Entre Passos e Olhares
1 Por Trás dos Espelhos
O som dos tênis derrapando contra o piso de madeira reluzente da sala de ensaio principal da Big Hit se misturava com a batida eletrônica pesada que ecoava pelas caixas de som de última geração. Era o terceiro ensaio daquela semana, e o clima dentro da sala estava tão tenso que parecia prestes a faiscar.
S/N ajustou o boné preto na cabeça, limpando o suor da testa com as costas da mão. Como a mais nova coreógrafa e dançarina principal contratada para a nova turnê do BTS, ela sabia que a pressão seria absurda. O que ela não esperava era que o maior obstáculo de sua carreira viria na forma de um homem de um metro e setenta e nove de altura, ombros incrivelmente largos e um sorriso sarcástico que a tirava do sério em questão de segundos: Kim Seokjin.
— Você está atrasando o tempo no terceiro compasso de novo, Seokjin — S/N disse, desligando a música abruptamente com o controle remoto. Ela cruzou os braços, encarando-o pelo reflexo do espelho imenso que cobria a parede inteira.
Jin, que estava curvado com as mãos nos joelhos tentando recuperar o fôlego, endireitou a postura. Ele passou a mão pelos cabelos castanhos úmidos, soltando uma risada anasalada que carregava puro deboche.
— Eu estou no tempo perfeito, S/N. Talvez o seu cansaço esteja fazendo você enxergar coisas onde não tem. Eu faço essa transição há anos.
— E há anos deve estar fazendo errado, porque o foco aqui não é só você girar os ombros, é acompanhar o peso do meu corpo quando eu me inclino — ela rebateu, dando dois passos firmes na direção dele. — Se você não segurar minha cintura no tempo exato, nós dois vamos para o chão na apresentação ao vivo. Quer passar essa vergonha?
— Vergonha? — Jin se aproximou, diminuindo o espaço entre eles até que S/N pudesse sentir o calor emanando do corpo dele. O olhar dele, geralmente doce e divertido para as câmeras, ali era afiado e competitivo. — Eu sou o "Worldwide Handsome", minha querida. Eu não passo vergonha. Você, por outro lado, parece obcecada em me corrigir na frente de todo mundo. É frustração profissional ou o quê?
— É profissionalismo, coisa que parece que você esquece quando decide que o mundo gira ao redor do seu próprio umbigo — ela retrucou, erguendo o queixo, recusando-se a recuar um milímetro sequer.
A dinâmica entre os dois era exatamente aquela desde o primeiro dia. Uma faísca de antipatia gratuita que ninguém sabia explicar de onde tinha vindo, mas que preenchia a sala de ensaios com uma energia quase elétrica. Eles se criticavam, testavam os limites um do outro e competiam em cada movimento.
A gota d'água veio quando o diretor musical do grupo, cansado das discussões e percebendo que a tensão entre os dois poderia ser canalizada de outra forma, tomou uma decisão drástica. Ele os convocou para uma reunião privada e jogou a bomba: para o próximo grande festival de premiação, Jin teria uma performance solo conceitual, uma transição dramática de dança contemporânea e pop, e S/N seria sua parceira exclusiva no palco. Seria um dueto focado puramente neles dois.
Quando souberam da notícia, a reação foi mútua: indignação. Mas contratos eram contratos, e a excelência artística do grupo estava acima de qualquer picuinha pessoal.
Os ensaios em grupo já eram difíceis, mas ficar trancada em uma sala de espelhos sozinha com Kim Seokjin por quatro horas diárias era um teste para os nervos de S/N. Nos primeiros dias, o silêncio era quebrado apenas pelas instruções técnicas e pelas respirações pesadas.
A coreografia exigia um nível de intimidade física que nenhum dos dois estava preparado para ceder. Era uma dança que contava a história de dois amantes em conflito — ironicamente, algo muito próximo da realidade deles. Havia puxões, giros interligados e momentos onde seus corpos precisavam colidir e se fundir de maneira fluida.
— De novo — S/N comandou, posicionando-se no centro da sala.
A música suave, liderada por um piano melancólico e uma linha de violoncelo profunda, começou a tocar. Jin se aproximou por trás. Naquele movimento específico, ele precisava envolver a cintura dela com o braço esquerdo, puxando-a contra o próprio peito, enquanto a mão direita subia pelo braço de S/N até alcançar seu pescoço.
