Entre Médicos
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Seattle, Washington
Edward Masen.
“Eu estou totalmente contente que depois da ultima sensação você tenha resolvido conversar Edward, mesmo que você tenha me acordado ás...” Tanya olha no seu relógio de pulso e volta a me encarar com um pequeno sorriso e a sobrancelha arqueada. “Quatro horas da manhã.” Reviro os meus olhos e solto uma bufada de ar, mas não era de raiva ou tédio, eu estava angustiado, nervoso e prestes a ter um ataque. Eu nunca verdadeiramente me senti assim, tão... Tão vulnerável e angustiado. Eu brincava com os meus dedos nervosamente enquanto a minha perna tremia levemente. Aparentemente, Tanya estava ligada a todos esses sinais. “Eu realmente pensei que nós não teríamos uma outra consulta depois da ultima sessão, mas estou feliz que eu esteja errada sobre isso.” Eu não tinha conseguido dormir, na verdade eu não andava dormindo na ultima semana, mas depois de ver Isabella e Emmett naquele bar, eu realmente não me sentia totalmente bem da cabeça.
“Bem, eu também pensava a mesma coisa.” Sou totalmente honesto enquanto batuco o meu pé no chão, e ela automaticamente traz os seus olhos para a minha perna.
“Na nossa primeira sessão, nós não conseguimos muita coisa, eu estou realmente curiosa para saber o que aconteceu.” Eu dei um pequeno sorriso irônico, na verdade na nossa primeira e ultima sessão, há dois dias, eu não tinha falado absolutamente nada. Tanya era uma mulher calma e doce, talvez isso tivesse me feito vir até ela novamente, ou talvez eu apenas precisasse de concelhos, eu não tinha amigos, não tinha ninguém próximo e provavelmente uma terapeuta seria a única que pudesse me dar um pouco de luz.
“Eu também não tenho muita certeza.” Dou de ombros e ela assente enquanto coloca o seu pequeno bloco de notas sobre uma poltrona que tinha ao seu lado e cruza as mãos sobre o seu colo enquanto volta a me encarar.
“Certo. Edward, para que eu possa tentar ajuda-lo, você precisa conversar e ser um pouco mais aberto comigo. Vamos começar com uma pequena pergunta; por que você fugiu na ultima consulta?” passo a minha mão sobre os meus cabelos nervosamente e volto a brincar com os meus próprios dedos enquanto eu não a encarava.
“Eu pensei que fosse idiotice estar aqui. Pensei que você não pudesse me ajudar.” Ela fica por alguns segundos em silencio e eu lentamente levanto a minha cabeça para que eu pudesse pega-la me encarando, como se analisasse cada pequeno movimento que eu dava.
“E agora você acha que eu posso?” dou de ombros e dou um pequeno sorriso enquanto volto com a minha mão até o meu cabelo.
“Eu espero que sim!” Tanya me da um pequeno sorriso enquanto acete lentamente com a cabeça. Ela relaxa o seu corpo sobre a poltrona e cruza as pernas enquanto coloca as suas mãos sobre o seu joelho.
“Ótimo, porque eu tenho a sensação que vamos ter algum progresso hoje.” Tanya volta a pegar o seu bloquinho de notas o colocando sobre o seu colo. “Você é o neurocirurgião chefe do hospital, estou certa?” eu apenas concordo com um balançar na cabeça. Eu não fazia ideia porque estávamos falando da minha profissão quando claramente o problema era outro, eu já tinha estado em um punhado de terapeutas e psiquiatras, e bem, o assunto era sempre o mesmo; Rose, Riley e Síria. “Porque decidiu ser médico?” franzi o cenho com a sua pergunta e ela me dá um outro sorriso, como se estivesse realmente interessada. Eu tinha uma enorme vontade de dizer para ela parar de fazer rodeios e começarmos realmente com o trauma, eu não gostava de enrolações, mas eu sempre me sentia bem quando eu falava da minha profissão, então talvez fosse um caminho bom a ser seguido.
“Hunm, eu venho de uma grande geração de cirurgiões. Meus bisavós, avós e meus pais seguiram esse caminho, e eu não me via fazendo qualquer outra coisa.”
“Você quis seguir os passos dos seus pais?”
“Eu nunca faria medicina se eu realmente não quisesse isso. Os meus pais sempre falavam sobre as suas grades cirurgias nos nossos jantares, e eu sempre achava fantástico como eles podiam salvar a vida de alguém, trazer o sorriso no rosto de algumas famílias, aquilo pra mim era magico. E eu sempre soube que era o que eu também queria fazer.” Tanya da um pequeno sorriso doce enquanto eu continuava a puxar alguns fios dos meus cabelos.
“Seus pais devem ser totalmente orgulhosos de você, á essa altura.” Eu apenas me limito a dar de ombros, eu não achava que os meus pais sentiam orgulho de mim por alguma merda ou coisa assim. Tanya volta a me analisar minimamente, como ela andava fazendo desde a primeira vez em que seitei nessa poltrona. “Você não acha que eles sentem orgulho de você?” volto a dar de ombros como se não fosse grande coisa, e realmente não era. Os meus pais não eram o ponto aqui. “Conte-me um pouco sobre eles.” Solto uma bufada de ar e reviro os meus olhos.
