Entre O Céu E O Inferno

14 Capítulo 14 - Dias de Tormenta


Notas iniciais
Meninas não dá pra falar muito que estou no meio da estrada, caminho para Mato Grosso do Sul, prometo que amanhã respondo todos os recados...
Bem vindas leitoras novas...
Vamos lá!!!!

14 – Dias de Tormenta

Naquela noite quando Carlisle chegou em casa me encontrou sentado no sofá da sala com a cabeça entre as mãos, a casa estava em um silencio sepulcral, e eu tentava a todo custo não arrombar a porta do quarto de Bella para lhe implorar perdão.

Carlisle ficou de pé a minha frente ainda segurando sua maleta. — Está tudo bem filho?

- Não. — Eu não queria conversa.

- Onde estão as meninas? — Perguntou ele estudando meu humor.

- Alice, está em seu quarto até segunda ordem, Bella, está trancado no quarto de hospedes planejando uma maneira de sair dessa casa e mamãe, está te aguardando no escritório.

- O que aconteceu dessa vez?

- Vem, eu te acompanho, a história é muito maior do que pudemos imaginar.

- Que história, o que está dizendo?

- Me acompanha e se quiser matar Alice, eu não ficarei contra, ela passou de todos os limites.

Quando Carlisle e eu entramos no escritório Esme estava sentada atrás de sua mesa com as mãos juntas olhando fixamente uma fotografia de todos nós juntos, estava com o olhar perdido com se tentasse lembrar algo.

- Esme, Amor? O que está acontecendo?

- Carl, onde errei na educação de nossa filha? — Esme o perguntou sem focalizar seu rosto ainda olhando a fotografia.

- Que loucura é essa Amor, você jamais errou na educação de nossos filhos, porque está dizendo isso? — Carlisle se aproximou da mesa tocando as mãos de Esme que saiu de seu transe.

Quando Esme começou a contar a Carlisle os últimos acontecimentos da casa ele a olhava como se ela estivesse falando de uma outra pessoa, um ser estranho que não era sua filha, Esme disse que havia lhe pedido o notebook, o celular, o cartão e as contas, que ela estava trancada em seu quarto até segunda ordem que estava somente esperando Carlisle chegar para saber qual atitude tomar diante de tal situação.

O pior foi que Alice não havia nos contado toda a história, entramos em contato com o hotel em que o tal homem estava e não foi somente a cidade que ele abandonou, ele também abandonou esposa e filhos pelas promessas que Alice o fazia em nome de Bella, seu nome era David O’connell, era um homem de aparência estranha como Alice havia dito, mas nada justificava o que ela e Tânia haviam feito ao pobre homem, meu pai quis falar com ele pessoalmente e marcamos de nos encontrar no restaurante do hotel que ele estava hospedado.

David O’connell era um homem de estatura baixa, usava óculos de grau, tinha os cabelos castanhos, a pele amarelada, poderia se dizer que era vietnamita, aparência tímida, mas quando nos identificamos ele pareceu ser outra pessoa, seu olhar calmo se transformou e o que víamos era pura ira, ele queria ver “sua fada” dizia que a estávamos escondendo.

Carlisle perdeu a compostura e em vez de se apresentar como o doutor Carlisle, se apresentou com o General e eu como Capitão, o homem disse que não se intimidaria por nossas patentes, que éramos homens como ele, e que nada o faria regredir a sua decisão de levar Bella para Oklahoma para viverem o seu amor.

Quando disse que o namorado de Bella era eu e que ela nunca havia teclado com ele, foi como dizer que eu era o próprio demônio, ele falou que sabia quem eu era, que ela havia falado de mim, que eu era controlador e que ela queria fugir, pois não agüentava mais sofrer agressões minhas, disse que deveria me envergonhar por levantar a mão a uma flor tão delicada e jovial, que era um monstro e monstros são mortos.

