Entre O Céu E O Inferno
12 Capítulo 12 O inesperado
Notas iniciais
12- O inesperado
Acordei por volta das 07h00min da manhã, teria que organizar tudo para Jacob e Elóra, precisava fazer tudo sem levantar nenhum tipo de suspeita, primeiro iria fazer compras para abastecer a cabana, depois limparia tudo e somente a tarde buscaria eles, deixaria as meninas na escola e retornaria mais ou menos as 15h00min para levá-las ao ballet, também precisava saber o resultado que deu a analise de meu ferimento, Bella me contou na noite passada que estava escurecendo ao redor, isso podia se tornar preocupante.
- Hora de acordar meu sol. — Disse beijando a nuca de Bella. — Tem que ir a escola.
- Bom dia meu amor. — Bella disse esfregando os olhos. — Vou te ajudar com a cabana hoje, não vou à escola.
- Amor, precisa ir, se não vamos começar a levantar suspeita, ontem já não foi ao ballet, hoje não vai à escola, não podemos deixar pontas soltas, prometo que eu volto para te levar ao ballet e depois buscamos Jacob e Elóra juntos.
- Será que já encontraram o carro? — Bella perguntou com o pensamento longe.
- Pelas minhas contas devem ter encontrado o carro ontem à tarde, mas o motorista e os seguranças, esse eu acho que ainda estão perdidos.
- Será que a mãe de Elóra já não colocou a policia no caso?
- Precisa ter 24h00min de desaparecido para policia intervir, mas Elóra sendo uma Dier, acredito que sim.
- Será que conseguiremos fazer esses dois finalmente ficarem juntos para poderem cuidar dessa criança?
- O doutor Sherman levaria um policial para colher o depoimento de Elóra sobre o caso, posso estar muito enganado, mas se Jacob disser que assumirá a criança que ainda não nasceu, ele passa também a ser responsável por Elóra por ela ser menor.
- Está me dizendo que Elóra poderia ganhar sua emancipação?
- Se o pai não aparecer para contestar a guarda, é bem provável.
- Queria tanto ver a cara de Meredith quando a sociedade souber a verdade sobre essa cobra.
- Ela tentará de tudo para disser que a estamos difamando, o problema vai ser ela conseguir provas.
- Aquela mulher é louca, não tem outra explicação, Elóra não seria a primeira e nem a última adolescente grávida, ela ainda é uma das poucas que tem o apoio do pai da criança.
- Para Meredith, tudo é dinheiro, não percebe, ela está fazendo todo esse estardalhaço porque Jacob é pobre, aos seus olhos, porque Billy é dono de 70% das terras de La Push.
- Como assim?
- Billy tem uma vida simples por escolha Bella, mas Jacob fez Harvard, ele não fez qualquer faculdade, Billy poderia ser dono de toda Forks se para ele fosse interessante, mas suas raízes estão em La Push.
- Você está tentando me dizer que, aquele homem em uma cadeira de rodas, com sorriso fácil e vida simples é milionário?
- E qual a surpresa amor, você também não?
- Mas no meu caso é diferente, meu avô era o milionário.
- Os avós de Billy caçavam cavalos selvagens para domar e venderam ao exercito, a fortuna dos Blacks vem de longa data amor, a verdade é que todos eles sabem como fazer essa fortuna aumentar a cada geração.
- O que Billy fazia da vida?
- Billy é arqueólogo, parece bobo não, mas ele encontrou relíquias das tribos indígenas que viveram por aqui, ele mesmo tem um monte de coisa que seus avós fizeram, segundo Billy, sua casa está construída sobre uma enorme reserva de dinheiro, mas a verdade é que ele nunca revelou o que era.
- Se Billy tem tanto dinheiro assim, porque não ajudou o filho?
- Jacob não quis a ajuda do pai, ele acha que o pai precisa muito mais desse dinheiro para criar as meninas que estão vindo por aí do que ele, fora que Jake também tem profissão, ele pode se sustentar sozinho.
