Entre O Céu E O Inferno

19 Capítulo 19 Voltando para casa


Notas iniciais
Ok ok eu ainda estou viva, e para melhorar ainda mais...
Capitulo novo e quentinho!!!

19 — Voltando para casa

No capitulo anterior...

Quando voltamos para o acampamento Carlos, Enrico e Thomás já haviam suspendido o corpo de O’connell novamente, somente esperando por nossas decisões.

- O que farão com a franguinha? — Perguntou Enrico.

- Dê a Cesar o que é de Cesar... — Disse Carlisle já arrumando suas coisas para sairmos daquela clareira.

Não precisou ser dito mais nada, me aproximei e degolei O’connell sem nem ao menos minhas mãos tremerem...

A pergunta muda que fazíamos era como desovaríamos aqueles corpos, quem deu a idéia foi James Smith.

- Já estudaram história na escola meus jovens? — Smith perguntou com a cabeça baixa riscando a areia.

- Claro, mas qual o intuito da pergunta senhor? — Carlos questionou.

- Quando eu era criança tinha o sonho de ser velado como um grande rei, por um acaso alguém sabe o que faziam com o corpo de um rei que morria naqueles tempos?

- Eram colocados em um barco e incineravam seus corpos com flechas flamejantes, por quê? — Perguntei já sabendo o que Smith pretendia.

- Sabe por que faziam isso, Edward?

- Acredito que era para que os inimigos não saquearem o corpo e cometerem nenhum tipo de barbárie.

- Isso também, mas quando um rei era um grande rei, que seu povo o amava verdadeiramente, seu corpo era lavado com águas perfumadas e vestido com suas melhores vestes, era colocado nessa jangada e era incinerado porque os antigos acreditavam que ele chegaria aos céus livres de seus pecados porque os mesmos tinham sido queimados pelo fogo sagrado, que com o fogo se purificaria a alma, o banho era para que o rei chegasse diante de Deus limpo e como um rei e não sujo como um pecador. Mas quando era o contrario, e o rei fazia seu povo sofrer, ele era queimado para saber o que sua alma enfrentaria no inferno, esse nem mesmo era vestido, era queimado nu e quando o povo tinha a oportunidade o mesmo nem precisava estar morto, ele era queimado vivo.

- Se bem entendi, você quer que coloquemos fogo nos corpos desses três?

- Quero que eles tenham um aperitivo do que vão viver no inferno.

Foi inevitável não sorrir com a idéia.

Amontoamos os três corpos e a querosene que O’connell havia utilizado para manter a lamparina de sua barraca acesa, usamos para carbonizarmos os corpos, ficamos esperando até que não restasse mais nada a não ser cinzas.

O cheiro de carne assando fez meu estomago revirar, jurei a mim mesmo que não comeria carne pelos próximos anos, pelo menos assada.

Meu pai já havia limpado seus objetos e as cordas que utilizamos queimamos junto com os corpos assim como a barraca e o resto dos objetos que O’connell trouxe.

Agora resolvíamos qual seria a história que Smith contaria no FBI.

- Não direi nada, somente direi a quem interessa o que realmente aconteceu e tenho certeza que eles se sentirão gratos pelo serviço, pois se algo desse nível vazasse o FBI ficaria com sua imagem borrada pelo resto de sua existência, perdendo completamente sua credibilidade, não se preocupe meu irmão. — Smith disse colocando uma mão sobre o ombro de Carlisle. — Nada do que ocorreu aqui, sairá daqui, junto com Brian também foram suas mentiras e ele não passará de mais um que deixou de circular pelos corredores dos departamentos.

- Quero ir com vocês resgatar Alexia, não estou pedindo, estou comunicando, quando ela desapareceu, eu estava lá e vi o desespero nos olhos de George, também quero ver a vida voltar.

- Estaremos todos juntos eu lhe prometo.

Saímos da clareira sem nenhum tipo de dor na consciência. Carlos disse que queria estar nos braços de sua Paloma, Enrico e Thomás tinham o mesmo desejo, a verdade é que tudo que eu queria era estar com a minha também.