Eu tentava argumentar, mas ele dizia que nada do que disséssemos iria mudar a sua opinião, Carlisle tentou lhe convencer a voltar para sua família, mas ele dizia que ele antes de fazer qualquer coisa precisava salvar “sua fada”, cada vez que ele usava esse termo minha vontade era arrancar sua cabeça, quem ele pensava que era para falar de minha Bella assim?

A discussão durou por horas, Carlisle dizendo que éramos a família de Bella e ele dizendo que queríamos mantê-la em cárcere, disse que nos denunciaria a policia, mas Carlisle foi além.

- O senhor sabe qual é a idade de Isabella?

- Minha Fada tem 19 anos, ela me contou em nossa primeira conversa, tenho todas elas guardadas em meu notebook, posso mostrar e provar que falo a verdade.

- Isabella tem dezessete e é minha namorada, quem teclava com o senhor era a sem juízo da minha irmã. — Falei já alterado. — Eu nunca a privei de nada, se o senhor quiser entramos em contato com ela e ela mesma lhe dirá.

- É claro que ela diria o que vocês quisessem, vocês a ameaça, ela sempre está muito assustada quando nos falamos, ela sempre chora a noite toda.

- Só se chorar de prazer na minha cama. — Falei perdendo toda a compostura.

- Controle-se Edward.- Meu pai advertiu, minha paciência estava no limite, eu daria umas belas porradas nesse idiota.

- Você é demente ou o que? Não estamos dizendo que ela não é a pessoa com quem teclava, já não dissemos que ela pode falar com senhor? O que mais o senhor quer?

- Vou levá-la daqui, e você nunca mais encostará num único fio de cabelo dela, a não ser os que estiverem caídos pelo chão de sua casa.

- Acho melhor o senhor pegar as vossas coisas e se retirar da cidade de Seattle, porque senão indiciarei o senhor por aliciamento de menor, aí quero ver o que o senhor fará na cadeia a mais de 1500 km longe de sua família.

- Eu sou um homem seu moleque, acha mesmo que tenho medo de um fedelho que brinca de guerrinha com seus amiguinhos no quintal?

Meu pai vendo ele me tratar com tamanha arrogância interferiu com ódio nos olhos.

- Preste atenção senhor O’connell, eu posso mandar prender o senhor por desacato.

- Você pode até mandar me prender, mas eu o processarei por abuso de poder seu merda, acha que não sei o que falo, você pensa que está lidando com quem?

- Com um louco, ou pelo menos está se fazendo passar, posso muito bem alegar sua insanidade, e quem iria discutir comigo, um General, então tome mais cuidado ao se referir a meu filho senhor. — Carlisle estava perdendo totalmente a compostura perante aquele homem.

- Eu quero ver minha Fada, quero ter uma conversa particular com ela, sem a interferência de vocês.

- Ela me disse que o senhor a procurou no Studio e que ela já falou com o senhor, lhe dizendo sobre o engano.

- Ela estava assustada, parecia que a qualquer momento iria entrar um louco para atacá-la, ela está desesperada de medo de vocês essa é a verdade.

- Ela estava assustada era com a sua presença, ela nunca ouviu falar do senhor e agora o senhor chega a chamando de Fada, a seus olhos o senhor não passa de um louco.

- Quantos anos têm a menina que segundo o senhor se fez passar pela minha Fada?

- A mesma idade de Isabella, dezessete.

- O senhor não tem controle sobre seus filhos? Como uma garota de dezessete anos pode se fazer passar por outra e não ser punida, na minha terra isso tem nome é falsa identidade ideológica e é crime, posso acionar o senhor judicialmente.

- Quem sabe da educação de meus filhos sou eu, Alice apenas se equivocou ao flertar com o senhor por um site de relacionamentos, e o que um homem casado, pai de família estava fazendo na internet a procura de namorada? O Senhor não se dá ao respeito?

- Eu quero saber se minha Fada está bem, porque então ela não veio com vocês?