- Posso não conhecer Jacob desde criança, mas estou cada vez mais surpresa com a alma gentil dele.
- Eu sempre disse que Jacob tinha um alma brilhante, eu sabia que em toda essa história tinha algo errado, eu não me enganaria tanto assim com ele.
- O que pretende fazer agora?
- Levarei vocês à escola, depois irei fazer compras para ir até a cabana limpa-la e quero estar aqui para levá-la ao ballet.
- Queria tanto ir com você. — Bella disse se aconchegando em meu colo. — Você não pode se esforçar muito, seu ombro ainda está ferido, tem certeza que não quer que eu vá com você?
- Tenho, quero minha menininha estudando e protegida, eu vou buscá-la mais tarde prometo.
- Eu não quero deixar você.
- É só por poucas horas, eu também não queria ter que deixar você.
Bella não saiu do meu colo, parecia até querer ficar ali pra sempre, mas o tempo estava passando e logo estaria atrasada para o colégio, eu tenho que aprender a dizer não a ela às vezes, mas é tão difícil, ela se mostra tão desprotegida, e eu como tonto caiu tão fácil, é podem dizer, nas mãos dela eu sou um babaca.
Deixei Bella e Alice no colégio era por volta das 08h00min e fui para o hospital, antes de qualquer coisa precisava de algumas respostas de Carlisle.
- Vou começar a cobrar. — Disse meu pai quando me viu sentado na maca em seu consultório.
- Encaminhe a conta para a base de Washington, aos cuidados do General.
- Está ficando abusado Capitão.
- Quem começou foi você.
- Diz, o que é dessa vez, tem certeza que não pode esperar chegar em casa?
- Já recebeu o resultado do exame que fez da pele do meu ferimento?
- Não, por quê?
- Bella me disse que meu ferimento está ficando escuro, o do peito está secando, mas o das costas parece estar cada vez pior, isso está começando a preocupar.
- Deixe-me ver.
Tirei a camiseta que usava, Carlisle olhou, depois colocou suas luvas e tocou o lugar de meu ferimento, usou uma luz para ter melhor visão, passou o mesmo liquido da outra noite porque ardia horrores e tampava minha respiração como na noite que passei mal em casa.
- Senti alguma coisa?
- Não, pra mim está tudo normal.
- E agora?
- Hã? Não entendi, o que está fazendo de diferente?
- Estou enterrando uma pinça na ferida, com uma ponta de mais ou menos 3 cm de comprimento, não senti nada?
- Não. O que isso quer dizer?
- Você está tendo febre?
- Não.
- A carne envolta do seu ferimento morreu, a superfície está clara mas o fundo a carne está necrosando, ao invés de estar ao olhos, está por baixo da pele.
- Uma infecção?
- Não, acredito que possa ser um micróbio de areia, quando seus homens te socorreram provavelmente te arrastaram no chão o que pode ter feito seu ferimento entrar em contato com o micróbio. Edward, preciso abrir novamente para ver qual a extensão do dano o mais rápido possível.
- À noite, agora tenho que terminar a missão Jake.
- Parado onde está Capitão. Ou fazemos essa micro-cirurgia agora ou pode perder parte dos músculos das costa, estou falando sério Edward, não tem como esperar mais.
- Mas ainda nem recebeu o resultado da biopsia, como pode ter tanta certeza do que se trata?
- Eu vi muitas coisas acontecendo lá Edward, eu sei do que estou falando e cada segundo mais esse micróbio come mais ainda sua carne a apodrecendo.
- Eu prometo que venho depois das 18h00min.
- O que irá fazer até essa hora?
- Tenho uma cabana para abastecer e limpar, tenho duas meninas para levar ao ballet e depois estou livre exatamente as 18h00min.
- Sua mãe abastece e limpa a cabana, é a de Sherman?
- Sim...
- Já passamos alguns dias lá, ela sabe muito bem como chegar, as meninas eu posso mandar alguém pegar, por exemplo Dimon, ele era motorista de Bella e agora trabalha aqui no hospital conosco, pronto tudo resolvido, agora, quero que tire essa calça, e fique somente de cueca, coloque um jaleco do hospital e me aguarde, volto em vinte minutos, e nada de gracinhas se não quando eu te encontrar eu arranco suas bolas.