“Eles são apenas normais.” É tudo o que eu falo, apenas na esperança que ela se apegasse naquilo e mudasse de assunto, mas ela não o fez, Tanya continuou a me encarar com uma sobrancelha arqueada e eu me vi revirar os olhos pela enésima vez, me dando por vencido. “Minha mãe, Elisabeth, sempre foi doce e gentil. Aquele tipo de mãe fantástica que sempre faz tudo pelos filhos. Mas ela também sempre foi muito ocupada com o trabalho, mas sempre que podia estava presente. Meu pai, bem, ele sempre foi muito fascinado pela sua profissão, então era realmente difícil encontra-lo em casa. Eu costumava o ver apenas nos finais de semana, e somete à noite, quando eu estava indo dormir. Quando a minha irmã nasceu, eu pensei que ele provavelmente mudaria, mas obviamente ficou apenas um pouco pior. Ele costumava viajar bastante, para conferencias e ia muito visitar os seus hospitais espalhados por aí. Ele mudou apenas um par de anos depois, mas eu já tinha saído de casa a essa altura, então realmente não fez muita diferença pra mim.” Tanya assentia em cada palavra que saia da minha boca.
“Então você tem irmãos?”
“Tenho uma.”
“Então você é o típico irmão mais velho super. protetor?” ela me deu um sorriso, como se estivesse fazendo uma piada, mas eu sabia que aquela era apenas a maneira dela de querer saber mais sobre isso. Eu não me sentia confortável falando sobre isso, Irina era um ponto delicado a ser tocado, e ela aparentemente percebeu isso quando eu comecei a batucar os meus dedos dobre a minha coxa. Mas bem, ela não podia me culpar, era totalmente estranho lembrar de uma época doce da sua irmã, quando a ultima vez que eu a vi, foi apenas para que ele gritasse que eu era um assassino de merda.
“Eu costumava ser.” Eu gostaria de encerrar aquele assunto por ali, mas aparentemente aquilo não aconteceria. Tanya continuava em silencio, me encarando com os seus olhos avaliadores enquanto eu tremia feito um maricas. A um certo ponto, depois de alguns minutos em um silencio massacrante, eu senti uma enorme vontade de sair dali como da ultima vez, apenas levantar e ir pra casa, esquecer aquela conversa e tentar pensar por mim mesmo. Mas eu não podia fazer isso, eu não podia fugir sempre que o meu passado me assombrava, eu precisava resolver isso, por ela, por mim. E eu sabia que eu precisava de ajuda para conseguir isso.
“Quando Irina nasceu, foi totalmente estranho, eu tinha cinco anos e não me sentia preparado para uma irmã, bem, eu queria um irmão, não uma garota que se vestia de rosa o tempo todo e gostava de brincar de bonecas e fadas.” Me peguei dando um pequeno sorriso com a lembrança doce e reconfortante. “Mamãe me dizia que eu era o irmão mais velho e tinha que proteger aquela coisinha cor de rosa. Eu realmente tentei odiá-la ou ignora-la nos primeiros dias, mas Deus, quem consegue ignorar ou odiar um bebê.” Tanya e eu demos um pequeno sorriso enquanto ele concordava balançando a cabeça. “Dias depois ela me tinha enrolado no seu dedo mindinho. O meu pai nunca estava em casa, e eu levei a sério sobre o que a minha mãe tinha me dito. Então eu apenas tentava fazer com que Irina sempre me tivesse por perto. Em pouco tempo ela se transformou no meu mundo cor de rosa.” Dou um sorriso seguindo por uma careta quando a lembrança dela com três anos, pintando as minhas unhas de lilás veio na minha cabeça. Eu era tão patético perto dela. “Eu jurei sempre estar por perto. Já que o meu pai não estava, bem, eu sabia como era sentir falta de uma figura paterna por perto, então eu apenas segurei esse papel. Ela sempre foi a minha garotinha e eu sempre quis a proteger de qualquer coisa.” me peguei sorrindo com as pequenas lembranças que eu tinha da minha irmã, e Deus, eu realmente não tinha percebido o quanto eu sentia falta dela, e aquilo era esmagador.
“Você sempre foi o garoto que gostava de ajudar os outros?” Tanya me dá um grande sorriso e eu solto um longo suspiro, bem, este era o momento.
“Eu sempre gostei de me espelhar nas atitudes da minha mãe, ela sempre gostou de ajudar o próximo, seja com comida, roupas ou dinheiro. Ela gostava de me levar aos domingos á igrejas ou a orfanatos, para as suas doações semanais, e ela sempre me levava quando estavam distribuindo comida de graça, no pátio do hospital do meu pai, para os sem teto, ela adorava organizar esse evento, mesmo com o meu pai sendo contra. Ela olhava pra mim e dizia; Nós sempre devemos ajudar á quem precisa Edward. Eu levei isso comigo por um bom tempo. Eu apenas era apaixonado pelas coisas boas que a minha mãe fazia, eu me sentia totalmente orgulhoso dela.” Olho rapidamente para Tanya e ela estava totalmente focada em mim, era como se ela soubesse que vinham coisas grandes por ai. Solto um longo e pesado suspiro enquanto fecho os meus olhos com as lembranças. “Eu tinha seis anos quando os novos vizinhos se mudaram para a casa ao lado. Eu estava no gramado jogando bola quando o caminhão de mudanças parou logo em frente. Eu sempre fui um garoto curioso, então no momento seguinte eu corri para uma arvore próxima, apenas para observar. A primeira coisa que eu vi quando a porta do caminhão de abriu foi uma garota, ela aprecia ter a minha idade, mas parecia totalmente nojenta ao meu ver, ela era toda cor de rosa, com um urso rosa nos braços e cabelos loiros brilhantes. Era a personificação de uma Barbie mirim. Eu lembro que fiz cara de nojo e fiz uma pequena oração para que a minha irmã não se tornasse algo parecido com aquilo. A segunda coisa que os meus olhos pegaram, foi um garoto, ele tinha cabelos amarelos e devia ter a minha idade, e eu totalmente me animei. Eu não tinha realmente amigos, e ter um garoto da minha idade morando ao lado, era tudo o que eu sempre sonhei. Enquanto eu observava, foi apenas tempo o suficiente para que quando ele passasse em um poça de lama, ele fosse empurrado naquela direção pela garota rosa. Eu lembro que ele não fez nada a não ser abaixar a cabeça, e agarota apenas dava algumas risadas. Eu não gostei muito daquilo e atravessei o gramado. Era uma atitude totalmente idiota, mas eu totalmente já tinha odiado aquela garota sem ao menos conhece-la. Ajudei o garoto todo sujo de lama a se levantar.” dou um pequeno sorriso quando a lembrança passa pela minha cabeça como um filme. “E quando eu fiz isso, virei em direção à garota para insulta-la. Eu lembro que ela me olhava como se eu fosse um monte de merda. E quando eu a chamei de bonequinha de plástico nojenta e fedida, eu fui empurrado na mesma poça de lama onde o garoto tinha sido jogado. Eu lembro que ela olhou pra mim com um sorriso sínico enquanto jogou os seus cabelos e me deu as costas.” Olhei para Tanya pela primeira vez desde comecei a falar. Ela me encarava com curiosidade, mas quando ela notou que eu não iria dizer mais nada, ela se remexeu na sua poltrona, para ajustar a sua postura e sorriu.