Quando nos alistamos nossa maior pergunta é: “Será que serei capaz de atirar em um ser humano?” Aprendemos nos campos de batalhas que não somos maquinas de matar, apenas nos tornamos melhores analistas de quem realmente são homens e quem realmente são monstros, no caso desses homens todos eram monstro, infelizmente, esses são apenas uma pequena parcela de toda essa sujeira, mas quando seus comparsas perceberem o que realmente aconteceu, tenho certeza que todos ficariam com as orelhas bem em pé.

Chegando a Seattle, corri para arrancar aquelas roupas, joguei-as dentro de um saco preto e as joguei fora, não queria nada que me recordasse esses dias de inferno, tomei um banho rápido e me dirigi ao hospital militar, queria noticias de minhas meninas, precisava ver Bella e lhe implorar perdão por ter acreditado naquele demônio, por ter deixado ele me manipular.

Carlisle e senhor Smith estavam me aguardado quando desci as escadas, os dois iriam até o hospital comigo.

Quando chegamos fui para o quarto onde estavam as meninas, a pedido de Esme as duas estavam no mesmo quarto, ao abrir a porta, Esme estava adormecida numa poltrona segurando a mão das duas, Alice tinha o pé suspenso devido à fratura e a cirurgia, Bella estava com um colete que impossibilitava qualquer movimento do tronco, vendo aquilo senti que o castigo daqueles demônios foi pouco, deveriam ter sofrido mais.

Esme abriu os olhos devagar ao percebe que eu havia entrado no quarto, seus olhos mostravam o quão cansada ela estava, nem mesmo seu leve sorriso escondia o alivio de me ver na sua frente.

- Elas dormiram a pouco, Alice não dormiu a noite toda devido ao incomoda da cirurgia e Bella está sobre efeito de remédios, ela está tendo pesadelos e se não ficar quieta a recuperação demorara mais.

- Como elas estão? Digo... Psicologicamente?

- Bella não disse uma única palavra, a não serem os gritos por causa dos pesadelos, Alice chora se dizendo arrependida e quer falar com você em particular, as duas não trocaram nem meias palavras, nada.

- Ela também não falou com a senhora?

- Ela está como da vez que Charles a agrediu, o corpo está aqui, mas os olhos estão vazios, não dirigiu palavra a ninguém, o médico sugeriu chamar um psiquiatra, mas estou com medo de sua reação.

- O que o médico disse sobre as seqüelas dos ferimentos das duas?

- Alice começará a fazer fisioterapia em quinze dias, ele disse que apesar do ferimento ter sido muito sério, é muito provável até que ela volte a dançar, já Bella... Se ela seguir a risca todas as prescrições, ela poderá voltar a caminhar, mas voltar a dançar será um milagre.

- Até isso aquele desgraçado tomou dela, até a dança, eu não posso acreditar que cortaram as asas do meu anjo... Deus, como vamos dizer isso a ela?

- Eu estou me perguntando isso desde o momento em que o médico me disse seu estado clinico. Onde está seu pai?

- Ele está conversando com o médico que atendeu as meninas, Smith venho conosco, ele quer ver as meninas se não for incomodo.

- James está aqui? — A pergunta soou alarmada na voz de minha mãe. — O mesmo James Smith que serviu com seu pai e aquele desgraçado?

- Sim, ele mesmo, por quê?

Minha mãe levantou da poltrona onde se encontrava e começou a passar a mão pelos cabelos andando entre as camas, tentou alisar a roupa, nunca vi reagir assim, o que será que James Smith significava para dona Esme.

- Vai me dizer o que está acontecendo ou vou ter que perguntar para o Senhor Smith?

- Edward, pelo amor de Deus, não faça isso, eu iria morrer de vergonha... — Minha mãe respondeu com os olhos arregalados e com as palmas das mãos brilhando devido ao suor. – Antes de conhecer seu pai, James e eu tivemos um namorico que meu pai logo deu conta de acabar, nada demais, só não imaginei que ele viria para cá.

- Então quer dizer que antes do doutor Carlisle existiu alguém?