- Tudo bem General, sem gracinhas.
- Antes de ir buscar os instrumentos deixe-me avisar sua mãe.
Carlisle pegou o celular no bolso de seu jaleco e logo estava falando com Esme.
- Amor, preciso de sua ajuda para domar Edward.
- Como assim Carl, o que ele fez dessa vez?
- Ainda nada, mas diagnostiquei que o ferimento de suas costas é um micróbio e preciso fazer uma micro-cirurgia nele, mas o teimoso está dizendo que tem que fazer N coisas, então preciso de sua ajuda, amor.
- Estou chegando amor, só aguarde mais alguns minutos.
Carlisle desligou o telefone já olhando pra minha cara. — Ponto pra mim Capitão, quer que avise mais alguém, talvez Bella? — Dizia ele todo irônico.
- Quero que avise a Jacob que não irei buscá-los, para que ele vá para cabana que vejo o que faço amanhã com meu carro, peça se ele tem alguma noticia da mãe de Elóra, se ela já está à busca deles. Se ele souber de alguma coisa e achar arriscado, mande-os ficar onde estão e a noite mudaremos os planos. — Estiquei meu celular para meu pai já chamando o numero de Bella.
- Alô!!!
- Senhor Black? Aqui é da policia, quero lhe informar que o senhor está preso por seqüestro.
- O... O... Que??? Quem está falando, não conheço nenhum senhor Black.
- Presta a atenção moleque, se você não for Jacob o que faz com o celular de minha filha mais nova?
- Quem está falando?
- Tio Carlisle sua anta, quem mais?
- A polícia... Se eu não te amasse tanto velho eu te mandaria para aquele lugar, como acha que estou me sentido?
- É só pra ficar esperto. Olha, Edward não vai poder buscar vocês porque ele vai passar por uma micro-cirurgia e pediu para que você venha para a cabana, ele também perguntou se está tudo certeza, se você se sentir confiante é pra vir, do contrario permaneçam no hotel e vocês se falam a noite.
- O que Edward tem? É o ferimento?
- É Jake, na verdade é um micróbio que não está deixando cicatrizar, depois dessa tenho certeza que esse sofrimento pelo menos estará resolvido.
- Tudo bem então tio, falo com esse louco a noite, e lhe diga que iremos para a cabana antes que algo mais aconteça, prefiro sair daqui.
- Quero conhecer a menina, filho. Também quero ver como ela está.
- Doutor Sherman veio ao hotel agora a pouco e trouxe um policial com ele, denunciamos a mãe de Elóra. Ele disse que vai nos visitar na cabana todos os dias no final da tarde até achar que Lóra poderá sair do estado, vá com ele.
- Tia Esme limpará e arrumará tudo para chegada de vocês, não se preocupem, somente Edward que saiu do esquema.
- Mande esse louco se cuidar que ainda temos muito que aprontar antes dele voltar para aquele inferno.
- Pode deixar que eu mesmo cuido Jake, e até a vista.
Carlisle desligou o celular e sem me dizer nada saiu da sala, tirei a calça como ele disse e coloquei aquele jaleco horroroso que deixa a bunda da gente de fora, o coisa mais desconfortável, quando ele retornou, entrou com minha mãe e duas enfermeiras, uma delas me sedou e a outra veio ver quais instrumentos meu pai iria usar, as duas ficaram olhando pra minha bunda, se Bella estivesse aqui teria morrido do coração.
Algum tempo depois me sentia sonolento minha mãe se aproximou da maca passando a mão por meus cabelos que estavam compridos - nota mental: cortar os cabelos - Ela me dizia algo, mas eu já estava tão longe que não ouvia nada.
- Mãe busca a Bella... — Essa foi a ultima coisa que me lembro de pedir.
