Entre O Céu E O Inferno
6 Capítulo 6 Transtorno
Notas iniciais
Quero agradecer imensamente a CAMILA SCHWEIGER e a ISABELLA, pelas recondações.
Leitoras novas, sejam bem vidas e continuem comentando a autora agradece.
Enfim mais uma vez meu muito obriada a TODAS que deram um tempinho a fic.
6-Transtorno
- Nossa, amor! Você demorou, não tinha café na recepção? E falando em café, cadê?
- Estava passando algumas instruções para Ângela e acabei tomando o café no balcão.
- O que falou com Ângela?
- Para trocar as fechaduras de todas as portas e trocar as senhas dos alarmes, aumentar as câmeras de segurança e amanhã dou mais detalhes.
- Pra que tudo isso vida, é só um Studio.
- Não é o Studio amor, é você, quero ter certeza que está segura.
- Ei... Moço... — Alice cutucava meu ombro. — Quem é você e o que fez com meu irmão?
- Seu irmão? Aquele babaca? — Disse rindo. — Ele se matou e me deixou seu corpo, disse que havia uma menina linda que chamava Bella que espera por ele e uma outra chatinha chamada Alice que iria me perturbar, não é que o infeliz tinha razão.
- Você é um idiota Edward.
- Que você ama. — Eu disse a olhando pelo retrovisor. — Então, vamos comer aonde?
- No shopping, assim aproveito para comprar umas coisinhas para mim.
- Está lembrada da ameaça do papai?
- Eu digo que foi pra Bella, a norinha favorita dele. E falando em norinha, vocês não me contaram como foi à noite de vocês.
- Alice, a noite foi nossa, por favor. — Bella respondeu corando até o ultimo fio de cabelo.
- Doeu?
- Alice!
- Qual é, todo mundo fala que dói. Só quero saber.
- Outra hora Alice. — Bella disse querendo se esconder.
- Bella, deixa de ser chata, Edward estava lá com você, foi com ele que você transou, foi assim tão ruim?
- Não transamos Alice. — Disse entrando na conversa. — Fizemos amor. — Toquei o rosto de Bella que iria pegar fogo a qualquer momento. — Para mim foi à melhor noite de minha vida e pra você amor?
- Você sabe que foi maravilhoso, mas temos mesmo que falar disso?
- Minha melhor amiga se negando a me contar como foi sua primeira vez, depois diz que não me esconde nada.
- Ok Alice, pergunte o que quiser eu te respondo. — Bella disse vencida.
- Responda então a primeira pergunta. Doeu, sim, não?
- Um pouco.
- Você sentiu dor e não me disse nada?
- Achei que a dor seria pior, e não queria estragar nosso momento.
- Hei quem faz as perguntas sou eu. Você teve um orgasmo?
- Não.
- Não? O que? Já sabe fingir uma reação?
- Não tive um orgasmo amor, tive... Quatro.
- QUATRO!!! Na primeira vez? Edward, você vai ensinar meus namorados.
- O segredo Alice, é fazer amor e não sexo.
- Vou lembrar-me disso.
- Existe alguém que se candidata? — Perguntei enciumado.
- Muitos, nenhum me chama atenção maninho então relaxa, quando chegar à hora eu te conto e você passa a lição.
Chegamos ao shopping e fomos para praça de alimentação, Alice foi para as lojas comprar suas “coisinhas”.
- Alice às vezes é tão inconveniente que tenho vontade de matá-la. — Bella disse um pouco raivosa.
- Até parece que não a conhece, fiquei surpreso que as perguntas acabaram tão rápido.
- Acho que ela faz isso porque nunca tivemos segredos uma com a outra.
- Eu também não tenho segredos de Alice, uma que nem dá, outra que ela começa fazendo perguntas inocentes e quando vejo estou despejando tudo. Alice seria uma ótima investigadora. — Rimos com minha observação.
- E então, está nervosa com a audição?