- Bella está muito abalada com tudo que está acontecendo, mas se o senhor quiser ouvir da boca dela o que acabamos de dizer eu posso ligar e ela falaria com o senhor.

- Eu quero vê-la aqui,vou esperar apenas por mais 20 minutos, se não os denunciarei ao exército sobre manter uma jovem em cárcere privado.

- Ela não virá, o senhor não se aproximará de Bella.

- Então quer dizer que ela tem um dono?

- Dono? Não, ela tem um homem que a ama e não um merda que na primeira oportunidade abando mulher e filhos e tenta fuder com a primeira ninfeta que encontra na internet.

- Seu linguajar com seus homens também é esse Capitão? Chulo, Grotesco? Posso imaginar como um ser como você trata uma menina delicada como ela. Depois ela está com medo de mim.

- O senhor está me desafiando? Quer que eu lhe mostre porque me tornei um dos mais jovens Capitães do exército americano, eu posso lhe dar uma amostra, mas também posso lhe garantir que não seria nem um pouco agradável.

- Ameaças veladas Capitão?

- Quer que elas se tornem abertas, eu posso dar um jeito nisso.

Carlisle me segurou pelo braço levando-me para um canto do bar do restaurante.

- Filho, chega, não iremos mais gastar uma única palavra com um ser que está se fazendo de idiota, se estamos falando que Bella está segura é porque está. Não iremos cair nessa conversinha de querer ver ela, ele a quer ao alcance das mãos para sumir com ela, será que ainda não percebeu que esse é o plano, será que está tão cego que não vê o plano doente dele?

Quando Carlisle me chamou a atenção para esse detalhe eu pude perceber que realmente, desde o momento que chegamos, ele queria que ela estivesse aqui, ele queria falar com ela pessoalmente, tê-la ao alcance das mãos.

Esse louco ia aprender que com Edward Cullen não se brinca e muito menos com Isabella, se ele queria problemas, problemas ele iria ter.

Fiz sinal com a cabeça chamando meu pai para fora, o homem nos encarava tentando nos intimidar, mas o que ele estava fazendo era assinando seu atestado de insanidade, ele não sabia com quem estava se metendo.

- Hei, onde vocês pensam que vão?

- Embora, viemos aqui para ter uma conversa civilizada com um homem que julgávamos ser uma vitima de um trote de muito mau gosto, mas o que vejo aqui é um idiota querendo se enganar tentando manipular as duas mentes mais brilhantes do exército americano, o senhor sabe o que faço quando estou em batalha? Eu monto esquemas de ataque, monto esquemas de guerra, planos de abordagem e resgate de prisioneiros políticos, sou conhecido no meio de meus homens como “The Phantom” porque não deixo rastros do que faço, então preste bem atenção nesse ultimo recado, pegue suas coisas e deixe a cidade em 03h00min, se não sua família nunca mais terá noticias do senhor, e dessa vez, não é uma ameaça, deixe Isabella Swan em paz e parta antes que eu volte aqui e de um jeito nessa sua arrogância.

- Eu chamarei a policia!

- O pai de Isabella é o Sargento Swan, quem sabe ele também não irá querer bater um papinho de perto com o senhor quando souber que o senhor quer levar sua filha para Oklahoma, eu me interaria melhor das pessoas com as quais o senhor está tentando manipular. Não se esqueça, o senhor tem agora 02h56min para sair da cidade, eu estou contando.

Carlisle e eu saímos daquele restaurante para não surrarmos aquele imbecil ali mesmo, ele achava que estava lidando com quem?

- Ótimo blefe sobre Charlie.

- Ele é um louco, todos iriam rir da cara dele quando ele tentasse pelo menos dar queixa da gente, a cidade toda sabe quem somos, acha que iriam dar credito a um louco como ele?

- Ele está obcecado por Bella, como pode?