Quando o corpo de Jin colidiu levemente com as costas de S/N, algo mudou. A fricção do tecido de suas camisetas, o calor repentino que subiu pela espinha dela quando os dedos longos e firmes de Jin tocaram a pele nua de seu pescoço — onde o cabelo estava preso em um coque alto — causaram um arrepio visível. S/N hesitou por um milésimo de segundo, perdendo o passo.
— Quem está fora do tempo agora? — Jin sussurrou bem perto do ouvido dela, a voz grave e rouca pelo esforço físico.
S/N se virou rapidamente na coreografia, ficando de frente para ele. Seus rostos estavam a poucos centímetros de distância. Ela olhou diretamente nos olhos dele, esperando encontrar o habitual deboche, mas o que viu a fez engolir em seco. Os olhos de Jin estavam escuros, focados intensamente nos lábios dela, e a respiração dele batia quente contra seu rosto.
— Concentre-se, Seokjin — ela pediu, a voz saindo um pouco mais baixa e trêmula do que pretendia.
— Eu estou concentrado. Como nunca estive antes — ele respondeu, e a mão que estava em sua cintura apertou o tecido da calça moletom dela com um pouco mais de firmeza do que o estritamente necessário para o passo.
Nas semanas seguintes, a animosidade crua começou a se transformar em algo muito mais perigoso: magnetismo. As implicâncias não pararam, mas mudaram de tom. Não eram mais insultos profissionais; eram provocações carregadas de segundas intenções que nenhum dos dois ousava verbalizar.
Durante um ensaio geral onde os outros membros do BTS estavam sentados no fundo da sala assistindo, a química ficou óbvia demais para ser ignorada. Jin e S/N executaram a coreografia com uma fluidez impressionante. Quando o clímax da dança exigiu que Jin a deitasse sobre o chão, pairando o corpo sobre o dela enquanto suas testas se tocavam, o silêncio na sala foi absoluto. Eles ficaram congelados na posição por alguns segundos após a música parar, os peitos subindo e descendo em sincronia, os olhares fixos um no outro como se o resto do mundo tivesse desaparecido.
No fundo da sala, Jimin cutucou o braço de Jungkook com o cotovelo, erguendo as sobrancelhas. Namjoon limpou a garganta, trocando um olhar cúmplice com Yoongi, que apenas sorriu de canto, observando a cena.
— Se aquilo ali for só atuação, o Jin hyung merece um Oscar — Taehyung comentou baixinho com J-Hope, que riu balançando a cabeça.
Quando os dois finalmente se separaram, S/N estava com as bochechas coradas, e Jin virou o rosto rapidamente, fingindo procurar sua garrafa de água para disfarçar o desconforto que, na verdade, era pura eletricidade acumulada.
O momento da verdade chegou com a viagem de divulgação e ensaios gerais em outra cidade, onde o festival principal seria realizado. Seria uma estadia de uma semana inteira em um hotel de luxo reservado para a equipe e os artistas. Longe da rotina focada da sede em Seul, e com os outros membros ocupados com suas próprias agendas individuais de entrevistas na mesma cidade, Jin e S/N se viram passando ainda mais tempo sozinhos no estúdio satélite do hotel.
O terceiro dia da viagem foi particularmente exaustivo. Passava das onze da noite quando eles decidiram encerrar o ensaio. A exaustão física parecia derrubar as barreiras mentais que eles tinham construído com tanto esmero.
S/N sentou-se no chão de parquete, encostando as costas na parede espelhada, com as pernas esticadas. Jin caminhou até ela, segurando duas garrafas de água gelada. Ele se agachou e estendeu uma para ela.
— Obrigada — ela disse, pegando a garrafa. Seus dedos se roçaram no processo, e um silêncio pesado se instalou instantaneamente.
Jin não se afastou. Ele sentou-se logo ao lado dela, tão perto que seus ombros se tocavam. Ele tomou um longo gole de água, a maçã de Adão movendo-se ritmadamente em seu pescoço suado. S/N tentou não olhar, mas seus olhos pareciam ter vontade própria.
— Sabe... no começo eu achava você insuportável — Jin quebrou o silêncio, sua voz ecoando suave na sala vazia.
S/N soltou uma risada fraca. — Eu também não ia muito com a sua cara. Você parecia muito convencido.
