Entre Médicos
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Seattle, Washington.
Edward Masen.
Ela corava. Eu não me lembrava a ultima vez que vi uma garota corar, e tenho que ressaltar que ela corava sempre, na maioria das vezes quando ela sorria, aquilo a tornava única, especial e incrível. Pelo menos era incrível pra mim. Os observando de longe, eu tirava a conclusão que a falta de profissionalismo era gritante ali. Eu não conseguia identificar qual era o mais imaturo. Talvez fosse Emmett, ele nunca perdia a piada e sempre tentava ficar por dentro do radio-corredor desse hospital. Mas também tinha Alice, sempre parecendo uma eterna menina de 15 anos sonhando com o príncipe e seus laços cor de rosa. Ou provavelmente era Mike, ele era como um ser virginal, com 14 anos, que adorava falar mal das mulheres por trás, mas quando elas chegavam perto, sempre se tremia como um maricas. Mas uma coisa eles tinham em comum, eles eram um bando de fofoqueiros, Isabella, bem, até ela se incluía, mas eu não conseguia ver maldade ali, pelo menos não nela. Eles tinham realmente muito que aprender.
Eles não tinham me visto ainda, então continuavam fofocavam como senhores idosos. Mas ela estava lá, linda e encantadora como sempre. Eu sorri apenas em lembrar da noite que passamos juntos. Bem, depois de um ano sem sexo, eu já nem me lembrava o quanto isso era bom, e com Isabella, bem, era incrível. Coloquei as mãos pra trás e caminhei lentamente até lá, tentando ver o que eles falavam. Não foi preciso ouvir muito pra saber que era de mim. Fodidos seres humanos, se eu estava de mau humor, era tachado como arrogante, estupido e até Hitler. E se eu aparecia de bom humor, também era criticado. Mas hoje eu estava feliz, muito feliz e Isabella era o motivo. Foda-se. “Isso aqui não é uma feira, é um hospital, parem de fofocar como velhas e vão trabalhar.” Eles me olharam assustados, mas ela estava corada – como sempre – ela era tão bonita, que eu poderia ficar olhando pra ela pra sempre, apenas à procura de algum defeito que eu sabia que não encontraria. Dei-lhe um pequeno sorriso, rápido, apenas pra mostrar o quanto ela me fazia bem.
Eu queria lhes dar mais uma bronca e mandar todos irem trabalhar, mesmo o meu humor estando ótimo hoje, eu confesso que adorava ver o quanto eles temia a mim. Perverso, mas sincero. Antes que eu abrisse a boca meu pager bipou. Olhei a mensagem e me chamavam na emergência. Antes de sair olhei para cada um com um olhar duro e frio, na clara mensagem para irem procurar alguma coisa pra fazer. Enquanto eu dava passos rápidos até o elevador outra mensagem chegou. Parecia ser alguma coisa realmente seria. Coloquei um sorriso no rosto e comecei a assoviar quando entrei no elevador. Eu me sentia tão leve e incrivelmente feliz. Outros dois médicos entraram no elevador e se entreolharam e depois olharam pra mim. Um homem não pode assoviar? Quando as portas se abriram para a emergência eu lhes dei um sorriso. “Tenham um bom dia.” Eles arregalaram os olhos e eu dei um pequeno sorriso.
A emergência não estava uma loucura como de costume. Mas uma ambulância tinha acabado de chegar com uma maca. Eu corri até eles deixando o sorriso morrer ao ver três homens ao redor dos paramédicos e enfermeiros, com os uniformes do exercito amaricado, na maca, com os olhos abertos também um soldado. Eram médicos militares, eu reconheceria aquele uniforme de combate ao longe. Eu paralisei no momento em que os vi e vi aquele homem com o olhar de desespero. Um frio subiu pela minha espinha me fazendo ficar atordoado. Lembranças que eu não quis, vieram como um filme.