Havia um bip longe... Muito longe... Mas, era irritante do mesmo jeito, minha cabeça estava pesando uma tonelada e minha boca estava completamente seca, eu estava com frio e... SEM ROUPA!!!! Aí meu Deus, o que fizeram comigo?
Abri meus olhos e estava sozinho num quarto que eu não conhecia, onde será que estavam todos, as cortinhas estavam fechadas e eu não conseguia escutar nada, a não ser o maldito do bip, quem colocou esse inferno aqui?
Tentei me levantar, mas uma tontura me fez recuar e deitar novamente, parecia que eu tinha tomado um porre como fiz numa festa aos quinze anos, será que eu ainda estava anestesiado, mas onde estavam todos, porque me deixaram sozinho, não era só uma micro-cirurgia?
Fiquei deitado naquela cama nem consigo imaginar por quanto tempo, pensei em toda a minha vida, em como vim parar nesse lugar, lembrei-me de Bella, a menininhas dos cachos castanhos, tímida, e da mulher que dormia em meus braços, lembrei de minha mãe grávida de Alice e de Alice já tão grande trilhando sua própria vida, meu pai... Aquele sim havia mudado com o tempo, ele ficou mais suave, permitia brincar com a vida, permitiu que eu soubesse como é a sua vida, apesar de tudo, ele havia se curado do mal que a guerra o fez.
Pensei em meus companheiros, imaginei como eles estariam, me perguntei por que Jasper estaria retornando com Emmett, o que aconteceu? Será que ele também se feriu?
E Jacob, será que já teria ido até a cabana? Será que estavam seguros?
E porque ninguém vem desligar esse maldito bip?
Foi se passando o tempo eu já deveria estar acordado há mais de duas horas, comecei a contar os bips, se não pode contra o inimigo junte-se a ele, a única coisa que pude perceber é que ele às vezes ficava mais espaçado, o que queria dizer que meu coração estava batendo mais lento, mas porque ninguém entrava no quarto, onde será que eu estava? Eu ainda não sentia meu braço esquerdo, o que significava que ainda estava anestesiado, mas por quê?
Era somente uma micro-cirurgia, meu pai não mentiria pra mim não é? Aquilo estava me deixando nervoso, porque eu estava sozinho? Onde estava minha mãe que com certeza não sairia do meu lado por nada, e porque ainda ninguém entrou nessa merda desse quarto?
As horas iam passando e não havia nada por perto para que eu pudesse chamar uma enfermeira ou alguém, eu estava faminto, não sabia que horas eram, mas algo me dizia que era tarde, minha ultima refeição foi o café as 07h20min.
Outra maquina pregada a meu braço começou a apitar também, o que era aquilo, concurso de que aparelho incomoda mais? Esse bip era mais continuo como se alertasse que estava aplicando algo, e logo pela sonolência pude perceber que tinha razão, não consegui deixar meus olhos abertos por mais nem um minuto e novamente adormeci.
Comecei a sentir um toque suave em meu rosto, uma mão gostosa em meus cabelos, ouvia uma voz longe me dizendo para eu abrir os olhos, que sentia falta deles, um cheiro... E ela estava ali... Minha Bella...
Tentei forçar meus olhos a se abrirem, tentei falar alguma coisa, mas não consegui, minha mente não obedecia, pelo tom de sua voz ela estava chorando, eu tentava dizer que estava acordado que a estava ouvindo, mas por mais que me esforçava, não conseguia abrir nem os olhos, o bip que não era mais nem tão incomodo começou a ficar mais rápido, ela me pedia para ficar calmo mesmo eu ainda estando de olhos fechados, ela falava baixinho para eu me manter calmo, que logo ela estaria ali de novo.
Como assim? Ela estava indo embora? Não! Não! Bella volte aqui! Tentei gritar mas não conseguia, o bip foi ficando cada vez mais alto e comecei a ouvir vozes alvoroçadas, alguém pedia para aumentar a dose de medicamento, meu pai pediu para que Bella se retirasse, o que estava acontecendo? A única resposta que tive foi tudo ficando cada vez mais longe e novamente a inconsciência.
