Arianna.

Uma semana depois do meu último caso resolvido, aquele, comigo parada por horas na frente de um hotel, e eu já estava na boca do povo. Minha agenda para a semana estava cheia. Cada caso resolvido era uma propaganda nova na boca do povo e mais outros tantos casos para serem resolvidos. O dia já tinha amanhecido há algumas horas e eu ainda estava deitada. Não curtia acordar cedo e na noite anterior, eu tinha permanecido acordada até mais tarde estudando noticias a parte sobre Mist, a ladra bam-bam-bam de Londres. Eu tinha certa curiosidade pela moça, que nunca era vista. Eu era boa no que fazia, mas, pelo visto ela era melhor no trabalho dela. Ninguém sabia ao certo como ela era, de onde veio, que cor seus olhos tinham ou como ela era capaz de planejar roubos tão precisos. Tudo o que saiam era que ela só entrava em ação em dias nublados e com muita névoa, talvez por isso o nome. No jornal que ainda repousava em cima da mesa de canto, uma das noticias principais era o seu mais recente roubo. Um colar avaliado em milhões, na casa de um dos fodões da cidade. Todo ladrão deixava pistas ou marcas, mas Mist era conhecida por uma única marca: Ela não deixava pistas. Levantei da cama e peguei de novo o jornal. Li cada linha pela milésima vez, mas em nada aquilo me acrescentou. Pelo visto ela estava feita, com tanta grana. Uns com tanto e outros com tão pouco. Bufei e joguei o jornal na lixeira ao lado.

-- Nany, já acordou?

Era minha mãe gritando da cozinha.

-- Sim, mãe! Já!

Peguei uma blusa larga dentro do guarda roupa e me vesti. Fui arrastando os pés até o banheiro. Escovei os dentes e me olhei no espelho, meus tons ruivos estavam sumindo, eu precisava tingir os cabelos novamente. Não que eu o pintasse de ruivo, usava apenas um tonalizante para dar brilho e uma sensação arruivada, misturado levemente no já castanho do meu cabelo. Caminhei até a cozinha e dei um beijo no rosto da minha mãe que preparava café, ela era viciada e eu acabei aprendendo a beber junto com ela.

-- Vamos ao mercado agora?

-- Claro, mãe. Preciso mesmo comprar um tonalizante para o meu cabelo.

-- Você vai pintá-lo sozinha de novo?

-- Humrum... – Disse distraída passando geleia no pão. Minha mãe estendeu o braço e pegou um chumaço do meu cabelo.

-- Pelo menos da próxima vez que você decidir cortá-lo, vá em um cabeleireiro de verdade.

Suspirei.

-- OK, mãe.

Ela sorriu pra mim com amor, levantou-se da mesa e foi se arrumar, me deixando em paz, comendo. Dei uma olhada no jornal de hoje e, aparentemente, não havia nenhuma notícia interessante. Sobre Mist muito menos. Ninguém nunca tinha provas de nada, então o assunto nunca permanecia na mídia muito tempo. Pensando melhor, eu não a julgava mal pelo roubo da semana passada, se realmente fosse ela a autora do crime. O cara era um hipócrita nojento e sua mulher era tão falsa quanto aquele suco ‘‘natural’’ de caixinha que eu tomava. Uma única noticia que me chamou a atenção foi a de que os senhores Collens estavam dando uma recompensa de dois milhões para quem entregasse, viva ou morta, a ladra da joia. Aquilo me fez arregalar os olhos! Quanta grana! Aquela mulher não podia ser tão difícil de pegar assim!

-- Estou pronta! – Minha mãe disse me tirando do transe no qual eu me encontrava.

Apenas peguei as chaves do carro e fomos direto ao supermercado. Fui o caminho todo com a notícia do jornal na cabeça. Se eu a capturasse, poderia me aposentar para sempre! Seria sombra e água fresca todos os dias, para mim e minha mãe. Tentei tirar aquilo da cabeça por alguns segundos enquanto estacionava o carro em uma vaga no estacionamento do supermercado.

Minha mãe sempre andava comigo de braços dados. Ela amava e eu, no fundo, gostava bastante desse ato. Assim que descemos do carro, me afastei para pegar um carrinho e voltei ao seu encontro.