Síria. Acampamento militar – final de 2012.
“Isso é quente como o inferno. Jesus Cristo.” Ele vinha correndo e secando o suor da sua testa com sua camisa. Dei um pequeno sorriso e olhei para o céu azul e o sol laranja a cima de nós. Ele era um reclamão, mas nisso ele estava certo, isso era quente como o próprio inferno. Ele bufou e sentou-se na areia do meu lado, sua respiração estava pesada e ele também olhava pra cima, o céu bonito e o sol escaldante. “Parece um belo dia.” Ele sorriu olhando pra mim, eu sorri como se ele estivesse sendo irônico, mas ele não estava. Porque ele tinha razão, estava um belo dia. A calmaria me assustava e o dia bonito também, aqui nunca era bonito. Estava calmo de mais e algo estava errado. “Por que você não para de ser um velho e vem jogar com a gente?” neguei veemente sorrindo e olhando para o chão, onde eu brincava com um pedaço de graveto na areia quente. “O que você está fazendo ai?” ele me empurrou com o ombro para o lado e viu minha letra borrada e torta rabiscada no chão. “Malditas letras de médicos.” Ele bufou fazendo-me rir. “O que tem escrito ai?”
“Morrer na guerra, é melhor que morrer por nada.” Ele fez uma careta e revirou os olhos.
“Dr. Masen. Este é o soldado Jeff Cliff, 26 anos, foi atingindo por um caminhão enquanto trafegava com seu veiculo na avenida principal, ficou preso nas ferragens. Traumatismo craniano, torácico e abdominal. Hipotensão persistente após dois litros de soro. Pulso fraco a 129.” Charles o paramédico veio correndo com o paciente até mim, eu me senti em pânico. Como se tudo fosse voltar, como se eu estivesse de volta no passado. Olhei para o homem, ele tinha seus olhos abertos, a cabeça em uma lesão exposta.
“Tudo bem, vamos lá. Eu quero que bipem alguém da cirurgia geral, pra já.” A enfermeira assentiu. Corremos com ele para o trauma dois. Os seus amigos vieram correndo atrás, mas uma enfermeira os impediu de continuar. Enquanto os paramédicos e a residente corriam com a maca até o trauma, procurei a correntinha que eu sabia que ficava presa ao redor do seu pescoço, então segurei sua dog tag e senti minhas mãos tremerem, a ultima vez que eu tive uma daquelas entre meus dedos, foi um dos piores dias da minha vida. Aquelas plaquinhas me faziam gelar. Eu queria sair daqui. “Tragam quatro bolsas de sangue B+. Escute Jeff, sou o Dr. Edward Masen da neurocirurgia. Você teve fraturas múltiplas então tente não se mexer. Você consegue responder Jeff?” ele não respondia, mas olhava tudo atentamente.
“Ele não está respondendo.” Mary, a residente de neurocirurgia que já estava com ele quando eu cheguei olhou seus sinais vitais.
“Possível hemorragia cerebral.” Conclui tirando as mantas de cima do seu corpo e retirando as fachas do seu abdômen.
“Pupilas iguais e reagentes.” Ela respondeu voltando a olhar sua cabeça. Ele era um rapaz jovem, com uma vida toda pela frente, tinha familiares, amigos e pela aliança no seu dedo, era casado. Se ele queria arriscar a sua vida na guerra, não seria em minhas mãos e muito menos nesse hospital que ele morreria.
“Tórax direito instável, precisamos de um cateter 36.” Ela disse para uma enfermeira que tratou de ir buscar. Eu tinha que agir, mas eu não sabia como. Fodidas memorias, fodida guerra. “Dr. Masen, PA ainda baixa e taquicardia, depois de duas bolsas de sangue.” Mary era boa, eu tinha sorte dela estar comigo aqui. Eu nunca me senti tão vulnerável. Nunca.