- Não existiu ninguém Edward, foram apenas uns beijinhos inocentes, eu tinha apenas quatorze anos, depois mesmo sabendo que ele serviu junto com seu pai nunca mais nos vimos, talvez seja a surpresa dele estar aqui.

- Ele quer ver as meninas, será que no meio das meninas também está à senhora?

- Mais respeito comigo rapazinho, sou uma mulher casada e muito bem casada, não sou essas mulheres que ficam flertando nas costas de seus maridos.

- Ei, ei, desculpa, só quis brincar um pouco, nos últimos dias estive com uma espada flutuando sobre minha cabeça e sinto que ela ainda não se foi, então, por favor, sem estress. Não quer saber o que fizemos com aqueles demônios?

- O que tenham feito, foi pouco, eles deveriam ter sido esquartejados vivos.

- Tudo bem então, tenho certeza que Carlisle lhe contará, entre vocês não há nada que o outro não saiba.

Esme voltou para poltrona e eu me encostei ao parapeito da janela, o quarto estava em um silencio profundo, as meninas dormiam e minha mãe logo também voltou a cochilar, fiquei pensando em como contaria a Bella que ela poderia nunca mais dançar, tenho certeza que para ela seria a morte.

Fiquei observando as duas meninas feridas sobre aquela cama de hospital perguntando-me como tudo isso começou, um encontro casual na internet, alguém usando o nome de outra pessoa, um cara vindo conhecer quem era sua correspondente, a descoberta de um agenciador de menores, a morte de homens que se julgavam sobre qualquer suspeita, a vida de duas meninas mudadas drasticamente, Alice ainda poderia continuar nos palcos, mas e Bella?

Caminhei até os pés da cama de Bella, acariciei seus pés, passei a mão por suas pernas de baixo para cima, ela não teve reação, o colete que a imobilizava começava na base do quadril e terminava preso ao pescoço o mantendo firme, seu rosto ainda muito machucado, os hematomas ainda muito vivos, a única coisa que passava pela minha cabeça é que tentaram roubar meu anjo, mas o que mais doía era que tinham lhe cortado as asas, foi impossível não me lembrar do dia em que a encontrei dançando no Studio de casa sozinha, não percebi que estava chorando até que uma lágrima cair sobre o lençol branco, abaixei escorando meu rosto sobre as mãos cruzadas sobre a cama e fiquei ali, não sei por quanto tempo, até que ouvi uma voz muito baixa me chamar.

- Edward... — Quando me virei, Alice me observava chorando. — Me perdoa?

Ela também estava muito machucada, mas minha vontade de lhe dar uma bela surra não me deixou, se eu dissesse que a perdoava seria da boca pra fora, então não seria perdão, ela quase causou a morte dela e de Bella.

Eu sempre soube que Alice era inconseqüente, mas a esse ponto, foi decepcionante demais.

- Agora não Alice...

Foi tudo que consegui articular, porque minha vontade era explodir com ela, e essa não era a hora.

- Por favor... — Pediu em um fio de voz.

- Volte a dormir...

- Eu preciso que me perdoe... Por favor...

- Não é a mim que você deve pedir perdão Alice, e sim a Bella.

- Eu tentei, mas ela não quer me ouvir, toda vez que tentei trocar qualquer palavra ela cobre a cabeça com o travesseiro...

- Já basta Alice, volte a dormir e quando estiverem fora daqui se Bella quiser lhe dirigir à palavra a decisão será dela, se quer o meu perdão é não, agora não! — Disse interrompendo seu discurso, tudo o que mais queria era o silencio de segundos atrás, mas o choramingo de Alice não me permitia isso.

Enfezado virei minhas costas e me retirei do quarto, na hora em que abri a porta com fúria, Carlisle e James estavam com a mão na maçaneta para abri-la, foram surpreendidos por meu ato abrupto.

- O que está acontecendo, as meninas pioraram? — Carlisle me perguntou já me empurrando para dentro do quarto no peito, quando está dentro do quarto e viu Alice chorando se desesperou.