-- Você está muito bonita, mãe. Que foi? Namorado novo?

-- Nany! – Ela bateu em meu braço, sem graça. Soltei uma risadinha. Era tão bom ser eu, leve e solta, quando estava ao lado dela. Sempre precisar ficar de olhos atentos ou com minha pesada câmera no pescoço.

-- Qual é! Já está mais que na hora!

-- Está mais que na hora de você me apresentar alguém, isso sim, mocinha. Você só trabalha!

Suspirei de novo. Minha mãe insistia que eu era solitária demais, estranha demais e afins.

-- Esquece, mãe. Cadê a lista de compras?

A melhor estratégia era sempre essa. Mudar de assunto. O que sempre funcionava. Ela se empolgava nas compras e eu ia apenas empurrando o carrinho lentamente atrás dela. Fazíamos isso havia anos e nada mudou, mesmo depois que meu pai nos abandonou. Minha mãe sofreu muito no começo e eu a escutava chorando, às vezes, dentro do seu quarto, enquanto eu passava de frente a sua porta indo para o banheiro. Eu era muito nova, talvez com cinco ou seis anos, mas isso são coisas que marcam a gente. Mesmo assim, uma semana depois que ele se foi, ela me chamara para fazer compras, como se nada tivesse mudado. E para mim, pelo menos, nada mudou. Meu pai era apenas um bêbado, vagabundo, que tirava todo o dinheiro da minha mãe para gastar com mulheres baratas e bebidas. Minha mãe se transformou a minha maior heroína no dia em que ela o expulsou de casa, após ele lhe acertar um tapa no rosto. Minha mãe sempre diz que não nasceu para apanhar de ninguém, muito menos de homem, e tenho quase certeza que puxei esse jeito orgulhoso de ser dela. Ela era tudo o que eu tinha e isso me bastava. Nunca tive irmãos. Com meu pai sempre bebendo e nos tratando mal, mamãe largou de mão a ideia de ser mãe novamente. E depois que ele foi embora, ela nunca mais se envolveu seriamente com outra pessoa de novo. Então eu tentava de todas as maneiras bastar também para ela, mas isso nem sempre era possível. Às vezes ela bebia e chorava muito, assim, do nada. Ela fumava diariamente e eu tentava, todos os dias, persuadi-la a largar o vicio. Em vão. Esses dias eram difíceis, mas eles logo passavam. Eles vinham e iam com a mesma intensidade e rapidez. Isso não diminuía meu amor por ela.
Ainda andando pelo supermercado, absorta em meus pensamentos, escutei algo caindo no chão. Ergui os olhos, pronta para rir, pensando que mamãe tivesse derrubado algo no chão, mas, para o meu espanto, era ela quem estava no chão.

-- Mãe?

Corri até ela. Ela estava desmaiada, no chão do supermercado, e as pessoas começaram a se aglomerar a nossa volta.

-- Me ajudem, por favor!

Escutei quando um homem gritou o segurança.

-- Mãe? Acorda!

Eu dava pequenos tapinhas em seu rosto e a sacudia. Um homem se agachou ao nosso lado e colocou a mão no pescoço dela.

-- Ela está viva. Apenas desmaiada. Os médicos estão vindo.

ISSO eu pude perceber. Meus anos de treinamento na policia serviram de alguma coisa. Pelo menos eu conseguia perceber os batimentos de uma pessoa. Peguei a cabeça dela e coloquei sobre minhas pernas, ainda tentando acordá-la. Comecei a tremer e tentei manter os meus lábios parados, mas meus dentes insistiam em se chocar uns contra os outros dentro da minha boca de nervoso. Minutos depois e dois homens com uma maca, vestidos de branco, chegaram. Colocaram minha mãe deitada e saíram a carregando mercado a fora. Me levantei em um pulo e corri de encontro a eles. Deixei o carrinho cheio de compras no mesmo lugar que estava.

-- Você é o que dela?

Me perguntaram chegando a ambulância.

-- Filha.

-- OK. Pode entrar e permanecer com ela.