“Pode ser hemorragia torácica. Coloque duas bolsas de sangue no infusor.” Carli, a enfermeira veio colocar as minhas luas. “Preciso do perfil do trauma e raios-x, do tórax e abdômen. E liguem de novo para o centro cirúrgico, eu vou precisar de uma sala pra ontem. Chamem de novo alguém da cirurgia geral.” Carli trouxe o tubo e um bisturi. “Isso pode doer, mas vai te ajudar, tente ficar calmo.” Fiz um corte entre o tórax e o abdômen e inseri o tubo. Ele respirou ofegante e arregalou os olhos. “Sinto muito. Você pode me falar algo? Você consegue?” ele tentou falar, mas as palavras morreram na metade. “Okay. Quero uma TC do crânio, agora!”
“Doutor, no ultrassom tem hemorragia na barriga. Não temos tempo pra TC. Talvez seja melhor alguém da cirurgia geral dar uma olhada antes.” Vire-me pra ela e arqueie uma sobrancelha. “Eu só estou dizendo que o nível de coma não mudou e...”
“Está me contradizendo?” ela abaixou a cabeça e bufou. Todos eles queriam me ver furioso hoje. E estavam realmente conseguindo. “Faça exatamente o que disse. Agora! quando estiver pronto, mande me bipar. E eu quero os exames pra já.” Joguei as luvas no lixo e sai do trauma passando as mãos no rosto. Eu estava frustrado. Como podia, uma pessoa acordar de tão bom humor e acabar o dia assim? Isso era frustrante. Maldita raça humana.
“Como ele está?”
“Por que você está aqui?”
“Você não tinha que estar com ele na sala de cirurgia?” seus amigos me barraram. Todos uniformizados deixando bem claro o que eles eram. Aquele uniforme, aquelas cores. Tudo estava me deixando tonto. Olhei para a pequena bandeira do país na manga da sua camisa e fechei os olhos.
Síria. Acampamento militar – final de 2012.
“Ah, vocês são tão lindo juntos que me deixam emocionado.” Ele nos abraçou mesmo com meus protestos. Ele estava soado e fedorento. Mas ela sorria, porque não tinha nada que ela amasse mais que o irmão. Senti uma pequena pontada no meu coração, o dia estava estranho.
“Tempestade de areia vindo em nossa direção, temos ordem de recuar.” Joan, um dos soldados apareceu correndo e ofegante, dois helicópteros sobrevoavam o céu, e os homens ali no acampamento corriam de um lado pra o outro pegando seus acampamentos.
“Recuar pra onde?” estreitei os olhos olhando ao arredor.
“Temos homens feridos chegando no acampamento sul, só tem dois médios e uma enfermeira lá. Eles precisam de nós. O capitão nos mandou ir pra lá.”
“Doutora, você vai no helicóptero com alguns feridos e com mais alguns soldados. O resto de vocês vão se dividindo nos carros.” O Sargento gritou enquanto corria em nossa direção, o vento já estava ficando mais forte levantando a areia e embaçando nossas vistas.
“Só por que eu sou mulher tenho que ir no helicóptero? Se eles vão no carro, eu também vou!” ela cruzou os braços. Sempre tão mandona.
“Doutor? Doutor? Você tá me ouvindo? Qual é o seu problema cara?” um dos homens me deu um empurrão no ombro fazendo meu corpo cambalear um pouco para trás me fazendo acordar.
