Entre pais e filhos:

Capitulo I:

Era engraçado pensar em como em um segundo o mundo podia virar de cabeça para baixo.Como a vida pode ser tão curta. Mathew Grissom estava amargurado com a morte de sua mãe. O garoto estava andando com ela carregando as compras que fez no dia.Melanie estava ao seu lado e sem mais nem menos sua mãe gritou e o empurrou para o lado, bem a tempo de tirá-lo da mira de um carro desgovernado.Ela voou longe e não sobreviveu.

Por causa de uma simples rixa entre dois jovens bêbados apostando corrida Matt teria que enterrar sua mãe...e sua avó ainda dizia que Deus existia.

De longe ,observando o garoto interagir pela ultima vez com sua mãe, Gilbert e Olívia Grissom conversavam:

-Talvez seja melhor para ele ficar aqui comigo, Gil — Olívia disse num tom sério — Pelo menos ele não teria que passar por uma mudança tão drástica.

Gil ponderou sobre o que sua mãe disse por uns segundos, mas logo interviu:

-Mãe, eu sei que você ajudou a criar Mathew mais ate do que eu...Sei até que ele se sente mais à vontade com você do que com o próprio pai, mas a situação vai ser diferente daqui pra frente. Ele é um adolescente, não sei se você agüentaria o ritmo sozinha.

A verdade era que ele também não sabia se o agüentaria. Quando Matt nasceu há uns 15 anos, Gil namorava Melanie, mas não era nada sério.Ele nunca quis se comprometer, e a garota nunca objetara. Então qual não foi o susto quando eles descobriram?Como Mel não tinha nenhum parente vivo, Gil veio com a solução de eles se mudarem para a cidade de sua mãe. Assim eles teriam ajuda sempre que precisassem. Gil ficou em Marina Del Rey até Matt completar 2 anos,quando recebeu a proposta de trabalho em Las Vegas.Ele foi embora, mas nunca deixou seu filho na mão.Vinha sempre nos feriados e quando o garoto aprendeu a falar usavam o telefone para se comunicar.

Olhando o filho agora, Gil viu o quanto perdeu da vida dele.O garoto ainda tinha os olhos azuis, era moreno e tinha os cabelos da cor do pai.Sem contar as feições do rosto.Mathew só lembrava Melanie pelos cabelos lisos e é claro seu modo e temperamento.A última vez que Gil o viu ele ainda era baixinho.

Ou seja, ele teria que recomeçar do zero com ele.Suas horas de trabalho não iriam ajudar em nada, mas se Catherine conseguia, por que não ele?

-Eu vou levá-lo ate Vegas comigo, mãe.Não se preocupe vai dar tudo certo.

-Ok meu filho.Só se lembre então que eu existo.

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Após o enterro, estavam os três na cozinha de Olívia jantando.Bom, Matt só empurrava sua comida de um lado para o outro enquanto os adultos o olhavam hesitante.Ele ainda não tinha derramado uma lágrima, enquanto Olívia já havia se debulhado e até Griss se comoveu.O jovem sabia que eles o olhavam como se esperassem que a qualquer momento ele fosse quebrar.Aquilo só o deixou mais frustrado.

-Não precisam ficar me olhando desse jeito...Eu to legal...Só to sem fome...Vou me deitar.

E deixou o prato de comida intocado na mesa.

-Isso não pode ser bom para ele — Grissom falou baixo.

-Meu filho...Lembra quando seu pai nos deixou?

Gil olhou surpreso para sua mãe.Ela nunca tocava nesse assunto se pudesse evitar.A morte de seu pai foi muito dura nela.

-Você se portou como um homenzinho lá, mesmo que só tivesse nove.Nunca chorou na minha frente, querendo ser forte por nós dois...

Gil se lembrava bem disso.Ele só se deixava chorar a noite, em sua cama para que sua mãe não o visse.E se Matt fosse como ele, seria provável que fizesse o mesmo.Ficou em dúvida se iria até o seu quarto para falar-lhe ou não.Preferiu deixar que ele descansasse e resolveu fazer o mesmo.

Nos dias que se passaram nada de muito diferente aconteceu.Mathew não se abria com ninguém, então Gil o deixou quieto nos primeiros dias.Mas quanto mais se passava o tempo, o dia de ir embora se aproximava.Ele tirou quatro semanas de férias, mas havia muita coisa pra resolver e Gil não queria fazer nada que o garoto não quisesse.

Numa tarde Matt estava no jardim e olhava fixamente para um ponto na grama.Gil se aproximou lentamente e sorriu ao ver o que prendia tanto a sua atenção.Uma lagarta que se aprontava para se fechar no seu casulo.

-Vejo que não perdeu seu gosto por insetos.- ele disse com orgulho.

O garoto olhou para o pai e lhe deu um sorriso de leve.

-Não. Eu li todos os livros que você me mandou.São muito interessantes.

Gil viu aí sua oportunidade para se conectar com o garoto

-Borboletas seriam suas favoritas?