- Acho que vou entrar em contato com alguns conhecidos e saber realmente quem é esse cara, quero ter umas cartas na manga se ele não tiver abandonado a cidade no prazo em que lhe dei.

- Vamos para casa, tenho outra pessoa para conversar.

- Espero que ela não te desafie com fez com mamãe.

- Ela fez o que?

Quando chegamos em casa, Carlisle foi falar com Alice e eu procurar meus contatos, a porta do quarto de hospedes ainda estava trancada, quando adentrei meu quarto, logo senti falta de pequenos objetos, como os pijamas de Bella, sua escova de cabelos, procurei pelo closet e o mesmo já se encontrava sem suas roupas, os cremes e sais de banho dela também não estavam mais no banheiro, agora eu entendia o que era realmente estar sozinho.

Sentei-me ao pé da cama sem saber o que fazer, por onde começar, o meu mundo estava caindo e pela primeira vez na vida eu não sabia o que atitude tomar, precisava por meus pensamentos em ordem, mas tudo o que eu queria era poder falar com ela, poder dizer que eu sentia muito por toda aquela confusão, que ela poderia ter confiado em mim, mas ela tinha razão, Alice sempre foi o meu bebê e se ela dissesse qualquer coisa que a difamasse sem que soubéssemos a verdade com certeza ela compraria uma verdadeira guerra com toda a família, ela nos conhecia muito bem.

Ouvi uma porta se abrir e podia jurar que era o do quarto da frente, corri para poder olhar pelo corredor se estava certo, mas dei de cara com Carlisle saindo do quarto de hospedes.

- Ela irá se mudar amanhã. — Meu pai disse com uma voz sem vida. — Eu pedi perdão, mas ela não quis ouvir minhas desculpas, disse que não ficará entre pais e filhos que ela sabe que acabou os bons momentos, ela está sofrendo Edward, de todos os golpes da vida que ela recebeu, segundo ela, esse foi o mais profundo, ela jamais imaginaria que Alice pudesse um dia fazer algo tão mesquinho a ela.

Meu pai passou a mão pelos cabelos, seus olhos estavam vermelhos se não o conhecesse bem, diria que estava chorando.

A impaciência era visível em seus olhos, com certeza ele usou todo seu poder de persuasão sobre Bella, mas não surtiu efeito.

- Ela pediu para lhe dizer que se mantivesse longe de seu caminho, que vocês foram um erro, que ela logo concertaria.

- Bella não pode estar falando sério. Nós... Nós... Nós tínhamos planos... Tudo bem que minha cirurgia os mudou novamente, mas tinhas planos...

- A pessoa que está naquele quarto não é nossa Bella, Edward, é uma mulher fria que não quer ouvir segundas opiniões.

- Mas ela vai ouvir. — Disse isso já seguindo rumo ao quarto de hospedes, Carlisle me segurou pelo braço antes mesmo que conseguisse alcançar a porta do quarto.

- Deixe-a Edward, ela tem todo o direito de se sentir magoada, ferida, ela foi julgada sem ter feito nada, você foi o primeiro a julgá-la, eu posso até morrer pela língua ao te dizer isso, mas aquela menina te ama mais que a ela mesma e saber que você a julgou deve estar lhe matando, ela nunca fez nada para merecer o que lhe aconteceu, apenas foi vitima de duas pessoas sem escrúpulos.

- Você falou com Alice?

- Sim, ela teima em dizer que a culpa é de Bella, que ela não deveria ter se metido, que era somente uma brincadeira que deu errado.

- E o que você irá fazer?

- Mantenho a palavra de sua mãe, também a proibi de sair com outras pessoas, que está tudo bloqueado, nossa viagem foi cancelada por tempo indeterminado e se ela se atrever a me desobedecer irei mandá-la para Londres para estudar num colégio interno e só regressará para casa quando for mulher feita e se eu e sua mãe permitir.

- Mas e quanto a Bella? Você não a fez pedir perdão?