“O paciente está estável no momento. Eu pedi uma série de exames pra ele, não posso leva-lo para uma sala de cirurgia sem saber o que está acontecendo. Em poucos minutos os exames vão ficar prontos. Um cirurgião geral também já vai dar uma olhada nele.” Saiu no automático olhei pra eles mais uma vez antes de sair dali. Eu me sentia tão bem essa manhã, meu coração amanheceu tão leve, como em anos ele não ficava, e minha alma, era como se ela tivesse sido lavada de toda a dor e sangue que eu presenciei. Mas agora, agora era como se tudo tivesse voltado de novo. Como se tudo que eu lutei pra esquecer e que eu tinha conseguido até agora, tivessem sido inúteis. Andei por toda a emergência praticamente correndo, eu queria sair de perto deles, de todas essas pessoas, eu só queria ficar sozinho um pouco. Fui até um quarto que estava vazio e me tranquei lá, deixei meu corpo descer pela porta até ficar sentado no chão. Passei minhas mãos no cabelo até o rosto. Eu me sentia angustiado. Aquele paciente... Aquele uniforme de combate... Provavelmente eu precisaria de mais uma porrada de seções de terapia. De novo. Fechei os olhos e prendi meus cabelos entre os dedos. Memorias que eu não as queriam bateram na porra do meu cérebro. Coloquei minha mão por cima da cicatriz enorme na minha perna e apertei. Aquilo sempre estaria ali para me lembrar o dia que o inferno começou.
Síria. Acampamento militar – final de 2012.
Dor. Minha cabeça pesava uma tonelada. Dor. Eu não conseguia me mexer. Dor. Minha garganta estava seca e eu não conseguia abrir meus olhos. Dor. Meus pulmões reclamavam por oxigênio e eu não conseguia dar isso a eles, eu tentava respirar, mas tudo que eu sentia eram quantidades de areia entrando pelas minhas vias nasais. Tentei abrir meus olhos lentamente, tudo estava embaçado. Confusão. Fechei rapidamente meus olhos e tentei me lembrar. Riley. Joan. Acampamento. Futebol. Ela. Tempestade de areia. Os helicópteros sobrevoando o céu. O carro. A explosão e a escuridão. Tínhamos sido atacados. Abri meus olhos rapidamente e tudo que vi foi fumaça e uma boa quantidade de areia agitada. Tossi tentando olhar ao redor, minha cabeça latejava e meu pescoço doía. Tudo que eu via era areia e um deserto imenso. A fumaça entrava pelos meus poros e incomodavam meus pulmões que ainda lutavam por ar. Tossi e senti areia sair pela minha boca, eu estava sedento por água. Eu estava morrendo? Eu nunca soube qual era a sensação de morrer, e não queria descobrir tão cedo. Mas alguma coisa estava errada, o meu corpo estava errado, meus membros não se mexiam. Nada. Talvez fosse a adrenalina, mas eu não devia estar sentindo dor. Era como se eu estivesse vivendo um sonho, mas aquilo era real, as dores me lembravam do quanto àquilo era real. Eu morreria aqui? No deserto? Sozinho? Esse seria o meu destino? Bem, provavelmente seria se eu não conseguisse me mexer. Morrer não estava na minha lista de coisas a fazer este ano. Eu tinha prometido, eu não podia morrer, não aqui, não agora.
“Edward.” Ouvi um grito agudo e doloroso vindo de algum canto daquele deserto, tentei me concentrar naquilo, naquela voz. Consegui mexer os dedos das mãos e apalpei o chão quente tentando me arrastar, mas meus braços nem o resto do meu corpo se movimentavam. “Edward.” A voz gritou novamente, agora mais sofrida, com mais dor. “Edward, socorro!” outro grito angustiado. Meu corpo não se mexia e eu não conseguia falar. Tinha alguma coisa de errado comigo. “Edward.” Agora sua voz não passou de um sussurro. Fechei meus olhos e os abri novamente. “Socorro, alguém, por favor.” Outro sussurro. Apalpei novamente as mãos no chão e tentei erguer meu corpo com os braços. A areia deixava minhas vistas turvas e eu só queria um copo de água. Finalmente eu consegui me erguer. Eu estava vivo, mas minha cabeça latejava e eu me sentia tonto, como se eu fosse desmaiar a qualquer momento. Enquanto eu estava de pé, tudo girava, tentei me equilibrar enquanto tombava um pouco pro lado. Eu tentei me alto examinar, mas quanto mais eu tentava me diagnosticar, mas minha cabeça doía. Tentei me firmar de pé e dar um passo, mas uma dor aguada me fez gritar e cair de joelhos. Aquilo doeu como o inferno. Olhei para a minha perna, e uma grande quantidade de sangue saía da minha calça que estava rasgada do meu quadril até o inicio de onde o sangue saia. Minha maldita perna tinha sido ferida. Coloquei a mão sobre o sangue, onde ardia e latejava, tinha um corte grande na minha coxa esquerda, próxima a minha virilha de aproximadamente 10 cm. Aquilo doía.