“E o que você fez em seguida?” balancei a cabeça negativamente enquanto sorria e encarava o chão, perto dos meus pés.
“Eu me casei com ela um par de anos depois.” Voltei a olhar na sua direção e Tanya me encarava como se estivesse surpresa, mas ela sempre mantinha o bom sorriso no rosto.
“Então vocês se tornaram próximos depois disso?” eu neguei com a cabeça enquanto voltava a bater os meus dedos sobre a minha coxa.
“Não, totalmente não. Nós apenas nos odiávamos mais. Mas bem, eu e o garoto, que eu descobri ser irmão dela, nos tornamos melhores amigos depois daquilo. Fomos estudar na mesma escola, e foi inevitável não nos tornarmos próximos. Riley e eu erámos como irmãos, quando eu não estava na casa dele, ele estava na minha, era totalmente natural. Ele era sempre animado, feliz e nunca tirava o sorriso do rosto, nunca, e eu bem, eu era pessimista e muito pé no chão, mesmo com seis anos de idade, então nós éramos uma bela dupla.” Dou um outro sorriso com a memoria, mas não um sorriso alegre, lembrar dele nunca me fazia ficar realmente feliz. “Alguns anos depois os pais deles morreram em um acidente de carro. Riley ficou devastado, mas sabe de uma coisa, ele nunca tirava o sorriso do rosto, não que ele estivesse feliz ou coisa assim, porque ele tinha acabado de perder os pais com nove anos, mas ele fazia isso para que Rose não sofresse tanto, e eu totalmente queria ser como ele pra minha irmã. Eles tinham tios maternos que vieram ficar com eles. Riley não era mais o garoto sonhador de antes, mas nos continuávamos bons amigos, eu sempre me mantinha por perto. Os tios deles tinham um filho, Jasper, apenas alguns meses mais velho do que nós. Algum tempo depois, eles resolveram ficar morando na mesma casa dos Hale, o que foi um bom negocio. O que antes era apenas Riley e eu, se tornou, Riley, Jasper e eu. Ele era totalmente legal e pedalava bem, então andar de bicicleta ficou totalmente melhor.” Paro um pouco apenas para pegar um pouco de ar e tentar fazer a minha mente trabalhar em um ponto importante, franzo o cenho quando percebo que eu não me lembrava. “Eu não consigo me lembrar em qual ponto Rosalie entrou no nosso grupo, ou como ou quando eu parei de odiá-la, apenas aconteceu. Ela era totalmente feminina, mas eu comecei a acha-la bonita no final da quinta série e no ano seguinte eu estava muito mais próximo dela do que dos garotos. Ela me divertia, quando não estava realmente tentando me enlouquecer. Eu percebi que estava realmente apaixonado quando eu tinha treze anos. Eu era um garoto esquisito e ela era realmente a garota mais linda da escola. Eu só tomei coragem de falar sobre os meus sentimentos ao quinze anos, Riley me aconselhou a me declarar. Ela se declarou pra mim de volta e aquilo foi o céu. Nós fomos os primeiros um do outro, em absolutamente tudo. E ela se tornou o meu mundo inteiro em um pequeno espaço de tempo. Namoramos por cinco anos e depois eu a pedi em casamento.” Tanya assentia e parecia totalmente concentrada em qualquer pequena palavra que eu falava.
“Vocês quatro continuaram amigos? Eu digo depois do casamento, faculdade.”
