Entre Memórias e o Esquecimento
20 20 A recompensa da paciência
Notas iniciais
Os dias vão passando e Mayumi após liberação médica pode voltar ao trabalho. Lá todos os colegas também têm que ser muito pacientes com ela, pois está sendo tudo novo para ela também. Apesar disso tudo Mayumi não perdeu a habilidade de aprender tudo com muita rapidez e facilidade, o que a ajudou muito na execução de suas funções.
Após alguns dias ela também teve recordações do trabalho e de seus colegas de lá. Lembrou de clientes e telefones.
Vagner não foi mais a casa dela, achou que assim não passaria a impressão de estar se aproveitando da situação ou algo assim, mas sempre se falavam por telefone. A cada dia Mayumi se sentia mais balançada por ele.
Em uma dessas ligações diárias entre eles, Vagner disse que tinha uma novidade para contar para Mayumi, mas pra isso teria que vê-la. Ela concorda.
Eles combinaram de se verem em mais um show do V5, mas dessa vez Vagner disse que buscaria Mayumi em casa. No horário marcado ele chega e encontra Mayumi o esperando. Ela está mais linda ainda do que a última vez que se viram.
– Ta uma gata japinha!
– Obrigada – responde envergonhada. – Mas não me deixa mais curiosa, que novidade você tem pra me contar?
– Calma você já vai ver. – diz pegando a mão de Mayumi e a levando pra fora de casa. Ele a leva até um carro, um Eco Sport preto. Ele desativa o alarme e pede para Mayumi entrar.
Já dentro do carro, Mayumi espera Vagner colocar o cinto e pergunta:
– O Vitinho trocou de carro?
– Não, continua com o possante dele. Esse aqui é meu.
– Seu? Como assim e sua moto?
– Vendi. Aí juntei a grana com um pouco da poupança e comprei o carro. Não gostou?
– Gostei claro, mas você amava aquela moto.
– Gostava dela sim, mas agora com o carro quando tiver show longe, eu posso levar a minha bateria própria, prefiro assim. Fora também que de que adiantava ter a moto se você nunca andava nela comigo?
Mayumi fica vermelha, mas Vagner não diz nada, apenas liga o carro e vão para o local do show.
Ao chegarem, não vem Bel e Rogério junto com Manu e André. Mayumi estranha e pergunta da amiga.
– Parece que ela e o Rogério brigaram e eles não vêm. – responde Manu.
– Poxa, que chato. – diz Mayumi com uma cara triste.
– Bom, vou lá arrumar as coisas, até daqui a pouco. – diz Vagner saindo e dando uma piscada para Mayumi, que fica sem graça, mas retribui com um sorriso.
– Tem um clima aí ou é impressão minha? – pergunta Manu sorridente.
– Acho que tem. – responde Mayumi sorrindo.
– Opa, então vocês já ficaram?
– Não. Ele não tocou mais no assunto, mas a gente se fala todos os dias e hoje ele me chamou pra vir aqui.
– Hum, então acho que hoje rola. Por ele pelo menos!
– Será?
– Eu acho May, mas claro que também vai depender de você. Se você não estiver a fim ele não vai insistir. Mas vamos esperar, quem sabe?
Elas conversam por mais um tempo. Alguns conhecidos de André também estão na mesa e todos conversam juntos até que a banda comece a tocar.
Mayumi já se lembra das músicas e também já decorou as canções próprias deles.
Os integrantes da banda são como irmãos e sempre fazem brincadeiras internas entre si. O alvo da vez foi Vagner. O vocalista começa a falar.
– Agora vamos tocar pra vocês uma música que o Vagner curte muito, acho que é porque é a única que ele nunca erra. – diz rindo. – Hoje ele ta mais feliz que o de costume gente, comprou um carro, largou a moto de lado... É olhem o que uma mina faz com um cara!
Vagner faz um sinal dando a impressão de que vai jogar a baqueta em Vitor, o vocalista, mas não passa de uma brincadeira.
– Viu o que você fez com o Guinho amiga? – diz Manu sorrindo para Mayumi que fica sem jeito, mas ri com a brincadeira.
Mais algumas músicas depois a banda encerra o show e o DJ da casa retoma a balada. Vagner e os demais integrantes da banda arrumam seus instrumentos e vão curtir a balada como todos.
