre Pixels e Perfumes
18 Epílogo: Onde as Ondas Encontram as Estrelas
Notas iniciais
O som do mar quebrava suavemente na areia da praia particular em Ilhabela. Sentados em uma grande esteira sob o coqueiral, os dois casais observavam a cena que era o verdadeiro ápice de suas jornadas.
Luccas não era mais apenas o "personal trainer das madames". Ele agora carregava nos ombros — que continuavam largos, mas agora serviam de apoio para algo muito mais precioso — a pequena Maya, de apenas um ano. A menina, que herdara os olhos decididos de Maira e o sorriso travesso do pai, puxava o cabelo de Luccas enquanto ele fingia ser um gigante em apuros.
— Maira, socorro! Essa menina tem a força do avô e a teimosia da mãe! — Luccas exclamou, rindo, enquanto Maira descansava ao lado, lendo um livro de estratégia, mas com o olhar constantemente fugindo para a filha, transbordando uma doçura que o mundo corporativo jamais conheceu.
A poucos metros dali, perto da beira da água, Marcos estava agachado na areia. O homem que antes não tolerava um grão de poeira em sua mesa de carvalho, agora estava com as mãos sujas de areia úmida, focado em uma tarefa monumental: construir um castelo.
— Veja, Theo. A estrutura precisa de uma base sólida para a maré não derrubar — Marcos explicava com a mesma seriedade com que discutia fusões de empresas, mas o tom era de pura adoração.
O pequeno Theo, de dois anos, era a cópia fiel de Marcos, mas com os cabelos cacheados e a pele radiante de Jessy. O menino batia as mãos pequenas na areia, destruindo metade da "torre norte" e soltando uma gargalhada que fazia Marcos desarmar qualquer vestígio de rigidez.
Jessy se aproximou, trazendo duas águas de coco. Ela parou por um instante, apenas observando a cena. A fenda do seu vestido de praia revelava a tatuagem de Órion no pulso, agora acompanhada por uma fina e delicada pulseira de ouro que Marcos lhe dera no nascimento de Theo.
— O castelo vai ficar pronto antes da maré subir, engenheiro? — Jessy brincou, sentando-se ao lado deles e passando a mão pelos cabelos de Marcos.
Marcos olhou para ela, e o brilho em seus olhos era o mesmo do "Lupus" das mensagens da madrugada, mas agora com a profundidade de quem vivia aquele amor a cada segundo.
— Com esse assistente aqui? Acho que terminamos a tempo da primeira estrela aparecer — Marcos respondeu, puxando Jessy para um beijo rápido e salgado.
— Ei, casal de comercial de margarina! — Luccas gritou de longe, segurando Maya no colo. — O churrasco vai sair ou vocês vão ficar aí trocando figurinhas digitais ao vivo?
Todos riram. Naquela noite, enquanto o sol dava lugar à lua, os quatro se reuniram em volta de uma fogueira. Luccas e Maira trocavam olhares cúmplices de quem encontrara o equilíbrio perfeito entre o caos e a paixão. E Jessy, com a cabeça encostada no ombro de Marcos, olhou para o céu.
Órion estava lá, firme e brilhante, como sempre.
Ela pegou o celular por um hábito antigo e viu que não havia notificações pendentes, nem mensagens misteriosas, nem segredos a serem revelados. Ela bloqueou a tela e a guardou na bolsa. Pela primeira vez em anos, ela não precisava procurar por Lupus em um aplicativo.
Ele estava ali. Segurando sua mão, vigiando o sono do filho deles e transformando cada dia comum em uma eternidade que nem a melhor conexão de internet poderia explicar. O amor, que começou em binário, agora era escrito em vida, pele e alma.
FIM
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