— Eu sou convencido. Mas com você... era diferente — ele se virou um pouco de lado, apoiando o peso do corpo em uma das mãos, olhando diretamente para o perfil do rosto dela. — Você não recuava. Todo mundo costuma concordar comigo ou rir das minhas piadas para ser gentil. Você simplesmente me peitava. Isso me irritava. E depois... começou a me fascinar.
S/N sentiu o coração acelerar contra as costelas. Ela virou a cabeça para encará-lo. A iluminação da sala estava na penumbra, apenas com algumas luzes periféricas acesas, o que tornava as feições de Jin ainda mais desenhadas, quase esculturais.
— Jin... — ela começou, mas a voz falhou.
— O que foi? Vai me dizer que ainda me odeia? — ele perguntou, dando um sorriso fraco, mas seus olhos estavam sérios, carregados de uma expectativa densa.
— Não. Eu não te odeio — ela confessou em um sussurro. — Esse é o problema.
Jin encurtou a distância entre eles. A mão dele, antes apoiada no chão, subiu lentamente até a bochecha de S/N. O polegar dele, quente e ligeiramente áspero, acariciou a maçã do rosto dela com uma delicadeza que contrastava totalmente com o histórico de brigas que compartilhavam. S/N fechou os olhos por um segundo, entregando-se ao toque.
E então, o que eles passaram semanas tentando evitar e camuflar sob a máscara do profissionalismo finalmente aconteceu.
Jin inclinou o corpo para a frente. O primeiro toque de seus lábios foi hesitante, um roçar suave que testava o terreno. Mas quando S/N soltou um suspiro baixo contra a boca dele e segurou a gola da camiseta de Jin, o controle se quebrou. O beijo se aprofundou instantaneamente. A boca de Jin se abriu sobre a dela com uma fome contida há muito tempo. A língua dele pediu passagem, encontrando a de S/N em um ritmo urgente, quente e avassalador.
Eles se beijaram como se estivessem descontando cada discussão, cada olhar atravessado e cada segundo de frustração acumulada naquela sala de ensaio. Quando se separaram por falta de ar, as bocas estavam vermelhas e os lábios brilhantes. Jin encostou a testa na dela, a respiração cortada.
— Nós estamos enlouquecendo — ele sussurrou contra a pele dela.
— Com certeza — ela concordou, mas não se afastou.
Depois daquela noite, o comportamento deles mudou drasticamente. Eles tentavam manter as aparências diante da equipe técnica, mas a troca de olhares tornara-se inevitável e constante. Qualquer toque casual durante as marcações de palco parecia carregar mil volts de eletricidade. Eles estavam mais sensíveis à presença um do outro; bastava Jin entrar em uma sala para que S/N soubesse exatamente onde ele estava, e vice-versa. O desejo estava ali, latente, esperando pelo próximo catalisador.
No quarto dia da viagem, o destino resolveu intervir de forma caótica. No final da tarde, uma tubulação principal do hotel de luxo estourou no subsolo, causando uma inundação severa que comprometeu o sistema elétrico e de água de vários andares, incluindo a ala onde a equipe da Big Hit estava hospedada.
Com a cidade lotada devido aos festivais e eventos de final de ano, a produção teve imensa dificuldade para realocar todos. Após horas de ligações desesperadas, conseguiram vagas em um hotel muito mais simples, de estilo executivo e tradicional, localizado em um bairro mais afastado.
Devido à superlotação do local, a distribuição dos quartos ficou fragmentada. Toda a equipe técnica, estilistas e seguranças ficaram acomodados no terceiro andar. No entanto, os únicos dois quartos vagos restantes no hotel ficavam no sétimo e último andar, isolados do restante do grupo. E esses quartos eram exatamente um de frente para o outro.
A noite já havia caído quando Jin e S/N finalmente subiram juntos pelo elevador antigo e estreito do hotel. O cansaço da mudança repentina e a atmosfera claustrofóbica do elevador pareciam amplificar a tensão que já existia entre eles. O silêncio era quebrado apenas pelo ruído metálico do cabo do elevador subindo andar por andar.
S/N olhava para o painel luminoso dos andares, sentindo os braços arrepiados. Jin estava parado ao lado dela, com as mãos enterradas nos bolsos do casaco oversized preto, o olhar fixo na porta de metal. Ela conseguia sentir o calor do corpo dele mesmo com as camadas de roupa.