- Bella disse que quer Alice bem longe dela, que para ela Alice não passa de uma pessoa a mais e se ela quiser continuar dançando que procure outro Studio, que ela jamais pisará novamente no dela, o mesmo disse de Tânia.

- Ela disse alguma coisa de mim?

- Somente para ficar longe.

- Meu Deus o que vou fazer sem ela?

- Filho, coloque a cabeça no travesseiro e durma essa noite, ainda está tudo muito recente, amanhã poderemos conversar melhor com os ânimos mais calmos, tente relaxar você ainda não está de alta, precisa se preservar um pouco.

Somente assenti e voltei para meu quarto sozinho, eu queria Bella ali, queria seu corpo colado ao meu a noite toda, queria adormecer sentindo o cheiro de morangos de seus cabelos, de ouvi-la no meio da noite dizer meu nome baixinho em seus sonhos.

Tomei um banho tentando arquitetar alguma coisa para conseguir fazer ela me ouvir, mas nada me passava pela cabeça ao não ser a dor da rejeição.

Quando voltei ao quarto deite-me no meio da cama, pois não encontrava posição, tudo incomodava os lençóis, os travesseiros, o silencio, o escuro que sempre foi tão confortante agora parecia querer me engolir, as cortinas tampando as janelas, tudo está me levando à loucura.

Nem sei que horas eram quando consegui fechar os olhos e cochilar, mas fui acordado com a vibração de meu celular, um numero desconhecido.

- Cullen.

- Edward, pelo amor de Deus eu preciso de ajuda, estamos sendo caçados, alguém está atirando contra nós com um rifle, estamos escondidos dentro de uma gruta próximo a cabana, Elóra está desesperada.

— Mas como isso...

- Não temos tempo para explicações, pelo amor de Deus, tire-nos daqui!!!

A ligação que já estava péssima acabou de cair, eu nem sei que horas era, somente peguei uma calça e uma camiseta em meu closet, calcei minhas botas, Jacob não tinha idéia do inferno que eu estava vivendo, quem precisava ser resgatado era eu.

Quando me dirigia à garagem algo chamou minha atenção. Bella estava sentada na bancada da cozinha com a cabeça encostada em seus braços e pelos movimentos, ela estava soluçando devido ao choro silencioso.

Me aproximei dela, passei a mão por seus cabelos e sem deixar que ela dissesse qualquer coisa falei:

- Eu preciso de você... Eu não sei viver sem você... Me perdoa minha vida...

Ela levantou a cabeça e me fitou nos olhos, seu rosto estava inchado devido ao choro de varias horas, seu pranto aumentou consideravelmente e antes que ela pudesse responder qualquer coisa meu celular tornou a vibrar.

- Cullen.

- Edward, Jacob foi atingido, o atirador está cada vez mais perto, Jake está perdendo muito sangue, pelo amor de Deus nos ajude!!!!

- Elóra? — Bella perguntou.

- Tem alguém perseguindo eles, Jacob acabou de ser ferido...

- O que estamos fazendo parados no meio dessa cozinha? Vamos ajudá-los.

Bella saiu em disparada para a garagem sem nem ao menos me dizer uma única palavra, entrou em seu carro e quando fui protestar ela falou:

- Ou vai no meu ou vai correndo atrás.

- O meu é perfeitamente capaz de chegar até eles.

- Ok. Então vá com o seu...

Bella enfiou o pé no acelerador levantando poeira me deixando sozinho e estático no meio de nosso jardim, quando me aproximei de meu carro percebi que os quatro pneus do mesmo se encontravam rasgados, quem poderia ter feito tamanha maldade a meu carro, tentei pensar em várias pessoas, mas um farol alto bateu em minhas costas e uma voz gritou de dentro do veiculo:

- Vai ficar ai olhando o estrago ou vai a pé mesmo?

- Foi você?