Vagner senta um pouco e pede um suco. Aproveita pra puxar papo com Manuela, André e claro Mayumi. Depois de um tempo ele foca a conversa só com Mayumi.
– E aí, gostou do show?
– Claro você tocou muito bem, como sempre.
– Quer dançar um pouco?
– Dançar? Eu não sei dançar, pelo menos eu acho que não.
– Relaxa, se você sabe vai lembrar se não eu te ensino agora. É só se mexer com o som, nem eu sei dançar! Vamos vai Japinha!
Mayumi ri e aceita dançar com Vagner. As músicas são tecno e as batidas são bem envolventes. Sem perceber, Mayumi começa a dançar involuntariamente.
– Isso, ta vendo como você sabe? – diz Vagner sorrindo.
– To me sentindo ridícula!
– Não ta nada ridícula, vem cá. – diz trazendo Mayumi para mais perto dele – Continua se mexendo assim – diz com as mãos na cintura dela.
– Ai Vagner, to com vergonha. – diz colocando uma das mãos no rosto.
– Não precisa ter vergonha, olha em volta. Ta todo mundo dançando e não estão nem aí pra nada. Faz o mesmo.
– Não sei se consigo.
– Claro que consegue! Tenta. Eu te ajudo.
Ele traz Mayumi ainda para mais perto e vai guiando seus movimentos. Ela fecha os olhos e sorri. Vagner ao ver que ela está mais a vontade a solta e deixa que ela se mova sozinha. Ele a olha dançando e fica parado na frente dela, apenas apreciando seus movimentos. Mayumi abre os olhos e o vê olhando pra ela.
– O que foi, fiz alguma coisa errada? – pergunta ela.
– Não, por quê?
– Você me soltou.
– Você estava indo bem sozinha, tive que soltar.
– Por quê? Teve que soltar!? Não entendi.
– Se eu não te soltasse acho que não ia agüentar. Quer saber? – diz a segurando novamente pela cintura e a deixando poucos centímetros de seu rosto – Eu não quero mais agüentar Mayumi, desculpa.
– Não quer? — pergunta ela olhando no fundo daqueles olhos castanhos.
– Não – responde ele a encarando da mesma maneira.
– Eu também não quero mais que você agüente. – diz colocando os braços em volta do pescoço de Vagner, que vendo que ela falava sério não perde tempo e a beija.
Mayumi se sentia meio perdida, aquele pra ela era como se fosse o seu primeiro beijo. Ela estava nervosa, afinal havia várias pessoas em volta olhando pra eles, mas Vagner passava uma segurança que ela não sabia de onde vinha.
Aquele nervoso todo passou e era como se agora só existissem eles dois ali.
Mayumi teve lembranças, mas não lembranças do passado que havia esquecido. Lembrou de quando abriu os olhos naquele hospital e Vagner estava logo ali, á sua frente, segurando sua mão. Ele foi realmente a primeira pessoa que ela não apenas viu, mas conheceu naquele lugar.
Vagner aos poucos afasta seus lábios dos de Mayumi e sorri pra ela.
– Disso você não esqueceu né Japinha? – diz brincando com ela.
– Seu bobo. – diz colocando a cabeça no peito dele.
– Vem, vamos ficar na mesa com o pessoal mais um pouco, depois te levo pra casa. – diz Vagner dando um selinho em Mayumi e a levando de volta pra mesa.
Eles voltam de mãos dadas e bem sorridentes. Manuela logo nota e sorri, piscando para os amigos.
Algumas horas depois quando todos estão começando a ir embora, Vagner e Mayumi decidem fazer o mesmo.
– Nossa, ta muito tarde! Minha mãe vai me falar um monte. – diz Mayumi.
– Relaxa, fala que você estava com seu anjo que ela não liga. – diz Vagner rindo e dando um selinho em Mayumi.
Depois de um tempo ele chega a casa de Mayumi, mas ficam namorando um pouco dentro do carro.
– Nossa há meses que esperei por isso sabia? – diz ele beijando Mayumi.
– Meses? E mesmo assim esperou?
– E não me arrependo de nem um minuto japinha, nenhum. – diz a beijando de novo.
– Acho que o que a minha mãe fala é verdade. Você é um anjo mesmo.
Eles se beijam novamente e se despedem. O dia foi longo, mas muito proveitoso.
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