- Oh meu Deus, filha está sentindo alguma coisa? Eu vou chamar alguém. — Antes mesmo que Carlisle chegasse à porta quem falou foi eu.

- Ela deve estar sentindo a dor da vergonha!

Carlisle se virou calmamente olhando de mim para Alice, enquanto esperando na porta James via o nosso conflito silencioso.

- Não foi essa a educação que lhe dei, e esse homem com os olhos frios na minha frente não é meu filho, o que fez para que sua irmã esteja chorando?

- Não fiz nem a metade do que ela merece, sei que eu deveria estar penalizado pelo que ela passou, mas não consigo, o pior de tudo foi ter enfiado Isabella nesse meio, será que terei que fechar os olhos para mais uma merda que Alice fez para o bem da família? Dessa vez não General, vou pedir minha dispensa dessa família se for o caso, mas dessa vez eu não posso me fazer de cego perante o que ela fez a outra pessoa, estou sim muito triste por tudo que ela passou, mas extremamente decepcionado pela menina mimada e fútil que não pensou nas conseqüências de seus atos.

- Filho, agora não é hora para isso, Bella pode acordar a qualquer momento e tenho certeza que ela não vai querer ver você e Alice em conflito.

- E eu tenho certeza que na hora que Isabella abrir os olhos e ficar sabendo que nunca mais irá dançar, Alice não passará de uma lembrança odiosa.

- Porque não vou mais poder dançar?

Aquela voz sonolenta e baixa fez que todos ao mesmo tempo se virassem, como uma cena ensaiada.

- Edward, porque não vou mais poder dançar? — Bella repetiu a pergunta com a voz estrangulada, já beirando ao desespero.

Aproximei-me da cama e sentei em uma altura que ele pudesse ver meu rosto, segurei suas mãos, soltei todo o ar dos meus pulmões com força e sem ter mais o que fazer lhe contei o que Esme — Que agora se encontrava de pé abraçada a Carlisle — me disse.

- Os médicos disseram que se você for uma boa menina, logo voltará a andar... – Minha voz foi morrendo.

- Andar não é o mesmo que dançar Edward... Você disse que eu não poderei mais dançar... — Lágrimas doloridas desciam pela face marcada pelos machucados de Isabella e nessa hora tive vontade de arrancar minhas pernas e dar a ela.

- Eu não quero saber o que os médicos disseram, são mentiras, mentiras feias, você vai voltar a dançar meu amor, você vai dançar em todos os palcos do mundo com suas sapatilhas encantando a todos como faz comigo e mostrar a essa bando de imbecis que estão errados, que eles erraram feio com seu diagnostico. — Lagrimas lavavam meu rosto e minha voz saia aos soluços, senti a pequena mão de Bella em meu rosto e segurei como se me agarrasse a um bote salva vidas no meio do mar em tormenta.

- Nós iremos aos melhores especialistas, procuraremos os melhores tratamentos e quando menos percebermos você estará novamente voando meu “anjo sem asas”, não quero que pense nisso agora, quero que se concentre em melhorar para que possamos começar logo, eu não aceito que você desista Amor, eu não admito que você fraqueje, lembra o rio congelado, é só mais um inverno, só mais um... — Chorei como a muito não fazia, chorei sem vergonha de que James Smith visse um soldado fraquejar, agarrado a mão de Bella que também chorava.

Muito tempo depois sobre efeito de remédios Bella dormia novamente agarrada a minha mão, lágrimas desciam sem que eu percebesse, como se eu não pudesse as controlar, eu não conseguia admitir que minha menina não dançaria mais, ela não iria perder a vida assim, porque a dança era sua vida.

Smith sentou a meu lado em um dos braços da poltrona em silencio até que em um suspiro pesado disse:

- Eu sinto muito por tudo o que vocês vêem passando, seu pai disse que foi acontecimento atrás de acontecimento, que não conseguiram ter paz, primeiro você chegou ferido, depois precisou ajudar um amigo, depois descobriram o micróbio e quando parecia que tudo iria ficar bem, O’connell apareceu. Tem que ser forte para aquentar tudo isso sem vergar, e infelizmente tudo o que podemos fazer é olhar, ou como você chorar, não é vergonha alguma Edward, chorar por quem amamos, ainda mais quando vemos os sonhos dessa pessoa escorrer pelos dedos.