O elevador finalmente emitiu um bipe agudo e as portas se abriram no sétimo andar. O corredor era estreito, com carpete escuro e uma iluminação amarelada e intimista. O silêncio ali em cima era absoluto, contrastando com o caos do lobby lá embaixo.
Eles caminharam lado a lado até suas respectivas portas. O quarto de Jin era o 704; o de S/N, o 705, logo em frente.
S/N tirou o cartão magnético do bolso e o aproximou da fechadura eletrônica. A luz verde piscou, emitindo um estalo seco que indicava que a porta estava destrancada. Ela segurou a maçaneta, hesitando por um momento antes de se virar para se despedir.
— Bom, até amanhã, Jin... — ela começou, mas a frase morreu em sua garganta.
Jin não tinha destrancado a própria porta. Ele estava parado a menos de um passo dela, observando-a. O boné que ele usava cobria parcialmente seus olhos, mas a intensidade do olhar que escapava por baixo da aba era quase palpável. A mandíbula dele estava travada.
— S/N — a voz dele saiu mais baixa e profunda do que o normal, preenchendo o corredor silencioso. — Eu não aguento mais.
S/N engoliu em seco, sentindo a pulsação acelerar instantaneamente. — Do que você está falando?
— Você sabe muito bem do que eu estou falando — Jin deu um passo firme à frente, eliminando qualquer distância entre eles. — Eu não aguento mais fingir. Não aguento mais olhar para você no ensaio, lembrar daquele beijo e ter que agir como se nada tivesse acontecido. Isso está me matando por dentro.
Assustada com a intensidade repentina dele e com medo do que aquela proximidade poderia causar em um ambiente tão isolado, S/N tentou desviar, movendo o corpo para o lado para entrar em seu quarto. — Jin, por favor, a produção está toda no andar de baixo, se alguém subir...
— Ninguém vai subir — ele cortou a fala dela de forma resoluta.
Antes que ela pudesse girar a maçaneta, Jin moveu-se com uma rapidez impressionante. Ele segurou os pulsos dela com firmeza, mas sem machucar, e empurrou o corpo de S/N contra a parede do corredor, logo ao lado da porta do quarto. As costas dela colidiram suavemente com a superfície sólida, e o impacto fez com que ela soltasse um curto suspiro de surpresa.
— Jin, me solta... — ela tentou pedir, a voz falhando enquanto olhava para os lábios carnudos dele, que estavam perigosamente perto.
— Não — ele respondeu, os olhos faiscando com uma mistura de frustração e puro desejo.
Sem dar qualquer aviso ou tempo para que ela processasse, Jin inclinou o rosto e avançou contra a boca de S/N. O início do beijo foi bruto, quase forçado pela urgência que ele vinha reprimindo há dias. Os lábios dele pressionaram os dela com força, dominando o espaço, enquanto ele mantinha as mãos dela presas contra a parede acima de suas cabeças.
S/N tencionou o corpo no primeiro segundo, o coração batendo desgovernado contra o peito, uma sensação mista de medo da entrega e pura adrenalina correndo por suas veias. Mas a resistência durou pouco. À medida que a boca de Jin se movia com uma destreza avassaladora, mordiscando levemente seu lábio inferior e exigindo uma resposta, o medo se dissolveu por completo. Ele foi substituído por uma onda avassaladora de paixão, sedução e tesão acumulado.
Um gemido abafado escapou da garganta de S/N quando ela relaxou os pulsos. Jin percebeu a rendição e soltou as mãos dela, permitindo que os braços de S/N subissem livremente pelo pescoço dele, enterrando os dedos nos fios macios de seu cabelo castanho, puxando-o ainda mais para si.
O beijo mudou de ritmo, transformando-se em uma dança carnal e desesperada. Jin colou completamente o quadril dele contra o dela, pressionando-a contra a parede. S/N conseguiu sentir a rigidez dele por baixo das roupas, o que fez seu ventre contrair em um espasmo de puro desejo. A língua de Jin explorava cada canto da boca dela com propriedade, enquanto a mão dele descia pelas costelas de S/N, apertando sua cintura com força, puxando-a para cima, tentando fundir seus corpos de qualquer maneira.