Estava frio, tão frio que meus dedos do pé e da mão doíam, eu sabia que tinha algo sobre mim, mas o que era? Não estava me aquecendo, estava tudo muito quieto até mesmo o bip havia sumido, o que aquilo queria dizer, tentei abrir meus olhos, mas a luz os incomodava então os fechei novamente para tentar reabrí-los dessa vez devagar, respirei fundo, tudo bem o cheiro era de hospital, o que significava que eu ainda estava internado, mas não estava no mesmo quarto, a porta se abriu lentamente e vi minha menininha se aproximar da cama, por a mão em minha cabeça e sorrir.
- Boa noite, meu dorminhoco. — Ela me deu um leve beijo nos lábios e quando fui tentar me virar ela protestou. — Não, não, não... Fica assim quietinho, não pode mexer, sei que deve estar incomodando, mas não pode mexer.
- O que aconteceu? — Finalmente consegui perguntar.
- Agora está tudo bem, seu pai precisou aumentar a área da cirurgia, o que deixou de ser micro e passou a ser completa.
- Faz quanto tempo que estou aqui? — Falava lento, arrastado, com a voz de quem realmente dormiu demais, Bella fazia um carinho gostoso no meu cabelo e quando ela passou a mão por meu rosto pude perceber que também estava barbudo.
- Faz quinze dias amor.
Como assim quinze dias, ela estava de brincadeira só podia, era uma cirurgia pequena o que me levaria a ficar internado quinze dias desacordado?
- Porque tanto tempo? — Minha voz ainda continuava carregada, enrolada. — Cadê o bebê?
- Bebê, que bebê, a Alice? Ela está na recepção com a sua mãe elas acabaram de sair para tomar um chocolate quente, estávamos todos esperando você acordar.
- Não estou falando de Alice e sim o que tive, para ter que ficar tanto tempo aqui, meu parto deu errado. — Disse tentando fazer graça.
Bella sorriu com a gracinha o que significava que tinha dado certo, ela continuava a fazer um carinho gostoso em meus cabelos, uma enfermeira entrou trazendo uma bandeja com minha comida e para o meu desagrado era sopa. Bella andou até a porta e pediu para que ela trouxesse alguns pães, tenho certeza que ela tentaria salvar meu jantar, quem em são consciência oferece sopa para uma pessoa que está há quinze dias sem ingerir nada?
- Edward, filho finalmente... — Minha mãe entrou pelo quarto, logo atrás dela Alice, trazendo um copo de chocolate para Bella.
- Cara, se toda vez que você vir ver o papai no hospital ficar quinze dias internado, vou mandar montar uma clinica lá em casa.
- Eu achei que Bella estava zoando quando disse que fiquei desacordado por quinze dias. — Novamente tentei me levantar e dessa vez quem me impediu foi minha mãe.
- Você terá que ficar assim por enquanto, ou então de bruços, seu pai vai lhe dar maiores detalhes.
- Qual foi o tamanho da área que ele tirou?
- Na verdade amor, o problema não é a área, é a profundidade que estava o micróbio.
- E o que isso tem demais?
Nesse momento meu pai abriu a porta e entrou com uma cara exausta, parecia que enquanto eu dormia, ele ficou acordado, na verdade, reparando bem, todos, eu podia jurar que Bella perdeu peso.
- Então finalmente resolveu abrir os olhos Capitão?
- Mas, parece que quem vai fechar os olhos a qualquer momento são vocês? O que realmente aconteceu?
- Olha filho, são 03h20min da manhã, sua mãe e sua irmã deve estar mortas querendo ir para casa, porque não falamos amanhã?
- Porque eu acordei agora. Estou tentando entender o que está acontecendo.
- Amor, eu te conto, mas antes tente comer um pouco.
- Eu vou ficar com você filho.
- Nada disso tio, o senhor está esgotado, assim com tia Esme e Alice o senhor irá para casa e só voltará depois do almoço amanhã. Eu cuido do Edward, se ele ficar teimoso eu peço para que as enfermeiras o mediquem, vá descansar.
