Entre Mundos

1 Prólogo


Notas iniciais
Torcendo pra que alguém leia!

3306, Período 1

Manthos

Atrás de Malia, o sol se põe lenta e preguiçosamente. Seus tons de laranja e vermelho flamejantes ilustram com exatidão a raiva que ela sente, que consome sua mente, seus pensamentos, seu corpo, que consome a si mesma.

— Você entende – ela fala pausada e metodicamente, com frieza e uma calmaria assustadora em sua voz – o perigo que é termos essa bastarda solta por aí?

É uma pergunta retórica, mas ainda sim o robusto rapaz de olhos amarelos sentado à sua frente não expressa nada em seu rosto.

— Você entende, Calisto? – ela repete. – Você entende o perigo que essa bastarda significa para nós? Para mim? O perigo que é uma meio humana estar solta por aí? – sua voz emite claramente raiva e impaciência.

Suas ordens a Calisto eram claras. Matar Phillip, matar a garota, se desfazer dos corpos. E quando suas ordens não são cumpridas... ela não suporta falhas.

— Eu poderia esfolá-lo vivo agora mesmo – ela murmura baixo, mas ele não a ouve.

Ele cruza os braços, parecendo entediado, e boceja.

— Com sorte ela vai acabar na Cidade Baixa, e logo vai morrer. Ela não vai durar muito tempo, aqui ou lá embaixo. – a voz grave dele preenche o cômodo subitamente, e sua despreocupação é evidente, o que a faz arder de fúria.

— Com sorte? Com sorte? – Malia rebate. – E se não? Onde ela vai parar, Calisto? Será que todas essas inúmeras possibilidades sequer entram na sua grande cabeça oca? – ela ruge, e consegue vê-lo revirar os olhos. – Você será Governador um dia, Calisto. Imagine todo o seu reinado destruído por uma maldita bastarda humana. – um pequeno e satisfeito sorriso aparece no rosto dela ao imaginar isso. Nada seria mais justo.

— Reinado? – ele grita, e está tão furioso quanto ela. – Você fala como se fosse um cargo que eu sempre quis ocupar, sempre cobicei. Mas a senhora sabe que eu não quero isso, mãe, sabe mais do que ninguém. Que eu nunca quis.

De repente, ela parece se acalmar. Parece que toda a sua ira passou. Mas é apenas a calmaria antes da tempestade.

— Mãe? – ela fala baixo e baixa os olhos para ele, um olhar gélido e fulminante, mas ele não se abala. Nunca se abalou. – Quando eu dei a você o direito de me chamar de mãe?

— Quando você me pôs neste mundo, mãe. – Calisto retruca, sem se importar com a reação dela, e sua voz soa perigosamente desafiadora à Malia.

Mas ela se contém. Embora ela arda de raiva e sua mente trabalhe avidamente em busca de fazê-lo se arrepender pelas palavras ditas, ela se vira e respira fundo várias vezes, observando o céu começar a escurecer demoradamente através da enorme parede de vidro transparente. Estavam no vigésimo andar. Poderia muito bem jogá-lo dali. Porém, ela se controla.

— Suma da minha frente, Calisto. – Malia diz, em voz baixa, depois de longos minutos em silêncio. – Vá, e só volte quando estiver com a cabeça daquela bastarda.

Ele não se move.

— Vá! – ela ruge impetuosamente e no mesmo instante ele sai a passos apressados do cômodo.

E dois Anos depois, ele voltou. Com a cabeça.

Notas finais
Futuramente todos os detalhes estranhos serão explicados. Espero que alguém leia e se possível, comente.