Eles ficaram ali, naquele corredor deserto, entregando-se àquela insanidade por cerca de vinte minutos intermináveis. O som estalado dos beijos quentes e as respirações pesadas e arfantes eram os únicos sons que quebravam o silêncio do sétimo andar. A boca de Jin desceu por um momento para o pescoço dela, deixando beijos molhados e sugando a pele sensível logo abaixo da orelha de S/N, fazendo-a arquear as costas e soltar um gemido sôfrego que ecoou pelas paredes.
— Chega de esperar — Jin arfou contra a pele do pescoço dela, a voz trêmula de desejo.
Ainda sem quebrar o contato físico por completo, ele esticou o braço para trás às cegas, pegou o cartão magnético no bolso do casaco e passou na fechadura de seu próprio quarto (704). Assim que o estalo da porta ecoou, Jin segurou S/N pela cintura e a puxou com força para dentro do quarto escuro, fechando a porta com o pé logo em seguida. O trinco bateu com um som definitivo. Eles estavam trancados no próprio mundo.
O quarto estava mergulhado na penumbra, iluminado apenas pelo feixe prateado do luar que atravessava a fresta da cortina. Mal a porta bateu, o som do trinco foi abafado pelo impacto do corpo de S/N sendo pressionado contra a madeira sólida. Jin não esperou. Ele a encurralou ali mesmo, o corpo pesado e quente esmagando o dela com uma urgência que fazia suas costelas arfarem. Suas mãos, antes firmes nos pulsos dela, subiram desesperadas para o moletom de S/N, puxando o tecido para cima com pressa. S/N levantou os braços, ajudando-o a livrar-se da peça, que foi jogada em algum canto escuro.
Ficando apenas de sutiã de renda preta, a pele dela reluziu sob a luz fraca. Jin parou por uma fração de segundo, o peito subindo e descendo de forma violenta, os olhos escuros fixos nos seios dela, que acompanhavam o ritmo de sua respiração acelerada.
— Você não tem ideia do quanto eu esperei por isso — ele sussurrou, a voz arranhada por uma rouquidão crua.
Com os dedos trêmulos pela descarga de adrenalina, S/N agarrou a barra da camiseta de Jin, puxando-a para cima enquanto os lábios dele atacavam seu pescoço com beijos famintos e mordidas leves na linha da mandíbula. Jin arrancou a própria camisa e a jaqueta, desfazendo-se delas em um movimento rápido. Quando o torso dele — largo, musculoso e visivelmente tenso pelo desejo — colidiu contra o peito dela, S/N soltou um gemido baixo. A pele dele ardia.
Sem quebrar o contato, Jin envolveu as coxas de S/N com as mãos e a ergueu do chão de uma só vez. Instintivamente, ela entrelaçou as pernas ao redor da cintura dele, sentindo o atrito direto e torturante de sua ereção pulsando contra o centro de seu corpo por cima do tecido das calças. Jin caminhou com passos firmes até a cama, deitando-a no colchão macio. Ele moveu-se rápido, posicionando-se entre as pernas dela, cobrindo seu corpo de forma que ela sentisse todo o seu peso.
Os lábios de Jin desceram pelo colo de S/N até encontrar o fecho frontal do sutiã. Com um estalo, a renda se abriu, expondo-a por completo. Ele soltou um suspiro pesado e cobriu um dos mamilos rígidos com a boca, sugando-o com uma força que fez o ventre de S/N contrair-se em um espasmo violento de prazer. Ela arqueou as costas, cravando as unhas nos ombros largos dele, sentindo os músculos das costas de Jin se tensionarem a cada toque. A língua dele era quente, traçando círculos úmidos que a faziam arfar sem controle.
— Jin... por favor — ela implorou, a voz saindo arrastada, os quadris movendo-se involuntariamente contra ele, buscando um alívio que parecia distante.
— Calma... olhar para você assim está me enlouquecendo — ele murmurou contra a pele dela.