Rasguei um pedaço da calça e analisei a ferida, aquilo estava feio. O sangue descia, eu tinha perdido bastante sangue, terra, tinha muita terra em cima do corte, aquilo não era bom. Olhei para os lados e a alguns metros o carro estava tombado e destruído, pegando fogo. Tentando levantar mais uma vez, minha perna quis fraquejar e uma dor aguada me fez soltar um grunhido quando comecei a caminhar. Tentei correr com uma mão segurando o corte até o carro. Minha mão estava ensanguentada. O sol não estava tão forte, então estava quase anoitecendo. Há quantas horas nós estávamos aqui? Olhei ao redor, e tinha dois corpos carbonizados. Aquilo me apavorou. Todos estavam mortos. Minha cabeça começou a girar e uma onda de vertigem me atingiu. Eu queria vomitar. “Edward, por favor.” Outro grito. Então eu reconheci a voz e entrei em desespero. Levantei-me tentado não cair pela forte tontura. Minha perna fraquejou por um momento, mas ainda assim tentei correr até onde a voz vinha.
Meu pager bipou me assustando no inicio. Eu nem tinha percebido que meus olhos estavam lacrimejando. Era uma mensagem de Mary dizendo que os exames estavam prontos e que eu precisava vê-los com urgência. Olhei pra cima jogando o pager de qualquer jeito no chão. O ventilador de teto rodava lentamente. Se parecia muito com hélices de helicópteros. Por muito tempo eu odiava quando as via sobrevoado o céu no acampamento. Era sempre uma má noticia sempre alguém morto lá dentro ou gravemente ferido. Mas naquele dia, naquele final de novembro o que eu mais queria era ouvir o barulho altamente escandaloso daquele maldito helicóptero, eu daria tudo para ter ouvido, teve dias, no deserto, enquanto, delirava de fome, sede e dor eu as ouvia, na esperança de ser salvo. Durante aqueles quatro dias que passei ali, andando sem rumo, com a provável certeza de ter que amputar a pena de tanta dor, por muitas vezes eu queria ter a arrancado de mim, eu gostaria muito de ter uma serra comigo naqueles dias. Eu andei naquele deserto imenso, com uma perna fodida, e um corpo quase morto em cima do meu ombro.
Mais uma mensagem chegando e eu quase joguei aquele aparelho maldito na parede. O que diabos eu estava pensando afinal de contas? Tinha um homem quase morto em cima de uma maca. Mas eu não queria fazer nada. Eu só queria ficar aqui. Por muito tempo eu esqueci essa época no fundo da minha memoria, fazendo tudo que a minha terapeuta tinha me ensinado. E de uma hora pra outra. Tudo volta, em apenas um piscar de olhos. Peguei o maldito aparelho que não parava de bipar para mandar uma mensagem para Mary arrumar outro neurocirurgião. Mas segundos antes de eu digitar, as palavras de Noah Swan vieram na minha cabeça “Salve um punhado de vidas hoje.” E eu sorri, em meio às lembranças ruins e toda a dor, eu sorri. Fechei meus olhos e apertei o pager que bipava entre minhas mãos com força. Eu tinha que esquecer. Eles tinham esquecido, me deixaram com a minha dor e foram embora sem se importar com nada, sem nem se despedir, apenas sumiram do mapa. Então eu faria o mesmo, mesmo que doesse, mesmo que demorasse, poderia ser um processo longo, mas eu seguiria em frente, e deixaria tudo pra trás, deixaria o passado onde ele tem que ficar. Isabella e Noah Swan eram o meu presente agora, literalmente presente na verdade, eles chegaram no momento certo. Essa era absolutamente a minha oportunidade de eu seguir em frente, eu gostava da Isabella e adorava o Noah.