- Ela vai voltar a dançar Sr. Smith, ouça bem o que lhe digo, a dança é a vida dela e eu não vou permitir que nada nem ninguém a prive disso.

- É assim que um grande soldado diz. Desistir jamais, por mais difícil que seja.

- Quando irão resgatar Alexia?

- Precisei entrar em contato com o consulado Americano de lá, expliquei toda o acontecido e eles disseram que iriam investigar o caso, me pedirão até amanhã pela manhã.

- Acha que eles disseram a verdade sobre todas a crianças e as jovens?

- Prefiro acreditar que sim, vou esperar até amanhã por noticias da Suíça e se o que Dalton falou for verdade, embarcaremos amanhã mesmo.

- Boa sorte em sua caçada, espero que consiga encontrar o resto desses monstro, a lista que O’connell passou é gigante.

- Seu pai como sabe faz questão de ir também, por isso esperaremos, se não se importar vou ficar essa noite hospedado em sua casa.

- Não me incomoda de maneira alguma, por um acaso sabe onde anda meu pai, quero lhe fazer algumas perguntas.

- Da ultima vez que o vi, ele estava levando sua mãe para casa, mas se quiser peço que ele volte para se falarem.

- Tenho alguns homens para chegar ainda essa semana, um amigo meu estava internado ferido devido a um tiro e sua filhinha nasceu prematura, quero noticias deles.

- Eu pedirei para Carlisle vir falar com você, precisa de algo mais, uma roupa, comida?

- Não Sr. Smith, obrigada por perguntar, o que preciso agora é que Bella tenha alta e comece logo seu tratamento.

- Então estou indo e Edward... Foi um prazer servir com você. — Smith se levantou e bateu continência, no mesmo instante fiz o mesmo e por fim nos abraçamos. — Sinto-me honrado em saber que estamos sendo protegidos por homens iguais a você, um verdadeiro guerreiro, se precisar de qualquer coisa da velha guarda, não hesite em nos chamar, às vezes precisamos de missões para não enferrujarmos.

- Pode ter certeza que chamarei.

Smith se retirou e o quarto mergulho novamente naquele silencio de antes, cochilei assim como minha mãe sentado naquela poltrona, mas fui acordado por um Carlisle que também mostrava sinais de cansaço.

- Filho... Está tudo bem?

- Na medida do possível... Como estão as coisas em casa, mamãe dormiu?

- Precisei ministrar um calmante para que ela desligasse um pouco, e você?

- Só quero sair desse inferno, quero tirar Bella daqui, começar as fisioterapias... Quero vê-la dançar antes de voltar...

- Filho... — Carlisle disse com a voz cansada como se tentasse explicar algo a uma criança pela milésima vez. — O estado de Bella é muito delicado, ela precisará de tratamento psicológico e acompanhamento de fisioterapeutas, se ela voltar a andar até você partir já será um grande milagre...

- Não... Não... Quando eu voltar... Minha Bella terá voltado a dançar, pode não ser da mesma maneira que ela dançava, mas ela estará voltando...

- Se você a forçar Edward, a coisa pode ficar muito pior, porque a frustração de não conseguir executar algo faz o ser humano se tornar depressivo, Bella não precisa de pressão, precisa de compreensão, se ela não conseguir, precisa ser estimulada e não desanimada, se ela falhar para você, será como falhar para todos, não a pressione filho, ela terá seus limites, e não será você a transpassá-los, mas sim ela.

- Ela é forte, minha menina precisou crescer na raça, e tenho certeza, não será por causa daquele desgraçado que ela vai se curvar...

- Teremos que esperar para ver sua recuperação, Bella tem um espírito inquieto. — Carlisle sorriu nessa hora. — Eu também não acredito que ela não volte a dançar, ela é um pássaro livre, não se deixará prender nessa gaiola.

- E Alice?