Pulei dentro da ambulância e saímos, disparados, rua a fora. A sirene alta do lado de fora me incomodava, mas aquilo era o que menos importava nesse momento. O hospital não era muito longe, mas o transito nesse horário era um inferno, o que dificultava a passagem. Não soltei a mão da minha mãe um segundo sequer, nem mesmo enquanto a ambulância chacoalhava. Assim que chegamos eles correram com ela para alguma sala de emergia, fui parada e deixada do lado de fora. Me vi sozinha, no meio daquele corredor branco e estranho, perdida. Nunca tinha me imaginado um dia sequer sem minha mãe e agora que isso acontecera, eu não sabia muito bem o que fazer. Visualizei algumas cadeiras duras mais a frente e me sentei. Cruzei as pernas e esperei.

Uma enfermeira bondosa, mas apressada, me chamou e pediu os dados da minha mãe. Confirmei todos e ela pediu que eu aguardasse mais um tempo. OK. Eu aguardaria, mas quanto mais tempo? Minutos se transformaram em horas e cada hora que alguém de branco aparecia, meu coração disparava. Mas era sempre alarme falso. Eu já estava ficando zonza de tanto levantar a cabeça, soltar o ar, desapontada, e abaixá-la novamente. Apenas uma hora depois um senhor veio ao meu encontro.

-- Você é a filha da Dona Maria Riley?

-- Sim, senhor.

-- Sinto muito a espera, mas, infelizmente, o caso da sua mãe não é algo tão simples como um desmaio.

Direto ele, não? Me lembrei de todas as vezes que eu tive que dar notícias ruins para meus clientes e senti o gosto amargo da informalidade. Poxa, eu seria mais legal da próxima vez.

-- Como assim, doutor?

Tudo o que ele disse depois foi dito em câmera lenta, eu tenho certeza.

-- Sua mãe está com câncer.

Sim. Câmera lenta. Porque meu cérebro não conseguia assimilar a notícia.

-- Câncer? – Eu estava incrédula. Meu olhar ficou perdido e tudo pareceu estar borrado.

-- Sim. Você não sabia? – Disse ele em um tom disfarçado de acusação.

-- Por quê? Deveria?

Ele suspirou.

-- Você não notou ela reclamando de dores pelo corpo? Imunidade baixa? Sangramentos?

Meu Deus! Me senti uma péssima filha, pois tente puxar da memória todas essas informações eu não consegui me lembrar de nenhuma. Eu estava sempre tão afundada em meu trabalho durante o dia de seguir pistas, conseguir informações e sempre na rua durante a noite, que não percebi o que acontecia dentro da minha própria casa. Balancei a cabeça, envergonhada, negando.

-- Bom, sua mãe está com câncer.

-- E agora? – Olhei para ele com os olhos desesperados, como se ele pudesse me salvar dessa.

-- Não é um câncer simples. É um LMA.

-- LMA? – Eu não era médica e não tinha a mínima ideia do que aquele homem estava falando.

-- Leucemia mieloide aguda. LMA. – Ele me encarou como se esperasse que eu dissesse, ‘‘Ah sim, entendo tudo perfeitamente!’’. Mas eu continuei com a cara de quem não estava entendendo nada, então ele continuou. -- É um câncer que começa dentro da medula óssea, tecido mole que fica dentro dos ossos e ajuda a formar células sanguíneas. O câncer se desenvolve nas células que, normalmente, formariam glóbulos brancos. Aguda significa que a doença se desenvolve rapidamente.

Ele despejou tudo de uma vez.

-- Hummm...

Eu disse. O que qualquer esperava que eu dissesse depois de tanta informação adquirida em tão pouco tempo? Eu estava em choque e assustada. Minha mente ainda estava em modo lento. Ele continuou.

-- Ela terá alta, mas deve visitar um oncologista o mais rápido possível.

-- Claro. – eu concordei, sem nem saber direito o que eu estava falando. Ele assentiu com a cabeça e virou as costas, caminhando de volta para dentro das enfermarias. Tentei voltar à realidade.

-- Doutor? – Gritei. Ele se virou e me olhou. – Não há nada que vocês possam fazer aqui?