- Um pouco, graças a Deus é em terreno neutro, se fosse no Studio, e eu fosse selecionada, diriam que é porque sou filha do proprietário.
- Amor... Falando em proprietário, Charlie estava lá te observando.
- Esse foi o café não é?
- Como sabe?
- Suspeitei sua demora, se algo não o tivesse impedido, provavelmente ele teria se aproximado, não havia ninguém que o impediria, você estava lá dentro, então agora faz sentido ele não ter vindo falar comigo.
- Ele disse que ainda te ama e senti muito a sua falta.
- É sempre assim, ele diz que me ama, que senti minha falta, que nunca mais fará de novo e na sua próxima crise, viro seu saco de pancadas. Não me interessa mais seus pedidos de perdão, suas declarações de amor, eu não o quero mais na minha vida.
- Eu posso te entender... Amor... Teria alguma maneira de você salvar Renée?
Bella nessa hora perdeu a cor, seus lábios se arroxearam como se lhe tivesse ameaçado de morte, ela me olhava petrificada.
- Amor, Bella. — Levantei da cadeira onde estava e me dirigi a ela segurei seus braços. — Bella, vida fala comigo, amor!!!
Bella não respondia, olhei em volta e não pude fazer nada a não ser tentar achar Alice e encontrar Carlisle.
Liguei para Carlisle desesperado, mas ele não me atendia, tentei o telefone de casa, mas estava dando ocupado, Bella não reagia o que eu tinha dito?
- Bella, pelo amor de Deus fala comigo, amor!!!
Tentei novamente o celular de Carlisle e deu caixa postal.
- Carlisle, pelo amor de Deus!!! Atende esse merda!!!
Tentei novamente até que ouço a voz raivosa de meu pai:
- Espero que seja urgente porque agora eu posso te matar por me interromper.
- É urgente, a Bella... A Bella...
- Calma Edward, o que tem Bella?
- Ela não responde, está olhando o nada há mais de vinte minutos, já chacoalhei, beijei, joguei água e nada, ela não tem reação alguma, parece que desligo, pelo amor de Deus pai me ajuda.
- Onde vocês estão?
- No Shopping.
- Traga-a para casa agora, eu estarei esperando.
Desliguei o celular e liguei pra Alice.
- Alice, larga o que estiver fazendo e corre pro estacionamento, Bella não está bem e estou indo levá-la para casa, larga tudo agora e corre Alice.
Não dei tempo para que ela me fizesse nenhum tipo de pergunta peguei Bella no colo e corri com ela dentro do shopping, os seguranças quando viram que Bella não estava bem iam abrindo caminho até que cheguei no carro com uma Alice esbaforida atrás de mim.
- O que aconteceu?
- Não sei, ela desligou, não responde, não chora, não briga comigo, não sei Alice. Bella, amor fala comigo, por favor...
- Vai com ela atrás eu dirijo.
- Alice temos que correr.
- Eu sei, por isso vá com ela e me deixe dirigir. Vai logo e não reclama.
Alice dirigia meu carro pelas ruas da cidade como uma louca, mas sabia exatamente o que fazia, nunca imaginei que minha irmãzinha dirigisse tão bem. Alice foi entrando por ruas laterais sem tanto movimento quanto as principais e quando dei por mim, Alice já estacionava na garagem de casa.
Peguei Bella no colo e irrompi a carregando gritando por Carlisle, minha mãe veio ao nosso encontro com os olhos arregalados ao me ver com Bella nos braços sem nenhuma reação, subi com ela direto para meu quarto. Carlisle entrou a examinou, aferiu sua pressão, olhou suas pupilas, tocou a sola de seus pés e Bella não reagia.
- Ela caiu, bateu com a cabeça, sofreu algum tipo de trauma?
- Não sei, a peguei na aula de ballet e fomos para o shopping.
- Chame Alice.
Carlisle repetiu as perguntas para Alice que negou qualquer tipo de acidente.