A mão dele desceu com pressa para o cós da calça de S/N. O som do zíper abrindo pareceu ecoar no silêncio do quarto. Jin puxou o tecido junto com a calcinha dela, livrando as pernas longas de S/N com movimentos ágeis, jogando as roupas no chão. Em segundos, ele se desfez da própria calça, Jin esticou o braço até a carteira que havia deixado sobre a cabeceira na pressa da mudança. O som do plástico da embalagem da camisinha sendo rasgado ecoou nítido no quarto silencioso. Com movimentos rápidos, mas precisos, ele se protegeu, garantindo que o momento fosse perfeito. Quando ele voltou para o centro da cama, totalmente nu, o encontro de suas peles causou um arrepio uníssono. O contraste do calor de seus corpos criava uma atmosfera quase sufocante de tão intensa.
Jin segurou as coxas de S/N, abrindo-as um pouco mais e elevando os quadris dela, expondo-a à sua visão. Os olhos dele estavam completamente dilatados, fixos na intimidade dela, que brilhava pela umidade natural do desejo. Ele deslizou dois dedos longos pela fenda molhada, acariciando-a de baixo para cima com uma pressão firme. S/N jogou a cabeça para trás no travesseiro, soltando um gemido agudo quando ele encontrou o ponto mais sensível de seu corpo. Os dedos dele moviam-se para dentro e para fora, espalhando a lubrificação, preparando-a enquanto a boca de Jin capturava a dela novamente em um beijo profundo, abafando seus gritos de prazer.
Incapaz de conter a urgência mútua, Jin se posicionou. Ele segurou o rosto de S/N com as duas mãos, obrigando-a a abrir os olhos e encará-lo na penumbra.
— Olha para mim. Sente o que você faz comigo — ele comandou, a respiração batendo quente no rosto dela.
Lentamente, Jin pressionou a ponta de sua masculinidade rígida contra a entrada estreita e molhada de S/N. Ele empurrou o quadril para a frente com firmeza, entrando nela de uma só vez. S/N soltou um arquejo alto, os olhos lacrimejando pelo choque da sensação de preenchimento absoluto. Os músculos dela se contraíram instintivamente ao redor dele, prendendo-o com força. Jin travou a mandíbula, os olhos semicerrados, parando por alguns segundos para não perder o controle diante do aperto incrivelmente quente do corpo dela.
— Meu Deus, S/N... — ele arfou, a voz quase sumindo.
Quando ele começou a se mover, o ritmo foi lento e torturante. Jin puxava o corpo quase por inteiro para trás, apenas para empurrar novamente com estocadas profundas que faziam a pele deles colidir com um som abafado e úmido. A fricção interna era tão intensa que S/N sentia cada centímetro dele queimar dentro dela. Ela começou a erguer o quadril na mesma cadência, encontrando o peso de Jin a cada movimento, criando uma sincronia perfeita — a mesma precisão que buscavam na dança, agora usada para o prazer mais puro.
A temperatura no quarto subiu rapidamente. O suor começou a brilhar na testa de Jin e a escorrer pelos seus ombros, gotejando sobre o peito arfante de S/N. O ritmo calmo desintegrou-se à medida que o tesão acumulado tomou conta de tudo. Jin mudou a pegada, segurando as mãos de S/N acima da cabeça dela, entrelaçando seus dedos firmemente contra o colchão. Ele acelerou as estocadas, tornando-as rápidas, duras e implacáveis.
Cada impacto profundo fazia S/N soltar gemidos desconexos. Ela sentia o ápice se aproximar como uma onda de choque em seu baixo ventre. O aperto ao redor dele ficou ainda mais esmagador, as paredes internas dela pulsando contra ele.
— Mais, Jin... mais rápido — ela pediu, a mente completamente nublada, mordendo o lábio inferior para tentar conter os gritos.
Ouvir o pedido dela quebrou qualquer barreira de controle que Jin tentava manter. Ele cedeu ao puro instinto. Seus quadris moviam-se com uma velocidade feroz, batendo contra ela sem piedade, fazendo a cama ranger levemente. A sensação de posse e entrega era absoluta; não havia espaço para o "Worldwide Handsome" ou para a coreógrafa da empresa, eram apenas dois corpos se consumindo em pura paixão e luxúria.
— Eu estou quase... S/N, olha para mim! — Jin exclamou, a voz falhando enquanto desferia as últimas estocadas, atingindo o ponto mais profundo dela.
