Entre O Amor E A Guerra - Season III

2 Capítulo 2 - Creio em ti...


Notas iniciais
Capítulo fresquinho e enorme, com um pouco mais de atualização de como anda a vida dos nosso bonde...não se acostumem com postagens todos os dias, só deu para isso porque é fim de semana e eu estou meio agoniada por não saber que caminho seguir...help me!! :)

No fim do capítulo falo de um possível retorno e união milícias + traficantes rivais...não sei se é esse o caminho, mas pode ser totalmente diferente disso...espero a ajuda de vocês para não cairmos nas mesmices!! Bjs

24 HORAS ANTES DO CHURRAS NO SÃO JORGE...


“Não importa cada noite que esperei, cada rua ou labirinto que cruzei porque o céu tem conspirado a meu favor e a um segundo de render-me te encontrei. Pele com pele meu coração se desarma, você me faz bem, acende luzes na minha alma. Creio em você e neste amor que me fez indestrutível, que deteve minha queda livre. Creio em você e minha dor ficou quilômetros atrás, e hoje os meus fantasmas estão finalmente em paz. O passado é apenas um pesadelo que acabou, um incêndio que em seus braços se apagou; quando estava a meio passo de cair meus silêncios se encontram com a sua voz, te segui e você reescreveu o meu futuro...aqui é o meu único lugar seguro.” (Reik – Creio em ti)


– Não suporto mais brigas pelas mesmas coisas Britt. Você bem sabe que se o Sam me liga é exclusivamente por conta do trabalho. Ele é o cara mais íntegro e respeitador que eu conheço, não acho justo você discutir comigo por causa de besteiras, especialmente por conta de ciúmes idiotas. Disse Santana, já saindo do quarto para o banheiro...precisava de um banho e de descanso, afinal era sexta-feira e estava exausta da semana de trabalho; Marcos e Rodrigo confiavam a ela e a Sam tocar a empresa de recursos humanos, passavam ais tempo viajando e aproveitando seu tempo do que na cidade, por isso a morena e o boca de truta davam o seu máximo para não desapontar a confiança que os dois depositaram neles, e seguiam com sucesso na função.

– Eu sei que Sam não te liga para nada além de trabalho Santana, sei que ele já se mostrou respeitador, amigo e companheiro nos momentos em que mais precisamos, mas você tem que entender que é muito difícil para mim saber que você passa mais tempo com ele do que comigo e com as crianças, passa mais tempo direcionada ao trabalho e a faculdade do que a sua família, que somos nós. A impressão que tenho é que as vezes você é mais filha do meu pai do que eu, você sim da a vida pela empresa, enquanto eu fico no papel de mãe, pai, dona de casa, mulherzinha. Disse Britt, com certo rancor na voz, tentando colocar Rocksany para dormir, embora a menina insistisse em querer continuar brincando com o cachorro. Ouvindo aquilo Santana voltou ao quarto, já só de toalha, mas com uma irritação profunda na voz...

– Não sei se o seu problema é o Sam me ligar a noite em casa para falar de trabalho, ou se é eu ter me tornado a referência dos seus pais na empresa. Não sei se você sente ciúmes de mim de verdade ou se sente raiva por eu não ter continuado aquela faveladinha burra e medíocre que você conheceu, preocupada apenas com as calças justas marcando o corpo e os bailes funk, Brittany. As vezes tenho a impressão de que você queria uma dona de casa que cuidasse da família ao invés de uma esposa esforçada que quer crescer profissionalmente junto com você. Fala como se eu não acompanhasse as crianças na escola, como se não me esforçasse para cuidar de você e da nossa família, e ainda estudasse e trabalhasse...acho que você se apaixonou pela funkeira sem futuro e não pela Santana que queria um dia ser alguém na vida....não tem noção de como é difícil impor respeito aos acionistas da empresa, que ainda me vêem como uma “gostosa tchuchuca” que não sabe de nada...cada dia é uma batalha pra mim Britt, e tenha certeza que tem sido muito difícil não largar tudo e voltar para a minha favela. Disse a morena, com pesar na voz e no coração.