- Ela presenciou algum tipo de cena que pudesse ser traumática, vocês passaram por algum incidente que pudesse desencadear essa reação em Bella?
- Não.
- Observe-a até que tenha alguma reação, enquanto isso pense no que poderia ter desencadeado isso.
- Estávamos falando de Charlie, ele foi procurar por ela no Studio, estava contando a ela o que ele me disse, ela inclusive respondeu meus comentários.
- Ele não estava no shopping?
- Não, tenho certeza, na hora procurei por ele no meio das pessoas, mas não estava.
- Estranho, Bella não apresentava nenhum tipo de transtorno há muito tempo, o que será que aconteceu?
- Salve ela pra mim pai... Não me deixe viver sem ela, se não serei um homem pior que Charlie, eu terei coragem suficiente para tirar minha própria vida.
- Edward!!!! Pelo amor de Deus!!! Nunca mais repita isso, está me ouvindo, Bella despertará, e voltará para nós, talvez seu cérebro desligou por estar sobrecarregado.
- Se algo acontecer a ela eu não sei se vou resistir.
- Filho eu não posso estar ouvindo isso de você, você enfrentou as piores atrocidades que um humano pode agüentar, está em zona de guerra há quase dez anos e se desespero dessa maneira, onde está seu equilíbrio soldado?
- Naquela cama deitada, sem nenhuma reação. — Disse com uma voz morta, secando uma lágrima que caia sem eu perceber.
- Carl, Bella parece estar voltando. — Minha mãe anunciou depois de mais de duas horas de agonia.
Carlisle e eu levantamos e corremos para junto de Bella que cantava uma música de ninar sem parar, meu pai a chamou e ela virou o pescoço o olhando sem focalizar seus olhos.
- Querida, fale comigo.
- “Leve na lembrança a singela melodia que eu fiz pra ti, oh bem amada
Princesa, olhos d'água, menina da lua...”
- É a mesma canção que ela cantava a primeira vez que Charlie a agrediu. — Falou Carlisle.
Sentei na cama, segurei a mão de Bella e olhei bem fundo em seus olhos.
- Bella, pode me ouvir? Sei que sim minha vida, olhei pra mim. — Uma lágrima rolou dos olhos de Bella. — Eu serei seu escudo, contra qualquer mal que te apavore, eu estarei aqui para te proteger, volta pra mim meu amor, fala comigo, se eu te magoei com algo que disse me perdoe.
- ... Eu podia. — Bella respondeu.
- O que você podia vida? — Perguntei sussurrando.
- “Tens o teu escudo, teu tear
Tens na mão, querida, a semente de uma flor que inspira um beijo ardente”.
- Salvá-la, eu podia. — Bella disse também sussurrando.
Olhei para Carlisle sem entender nada, ele a analisava.
- Amor, descansa, eu estarei aqui... — Bella apertou minha mão e subiu em meu colo e se encolheu como uma criança procurando proteção. — Eu estarei aqui pra sempre.
Carlisle ficou nos olhando por alguns minutos e logo nos deixou sozinhos, acabei adormecendo com Bella em meus braços.
Acordei com dedos frios tocando meu rosto, não sei dizer que hora era, mas pele escuro que estava o quarto deveria ser noite, abri meus olhos devagar com medo de não ser Bella, tive medo dela ter tido algum tipo de complicação e terem a tirado sem que eu acordasse.
- Me perdoa... — Ouvi sua voz sussurrada pedir. — Me perdoa por não ter te contado...
- Você não precisa me dizer o que não quer... — Sussurrei aliviado por ela estar aqui.
- Eu preciso, e depois se você quiser me abandonar eu entenderei.
- Você me traiu?
- Que pergunta é essa? Como eu iria te trair se não descolamos desde ontem, se o único momento em que não estávamos juntos foi quando estava no Studio?
- Então, não tenho motivos para te deixar. Se você quiser mais espaço eu posso te dar.
