Entre Nós
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Meu dia está realmente uma bagunça. São tantas coisas pra se fazer nesta empresa que hoje estou me sentindo sufocada. Desde que assumi a Regional de Americana minha vida virou de cabeça para baixo. Muitas cobranças, tudo mudando e crescendo rapidamente. Para piorar a situação dos meus miolos, meu noivo sufocante quer que eu marque e organize nosso casamento. Como em meio a esse caos?!
Ai Minha Nossa Senhora das Mulheres Enroladas, ajuda meus miolos pra não fundirem!
Mando uma mensagem para Cadú avisando que, mais uma vez, vou chegar em casa tarde.
*Sun, vou chegar em casa tarde de novo. Não me espere para jantar.
Menos de um minuto depois...
*DE NOVO?
Sim, ele consegue gritar comigo por mensagens de texto. Isso me irrita tanto!
*SIM, DE NOVO! Quer que eu vá dormir nos meus pais para não incomodá-lo, meu bem?
Eu sabia como irritar e ao mesmo tempo ganhar da fera.
*É claro que não. Melhor ter você por pouco tempo do que não ter você em tempo nenhum. Você me irrita.
Eu ri para mim mesma, imaginando a cara de birra do moreno gostoso do outro lado da linha.
*Você fica um tesão irritado. Acho que vou tentar chegar mais cedo.
Esperei um tempo, mas ele não respondeu, e isso é realmente preocupante. Desde nosso desencontro e reencontro, ele ficou um pouco obsessivo. Está o tempo todo achando que eu vou embora, mas sei que sou um pouco difícil mesmo e acabo deixando a dúvida no ar por puro orgulho. Somente cedi quando me pediu para morar com ele. Eu sabia que isso daria um pouco de segurança ao homem e achei justo depois do pedido de casamento encantador.
Procurei não pensar muito nisso e me joguei no trabalho novamente. Por volta de 19h ouvi algumas portas abrirem e fecharem e um medo invadiu-me. Todos haviam ido embora e estava sozinha no prédio. Segundos depois, ouvi alguém tentando abrir minha porta. Fiquei congelada no local e estava indo ao botão de emergência da segurança quando uma voz irritantemente conhecida surgiu.
– Dá pra abrir a porta amor! Tá bem difícil pra mim.
Mas que coisa! Homem irritante. O que ele quer aqui?
Abri a porta devagar e com uma cara de insatisfeita. Ele abriu seu sorriso mais lindo, fazendo cara de criança que acabou de aprontar e adentrou minha sala.
– Já que Maomé não vai à montanha e a montanha está muito carente, a montanha veio a Maomé.
– Ai, Carlos Eduardo. O que é esse monte de coisas?! – Ele estava segurando uma montanha de sacolas. – Como conseguiu abrir as outras portas com tudo isso? – Gesticulei com a mão para seus pacotes.
– Não foi fácil, mas eu fui bem paciente. – Ele foi até a mesa de centro que havia em minha sala, com dois sofás em volta e colocou as sacolas. – Poderia ao menos me dar um beijo, sua chata?
Eu nunca resisto a ele. Não consigo. Quando percebi, já estava correndo para os braços dele, como uma adolescente. Ele me pegou e me girou, fazendo nós dois rirmos. Com os pés no chão, começamos um beijo carinhoso, mas que logo pegou fogo é claro. Eu consegui sair dele.
– Ei.. – Eu tentei falar sem muito fôlego. – Eu preciso trabalhar amor! É sério, o que faz aqui?
– Bom, eu também tenho várias coisas para fazer e uma novidade para te contar. Importa-se se eu usar seu notebook para trabalhar aqui? – Ele fez um bico enorrrrrrrrrrme, que me deu vontade de morder. – Eu só não queria ficar longe de você. Estamos nos vendo muito pouco.
Caminhei até ele e envolvi meus braços em seu pescoço, me jogando naquele olhar quente e tão amado.
– Meu lindo sol, eu sei que ando trabalhando demais, mas tudo isso vai passar. Você sabe que é apenas uma questão de tempo até a empresa entrar no eixo de novo. Faz apenas 07 meses que assumi e tudo está crescendo rápido. Tenha paciência.
– Eu sei minha garota, eu sei. Não estou te cobrando, apenas dando um jeitinho pra ficar por perto. Ah, aliás, tenho uma novidade!
– Hum, novidade do Senhor Estável?
– Eu comprei a maior parte das ações e agora não sou mais o gerente...
– Nãooooooooooooooooooooo... Jura?!
– Juro, e agora nós temos duas empresas, amor! Que casal promissor, ãhn?
– Estou tão orgulhosa de você Cadú!
O brilho nos seus olhos contando a novidade era lindo de se ver. Eu sabia que ele adorava a empresa e há tempos estava planejando fazer parte dela como acionista, mas nunca o imaginei tornando-se majoritário.
– Bom, achei que podíamos jantar aqui mesmo juntos e trabalhar mais um pouco.
– Ótimo! Estou faminta.
Jantamos e rimos muito. Ficamos mais duas horas trabalhando até irmos para casa. Na verdade é bem estranho dizer isso de “nossa casa”. Eu não sentia como o apartamento de Cadú sendo meu lar. Mas não queria falar isso pra ele. Não tinha nada de mim naquele local, a não ser pelas flores que comecei a espalhar em alguns cantos para dar um pouco de vida. Logo que entramos fui tomar um banho e ele juntou-se a mim. Essa era a parte da rotina que eu mais gostava. Sempre tomávamos o banho da noite juntos e íamos dormir juntos. Nunca passamos uma noite sem fazer amor, mas muitas delas eram muito mais quentes que isso. Nesses meses já havíamos inaugurado todos os cantos do lugar, mas sem nada de BDSM. Eu sentia falta de algumas coisas, mas tinha muito medo dele se descontrolar.
O dia seguinte seria agitado. Era sábado e eu havia prometido encontrar com sua prima Carina para começar a ajustar as coisas do casamento. Era estranho, pois nem data tínhamos, mas senti que precisava acalmá-lo. Carina é uma garota muito doce e tenaz. Apesar de nova, já tem um vasto currículo em sua carreira de Relações Públicas.
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