– Não é nada disso San, você ta totalmente enganada. Mas a verdade é que aquela Santana parecia me amar muito mais do que essa em que você se transformou. Você não tem tempo mais nem para dizer que me ama, que sente minha falta...passa tanto tempo tentando ser a pessoa que meus pais e a empresa esperam que esqueceu do nosso amor, da essência do que nos uniu...nem sei mais se nosso amor é tão forte quanto era antes. Disse Britt em voz baixa, mas o suficiente para Santana ouvir e deixar rolar uma lágrima dos olhos. Logo a morena entrou de volta no banheiro, ligou o chuveiro e deixou a água rolar pelos cabelos...chorava compulsivamente pelo que havia escutado de Britt, afinal toda aquela mudança era para ela, por ela, só por ela...queria que a loira tivesse orgulho e não vergonha da esposa da comunidade carente, queria ser do mesmo nível social que a família, e Britt simplesmente não enxergava o quanto se esforçava para mudar seu estilo de vida. Enxugando as lágrimas que escorriam, pensou logo em uma maneira de dar a Britt o que ela tanto queria...já que ela sente falta da Santana favelada e funkeira no fim de semana ela vai ter isso!! No churrasco da casa de Puck vou fazer tudo o que ela sente falta, ela vai ver o que é ter um funkeira gostosa só pra ela!! Disse a morena para si mesma, reacendendo o sorriso no rosto e pensando um monte de coisas calientes para surpreender o amor de sua vida.

Já Britt, no quarto da filha, se perguntava se teria feito a escolha certa ao abrir mão dos sonhos de dançarina e optado por ficar no Brasil, seguir com a academia, seguir com sonhos que pareciam mais a cara de Santana do que dela; por alguns segundos se perguntou como seria sua vida se tivesse ficado na França estudando, se tivesse realmente esquecido Santana naquela época...vendo Rocksany pegar no sono agarrada ao cachorro as dúvidas se dissiparam e deram lugar a uma única certeza: aquela era sua família, a família que amava e que escolhera para viver junto para sempre...acreditava que tudo podia melhorar, afinal amava mais que tudo aquela família e tudo que vivera com eles e por eles!!

Não muito longe dali, enquanto Rachel folheava alguns livros debruçada na escrivaninha do quarto, Quinn mudava o canal da TV sucessivamente...os dias andavam corridos para as duas, e a noite enquanto uma queria descansar a outra esmiuçava-se em separar material para o almejado concurso público para a Faculdade de música. Quinn, já sem paciência, foi até a esposa, fechou o livro que ela folheava e a abraçou, beijando sua nuca, ombros e em seguida tentando descer para o resto do corpo. Rachel, que não estava nem um pouco no clima de pegação, se desvencilhou dos braços da loira e foi em direção ao guarda-roupa, queria algo mais folgado para continuar sua busca por material de estudo.

– É impressão minha ou você está me evitando amor?! Disse Quinn, meio desapontada com o corte que tomou da esposa.

– Não estou te cortando, mas preciso terminar de selecionar esses livros para o concurso Quinn, a data das provas está se aproximando e eu ainda não estudei nada, você bem sabe eu quero muito essa vaga, quero muito pelo menos ter um pouquinho do que sonhei para minha carreira profissional. Disse a morena, sem perceber que aquelas palavras desencadearam mais uma vez em Quinn a sensação de estar “empatando” a vida da esposa, afinal, tudo tinha sido diferente do que Rachel sonhara desde que casara e engravidara das gêmeas...tudo diferente do que havia sonhado em sua vida de luxo e realizações pessoais.

– Tudo bem amor, eu te entendo, afinal desde que casamos e as meninas nasceram você só tem se dedicado a academia e a família, seus sonhos com a música acabaram ficando para trás...sei como isso era importante pra você antes de me conhecer, antes de abandonar tudo que sonhou por uma vida de família classe média com uma esposa sem futuro profissional e duas filhas para criar.