“Sim, nós fomos para a faculdade juntos, todos fazendo medicina. Nós quatro fomos morar juntos em um apartamento em Massachusetts, mas quando nós nos casamos, nos mudamos para um outro apartamento, queríamos ter um lugar apenas nosso. Mas Riley e Rosalie, sempre foram muito ligados, Riley dizia que era pela ligação de gêmeos que eles tinham, ou alguma coisa assim, então ele vivia no apartamento, tecnicamente o tempo todo, mas não era algo que me incomodava. Jasper também se casou com uma colega de faculdade e foram morar sozinhos em uma casa, então Riley apenas praticamente se mudou para o nosso apartamento, ele não gostava de ficar sozinho, e nem Rose queria deixa-lo. Algum tempo depois, quando estávamos prestes a terminar a faculdade, Irina veio morar conosco, para começar a sua própria faculdade, então ela e Riley engataram um namoro pouco tempo depois. Eu me sentia confortável sobre isso, era totalmente bom saber que tinha alguém que realmente se importava com ela por perto. Quando nos formamos, Rose e eu voltamos para Chicago, compramos uma bela casa a alguns quarteirões de distancia da casa dos meus pais. Poucos meses depois Jasper e a sua esposa, Maria, também voltaram para Chicago. Era totalmente estranho morar longe do Riley, porque bem, nós erámos totalmente próximos, mas ele apenas não queria deixar a minha irmã sozinha. Irina sempre foi a filinha-do-papai e então como eu previa, ela não conseguiu ficar muito tempo longe da mamãe ou do papai, e resolveu dar continuidade a sua faculdade em Chicago. Tudo ficou perfeito de novo, todos nós juntos novamente, mas agora adultos, maduros. Todos nós fomos fazer a nossa residência no Chicago Masen. Um ano depois, ouve uma palestra no hospital, falando um pouco sobre os médicos militares, e um mês depois eu estava em um avião indo diretamente para o inferno, e levando os amigos juntos.” As lembranças daquela época vieram na minha cabeça me fazendo ficar um pouco atormentado. As palmas das minhas mãos começaram a soar e eu automaticamente as sequei na minha calça, Tanya, como sempre, observava cada pequena atitude minha.
“E porque você realmente, realmente decidiu ir?” pela primeira vez desde que eu tinha colocado os pés ali dentro, e desde que eu comecei a falar, ela anotou alguma coisa no seu bloquinho de notas.
“A Síria entrou em guerra no começo de 2011, eu realmente não sabia muito sobre isso, mas o assunto foi totalmente esse na palestra. Mas aquilo ficou na minha cabeça, como se tivessem implantando um parasita ali. Eu pesquisei sobre isso e fiquei um pouco assustado quando eu percebi que eles não tinham aumentado em nada sobre o que estavam falando. E eu acho que fiquei por duas noites em claro pensando sobre isso. Sobre a qualidade de vida que eles estavam perdendo tendo ali, sobre as mortes e a pouca falta de médicos. Aquilo me assombrou. Eu realmente nunca quis fazer medicina pelo dinheiro, até porque obviamente eu não precisaria trabalhar para tê-lo, eu queria ajudar as pessoas, queria que o meu dom pudesse se útil de alguma maneira. E na minha cabeça, eu poderia salvar um punhado de vidas naquele lugar. Quando eu falei com a Rosalie sobre isso, ela totalmente pirou. Guerra, realmente não era a palavra predileta dela. Mas quando eu comentei com o Riley sobre a ideia, ele totalmente me apoiou e disse que iria comigo, na época, eu fiquei totalmente animado. Riley sempre foi um cara bom, que sempre gostou de ajudar todo mundo, eu acho que ele sequer nunca matou uma barata. Se Rosalie já estava pirada com a ideia de que eu fosse, quando seu irmão comunicou que ia comigo, ela totalmente surtou. Rosalie e o irmão tinham um tipo de ligação muito forte. Quando eu não mudei de ideia sobre ir. Ela ficou sem falar comigo por duas semanas, foi realmente à primeira vez que tivemos uma briga feia. Então três semanas antes de realmente irmos, ela e Jasper fizeram um tipo de reunião conosco, eles disseram que não nos deixaria ir sozinhos e que estavam indo conosco. Eu gostei da ideia, mais duas pessoas para ajudar e eu não teria que ficar longe dela por tanto tempo. Quando eu estava dentro daquele avião, dias depois, eu não tinha ideia do inferno onde eu estava me metendo.” Soltei um longo suspiro enquanto apoiava a minha mão sobre o queixo e olhava para os meus pés. A sala ficou em um silencio longo, eu não sabia se eu queria mais falar sobre isso e Tanya parecia estar aguardando o meu tempo.
“Eu imagino o quanto isso deve ter sido ruim Edward, e qual grande é o trauma que isso causa na cabeça de alguém. Mas falar sobre isso pode te ajudar, pode me fazer ajuda-lo.” Sua voz soa compreensiva e mansa, mas eu dou um sorriso totalmente sarcástico.
“Você não tem ideia de quantas vezes eu falei sobre isso, com dezenas de pessoas como você.” arqueio as minhas sobrancelhas pra ela e Tanya apenas solta um suspiro curto, sempre mantendo a calma.
“Mas você está aqui agora Edward, então talvez seja eu a pessoa que possa fazer isso.” Estreito os meus olhos pra ela e os desvio rapidamente para a minha coxa, enquanto os meus dedos voltas a batuca-la. Comecei de forma monótona a falar desde o primeiro dia em que estive lá, cada paciente especial que eu tive, cada um que eu deixei morrer nas minhas mãos, ou nos acampamentos nada seguros em que estivemos, e eu via alguns soldados e colegas explodirem a metros de distancia de mim. Tanya ouvia tudo atentamente, sem fazer qualquer comentário ou pergunta, vez ou outra eu a pegava anotando alguma coisa. Enquanto eu falava sobre os três piores dias da minha vida, eu sentia algumas lagrimas descendo pelas minhas bochechas, mesmo que eu não quisesse que aquilo acontecesse, mas era totalmente impossível lembrar o meu melhor amigo e não me sentir um grande monte de merda. Contar sobre os três meses em que eu estive desaparecido também não foi à coisa mais fácil de falar. Tudo aquilo me esmagava, me deixava totalmente vulnerável, e doía como o inferno.
“Eu me sinto culpado, muito culpado por ter levado o Riley comigo. Ele era o meu melhor amigo, o meu irmão e eu sinto como se eu tivesse o matado, todo santo dia isso passa pela minha cabeça. E a imagem dele lá, sobre aquela areia maldita, cheio de dores, e que fui eu a pessoa que o deixou ir, isso... isso me destrói.” Eu não queria que as lagrimas descessem, eu não queria permiti-las, mas era totalmente impossível. Passei as minhas mãos sobre os olhos tentando seca-las, mas era pateticamente impossível.