- Acho que no momento não interessa quem foi, anda, levanta daí que tem um louco correndo atrás de uma mulher grávida e um homem ferido.

Abri a porta do meu carro e apanhei um estojo preto com uma de minhas armas que sempre mantive guardado debaixo do banco do passageiro. Cherry, era uma Taurus 9 mm cromada, havia comprado quando retornei pela primeira vez e meu pai foi ameaçado por terroristas.

Dentro do estojo ainda havia dois pentes completos e balas caso precisasse recarregar os pentes.

Bella buzinou impaciente e me joguei dentro de seu carro que já saía novamente jogando terra e cascalho para todos os lados.

Dentro do carro somente se ouvia os pneus rasgando as ruas, nem mesmo nossas respirações eram ouvidas, abri o estojo e quando Bella viu seu conteúdo arregalou os olhos, mas não disse uma única palavra, somente acelerou mais quando saímos do limite da cidade.

Andamos por uns cinco quilômetros pelo asfalto quando pela puxou o carro violentamente para uma entrada a direita, adentramos por uma estrada de terra com buracos e galhos, mas Bella não tirou o pé, ela estava completamente focada no que fazia, seu rosto de menina estava travado em uma mascara ainda marcada pelas lagrimas eu uma agressividade que nunca havia presenciado.

- Faça sua parte a partir daqui Capitão.

- Me aguarde atrás da cabana, chegue lá em silencio, procure fazer o menos de barulho possível.

- O atirador está com que arma?

- Com um rifle de caça.

- Tome cuidado lá, ele também pode te atingir.

Sem pensar em mais nada, puxei Bella pelos ombros e colei nossas bocas, ela tentou resistir, mas logo se entregou ao beijo, nossas línguas se reconheciam, se acariciavam, tinham necessidade uma da outra, o ar começou a nos faltar quebrei o beijo e antes mesmo que ela dissesse qualquer coisa eu já estava correndo por entre as arvores.

Ouvi o som de um tiro vindo do sul e segui o barulho, logo avistei o atirador, um homem, com mais ou menos a minha estatura, também notei marcas de sangue nas arvores, provavelmente de Jake tentando fugir.

Ele me disse que estava em uma gruta próximo a cabana, o que queria dizer que eu não estava tão longe, o atirador atirou mais uma vez então pude me localizar melhor.

Quando levantei minha arma para atingi-lo, percebi um movimento a sua frente, ele engatilhou novamente o rifle e antes que ele disparasse o acertei na altura da cintura o derrubando no chão, ele jamais imaginaria que teria alguém em sua retaguarda.

Ouvi um grito e pelo timbre só podia ser Elóra.

Aproximei-me lentamente do homem caído, virando seu corpo e lhe tirando a mascara que só apareciam seus olhos, seu rosto não era conhecido, mas logo eu saberia quem era com toda certeza.

- Então quer dizer que estava tentando matar duas crianças. Tsc... Tsc... Tsc... Devo lhe informar que está mirando o verme errado, quem lhe mandou aqui?

- Vá pro inferno. — Ele gritou se contorcendo de dor.

- Não companheiro, quem vai para o inferno se não começar a abrir a boca é você. Quem te mandou aqui?

- A mulher não me disse o nome, somente me enviou metade do pagamento e disse que queria a jovem morta, que assim que cumprisse minha missão ela pagaria o restante.

- Algo me diz que você sabe de mais alguma coisa. — Cutuquei com a ponta da minha bota o ferimento em suas costas.

- Bastardo, desgraçado, eu vou lhe estourar os miolos, filho da puta. — Ele gritava ainda jogado no chão.

- Quem vai abrir sua cabeça com um tiro e jogar seu corpo numa vala sou eu se você não abrir a porra da sua boca para me dizer quem foi que lhe enviou, seu merda, acho que tenho medo de um bosta como você? Quem foi o mandante anda? — Chutei novamente o ferimento, o homem urrou de dor soltando mais impropérios, ele iria morrer esgotado ali no chão.