– Você ta falando besteira Quinn, eu não me arrependo das escolhas que fiz, não me arrependo da família que construímos. Talvez sinta falta de alguns sonhos que ficaram para trás, sinta falta de cantar, de brilhar como era na época da faculdade, mas não me arrependo de exatamente nada que escolhi para mim, não me arrependo de vocês pois eu as amo mais que tudo. Passar nesse concurso vai me aproximar dos sonhos que ficaram para trás, mas isso não significa que trocaria vocês por eles. Disse a morena, sentindo que Quinn queria começar uma DR, afinal sempre voltavam àquele assunto, àquela crise.

Quinn desligou a TV e não deu prosseguimento a conversa, sentia que embora Rachel afirmasse que não se arrependera, no fundo doía demais ter deixado seus sonhos de lado para viver o que a loira podia lhe oferecer. Em uma última tentativa de fazer as coisas ficarem menos tensas, sugeriu...

– Amanhã tem aquele churrasco na casa de Puck, acho que todo mundo do bonde vai estar por lá...nós vamos amor?! Rachel sabia que era importante para Quinn estar sempre em contato com os amigos, com o São Jorge, mas naquele momento tinha outras prioridades, outras coisas que precisava dar mais atenção.

– Acho melhor você ir e se divertir por nós duas...preciso terminar de organizar esse material e começar finalmente a estudar. Se der, no fim do dia subo e vejo vocês, mas não garanto nada. além do mais já havia marcado com a Alejandra para estudarmos aqui em casa, você vê problema?!

Quinn não respondeu, virou-se para o lado da cama, abraçou uma das gêmeas que ainda insistia em dormir na cama das mães e tentou pegar no sono...tudo incomodava, mas não iria dizer isso a Rachel...não era justo. Melhor deixar prá lá, deixar como estava, afinal não queria ver a amada abrir mão de seus sonhos mais uma vez por causa dela e das crianças...e Alejandra...Alejandra continuava a ser um dos motivos de maior ciúmes de Quinn, mesmo sabendo que Rachel era fiel e que nunca a trairia...aquela ruivinha incomodava mesmo sem saber!!



FIM DE SÁBADO ENSOLARADO, COMUNIDADE DO SÃO JORGE – 15:35 HORAS...


“Naquele lugar, naquele local era lindo o seu olhar, eu te avistei foi fenomenal e houve uma chance de falar...gostei de você, quero te alcançar...tem um ímã que fez eu me hospedar. Nossas emoções eram ilícitas, mas apesar das vibrações, proibia o amor em nossos corações..." Claudinho e Bochecha


Quando as balas de fuzil e traçantes começaram a atravessar o céu da Comunidade do São Jorge, o funk que rolava no último volume fazia estremecer o corpo e o coração do bonde, que reunido, relembrava seus melhores momentos juntos...a vida parecia confusa para alguns, que viviam aos trancos e barrancos com suas novas vidas, triste para outros, que haviam voltado a estaca zero na dura realidade da favela, como era o caso de Puck, que depois que largara Mercedes voltara a ficar desempregado e envolvera-se com pequenos trabalhos e bicos na favela.

– Ou a gente sai e vai ver de qual é desses tiros ou fica aqui e espera as notícias chegarem...o que vocês acham?! Disse Blaine, que a pouco havia chegado ao churrasco. Como Kurt havia viajado com o pai para resolver questões familiares, tinha tirado o dia para ver os amigos no São Jorge, sentia saudades da época de bailes e das favelagens, mas como Kurt não tinha se acostumado àquela vida, tinha largado tudo para viver com ele.

– Desde quando o bonde do São Jorge espera as notícias chegarem Blaine?! Tá enferrujado depois que casou com o playboy ou arregando com medo?! Perguntou Quinn, colocando a arma na cintura e indo em direção ao portão, com todo o cuidado para tentar enxergar o que acontecia sem, no entanto, se expor muito a ponto de tomar um balaço na cabeça, afinal tinha duas filhas e uma esposa para voltar no fim do dia...

– Boraaaa lá!!!! Gritou Puck, seguindo a irmã e sendo seguido por Blaine, Santana e o resto do grupo, que agora tinha novos amigos, novos componentes.