-- Não. Sinto muito. O tratamento é longo, lento, específico e muito caro.

Suspirei vencida, ou melhor, derrotada.

-- Posso vê-la?

-- Claro. Uma enfermeira irá levá-la até ela em alguns minutos.

-- Obrigada. – disse cabisbaixa. Ele apenas acenou com a cabeça de novo antes de voltar ao seu trabalho.

Permaneci parada no mesmo local e um filme, de toda minha vida começou a passar pela minha cabeça. ‘‘Câncer? Mas porque, meu Deus?’’. Dei um passo como se fosse andar para algum lado, mas eu não sabia nem para qual direção ir e muito menos o que fazer. Minha mãe estava doente, talvez há muito tempo e eu não tinha a menor ideia disso. Eu estava me sentindo além de perdida e desesperada, um lixo. Uma enfermeira apareceu no final do corredor e chamou meu nome. Levantei a cabeça e andei até ela que me levou até onde estava minha mãe. Assim que entrei no quarto senti o cheiro tão característico de hospital, mais forte aqui do que lá fora. Ela estava deitada, com aquelas máquinas, com barulhinhos estranhos monitorando seus batimentos. Me aproximei e segurei sua mão. Ela tentou sorrir para mim.

-- Não adianta vir com essa carinha, mãe! Porque escondeu de mim?

-- Eu não sabia que estava com câncer!

-- Mas você não vem sentindo dores e sei lá mais o quê que o doutor me falou?

-- Sim.

-- Então porque não me disse? – Disse em um tom mesclado a raiva e choro.

-- Não queria ser um peso maior, além do que já sou.

-- Para com isso, mãe! – Rebati. – Se não for eu por você e você por mim, quem será por nós?

Ela pegou minha mão e levou até seu rosto, fazendo carinho em si mesma. Comecei a fazer carinho nela por conta própria.

-- Você vai ficar boa, mãe. Vamos cuidar de você!

Eu tinha esperança de que ela ficasse. Mais esperança ainda de que eu me deitaria em minha cama, acordaria, pegaria minha câmera e iria para mais uma noite de trabalho e nada disso seria verdade. Mas aquilo ali era real. Aquele hospital, aquele barulho chato e a pele da minha mãe embaixo da minha mão eram tão reais quanto o câncer dentro dela.

Anita.

O dia estava bonito, acinzentado como eu tanto gostava. Eu estava do lado de fora, sentada na minha cadeira favorita, olhando os pássaros lá fora e as nuvens baixas que passeavam por cima de mim, quando escutei John chegar de mansinho.

-- Sei que está atrás de mim. – Eu disse em um falso tom de séria.

-- Droga! Nunca dá para assustar você!

-- Troque esses sapatos por um com solas menos grudentas e quem sabe!

-- Ei, eu amo meus tênis.

Apenas lhe lancei um sorriso.

-- Senta e toma uma Coca.

-- Nesse frio?

-- Que frio, moleque! Deixa de ser viado! – Lancei um olhar brincalhão.

-- Olha quem fala... – Disse ele pegando o copo de refrigerante e se escondendo atrás dele. Apenas lhe olhei atravessado e ele deu os ombros. Sorri para mim mesma e voltei a encarar o céu. Ficamos assim, cada um perdido em seu pensamento, um bom tempo.

-- Estou apaixonado. – Ele disse do nada.

-- Pela Mandy? – Não desviei os olhos do céu.

-- É...

-- Fico feliz por você!

-- Fica nada. – Disse ele com um sorriso triste. – Você nem sabe o que é o amor, Anita.

-- Eu sei sim! – Disse em um falso tom de indignação. – É essa coisa estranha que deixa seus olhos brilhando desse jeito e te deixa com essa cara de bobo.

-- Você fala isso porque nunca se apaixonou...

Cortei ele antes que começasse o mesmo blá-blá-blá de sempre.

-- Não enche!

-- OK.OK.OK. – Ele disse já vendido. Há muito dele ele aprendera que não pensava discutir esses tipos de assunto comigo. – O que você fez com seus dez milhões?

-- Investi e vou me virando com os lucros?