“Você o tirou do sofrimento Edward, isso é muito maior do que a maioria de nós consegue, você foi totalmente forte. Você não pode se culpar pelas tragédias que acontecem pelo mundo, muito menos se culpar por eles terem ido com você. São escolhas Edward, escolhas que eles fizeram. Você realmente não tem ideia do quanto herói você foi, de quantas vidas passaram pelas suas mãos e você as salvou. Se você não estivesse lá, essas pessoas que passaram pelas suas mãos, não teriam ninguém por elas lá. Isto é um gesto totalmente nobre Edward. Você não foi o vilão, você foi o herói Edward, e seria fundamental se você conseguisse enxergar dessa maneira.” Dou um pequeno sorriso irônico enquanto cruzo os meus braços e olho em direção a Tanya, ela me encara como se realmente acreditasse nas suas palavras.
“Eu tentei por um tempo pensar dessa maneira, pensar que eu era o herói, mas a cada maldita noite durante o meu sono, ou quando eu via cada pequena coisa que me fizesse lembrar daquela época fatídica, eu não consigo ver dessa forma, tudo volta como uma fita e bagunça tudo novamente.” Tanya assente freneticamente.
“Isso é o que chamamos de estre....”
“Estresse pós-traumático. Sim eu sei.” Reviro os meus olhos, eu já tinha ouvido aquele diagnostico todas as vezes que eu entrava em um consultório como este. Ela ergue as sobrancelhas, ela muito provavelmente tinha ficado um pouquinho irritada.
“Exatamente. O tratamento não pode parar Edward, como paciente e como o bom neurocirurgião que você é, deve saber disso.” Assenti rapidamente, porque sim, eu sabia disso e bem, eu não seguia isso a risca a belos meses. Ficamos por mais alguns minutos em silencio, provavelmente Tanya estava esperando que eu falasse alguma coisa. Mas ela sempre observava, o tempo todo. “Você se sente pronto para compartilhar o que aconteceu quando você voltou?” ela mudou de assunto, depois de muitos minutos em um silencio perturbador. Respiro fundo algumas vezes e balanço a cabeça positivamente.
“Eu voltei totalmente perturbado. Tudo tinha acontecido de uma maneira muito louca. Sequer eu conseguia acreditar que Riley estava mesmo morto, que eu nunca mais o veria. Sequer teria algum corpo para o enterro. Os três meses que eu passei com aquele casal, foram tento pesadelos e flashbacks rápidos de tudo o que tinha acontecido e aquilo me apavorava, me apavorava de uma maneira assustadora, era como aqueles dias no deserto nunca fossem embora da minha cabeça. Quando eu estava dentro do avião de volta pra casa, eu pensei que pela primeira vez em meses eu poderia dormir tranquilo, eu poderia talvez, tentar seguir a diante. Eu vim planejando uma maneira de pedir perdão a Rosalie por não ter cuidado do seu irmão, uma maneira de fazer com que Jasper não me odiasse, e uma maneira de tentar consertar o meu cérebro fodido. Mas quando eu cheguei aqui às únicas pessoas que estavam ali por mim eram os meus pais e o meu cachorro, Sony. Eu lembro de abraçar a minha mãe forte no meio do aeroporto e lembro da maneira como ela chorou enquanto afagava a minha cabeça da maneira que ela costumava fazer quando eu era apenas um garoto. E naquele dia, pela primeira vez em toda a minha existência eu vi o meu pai chorar enquanto me abraçava com força. E naquele momento eu percebi que eu não era o único que estava com cabeça fodida ali. Eu tinha bagunçado os meus pais também.” eu não conseguia falar sobre aquilo, nem pensar nos meus pais naquela época, sem derramar algumas lagrimas. Apoiei os meus cotovelos sobre as minhas pernas e curvei o meu corpo, enterrando o meu rosto sobre as minhas mãos enquanto as lagrimas desciam, e eu não percebi que eu estava soluçando até sentir o meu corpo balançando um pouco.
“Tudo bem, Edward. Entendo que isso seja difícil. Continue apenas quando você se sentir confortável.” Ouvi Tanya sussurrar, e senti a sua mão no meu ombro, dando um leve aperto. Certo, eu tinha que me controlar e seguir adiante. Respirei fundo algumas vezes tentando acalmar as batidas do meu coração.
“Eu não perguntei por Rosalie até o meu pai estacionar o carro em frente à casa deles. Eu não lembro exatamente porque eu não perguntei por ela primeiramente, mas talvez eu estivesse com medo. E quando eu perguntei, minha mãe apenas disse que eles tinham ido embora. Eu enlouqueci no momento em que ela disse isso. Peguei o carro do meu pai e corri até a nossa casa. E estava vazia, totalmente e absolutamente vazia, os moveis continuavam lá, todas as fotografias também estavam lá, mas ela não ela estava, nem ela nem as suas roupas, nem sequer uma explicação. E aquele dia foi a primeira vez que eu tive uma crise de pânico.” Tanya estreita os olhos na minha direção como se estivesse realmente curiosa.
“O que exatamente aconteceu?” lembrar de todas aquelas sensações novamente, fizeram os pelos do meu braço de eriçarem.