Na primeira esquina já encontraram dois meninos ainda agonizando com tiros de fuzil no rosto, sem piedade. Aparentavam ter menos de quinze anos, sendo que nada tinham haver com tráfico ou milícias, não passavam de meninos da comunidade; aquilo assustou e deixou o grupo ainda mais alerta, afinal parecia ser trabalho de alguém sem nenhum critério ou piedade para com os membros da comunidade.

– Não sei quem está fazendo essa sujeira no morro, só sei que vai pagar. Disse Quinn, decidida a seguir em frente e descobrir o que estava acontecendo. Blaine ainda parou com Santana para tentar ajudar os meninos caídos, mas parecia tarde demais para aqueles dois. Logo perceberam que mais corpos estavam estirados na escadaria em frente, corpos de senhoras e crianças, que ainda gemiam e pediam por socorro. Logo Santana avistou uma das líderes comunitárias mais antigas do São Jorge, uma daquelas que mais a ajudou na época da luta por justiça para a morte de sua mãe...estava ainda com vida, mas agonizava encostada em uma pequena viela, tinha muitos tiros espalhados pelo corpo franzino de senhora de meia idade.

– O que aconteceu dona Ilza?! Perguntou a latina, recostando a cabeça da senhora em seu colo para que ela pudesse ter seus últimos minutos de vida acolhida e amparada, mesmo que não conseguisse mais salvar sua vida.

– Oh minha filha, esses sujeitos chegaram atirando em todo mundo, sem piedade. Vocês precisam sair daqui antes que eles encontrem vocês e façam a mesma coisa que fizeram comigo e com meus meninos...disse a senhora, a voz já saía fraca, por um fio.

– Não!! Não vamos deixar a senhora caída sozinha aqui, muito menos vamos abandonar a comunidade...nosso lugar é aqui ao lado de vocês. Diz quem fez isso que nós vamos atrás, diz por favor. Implorou Quinn, ajudando Santana a levar o corpo da senhora para dentro da casa em sua frente. A visão dentro do barraco de madeira de dona Ilza era ainda pior...os netos de 11 e 13 anos estavam estirados baleados no sofá, cada um com um tiro no centro da testa; a filha mais velha, mãe dos meninos, estava caída na cozinha a poucos metros dos corpos dos filhos. Logo Puck colocou a senhora recostada na cama com cuidado e implorou...

– Fale o que a senhora sabe, por favor!! Precisamos saber com quem estamos lidando...são novos grupos de traficantes tentando invadir e dominar o São Jorge?! Ou foram os porcos fardados da polícia, tentando impor seu poder sobre nossa gente?! Perguntou Puck, desesperado, vendo a vida se esvaindo daquela pobre senhora.

– Eles não falaram muita coisa meu filho, chegaram atirando. O que eu pude ouvir foi simplesmente que estavam tomando o que era deles, e que a comunidade iria pagar por tudo que seus membros haviam feito contra as milícias e contra os grupos rivais...ouvi mencionarem seu nome Santana, assim como o nome da sua esposa, a Brittany...tenham muito cuidado, pelo que percebi parece ser uma junção de traficantes com milicianos fortemente armados que estão tomando o morro...cuidado meus meninos. Foram as últimas palavras da senhora antes de fechar os olhos e partir...

Quinn viu nos olhos de Santana o medo e o pavor estampados...parecia que finalmente a revanche pela morte prematura e insana de Emily havia chegado, e da forma mais covarde e desumana possível, atingindo as pessoas humildes e inocentes da comunidade. Mas quem poderia estar por trás daquilo?! Quem depois de quase um ano havia articulado a retomada do São Jorge de forma tão sangrenta e surpreendente?! Era isso que o bonde precisaria descobrir antes que mais mortes fossem deflagradas...


Notas finais
1ª Música do capítulo (ando apaixonada por ela ultimamente):

http://www.youtube.com/watch?v=3IxXXYt4qNQ

2ª Música do capítulo (funk conhecidíssimo das antigas...):

http://letras.mus.br/claudinho-e-buchecha/45307/