-- Se virando? – Disse ele rindo.

-- É... Você sabe... Viver como der com essa grana dos lucros. – Disse dando uma piscadinha.

Ele mudou a atmosfera leve da conversa para um assunto mais delicado.

-- Não desistiu mesmo da ideia?

-- Não! Apenas me dei essa semana de folga... Amanhã começo.

-- Já sabe por onde começar?

-- Sim. Pela biblioteca municipal.

-- O que você vai fazer lá? Acha mesmo que pode achar algo nos livros sobre a máfia?

-- Não. Mas vou passar o dia lendo os jornais antigos, pelo menos os dos últimos trinta anos, sobre os casos de assassinatos que não foram solucionados.

-- Últimos trinta anos? Uau! – Ele soltou um assobio. – Boa sorte!

-- Obrigada.

-- Eu te ajudaria se eu não fosse passar alguns dias, em uma pequena lua de mel, em paris, com minha amada.

Sorri de novo e lhe dei um tapinha nas costas.

-- Parabéns, garotão! Aproveita!

-- Eu vou. – Disse ele bebendo um gole a mais da sua Coca. Ele deu um pulo, como se lembrasse de algo importante e disse: – Ei, você viu que estão oferecendo dois milhões pela sua cabeça?

-- Eu vi! Que insulto!

-- Pois é! SÓ dois milhões? Você já valeu mais, maninha!

-- Há Há Há Há! Idiota!

-- E você ficou sabendo pelo jornal negro que há uma nova detetive fodona na cidade?

-- Para começo de conversa, ela não é nova aqui. Ela só caiu na boca do povo recentemente.

Ele engoliu a Coca com um sorriso.

-- Pelo visto você já está sabendo...

-- É. – Virei para ele pegando meu copo que estava em cima da mesa. -- Escuta... Você não tem nada de mais importante para fazer, não?

-- Tenho! E já estou indo! Mamãe disse que você não passou lá essa semana! Ela está uma fera!

Sorri com carinho.

-- Obrigada pelo recado.

Ele se levantou e ficou me olhando um tempo. Voltei minha atenção para as nuvens e para a notícia nos jornais sobre minha cabeça. Eu não estava pensando nisso, antes de John me lembrar desse fato.

-- Não te preocupa?

-- Não realmente. Sabe que eles não vão me pegar... Nunca deixamos pistas e não há nada que nos ligue com a Mist. Já dei uma estudada por alto no perfil da moça e não me colocou medo. Ela é peixe pequeno. Não se preocupe. – Disse pensativa, mas John começou a rir e falou:

-- Não estou falando disso, sua exibida! Não te preocupada mamãe estar uma fera com você? Se eu fosse você, iria lá rapidinho ou ela vai te encher o saco e te deixar sem bolo de cenoura com cobertura de chocolate!

-- Sério? – Fiz cara de assustada!

-- Sério!

-- Bom... – Disse me levantando. – Então vou me trocar, pois, mamãe vingativa, me tirando bolo de cenoura e falando aos quatro ventos, isso sim me preocupa.

E saí rumo ao meu quarto correndo, para me arrumar e ir visitar a minha ‘‘mãe’’, antes que eu começasse com a minha vingança e sumisse, pelo menos por uns dias, de todo o resto. De fato aquela detetive não me assustava. Era verdade que ela tinha resolvido um ou dois casos complicados e caído nas graças do povo, mas eu já tinha feito muito mais que um ou dois roubos. Mas o que eu preferi não comentar com meu irmão foi que ela não me botava medo, mas me impressionava. ‘‘Não sei... Eu já tinha visto aqueles olhos em algum lugar, e se eu não estava muito enganada, ela era a moça do café, aquele dia na estrada, enquanto eu e John íamos comprar sanduíche. ’’ Pensei enquanto escolhia uma roupa para vestir. Sua expressão era séria, mas seu olhar era quase bondoso. Seu rosto era marcante e seus olhos tinham uma cor indefinida. Meio azulados, meio verdes e meio cinza. Cada foto me mostrava algo diferente. Aquilo me chamou atenção. E, investigações e roubos a parte, ela era linda.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!