- Ela voltará para casa amanhã. Acho que Charlotte vai se tornar uma funcionaria permanente daquela casa.

- Falando em Charlotte... Como estão Jake e Elóra?

- Billy veio buscá-los, mesmo Elóra querendo ficar por causa de Claire.

- E como está a menina?

- Estável, parece que está respondendo bem, tenho certeza que dentro de pouco mais de um mês a levarão para casa.

- E Meredith, alguém conseguiu confirmar que foi ela quem mandou atirar neles?

- Não... O atirador morreu, Edward.

- Se acha que vou ficar penalizado por ele, se enganou, o cara estava atirando contra um homem desarmado e um mulher grávida, se sobrar alguma coisa pra mim, foi legitima defesa, mas tenho certeza que ninguém seria louco a esse ponto, ainda mais nessa hora que não andou a fim de poupar ninguém.

- Os policiais que estão no caso sabem sobre os problemas que Elóra vem passando com a mãe, só estão tentando provar que realmente foi ela para sua pena aumentar consideravelmente.

- O que leva uma mulher a fazer isso com a própria filha?

- Ambição filho, Elóra foi criada para ser o baú de ouro de Meredith e quando ela engravidou, a mãe “perdeu todo seu investimento”. — Carlisle disse fazendo aspas com as mãos.

- Se ela sonhasse o que Billy esconde.

- Jacob e Elóra se amam, jamais ela ficaria com ele por dinheiro, por mais que a mãe dela seja uma mulher dissimulada, ela se tornou uma pessoa honesta, não sei como naquele meio ela conseguiu tal feito, mas conseguiu.

- Tem noticias de Emmett e Jasper?

- Chegam amanhã, me informaram que Whitlock está ferido.

- Imaginei, Jasper só voltaria no final da missão.

- Filho, temos outro problema... A família de Whitlock se nega a ficar com ele, me parece que ele tem apenas uma irmã que teve bebê há poucos dias e ela não o quer em sua casa, pois parece que ele e o marido dela tem uma certa desavença.

- Jasper quase matou o sujeito quando descobriu que ele traia sua irmã com uma prima. Sabe, esses típicos barracos de família normal, toda família tem...

Rimos com minha observação, pois sabíamos qualquer um no lugar de Jasper faria o mesmo.

- Eu pensei que poderíamos o acolher já que Charlotte estará em casa para cuidar das meninas.

- É uma idéia...

Carlisle caminhou até a cama de Alice, lhe afagou o rosto e sem levantar o rosto falou:

- No caminho para casa sua mãe me disse que Alice tentou “falar” com você, mas você não quis a ouvir.

- Não quero ouvir desculpas esfarrapadas, não quero nada que não seja de verdade. Ela tem noção do que seria de mim se eu tivesse perdido Bella, até mesmo ela?

- Filho até mesmo para aqueles monstros demos uma chance que falassem, será que não pode fazer o mesmo por sua irmã?

- Eu estou farto. — Disse passando a mão pelos cabelos. — Será que vai ser sempre assim? Alice apronta, vocês passam a mão na sua cabeça, ela apronta de novo e novamente vocês fecham os olhos, e o pior de tudo é que quem ainda sai por ruim nessa história sou eu. Deixe-me por meus pensamentos em ordem, meu instinto de sobrevivência ainda está à flor da pele, e eu não serei a melhor pessoa para ela conversar agora, deixe Bella sair daqui e quando estivermos em casa, eu a procuro, mais uma vez para que você e dona Esme entendam bem... Eu a procuro.

- Tudo bem, respeito suas decisão. Vai dormir aqui?

- Sim. Não vou ficar longe de Bella, quero ajudá-la amanhã pela manhã e saber qual seu real estado, ela disse que sente as pernas dormentes, e isso pra mim é um bom sinal.

- Eu volto amanhã com sua mãe... Ela não queria ter ficado em casa, mas eu a obriguei, ela também tem limites.

- Concordo, cuide dela, ela se esquece de cuidar de si mesma, se ela quiser vir amanhã pela manhã estaremos todos aqui.