“Foi uma mistura louca de sentimento e pensamentos, em um momento eu estava à procura de alguma resposta no seu closet e no outro, eu estava sentado no chão, tento uma enorme crise de choro, e como um filme tudo voltou novamente, as piores lembras eram os últimos dias do Riley. Eu lembrava da ultima vez que eu vi Rosalie e ela me mandou cuidar do seu irmão, e o pensamento de nunca mais ver qualquer um deles me apavorou. Eu tive uma crise de falta de oxigênio, e pensei que eu fosse morrer naquele momento. Eu sou um médico, mas naquele momento eu não estava pensando com coerência, eu pensei que estivesse infartado. Então eu não lembro mais de nada, apenas de acordar em um hospital com a minha mãe chorosa do meu lado. Depois daquele dia, e de um conversa com os meus pais, eu decidi fazer terapia. Mas eu nunca cansei de procura-la, nunca. Eu contratei alguns detetives, tentei encontrar por mim mesmo, qualquer vestígio, qualquer pequena pista, eu precisava pedir perdão. Eu fui trabalhar no hospital do meu pai seis meses depois que eu voltei. Mas eu não estava totalmente ali, eu não estava totalmente focado na minha carreira, todos os dias era uma loucura não encontra-la, não saber onde ela tinha ido. Eu continuei com a terapia, continuei tomando os remédios. Os flashbacks tinham diminuído, eu conseguia dormir com os remédios, mas mesmo assim, eles não eram o suficiente para me manter dormindo a noite toda, eu sempre acordava no meio da madrugada com pesadelos.”
“Você continua com os pesadelos e flashbacks?” quando a imagem de bonitos olhos castanhos vieram na minha cabeça, eu dei um pequeno sorriso negando em um balançar de cabeça. Tanya se remexeu na sua poltrona e inclinou o corpo um pouco para frente, como se estivesse curiosa sobre isso. “O que você acha que fez com que acabassem?”
“Isabella.” O nome dela não saiu mais do que um sussurro da minha boca, mas foi o suficiente para que o meu coração acelerasse um pouco. Tanya parecia um pouco surpresa quando ela ergueu as sobrancelhas. Dei um longo suspiro enquanto resolvi continuar antes que ela falasse alguma coisa. “Dois anos depois, eu sequer vivia, eu ia pro hospital, ia para as terapias, não tomava mais os remédio porque eu achava que não faziam efeito. E eu procurava por eles. Eu precisava pedir perdão. A minha vida tinha se tornado totalmente miserável. A minha irmã, a minha doce e bonequinha Irina, me odiava, ela não falava mais comigo desde que eu tinha voltado e tivemos uma briga, terminando com ela me chamando de assassino. Foi em uma tarde de inverno, perto do natal, quando os meus pais me chamaram no escritório do meu pai. Desde que eu tinha voltado ao hospital, eu estava dado continuidade a minha especialização. Mas o meu pai não estava satisfeito com o meu desempenho, obviamente. Eles conversaram comigo, e principalmente a minha mãe, me aconselhou a mudar de cidade.”
“Eu não vou embora mãe, eu não posso ir, se ela voltar e eu não estiver aqui eu...”
“Edward, pelo amor de Deus, você consegue se ouvir?” minha mãe saiu do lado do meu pai, e caminhou na minha direção, eu ainda estava sentado na poltrona em frente á mesa do meu pai, então minha mãe de ajoelhou no chão, ficando da minha altura. Ela colocou as suas duas mãos, uma em cada lado do meu rosto e me fez encara-la. Ela tinha lagrimas nos seus olhos bonitos e eu senti vontade de chorar também. “Edward, filho, eu não consigo mais olhar pra você desse jeito. Você nem sequer está vivendo Edward. Por deus. Ela não vai voltar. Você é um homem tão incrível filho, um homem bonito, carinhoso, charmoso, educado e inteligente. Você merece o mundo. E principalmente merece viver. Eu totalmente entendo que Rosalie foi uma parte muito bonita da sua vida e muito importante, e eu sei que você a ama, todos conseguem ver isso. Mas Edward, ela não é o seu mundo, ela não é mais importante do que a sua vida. E eu sei que vocês compartilharem momentos muito bonitos, mas agora acabou querido. Eu sei que a Rosalie estará pra sempre em um parte muito especial do seu coração, mas escute, e escute com atenção; Um dia, em um dia qualquer, sem sequer que você esteja esperando, vai aparecer alguém, alguém que vai curar todas essas feridas que você guarda ai dentro, uma pessoa que vai se tornar tão especial pra você quando ela foi um dia, e você sequer vai notar isso, porque você vai estar ocupado de mais amando essa pessoa.” Minha mãe secou com os seus polegares algumas das minhas lagrimas que desciam da minha bochecha.
“Isso não vai acontecer mãe.” Nego veemente enquanto ela arfa um pouco tentando normalizar a sua respiração no meio das suas lagrimas, eu odiava ver a minha mãe chorando.
“Rosalie foi o seu primeiro amor querido, e isso é muito especial, é algo que vai fazer com você lembre dela para sempre. E lá na frente, você vai pensar que nem sequer era amor de verdade, mas não significa que não seja, foi amor pelo que você sabia que o amor era. E quando o verdadeiro amor da vida aparecer, vai chegar de repente e você sequer vai notar, porque você não vai estar procurando por essa pessoas, nem muito menos procurando por um outro amor, mas ele vem até você. Você pode até tentar colocar qualquer barreira, mas ela quebrará. Ela vai ser totalmente diferente do tipo de amor que você estava acostumado, mas vai fazer você se perder todos os dias, e você vai perceber aos poucos que isso é maravilhoso. Você vai querer estar com essa pessoa o tempo todo, e você nem vai perceber isso. E você vai amar tudo nela, até as possíveis bagagens que venham junto com ela. E você vai querer se casar com ela e ter filho com ela e formar uma família com ela. Você vai agradecer ao universo todos os dias por ela. E você vai perceber aos poucos que aquilo sim é amor.”
