Entre Ondas E Esfregões, O Amor Acontece
1 Capítulo I - E o Que For Para Ser, Será!
Notas iniciais
Decidimos usar os nomes americanos por estarmos mais acostumados à eles! E, apesar de o Davis não estar na categoria "Personagens", ele aparece sim, aqui - mas ele não está entre os "principais". Sem mais qualquer demora, vamos ao capítulo I, escrito pelo TK Takaishi! :) :)
Aproveitem!
–Os preços daqui são ótimos! – exclamou Takeru sentado a mesa de um restaurante acompanhado de Ken Ichijouji e Davis Motomiya.
Os três, sentados nas cadeiras constituídas de um tom bem escuro de madeira com estofado vermelho e branco, apreciavam o tom ameno das notas de piano que pairavam pelo ar junto com o cheiro suculento das comidas que eram preparadas por trás da porta dupla no fundo, que dava acesso a cozinha. O ambiente, no momento num típico clima de sábado à noite, era decorado com um estilo caseiro, as paredes eram claras e havia vários vasos de plantas espalhados sobre o chão. Algumas lâmpadas e quadros haviam sido adicionados para completar a decoração, mas, realmente, não era nada muito sofisticado — apenas um ótimo lugar para três caras se encontrarem e jogar conversa fora.
– E como vocês já pagaram o jantar uma vez, hoje tudo será por minha conta. – comentou o moreno de cabelos arroxeados.
– Que bom!
– Por isso, não toquem no dinheiro.
– Okay, não tocaremos no dinheiro.
O moreno pensou melhor.
– Na verdade, se quiserem deixar a gorjeta...
– Nós podemos fazer isso.
– É... Eu costumo deixar 15%, mas se por acaso vocês quiserem deixar 20%, tudo bem. Aí é com vocês.
– Obrigado.
– A não seeeeeeeeeeer que achem mais fácil dividir a conta comigo.
– Tanto faz.
– É claro que se dois amigos o convidam pra jantar, os outros fariam o favor de insistir em ajudar, ou pagar tudo.
– Então por que nós não fazemos isso? – perguntou o loiro revirando os olhos.
– Tudo bem então. Mas eu deixo a gorjeta.
– Uma pergunta: Você tem dinheiro? – questionou o loiro batucando os dedos na mesa, esperando uma resposta sincera.
– Não. – respondeu sorrindo. – Eu deixei minha carteira em casa.
– Por acaso é essa daqui? – perguntou Takeru retirando algo de dentro do bolso e jogando ao lado da mesa em que seu amigo Davis se encontrava.
Após alguns segundos encarando o objeto preto que continha todos os seus documentos, voltou a olhar seu amigo.
– Ah, que bom você achou. – respondeu num sorriso. – Eu estava procurando! – continuou com nervosismo na voz e colocou a carteira no bolso de sua calça. – Mas então? Onde a gente havia parado? Vocês pagam? A gente divide?
– CALA BOCA QUE VOCÊ JÁ ESTÁ ME IRRITANDO. – Ken deu um berro. Todos no restaurante pararam de falar e começaram a olhar para o três.
Takeru suspirou.
– O que está acontecendo, Ken?
– Eu estou nervoso. Problemas com a Yolei. – respondeu pausadamente.
– Mas vocês nem estão namorando.
– É isso. Esse é o problema. Eu quero me declarar pra ela. Mas não sei o que fazer... – Respondeu Ken com as mãos no rosto.
Takeru ficou observando seu amigo. Não conteve o riso ao lembrar que há uns anos, era um de seus maiores inimigos no digimundo. Ken Ichijouji, antes o Imperador Digimon, causava muitos transtornos ao mundo digital. E agora, ambos estavam com 16 anos de idade e haviam se tornado grandes amigos. Ken ficara mais alto, e continua com sua personalidade calma. Exceto, quando se tratava de Yolei.
Davis continuava petulante, mas de uma forma mais moderada. Havia se tornado mais responsável, e estava sempre pronto pra lutar com qualquer um que ameaçasse seus amigos. Coragem e bravura eram o que jamais faltaria na vida do jovem. Ainda tinha certa rivalidade com Takeru no quesito “Kari Kamiya”, mesmo que esta já havia escolhido a companhia do loiro. Mas isso não importava para ele.