S/N abriu os olhos e fixou o olhar no dele. Aquela conexão visual, no meio do caos físico, foi o estopim. Os músculos dela se contraíram em uma série de espasmos violentos quando ela desabou em um orgasmo avassalador. Ela gritou o nome dele, prendendo-o dentro de si com tanta força que Jin soltou um rugido baixo, a cabeça caindo no vão do pescoço dela enquanto ele se descarregava por completo. Ele deu três últimas estocadas profundas, trêmulo, derramando seu calor no interior dela enquanto seu corpo inteiro colapsava de exaustão e prazer.
Eles ficaram ali, estáticos, os corações martelando violentamente contra as costelas um do outro. Jin despejou o peso do corpo sobre ela com cuidado, os lábios colados na pele úmida de seu pescoço, deixando pequenos beijos calmos ali enquanto suas respirações, aos poucos, voltavam ao normal no silêncio do quarto, Jin se levantou rapidamente, apenas para se livrar da camisinha e depois voltou para cama.
A manhã seguinte trouxe uma luz suave que cortava as frestas da cortina do quarto 704. S/N acordou sentindo um braço pesado e protetor ao redor de sua cintura, puxando-a contra um peito largo e quente. Ela sorriu de canto, sentindo uma paz que não experimentava há meses.
Ela se virou devagar para não acordá-lo, mas Jin já estava com os olhos semiabertos, observando-a com um sorriso genuíno e relaxado — o primeiro sorriso verdadeiramente direcionado a ela sem qualquer pitada de deboche.
— Bom dia — ele disse, a voz incrivelmente grave pelo sono. Ele se aproximou e selou os lábios dela com um beijo calmo e carinhoso.
— Bom dia — ela respondeu, acariciando o rosto dele. — Nós... realmente fizemos isso.
— E foi a melhor decisão que já tomei na vida — Jin disse, puxando-a para mais perto e escondendo o rosto nos cabelos dela. — Mas você sabe o que isso significa agora, não sabe?
S/N suspirou, sabendo exatamente onde ele queria chegar. Eles trabalhavam na mesma empresa. Ele era um dos maiores idols do planeta; ela, a coreógrafa do grupo. A política da agência e o escrutínio da mídia tornavam qualquer relacionamento público algo extremamente perigoso e quase impossível naquele momento de suas carreiras.
— Significa que vamos ter que ser muito bons em esconder as coisas — S/N constatou, olhando-o nos olhos.
— Se nós conseguimos esconder que estávamos loucos para nos pegar durante semanas enquanto brigávamos, aposto que conseguimos esconder isso da produção agora — Jin deu um sorriso ladino, os olhos brilhando com aquele vislumbre de provocação que ela tanto amava. — Além disso... o segredo deixa as coisas mais interessantes.
Dali em diante, a dinâmica mudou para o mundo exterior, mas permaneceu viva entre eles. Nos ensaios oficiais que se seguiram após o retorno a Seul, as brigas e implicâncias públicas diminuíram, substituídas por uma postura estritamente profissional e focada que impressionou até o diretor musical. No entanto, os outros membros do grupo não eram bobos.
Durante os intervalos, as trocas de olhares discretas pelo espelho, os sorrisos de canto que Jin tentava disfarçar quando S/N passava por ele para ajustar a marcação de palco e os toques sutis de mãos que se cruzavam "sem querer" nos bastidores deixavam claro para quem prestasse atenção de que algo havia mudado drasticamente.
— Eles estão muito quietos, não acha? — Jimin comentou com Namjoon durante um ensaio de figurino, observando Jin rir de algo que S/N disse baixinho perto da arara de roupas.
— Deixe-os — Namjoon respondeu com um sorriso compreensivo, ajeitando os óculos. — Desde que a performance saia perfeita no festival, o que eles fazem depois que as luzes se apagam é problema deles.
E o segredo funcionava perfeitamente. Longe dos olhos dos staffs, dos managers e das câmeras, as madrugadas pertenciam a eles. Era nas salas de ensaio vazias após a meia-noite, nos camarins trancados por dentro sob a desculpa de "ajustes de coreografia de última hora" ou no apartamento discreto de Jin que eles verdadeiramente se encontravam.
Sempre às escondidas, sempre que o tempo e a agenda caótica permitiam, eles se entregavam àquela mesma paixão avassaladora que havia começado no corredor daquele hotel simples. O que havia começado como uma rivalidade boba havia se transformado na conexão mais profunda e intensa de suas vidas, uma dança privativa onde apenas os dois sabiam o ritmo correto.
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