“Como você sabe disso?” minha mãe sorriu no meio das suas lagrimas, e deu uma rápida olha para o lado, onde estava o meu pai, ela tira uma das suas mãos do meu rosto, e pega a mão no meu pai na sua, dando um pequeno aperto nela, voltado a me olhar.
“Seu pai não foi o meu primeiro amor, querido, mas é o amor da minha vida. E quando a sua aparecer, eu espero que você consiga entender os sinais.”
Um sorriso se formou nos meus lábios com a lembrança perdida. Eu não tinha sequer lembrado sobre isso até o momento, e Deus, a minha mãe nunca esteve tão certa. Era como se aquela lembrança perdida tivesse acendido uma pequena tocha no meu coração, fazendo todo o meu corpo ficar aquecido.
“Eu não estava esperando me apaixonar quando me mudei para Seattle, eu só estava pensando no trabalho. Mas quando ela apareceu foi como... Como se eu estivesse sem ar e tivessem do me dado um pouco de oxigênio. Quando Aro me colocou no programa para os internos, eu... Eu odiei a ideia, tinha um ano que eu estava morando aqui, e eu não tinha nenhum amigo, nenhum colega, porque eu não queria ter pessoas próximas. Mas ai naquele dia, no primeiro dia em que ela apareceu nesse hospital, eu soube no momento em que eu a vi, que ela seria encrenca. E eu nunca estive tão certo. Ela é linda, sabe, ela tem os olhos mais bonitos e brilhos que eu já vi, e eles brilham sempre que olham diretamente nos meus, é como se ela conseguisse ver algo, que ninguém mais consegue, nem sequer eu mesmo. E o cabelo dela, o cabelo dela é da mesma cor dos olhos, mas quando o sol reflete neles, é como se o mundo todo brilhasse, eles ficam em uma cor eloquente entre ruivo e marrom que a deixam ainda mais maravilhosa.” Faço uma pausa apenas para dar um sorriso ao lembrar dela. “Kate Deville, foi a nossa primeira paciente juntos. Eu tinha prometido que um deles me auxiliasse na cirurgia, mas apenas o que me desse o diagnostico certo. Bem, eu realmente não fiquei muito surpreso quando foi ela quem me deu o diagnostico correto, Deus, ela é tão inteligente. Mas eu queria irrita-la, eu não queria que ela ficasse perto de mim por muito tempo, como eu disse, eu sabia que ela era encrenca.”
Dei uma pausa por alguns segundo antes de continuar, apenas para que eu me pegasse sorrindo novamente, um enorme sorriso, o sorriso que eu sabia que ela adorava. “E ela me enfrentava de uma maneira que me tirava do sério. Mas não porque ela é arrogante, é porque ela não tem filtro algum, não porque ela é má, é porque ela não consegue segurar algumas palavras. E aquilo me encantava, claro que eu não diria isso pra ela. A primeira vez que eu a beijei, ela ainda me odiava e eu também tentava odiá-la. Um paciente importante tinha morrido nas minhas mãos e eu estava frustrado quando ela entrou na sala de descanso. Foi como um imã, sempre é como imã, quando eu estou falando dela, é como se ela me puxasse, como se estar perto dela fosse o certo. E quando eu a beijei naquele dia, foi como... como se eu fosse daltônico e estivesse vendo o mundo como ele é pela primeira vez. E então ela me deu um tapa, e merda, eu só conseguia ver como ela era perfeita. A segunda vez que nos beijamos, foi o céu, aquele deveria ter sido o primeiro beijo, porque foi perfeito. Foi como um sopro de ar fresco diretamente no meu coração, um sopro não, foi como um tsunami, e eu soube naquele momento que eu estava totalmente perdido. Ela e o Noah se tornaram em pouco tempo os meus salva-vidas, como se eu estivesse me afogando o tempo todo a deriva, e eles tivessem me salvado.”
“Noah?” Tanya franziu o cenho e eu novamente sorri.
“Noah é o filho dela, ele é o garoto de seis anos mais perfeito que eu já conheci, quer dizer, eu não convivi muito com crianças, mas com o Noah é natural, ele é o meu melhor amigo, e provavelmente me entende melhor do que qualquer pessoa, ele é carinhoso e engraçado, ele me diverte e ele disse uma vez, que eu era o seu herói, eu ganhei o meu dia com aquilo.” Senti uma pequena lagrima quente descendo pela minha bochecha, mas eu não me importei em seca-la. “Quando nós três estamos juntos é como se o mundo estivesse certo, como se aquilo fosse o certo, eles completam todo o vazio que eu tinha aqui dentro. Quando eu estou com eles eu nem lembro que Rosalie, Jasper ou Riley existem, na verdade, quando eu estou com a Isabella, eu sequer lembro quem eu sou, eu mal lembro o meu nome. Ela me salvou Tanya. A primeira vez que eu dormi tranquilamente, sem sonhos, sem pesadelos, ou lembranças, foi nos braços dela. Sempre nos braços dela, ou quando o Noah vinham deitar com a gente e ela contava a historia do Peter Pan, Deus, eram as noites perfeitas da minha vida. Mas eu estraguei absolutamente tudo.” Puxei os meus cabelos com as minhas mãos, soltando uma grande bufada de ar, e eu percebi que essa tinha sido a primeira vez que eu tinha reconhecido tudo o que eles eram pra mim, e a importância deles na minha vida. Porque sem eles eu sequer tinha vida.
“O que aconteceu?” com um suspiro longo começo a contar desde as ligações estranhas de números desconhecidos, desde não contar pra ela sobre a minha historia, a chegada da Rosalie, até as ultimas horas, quando eu a vi beijando Emmett Fodido McCarty. Tanya apenas ouvia tudo atentamente, totalmente concentrada em tudo o que eu falava. “Foi por isso que você me ligou?”