Takeru continuava gentil como sempre fora e que estava sempre ali pra ajudar seus amigos. Seus olhos continuavam cheios de esperança. Agora, estava mais alto e robusto. Namorava Kari há cerca de um ano.
– PRECISO DA AJUDA DE VOCÊS, ESSA GAROTA ESTÁ ME DEIXANDO PARANÓICO. NÃO DURMO HÁ DIAS. E PRA AJUDAR AINDA MAIS A MINHA SITUAÇÃO, PERDI A VIRGINDADE COM MINHA PRIMA DE 11 ANOS. – murmurou Ken em um tom alto.
– VOCÊ O QUÊ? – indagou Davis cuspindo a bebida que estava tomando. Olhou incrédulo para Takeru que também estava com os olhos arregalados ao ouvir aquela notícia.
– Eu não sei como aconteceu. Eu fui passear com minha prima e sua cachorrinha que se chama Virgindade. Eu devo ter me distraído, porque a cachorrinha sumiu.
– Ahhhh bem! – suspiraram os dois amigos em alívio.
– Ken, relaxa... Tudo vai se resolver. Você só tem que esperar o momento certo e falar. Foi assim que aconteceu com a Kari e eu.
[FLASHBACK – TK]
Era um dia qualquer. Estava precisando sair, esfriar a cabeça, me livrar de uns pensamentos que faziam questão de me atormentar.
Há uns dias, pensei ter esquecido o nome dela. Evitei ao máximo os olhares, as brincadeiras... Evitei até ficar próximo. Fugi.
Mas bastou só um “oi” pra me fazer lembrar todos os momentos que passamos juntos. Não era fácil esquecer.
Como eu gostaria de saber quem é o foco do seu coração. Eu queria tanto de lhe perguntar. Mas, pra quê? Você não me diria, não é? Depois de tanto tempo juntos, ambos sendo protegidos, eu quero te proteger contra tudo no mundo. Preciso saber se me ama! Mas eu não consigo fazer essa maldita pergunta!
Às vezes queria começar a minha vida de novo. Mas sei que seria impossível esquecer o que passou. Não era fácil aceitar que tinha me apaixonado pela minha melhor amiga. Quero dizer, e se ela não correspondesse? “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. Não é esse o ditado popular?
A questão era que eu precisava pôr a minha mente no lugar.
***
Senti alguém sentar ao meu lado na praia. As ondas batiam forte na areia, como se estivessem estressadas com alguma coisa.
– Oi! – falou uma voz doce.
Parei a música e tirei os fones de ouvido do meu MP3.
– Oi.
– Sua mãe disse que não estava em casa, então eu imaginei que estivesse aqui. – Seus olhos estavam mais brilhantes que o normal.
Aqui. Onde tudo começou quando fui salvá-la no Mundo das Trevas. Às vezes me assusto com o tempo. Com sua velocidade e a agilidade que os fatos acontecem. É impressionante como os anos voam. É engraçado como algumas lembranças parecem tão próximas, mesmo tão distantes.
Lembro-me como se fosse ontem. Foi uma experiência tão forte. Nossas almas ficaram ainda mais unidas. Nossa amizade se solidificou.
Ahh, sentimentos. Mergulhar neles não parece ser tão ruim. Até que eles começam a querer te afogar.
– Vamos entrar na água? – perguntou ela tirando a blusa e o short
– Entrar na água?
– É. Normalmente as pessoas fazem isso quando vem a praia. – respondeu indiferente e guardou suas roupas dentro de uma bolsa. – Você vem sim ou não?
Retirei minha camisa, levantei-me e segui em direção a água com Kari ao meu lado.
Senti um calafrio subir pelas minhas costas quanto toquei no mar gelado. Sem perda de tempo, dei um mergulho para me acostumar mais rápido a temperatura da água.
Olhei para trás e vi que Kari estava com receio de mergulhar. A água estava batendo em suas canelas.
– Não era você que queria tomar banho?