- E quanto a você? Também está cansada, não foi embora desse hospital nem um dia se quer, não eu fico, vocês vão.
- Não. O senhor vai, eu fico. E assunto encerrado, não vamos começar a discutir, por favor.
- Escute aqui mocinha...
- Escute aqui o doutor, eu não sairei desse hospital sem Edward, se quer ficar eu até posso entender, mas eu não irei embora, o que faz de nós duas pessoas para dormir nesse sofá que pelo tamanho cabe somente meu corpo, o que significa que terá que dormir no chão. E aí qual vai ser a escolha, dormir no chão depois de quinze dias bem se dizer acordado, ou ir para casa e dormir em seu colchão confortável?
- Olha aqui moça, eu já precisei dormir enterrado na areia, não seria uma noite no chão que me faria morrer.
- O senhor dormiu enterrado na areia há quase vinte anos, se prestar bem a atenção está um pouco mais velho! — Bella enfatizou bem a palavra, velho.
- Chega, os dois!!! — Como sempre minha mãe, Santa Esme desatadora dos nós para por fim na briga.
- Carl, Bella tem razão, você está acordado há quase quinze dias, vamos para casa. Isabella dobre a língua para falar desse jeito com seu tio, ele não está velho.
- Desculpe... — Vimos uma Bella toda envergonha pedir com a cabeça baixa. — Mas eu fico.
Algum tempo depois que minha família havia se retirado, comecei a reparar em Bella, seu rosto estava um pouco mais fino, os dedos das mãos quando passavam por seus cabelos também pareciam estar mais finos, seus olhos estavam fundos e sua pele mais branca que o normal.
- Vai me dizer o que aconteceu para eu ficar quinze dias dormindo ou vai esperar meu pai chegar?
Bella suspirou e se aproximou da cama lentamente passando a mão por minha barba e meus cabelos.
- Não faz muita pergunta por que eu não saberei responder então seja bonzinho, ok?
Assenti com a cabeça esperando que ela começasse a dizer o porquê fiquei desacordado todo esse tempo, ela parecia pensar por onde começar, ela se abaixou na altura de meu rosto, cruzou as mãos sobre a cama e descansou o queijo ali olhando-me profundamente.
- O micróbio que estava em seu ferimento se alimenta de sangue, é uma espécie rara, é encontrado muito nas areias e se desenvolve muito rápido, mas no seu caso ele demorou, ele ficou “encubado” por todo esse tempo, por isso a falta de febre, de dor, aparentemente ele começou o seu estrago há três dias antes de repararmos que seu ferimento havia mudado de cor.
- Foi isso que fez meu pai tirar uma área maior?
- Foi. O micróbio se aprofundou e estava próximo aos pulmões. O que era para ser micro se tornou urgente e de risco, estavam cogitando ter que tirar um de seus pulmões com medo que o micróbio já os tivessem atingido.
- Mas eu não sentia nada, como pode ter acontecido isso?
- Eu não sei amor, tudo o que sabemos é que quando começasse a sentir alguma coisa, poderia ser tarde demais. — Bella passou o dedo indicador por meus lábios desenhando-os. — Você precisa ficar nessa posição ou de bruços porque a cirurgia precisa ficar aberta, não pode ser fechada, precisa se curar de dentro para fora, esse foi o motivo para te sedarem por todo esse tempo, eles precisavam manter aberta e em um lugar isolado, você ficou na UTI por todos esses dias, somente veio para o quarto depois de todos os exames mostrarem que você estava curado, que não havia mais sinal de infecção ou outra coisa que pudesse piorar o seu quadro.
- Eu prefiro ficar de bruços, meu braço já está dormente.
- Vou chamar uma enfermeira para te virarmos, não se mova, por favor...