“Sim! Eu sai de lá totalmente perturbado, eu precisava conversar, precisava saber o que eu tinha que fazer, como eu tinha que prosseguir.” Passo as mãos no meu rosto e Tanya nega veemente.
“Eu não tenho que lhe dizer o que fazer Edward. Eu apenas tenho que ouvi-lo e aconselha-lo, mas está é uma decisão sua, sobre a sua vida e o seu futuro.” Dou um sorriso torto e aceno com a cabeça.
“Eu sei, eu sei agora.” Tanya sorri e assente.
“Eu entendo totalmente você Edward, é obviamente natural você ficar confuso e totalmente perdido. De um lado você tem a sua esposa, a mulher que você cresceu do lado, quis construir o seu futuro e que você passou metade da vida com ela, e que por uma tragédia ela foi embora, mas está de volta querendo uma reconciliação. Do outro, você tem uma boa mulher ao seu lado, que te ajudou a superar os seus medos e traumas, que fez você ver o mundo como ele é, a pessoa que esteve com você quando ninguém mais esteve e também tem uma criança no meio disso, você não é o pai, mas está envolvido com a mãe dele, então isso o inclui na equação.” Eu apenas concordo com cada palavra que ela fala, mas eu estava sorrindo, sorrindo porque eu já não estava mais tão confuso, a memoria da conversa com a minha mãe, foi como se alguém tivesse tirado uma venda dos meus olhos. “Mas você quer saber o que eu vejo?” Tanya sussurra quando eu estava prestes a dizer que eu estava indo embora. Franzo o cenho e me mexo um pouco na poltrona.
“Claro, claro que sim.” Eu já estava com a ideia certa na minha cabeça, eu sabia que eu a amava, aquilo era tão obvio.
“Olhando pra você falando delas eu vejo uma enorme diferença, Deus, eu estava aqui vendo e analisando você, e as suas reações deixam absolutamente claras as suas escolhas. Rosalie, sua esposa, parece ser uma pessoa maravilhosa, e você parece realmente que a amou, eu vejo pela maneira doce e serena que você fala sobre ela, ou o pequeno sorriso que você dá sem ao menos perceber. E Isabella, bem, isso já muda completamente, você fala dela como... como se estivesse falando da melhor coisa do mundo, eu vejo os seus olhos brilharem e o sorriso verdadeiro quando você fala sobre ela ou sobre o filho dela, você divaga sobre ela e sequer percebe isso. Sabe de uma coisa Edward, algumas pessoas dizem que somos sim capazes de amar duas pessoas ao mesmo tempo, mas eu totalmente discordo. Você pode gostar e estar apaixonado por uma pessoa, e amar outra. Mas são coisas completamente adversas, são sentimento diferentes que você tem que colocar na balança, quando você ama alguém você realmente sabe que é amor, quando você está ao lado dela e mesmo sem falar nada ela te faz a pessoa mais feliz do mundo, ou quando você está tendo um dia péssimo e apenas o sorriso daquela pessoa te faz ficar feliz, isso com certeza é amor. Exigem varias formas de amor, mas você geralmente sabe quando é amor certo, quando é a pessoa. As vezes Edward, você nem sequer a ama mais, mas ama as memorias, ama as lembranças que viveu ao lado dela, e isso não é errado, é totalmente certo e muito bonito.” Tanya sorriu, talvez o sorriso mais verdadeiro que eu já tinha ganhado dela, e eu não estava diferente, eu sorria também.
“Obrigado Tanya, eu preciso ir agora.” Fico de pé em um pulo rápido e Tanya rapidamente também fica de pé um com pequeno sorriso.
“Não tenha mais medo da felicidade Edward, ela está bem na sua frente basta agarra-la e nunca mais soltar.” Tanya coloca a mão no meu ombro, eu sentia o coração bater quase na minha garganta.
“Eu não sentia medo porque achava que ela não era a pessoa certa, eu só... Eu só estava aterrorizado porque no fundo eu sabia que ela era.” Tanya caminha comigo até a porta do seu escritório ainda com a mão no meu ombro e antes de abrir a porta, ela se vira pra mim.
“Você tem que conversar com ambas Edward, seja qual for a sua escolha, você tem coisas inacabadas com as duas, então antes de qualquer coisa; converse. Eu notei que você falou muito sobre pedir perdão a sua esposa, então peça, não á nada que o impeça de fazer, isso vai fazer você se sentir melhor, deixar o passado onde ele tem que ficar. E por favor, não deixe de vir Edward, as terapias são importantes, venha por você, nós ainda temos coisas a serem trabalhadas.” Dei um sorriso e assenti.
“Eu voltarei.”
“Ótimo. Oh, como profissional, eu tenho que dizer que se você decidir dar uma chance a sua esposa, venham para uma terapia de casal, isso pode ajudar.” Ela me dá uma piscadela e abro um sorriso.
“Não vamos precisar.”
“Eu já contava com isso.” Tanya abre a porta e assim que eu passo por ela, puxo todo o ar que os meus pulmões aguentavam até soltar novamente e abrir um sorriso, eu me sentia leve, eu me sentia feliz e eu sentia que eu estava amando. Bem, eu já estava há muito tempo, mas era ótimo reconhecer isso pra mim mesmo. Dou um outro sorriso, antes de sair caminhando pelo hospital, pego o meu telefone no bolso da minha calça e com um grande sorriso disco o número da Rosalie. Nós realmente precisávamos conversar, antes que eu pudesse ir em direção a minha felicidade.
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