– Acho que vou voltar para a areia. – murmurou olhando em reprovação para a água.
– Vai achando! – falei atirando água nela, enquanto esta colocava as mãos na frente para se defender, como se isso realmente fosse funcionar. Corri em sua direção e peguei-a no colo, levando de encontro às águas mais fundas. – Vamos logo!
Mergulhamos logo após que consegui controlar a pessoa nos meus braços que não parava de espernear.
Gostava de momentos assim. Ela me faz esquecer que o mundo a minha volta existe. Não podia de maneira nenhuma perder a amizade dela. Arggg, tanta coisa pra dizer e tão pouca coragem pra falar.
***
– Vamos sair?
Assenti em resposta.
Estava tudo indo muito bem, até que uma onda muito forte quebrou e nos carregou e, quando dei por mim, já estava na areia por cima da Kari. As ondas subiam e desciam bem ao nosso lado.
Kari abriu os olhos e tossiu. Apoiei meu corpo com os cotovelos na areia para não fazer peso por cima dela.
– Você está bem?
– Engoli muita água salgada. – gemeu e pôs-se a tossir mais uma vez.
Não sei se foi a coisa certa a fazer, mas olhar para o seu rosto de tão perto deixava as coisas ainda mais complicadas. Fiquei a encarando por um momento, e no segundo seguinte a beijei.
Senti sua mão passear pelas minhas costas e ir até a minha nuca. Ficamos nos beijando por um longo tempo até que nos separamos.
– Acho que estou melhor.
O comentário dela foi a resposta que eu tanto buscava. Talvez eu fosse mesmo correspondido. Talvez.
Sorri e saí de cima dela, deitando ao seu lado. Fiquei admirando o céu azul bem acima de nós.
– Você é especial, Kari Kamiya. – as palavras foram soltas ao vento.
– Eu sou?
Confirmei fechando os olhos.
– De algum modo você é... – e parou tentando descobrir qual palavra usar — Você é gorda!
– O quê? Não, espera aí... Ah quer saber? Obeso.
– Gorda.
– Obeso.
– Gostosa. Opa, quero dizer, GORDA.
E senti que era mesmo correspondido quando ela teve a iniciativa de me beijar.
– Eu te amo, seu idiota.
[FIM DO FLASHBACK]
– Fica calmo, cara. Vai haver uma oportunidade, e quando ela aparecer, é só dar o primeiro passo. – Aconselhou TK, colocando a mão em no ombro de Ken.
– É Ken, fica calmo. – Falou Davis e começou a rir igual a uma criança. Levantou-se da cadeira – Querem me ver imitando uma galinha?
– Garçom, quantos copos de vodka ele tomou? – Ken perguntou ao moço alto de terno que passava.
– Não sei, perdi a conta depois da décima. – respondeu indiferente e saiu andando.
TK e Ken arregalaram os olhos.
– É melhor irmos embora.
***
– Acho que essa foi a ultima das costeletas que você comeu. – disse Takeru se esticando pra ver o que havia no vaso sanitário onde Davis estava debruçado vomitando. – Ótimo, agora só temos que esperar a sobremesa.
Ken estava ao lado do loiro observando tudo. Davis e Takeru combinaram de dormir na casa dele já que haviam chegado tarde.
Davis levantou a cabeça ainda com enjôo.
– Foi sorvete arco-íris. – respondeu ele. Respirou fundo e colocou as mãos na cabeça – Espero que eu não tenha feito nada de errado ontem...
– Ah, não. Você só disse que amava o garçom.
– Eu disse isso?
– É... Depois daquele beijo você tinha que dizer alguma coisa, né?
Davis arregalou os olhos.
– Meu Deus, eu disse isso?! Eu fiz mais alguma coisa de que vou me arrepender.
– Você também pagou a conta.
– DROGA. EU TINHA QUE PERGUNTAR?!
– Bom dia rapazes! – falou a mãe do Ken chegando a porta do banheiro. – Depois eu limpo o seu banheiro Ken, espero que goste do cheiro de vômito com pinheiro... O café está na mesa. Vamos?