- Eu duvido muito que ela não venha. E... Edward... Não se esqueça que nesse quarto também está sua irmã, se ela precisar de algo, pelo menos chame uma enfermeira.

- Se ela precisar de algo, eu a ajudarei também, mas sem longas conversas, eu ainda não perdi minha humanidade, General.

- Às vezes custa a acreditar.

- O que custa acreditar?

- Que ainda há um pouco de humanidade dentro de você, ela é sua irmã, foi surrada por um louco que quebrou seu tornozelo de propósito e mesmo assim você não quer nem ao menos lhe escutar.

- Vou compará-la a um dos meus homens. No meu pelotão tinha um cara da Carolina do Norte chamado Shepard, ele não errou, ele simplesmente deu um “mau passo” e voltou de lá sem as duas pernas. Ela não deu um mau passo, ela “errou” e mesmo assim você ainda quer que eu me compadeça? Se ela estivesse em meu pelotão, o que fez seria traição, e eu aprendi as duras penas que quem trai uma trairá varias, eu já passei muito a mão na cabeça dela, está na hora dela crescer e se ver no espelho como a mulher que já não é mais a menininha do papai, os dias de gloria de Alice para mim acabaram no momento em que ela acusou Bella de ter feito algo que não fez.

- Olha filho, pode não acreditar, mas eu compreendo sua revolta, só estou tentando fazer meu papel de pai e reconciliar vocês, eu entendo que não queira falar com ela agora, mas não se esqueça que seus homens estão chegando e logo você estará voltando, não perca a oportunidade de levar um pouco dela com você quando estiver em batalha novamente.

- Eles disseram que hora chegarão?

- No primeiro horário do dia, quer ir buscá-los? Eu posso chegar mais cedo e ficar com as meninas.

- Seria bom... Aceito o acordo, caso Bella também tenha alta, me ligue eu virei buscá-la, agora vá para casa e também descanse, não é só dona Esme que esquece de se cuidar.

Quando meu pai abandonou o quarto comecei a reviver cada momento, quando descobrimos O’connell, quando pedimos ajuda e Dalton entrou na equação, agora eu compreendia o porque de tanto empenho de usar Bella como isca, se eu tivesse prestado a atenção eu poderia ter acabado com tudo antes mesmo de começar, se tivesse seguido meus instintos, a maneira como ele a olhava no jantar daquela noite em casa, era realmente alguém que avalia uma peça rara, me dei o direito de pensar o que teria acontecido se Bella não tivesse ligado o celular, se eu demorasse mais uma hora, eu teria perdido... As duas... Pois, por maior que fosse minha raiva por Alice, ela ainda é uma parte muito grande do meu tesouro pessoal, mesmo agora eu negando, ainda a amo e muito, mas ela precisa aprender que a vida não é somente shopping e compras e roupas da moda, sapatos novos, a vida é mais que isso, há pessoas lá fora que perdem suas vidas tentando dar a sua família menos do que minha irmã tem dentro de seus guarda roupas... Algo teria que acontecer para abrir seus olhos e acho que nem mesmo por todo esse perrengue que as duas passaram ela cresceria, isso é lastimável.

Dizer que dormi aquela noite é idiotice, cada bip mais alto que os aparelhos emitiam eu abria os olhos, as 03h20min Bella acordou gritando devido a um pesadelo e precisaram seda-lá e imobilizá-la novamente já que o colete que estava em seu corpo abriu, Alice precisou de assistência para ir até o banheiro era 04h15min, os enfermeiros vieram trocar o soro das duas as 05h25min em poucas palavras, a noite foi extremamente movimentada.

Quando foi 06h00min nem se eu quisesse conseguiria manter meus olhos fechados, estava ansioso para ver Emmett e Jasper, meu pai já estava pelo hospital, mas ainda não tinha chego até o quarto para que eu pudesse ir para casa tomar um banho e buscar os rapazes.

Alice não parava de dizer que estava com frio, de dez em dez minuto eu levantava para me certificar que ela não estava com febre.

Por volta das 08h00min Carlisle entrou no quarto com uma cara de colocar qualquer um em alerta, tinha algo errado e isso estava escrito no meio da testa dele.