Tinha algo há mais nessa história, Bella estava muito pálida para ser só isso, ela me falara a verdade, mas existia algo que ela não disse, o que seria?,
Minutos depois chegou Bella e a enfermeira, chamava-se Charlotte e nos ajudaria durante a noite, uma senhora negra muito simpática, sempre sorrindo, acho que quando fosse para casa se precisasse de cuidados pediria para ela me acompanhar, ela fazia eu me sentir melhor.
Ela e Bella ajudaram a me sentar sem encostar em nada, Bella me deu a sopa na boca e disse que não daria os pãezinhos porque era a minha primeira refeição depois de dias, tinha que ser leve, toda vez que levava a colher até meus lábios um sorriso aparecia em seu rosto.
- Eu devo estar parecendo um monstro, cabeludo, barbudo e provavelmente com olheiras. — Comentei enquanto ela me alimentava.
- Meu monstrinho lindo. — Ela disse sorrindo acariciando meus cabelos e depois depositando um beijo em minha face.
- Vai me dizer o que está acontecendo ou vou ter te forçar?
- Eu já te disse tudo amor, do que está falando?
- Estou falando de sua perca de peso, seus olhos fundos, sua pele pálida mais que o comum... É disso que estou falando. Alguma coisa errada? Eu posso estar debilitado, mas ainda não morri e nem fiquei cego Bella.
- Vamos fazer assim... Depois que você estiver melhor a gente conversa, eu te conto tudo prometo.
- Então tem alguma coisa?
- Digamos que sim...
- Bom ou ruim?
- Para mim é desesperador.
- O que Charlie fez dessa vez?
- Como sabe que foi Charlie?
- Seu desespero tem nome amor, Charlie Swan.
- Ele ateou fogo a casa em que eu morei minha vida toda, ele queimou tudo o que era de Renée e não fez o mesmo com o Studio porque os bombeiros foram mais rápidos, ele está sumido novamente.
- Mas não é só isso, não é mesmo?
- Não... Não é só isso...
- Eu ainda posso ouvir amor, agora posso não ir lá dar umas belas bifas naquele ordinário, mas assim que eu puder eu farei, se a culpa não for dele então eu vou atrás do responsável pelo seu sofrimento e mato ele.
- Acho melhor você pensar melhor em matar a pessoa que está me causando esse sofrimento, já passou pela sua cabeça que pode ser você?
- Eu!!! Como se eu estive em coma por... — Não precisei terminar a frase, Bella estava daquele jeito por minha causa e não porque Charlie ateou fogo a casa. — Me perdoa Vida, eu sou mesmo um idiota. — Disse pegando em suas mãos e as beijando.
- Por favor, Capitão, não faça mais isso comigo... Não há nada nesse mundo que doa mais que imaginar que possa perder você, quando entrei naquele quarto que eu pude apenas te ver dormir eu me achei um nada, que estava perdendo meu único amor pelos vãos dos dedos, eu não sou forte para suportar te perder amor, eu não saberei mais viver sem ter você, então por favor, que seja a última vez que temos que passar por isso... – Bella pedia com lágrimas silenciosas escorrendo por seu rosto. — Eu não queria enfrentar seu pai, mas eu não podia te deixar aqui e ir embora, eu tenho que olhar seus olhos por todo o tempo que você conseguir mantê-los abertos, eu preciso ter certeza que eu não terei mais que vê-lo naquele quarto frio, por favor, amor...
- Eu juro a você Vida, que será a ultima vez, eu vou me curar e nunca mais iremos passar por isso, acabou, acabou os sustos.
Bella repousou sua cabeça próxima a minha e selou nossos lábios, somente agora eu pude perceber a falta que aqueles lábios me faziam, como eu sentia saudade do gosto de Bella se misturando ao meu, de sentir sua tímida língua dançar com a minha em um ritmo universalmente conhecido, eu nunca mais faria minha menininha sofrer, eu nunca mais seria o motivo de qualquer lágrima que escorresse pelo rosto de Bella, ela era a minha maior jóia, aprendi isso pelo seu sofrimento que fez eu me sentir um nada, um merda sem forças para tirar a dor dos lindos olhos verdes da minha boneca.
Fale com o autor