– Tudo bem. Estamos indo... – murmurou baixinho. Saiu do banheiro e foi de encontro a sua cama imerso em seus pensamentos. Ele olhava atentamente para uma foto que estava no criado-mudo, envolta por um porta-retrato azulado. Ele estava com Yolei em um dia qualquer no digimundo ao lado de seus respectivos digimons.
Talvez precisasse mesmo esperar. Tudo iria acontecer na hora devida, quando ele menos esperasse.
***
TK e Davis já haviam ido embora agradecidos pelo café da manhã, deixando a família Ichijouji sozinha à mesa. Era uma linda manhã de domingo. Um dia antes ao início das aulas.
–Ken, precisamos conversar. — Sentenciou a Sra. Ichijouji.
O adolescente pôs-se em alerta; essa frase NUNCA é um bom sinal, e, vinda dos seus pais, pode significar a morte (ou quase).
–Sobre o quê, mãe? — Perguntou temeroso. Seus pais, com semblantes enigmáticos, fizeram sinal para se sentar, e ele assim o fez, acomodando-se no sofá azul escuro, um tanto ansioso. Mesmo que Ken Ichijouji não fosse um adolescente problemático — pelo contrário — e não houvesse nada que levasse os pais dele a colocarem-no de castigo, ele ficou, no mínimo, curioso.
– Eu não estou encrencando por ter levado o Davis pra vomitar no nosso banheiro, estou?
– Não é nada disso, querido. — Sua mãe sorriu levemente, incapaz de ficar realmente brava com os amigos de seu filho. Como ela poderia? Eles faziam tão bem à ele! — Temos uma notícia para contar...
– E eu tenho certeza que você irá gostar muito. — Seu pai disse calmo, porém com um pequeno brilho contente no olhar.
– O quê? — Ken olhou-os com expectativa.
–Lembra de quando você comentou sobre estudar longe de seus amigos? — Ele assentiu, e sua mãe continuou animada. — Pois bem, isso não acontecerá mais!
– Como... Assim? — Ken arregalou os olhos, esperançoso.
–Apesar de tudo — sua mãe disse lentamente, escolhendo com cuidado as palavras para não se referir à nenhum dos eventos traumáticos da semente das trevas -, suas notas continuam exemplares, mesmo não sendo mais unicamente dez... Continuam excelentes, e, uns dias atrás, uma amiga me sugeriu que eu te colocasse numa turma um ano mais avançada.
–Íamos apenas conversar sobre avançar você mais um ano no seu colégio, mas aí pensamos em como você sente falta dos seus amigos. — Seu pai suspirou. — Então, queremos saber se você quer ir pra Escola de Odaíba. — Ao ver que Ken mantinha-se imóvel, o homem rapidamente acrescentou — Bem, já fizemos a matrícula, mas podemos desfazê-la e...
–Não! Eu quero ir, sim! — Ken sorriu amplamente, surpreendendo ambos de seus pais, que mal se acostumaram com a perda de timidez excessiva que havia ocorrido com ele ao longo dos anos. Olharam-no ainda mais admirados, quando ele, aparentando determinação, atravessou a sala coberta com carpete cor creme e entrou em seu quarto para arrumar suas coisas. Assim que entrou, seus olhos desviaram-se para a foto de Yolei e permaneceram ali por um bom tempo. Fora, então, seus pais sorriram muito aliviados e, principalmente, satisfeitos.
Mas, ninguém estava mais satisfeito do que Ken Ichijouji, que ia estudar na mesma sala que uma velha amiga.
Era a oportunidade perfeita para torná-la mais que isso.
Notas finais
B. Star Fic: Omg... O TK a Kari na praia! Essa cena foi tão,tão... Tão incrivelmente perfeita!*__* E o Davis bêbado!Hahaha! Ahhh não importa quantas vezes eu leia isso, eu vou rir em todas elas XD Algum palpite de como o amor acontecerá entre o Ken e a Yolei? Apenas lendo o próximo capítulo - que será postado AGORA MESMO - para descobrir! :) Ah, fizemos uma certa referência à uma música-tema de Digimon. Alguém arrisca?
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