- O que houve? — Perguntei já pulando da poltrona.

- Há uma pessoa lá fora querendo ver Alice. Você ainda está com seu instinto de sobrevivência a flor da pele?

- De quem se trata? — Perguntei tentando imaginar o porquê daquela pergunta.

- Tânia.

Antes que eu respondesse qualquer coisa à porta do quarto foi escancarada e uma Tânia chorosa se jogou em meus braços.

-Ah Edward, eu sinto tanto, como esse homem conseguiu se aproximar de Alice e Bella onde já se viu, duas meninas tão boas, de família.

Tânia falava e esfregava seu rosto em minha camisa tentando me fazer acreditar naquele teatro barato, meu pai tentou tirá-la dos meus braços, mas ela se agarrava mais ainda a minha camisa, quem passasse pela porta e visse a cena com certeza pensaria que realmente era alguém muito sentida pelas meninas.

A segurei pelos braços a afastando de mim e olhando bem em seus olhos, a maquiagem borrada devido o choro forçado me fazia ter mais vontade ainda de socá-la, como podia ser tão falsa, ela acha que enganaria a quem com aquele teatro de revista, ela não sabia com quem estava mexendo.

- O que faz aqui? — Perguntei frio. — Veio ver se seu planinho de prejudicar Isabella deu certo? Pois bem, veja por si só.

Apertei seu queixo firme com a mão fazendo-a olhar para as duas meninas arrebentadas sobre os leitos daquele quarto.

- Edward, eu não sei do que está falando, você está me machucando, me solta. — Pediu com os olhos arregalados.

- Ah. Então você não ajudou Alice com esse joguinho sujo de tentar seduzir um cara usando o nome de Bella, você também não sabe que esse cara era do outro lado do país e veio até Seattle para conhecer sua “Fada Ninfa”, quantos anos tem mesmo Tânia, dez, doze, porque eu me recuso a acreditar que uma mulher de vinte e cinco anos tenha usado um truque tão baixo para prejudicar uma menina. — Conforme falava meu aperto se tornava maior. -Acha mesmo que vou acreditar em qualquer coisa que saia dessa sua boca imunda, porca? Sua brincadeirinha de mau gosto quase custou à vida de duas meninas, o que tem nessa sua cabeça doente, o que passou por ela, que se algo acontecesse com Isabella eu me confortaria em seus braços, acha que encontrei meu pau no lixo sua vagabunda?

- Você está me machucando Edward, me solta. — Ela começou a pedir realmente muito assustada, Carlisle vendo seu desespero segurou meu braço fazendo um pedido mudo com os olhos.

- Presta bem atenção no que vou lhe dizer vagaba, você tem exatos vinte minutos para tirar tudo o que é seu do Studio de ballet, se eu chegar lá e encontrar qualquer coisa sua, eu vou te caçar até fazer você engolir o objeto, seja ela do uso que for, saia daqui e não se dê o luxo de nunca mais pronunciar o nome de qualquer Cullen se quiser viver por mais alguns anos.

Quando já ia soltá-la, minha mãe adentrou o quarto, em seu rosto todo o ódio contido por tudo que aquela mulher tinha feito Alice e Bella passar, ela segurou Tânia pelos cabelos, fazendo sua cabeça inclinar para trás, olhando bem em seus olhos disse de maneira sucinta:

- Saia desse hospital e nunca mais cruze o caminho de nenhuma de minhas filhas porque se não, vou me esquecer que sou uma dama da sociedade e usar tudo o que aprendi em anos de escola militar que nunca precisei usar, suma de nossas vidas sua cadela desclassificada.

Esme arremessou Tânia no corredor do hospital que saiu em disparada, acredito que o recado de minha mãe tenha algum efeito e essa praga suma de nossas vidas pra sempre, olhei para Carlisle que não deixou transparecer nada do que realmente pensava, somente me estendeu as chaves do carro e disse que Emmett e Jasper chegariam no aeroporto em quarenta minutos.

Notas finais
Eu com toda minha cara de pau vou pedir...
Comentem!!!!!