-Não a borboleta em si. Mas o processo de metamorfose que ela sofre.Uma hora ela esta presa ao chão e na outra...ela tem um mundo de possibilidades para explorar.Queria ser assim...não depender de ninguém para viver...

-Com toda a liberdade vem muita responsabilidade não acha?Quando a lagarta está no casulo ela tem tudo o que precisa.Quando sai está exposta a um mundo perigoso...

O garoto cortou o pai

-Eu ouvi você falando com a vovó. Você quer que eu vá para Vegas com você.E porque eu sou menor não posso nem escolher o que vou fazer...Porque você não me disse antes?

-Eu achei que você devia se esfriar primeiro.Depois eu discutiria com você

-Depois de quanto tempo?Você não vai embora daqui a alguns dias?

-Sim, mas você tem me evitado muito...Sabe Matt eu não vim impor a minha vontade sobre você.Eu só vim te oferecer apoio...Eu sou seu pai e independente do que você escolher vou te apoiar...eu só quero que você saiba que se você voltar comigo vai ter uma casa com um quarto só pra você.Vamos escolher uma escola e o que você quiser...Pensa bem nos temos muito em comum e eu poderia te ajudar com algum experimento e se por acaso ele explodir...Eu tenho experiência.Vai ser bom pra você.

Gil se levantou e foi em direção a casa enquanto o garoto ficou pensando no que o pai falou.Não era justo ele ir embora dali, deixando seus amigos para traz.Ele conhecia Marina Del Rei como a palma de sua mão,enquanto o pouco tempo que passou em Vegas detestou a cidade,tão artificial e brilhante.

Sem contar que teria que conviver com os horários de seu pai, imprevisíveis.Além de que sua mãe e avó sempre falavam de como Gil era solitário e ordeiro.Apesar do garoto ter puxado o fascínio do pai por insetos e a aparência, seus pontos em comum paravam por aí.Seria muito difícil se adaptar ao jeito de Gil Grissom.

No dia seguinte Mathew pesou tudo o que sabia e decidiu se juntar a seu pai em Las Vegas.Mesmo com suas diferenças o garoto sempre quis saber como seria morar com o pai e ele também não queria dar muito trabalho para sua avó.É claro que essa decisão a deixou chateada mas ela entendeu.

Assim que ele comunicou que iria com o pai, Gil logo tratou de começar as preparações.Não eram muitas pois ele já tinha a guarda do menino, então só faltava decidir o que fariam com a casa de Melanie.Mathew não queria vender, ainda era muito apegado ao lugar.E também a casa poderia ficar para ele quando crescesse.Gil porém o lembrou que ele era filho único, e a essa altura da vida dele o continuaria sendo.

-Você herdará a minha casa e a de sua avó.Não te faltara teto para morar.

Então ficou decidido que eles venderiam a casa, já mobiliada.O garoto não ia querer nada dali se não pudesse ficar com a casa. A não ser os móveis de seu quarto que iriam embora com ele.

Mathew tirou o último dia dele na cidade para se despedir dos amigos.Passou o dia inteiro fora. Gil já estava se perguntando se ele teria fugido quando o garoto voltou.

-Já falou com todo mundo?-sua avó perguntou

-Aham.

O garoto deu um abraço apertado na avó e subiu para tomar um banho.Gil por sua vez ligou para Catherine em Vegas avisando o horário do vôo.Hank, seu cachorro havia ficado sob os cuidados da amiga enquanto ele viajava.Cathy não fez muitas perguntas, mas ele sabia que sua paz não iria durar por muito tempo quando ele chegasse em Vegas.

Assim que saiu do telefone Gil sentou ao lado de sua mãe que fechou a revista que lia para falar com o filho

-Então meu filho, ansioso para voltar para o trabalho?

-Na verdade não vou voltar ainda.Ainda tenho que deixar a vida do Matt em dia.

-Achei que você iria voltar correndo para o laboratório...Falando nisso como vão as coisas por lá?Eles já sabem da sua operação?

Gil suspirou fundo ao pensar sobre isso.Bem antes do acidente ele fez uma cirurgia para correção de Osteoclerose, e já estava de licença.Tudo que tinha que dar errado deu naquela semana.O laboratório explodiu, ele recusou o convite de Sara para jantar e depois seu filho perdeu a mãe.Sua vida estava uma confusão.

-Pelo visto não esta tudo bem.Pensei que Greg estivesse melhor.

-Não, estão todos bem.

-E a Sara?Você não tem falado muito dela.

-Ela deve estar bem-ele bem sabia que era mentira pois se ele estava mal de ter dito não a ela.....

-Ela já sabe que você vai levar o seu filho com você?

Se Catherine tivesse mantido a sua boca fechada, como ele esperava, ninguém saberia.Ele só fez que não com a cabeça e quando parecia que ela ia começar de novo ele a cortou.

-Mãe,não me venha com essa história novamente.Eu não tenho nada com Sara e não pretendo ter. Ela é só uma amiga.

-Ai, não sei como você ainda consegue ter amigos com esse seu gênio meu filho,mas vamos mudar de assunto.É o seu ultimo dia aqui e você não vai embora brigado comigo.