- Eu convivi com um abismo entre nós durante dez anos, tudo o que mais quero agora e ficar o mais perto possível. — *Dizendo isso Bella colou nossas bocas e ficamos nos fazendo um carinho gostoso.
- Estraguei seu planos.
- Teremos outros dias para ir até Forks, se estiver melhor, podemos ir amanhã, o que acha?
- Se depois do que te contar, quiser ficar comigo, vou adorar.
Bella respirou fundo, sentou na cama, ajeitou os cabelos, começou a brincar com os dedos sem me olhar e começou.
- Quando descobrimos que Renée estava doente, fizemos todos os testes para saber se existia alguém compatível com ela e milagrosamente eu era... A probabilidade de uma coisa dessas acontecer é uma em um milhão, mas para nossa sorte, ou azar, eu era. Eu doaria até a última gota de minha medula para que Renée se salvasse, não me importaria, mas não foi o que aconteceu, minha mãe se negou que eu me ferisse para salvar a vida dela, disse que preferia morrer a me ver sofrer. Eu tentei argumentar que não me importava, que eu doaria sem nenhum problema, conseguimos que ela aceitasse o primeiro transplante, mas não surtiu efeito, retiraram medula novamente e foi feito mais uma transfusão e novamente deu errado, os médicos não entendiam o que estava acontecendo, parecia que o corpo de Renée não aceitava o tratamento.
- Na terceira tentativa minha mãe estava fraca por mim e por ela, ela não agüentava mais, aumentaram as doses de imunossupressores, mas não teve resultado, eu queria tentar mais uma vez, mesmo sabendo dos riscos de infecção, mas ela não aceitou.
- Bella começou a chorar com a lembrança, tentei tocá-la, mas ela não me permitiu.
- Charlie me pediu para convencê-la, implorou seria a palavra correta, ele disse que faria qualquer coisa para que Renée vivesse, quem não fez tudo o que podia fui eu. Se eu tivesse insistido por pelo menos mais uma tentativa, talvez desse certo, talvez ela estivesse comigo. Entende porque Charlie acha que sou a culpada, ele achava que eu podia salvá-la e me neguei.
- Você apenas atendeu um pedido de sua mãe Bella, você não teve culpa nenhuma.
- Eu poderia ter pedido a ela, por mais uma vez, mas fui fraca, eu desisti.
- Você fez o que estava em seu alcance, eu também já desisti se isso te faz sentir melhor.
- Você não desistiria de sua mãe.
- Você também não desistiu, você lutou o quanto pode, você mesma me disse que corria o risco de ter infecções, e se isso acontecesse, seria você e sua mãe para serem curadas, ela acabaria morrendo mais rápido, tenho certeza que onde ela estiver está orgulha de você, por você ter lutado por ela.
- Eu podia ter feito mais.
- Um dia, você entenderá que fez tudo que estava ao seu alcance, que por mais que lutasse existia algo que era maior, que derrubava seus esforços, não se culpe.
- Eu me digo isso todos os dias, o dia todo, mas não consigo me convencer.
- Se quiser culpar alguém ou algo, culpe o corpo de Renée, foi ele quem não aceitou os tratamentos, vocês foram guerreiras, não desistiram, lutaram lado a lado, infelizmente o inimigo era maior.
- Olhando assim a derrota é tão poética.
- Bella, vou te fazer um pedido, na verdade uma exigência. Quando algo te ferir seja física ou emocionalmente, qualquer coisa, prometa-me que irá me contar, quando eu não estiver por perto contará a Alice, a Esme, a Carlisle, mas contará a alguém, prometa-me que nunca mais guardará pra você nada que futuramente possa te ferir, se não se sentir a vontade para dizer então escreva, mas por favor, não me dê mais esses sustos, eu achei que iria te perder.
- Não sei se consigo, nunca disse a ninguém sobre o que aconteceu comigo e Renée, você é primeira pessoa a saber.
- Mas me diga que pelo menos vai tentar.
- Eu vou tentar...
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