Percebi que os galhos secos próximos a nós estavam estralando sinal que alguém caminhava por perto, mirei a arma em sua cabeça e perguntei firme:

- Quem mais está com você?

- Estou sozinho. — Disse ele aos sussurros.

Abaixei-me mais junto a seu corpo o segurando pelos cabelos tirando seu rosto do chão e disse num tom ameaçador:

- Se eu tiver qualquer surpresa, seu corpo irá voltar para casa esquartejado, então não banque o engraçadinho.

- Eu trabalho sozinho, estamos no meio do mato, pode ser algum animal...

Percebi que logo ele perderia a consciência, soltei seus cabelos e seu rosto se chocou contra o chão.

Procurei pela área por alguma pessoa escondida em meio as arvores, imaginando que aquele verme pudesse estar me escondendo algum comparsa, mas não havia sinal de mais ninguém.

Continuei procurando pelas arvores por alguém escondido quando vejo três corpos, dois menores e um maior.

Os menores apoiavam o maior e logo deduzi que Bella encontrou Elóra e Jake e os estava levando para a cabana, olhei mais uma vez para o corpo caído aos meus pés e me perguntei o que faria para socorrer o homem que já havia perdido tanto sangue, em outras circunstancias eu o deixaria morrer esgotado ali mesmo, mas precisávamos da confirmação de quem foi o mandante, minha intuição dizia ser Meredith Dier quem mais teria interesse de matar Elóra?

Me dirigi até a cabana e quando cheguei, Jacob estava sentado no sofá com a mão na perna direita toda ensangüentada tentando fazer um torniquete com um pano de prato tentando estancar o sangramento, Bella estava no quarto com Elóra e tentava fazê-la se controlar.

- Preciso ver seu ferimento Jacob, para poder te ajudar melhor.

Jacob já havia perdido tanto sangue que estava mais branco que papel, sua testa toda suada denunciava que logo ele entraria em choque, precisava socorrê-lo logo, se não ele morreria sentado naquele sofá.

- Bella, Elóra, temos que sair daqui, Jacob precisa de um hospital, seu ferimento está sangrando muito.

Bella chegou até a sala, arrastando Elóra que tinha sua mão firmemente posicionada sobre seu ventre já bem aparente.

- Ela está entrando em trabalho de parto, está com muita dor, temos que socorrê-la ou ela perderá a bebê.

- Desta vez eu dirijo, você vai com Elóra atrás e Jacob vai ao meu lado. Onde está o carro?

- Atrás da casa como me instruiu.

Levantei-me do sofá peguei Elóra em meus braços e caminhei apressado até o carro, Bella me seguiu e foi abrindo a porta traseira para que eu colocasse Elóra e também entrou no carro.

Voltei para cabana e joguei Jacob sobre meus ombros o levando também até o carro, Bella tentava fazer Elóra controlar as contrações pela respiração, mas ela estava completamente apavorada.

Se Bella tinha pisado fundo na ida, agora era minha vez de sair rasgando o caminho, Bella entrou em contato com doutor Sherman, já passando o estado de Elóra e lhe dizendo onde estaríamos, logo depois ligou para Carlisle e pediu que também fosse até o hospital para socorrer Jacob.

Quando chegamos ao hospital, duas enfermeiras já nos aguardavam para encaminhar cada um para o socorro devido, meu pai e doutor Sherman chegaram no mesmo instante, cinco minutos depois de nós.

- Edward, mais alguém está ferido?

- O atirador que estava caçando eles, está no meio da floresta, socorri Jacob e Elóra primeiro, vou chamar a policia e pedir que se responsabilizem por ele.

- Você o matou?

- Não, só está ferido, um tiro na altura da cintura, acredito que eu tenha o aleijado.

Carlisle e doutor Sherman sumiram pelos corredores do hospital e novamente estávamos somente Bella e eu, um silencio desagradável e pesado se instalou entre nós e disfarçadamente ela se levantou para pegar um copo de café.

- Obrigada por me ajudar essa noite, você foi de suma importância.

- Fiz por Jacob e Elóra, não por você.

Deveria ter ficado calado porque aquelas palavras me feriram de uma maneira sem igual, somente assenti.

O tempo foi passando e nada de noticia dos dois, ninguém entrava, ninguém saia, o dia já estava amanhecendo, no meio da madrugada policiais apareceram por lá querendo maiores detalhes do ferimento do atirador, lhes contei o ocorrido dizendo que minha arma era registrada, que havia atirado em defesa de outrem que sabia muito bem o que estava fazendo e que o próprio atirador me confessou que tinha a intenção de matar Elóra Dier a mando de uma mulher.

Os policiais tomaram meu depoimento e de Jake que lhes relatou que estavam na cabana quando Elóra ouviu passos, disse também que só conseguiram fugir por causa da insônia da mesma devido a gestação, se não teriam sido mortos dormindo, quando abandonaram a cabana o atirador entrou arrombando a porta do quarto.

Depois disso Jacob foi sedado e ainda estava dormindo, passaria por uma cirurgia pela manhã, Elóra deu a luz Claire as 05h00min da manhã mesmo os médicos tentando de tudo para que a criança permanecesse no ventre da mãe, a menina passaria algum tempo na incubadora até ganhar peso e tamanho, pelas contas dos médicos de dois a três meses, até poder ter maior resistência e ir para casa, nesse momento Bella estava com Elóra e eu sozinho no corredor aguardado noticias de qualquer um.

Era 08h00min quando meu pai apareceu no corredor e sentou do meu lado, estava abatido por ter passado o resto da noite acordado, doutor Sherman logo se juntou a nós nos convidando para uma xícara de café na cantina do hospital, talvez um café conseguisse manter meus olhos abertos.

- Como está Elóra doutor?

- A menina está bem, mas já não posso dizer o mesmo de Claire, ela nasceu extremamente pequena, debilitada, se sobreviver será um verdadeiro milagre, o que eu pude fazer já fiz, agora somente Deus.

- Compreendo. E Jacob papai?

- Está em cirurgia, doutora Cally está com ele, é uma ótima ortopedista, tenho certeza que logo estaremos todos em casa. Onde está Bella?

- Com Elóra...

- Achei que tinham se entendido já que ela estava com você.

- Quando estava saindo para socorrer Jake e Elóra, ela estava sentada na bancada da cozinha, ela ouviu a ligação de Elóra e não pensou duas vezes em correr para ajudá-los, mas antes de sairmos percebi que meu carro estava com os quatro pneus rasgados, acredito que tenha sido ela.

- Você perguntou?

- Ela disse que naquela hora não importava.

- Se fosse sua mãe ela teria destruído o carro todo não só os pneus.

Olhei para o rosto de meu pai e sua tentativa de fazer graça, não funcionou, lembrei-me de O’connell e do tempo que havia lhe dado.

- Alguma noticia de O’connell?

- Até o momento que sai de casa nenhuma novidade.

- Vou entrar em contato com Justin, ele me deve alguns favores.

- Tem certeza do que vai fazer filho, Justin é um homem perigoso.

- Justin é um louco que monta e desmonta bombas e tem um super esquema de identificação de pessoas pai, de perigoso somente seus experimentos.

- Justin perde facilmente a cabeça, ele não sabe se controlar e tem mania de perseguição, ela já feriu vários homens...

- Não me interessa o que ele fez, o que me importa que ele possa descobrir alguma coisa que me faça por aquele verme em seu lugar e deixar Bella em paz.

Me levantei e sai caminhando pelos corredores já com o celular em punho para ligar para Justin, no segundo toque ele atendeu...

Notas finais
Comentem muuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiitttttttttttttttooooooooooooooo!!!!!