Fiquei de pé rapidamente, secando as últimas lagrimas por eles e me senti finalmente mais calmo. Dei um sorriso colocando o pager na cintura e sai da sala correndo até o trauma. Passei pelos três soldados e corri até onde Jeff estava. Mary tinha a pequena lanterna clinica nos olhos do paciente e a expressão de pânico. “O que aconteceu?” ela me olhou e soltou um suspiro de alivio.
“Você demorou, eu quase entrei em pânico.” Ela parecia um pouco desesperada, era seu primeiro ano como residente e era normal ela ficar assim, se eu estivesse de mau humor, provavelmente eu teria lhe dado uma boa resposta, mas eu apenas fiquei calado, ela estava certa, eu tinha demorado. “Pupila direita dilatada. Ele não responde mais as bolsas de sangue nem ao soro. Eu consegui a sala de cirurgia 04.” Ela falava rapidamente tropeçando nas palavras, era provavelmente seu primeiro caso sério na neurocirurgia.
Fui até ele e eu mesmo olhei suas pupilas. “Onde estão os exames? Provável laceração no crânio.”
“Ainda não ficaram prontos.” Ela gaguejou e coçou a cabeça. Coloquei a pequena caneta no bolso do jaleco e olhei pra ela.
“Mary, a primeira coisa que você tem que fazer para ser uma boa cirurgiã, é manter a calma, se ficar nervosa tudo vai dar errado, se o paciente está estável, cuide dele com calma, sem nervosismo e sem medo. Você é uma neurocirurgiã agora, mantenha o controle. Eu vou preparar a equipe pra cirurgia e pedir que levem o paciente. Você vai correr e dar uma olhada nos exames e o mais rápido que puder vai me dizer se eu estou certo. Tudo bem? Então nós dois vamos fazer uma craniectomia.” Ela deu um pequeno sorriso e suspirou enquanto assentia. Eu lhe dei um sorriso torto que a fez corar. Não corar igual à Isabella, porque isso, ninguém nunca conseguiria.
“Você não é ruim como eles dizem.” Ela sussurrou. Eu sorri e saí dali.
Eu estava me lavando no tanque quando Mary entrou correndo com os exames nas mãos, ela sorria e tinha a respiração acelerada. O paciente já estava pronto na mesa. “Você estava certo, ele tem uma laceração, mas também um hematoma subdural. Por isso ele não consegue falar. Dra. Alex, da cirurgia geral, viu os exames dele, ele está estável, mas uma pequena hemorragia na barriga, mas temos tempo. Quando você terminar, ela entra em ação.”
“Se lave Dra. Moore. Nós temos muitas horas com aquele paciente ali dentro.” Ela sorriu e assentiu colocando os exames em uma prateleira e pegando o sabonete antisséptico. Era uma grande equipe que estava na sala de cirurgia, por via das duvidas, estávamos preparados. Molly, a enfermeira, me ajudou a colocar o avental, as luvas, e amarrar a mascara. Dei o sinal e o anestesista fez o seu trabalho. Me coloquei no meu lugar e Mary veio para o meu direito. Dei uma rápida olhada na galeria e involuntariamente sorri quando a vi. Ela estava sentada na primeira cadeira com os olhos atentos em mim. Ela era linda. Alice comentou alguma coisa com ela que sorriu e voltou a me olhar atentamente. Eu sorri ainda mais, mesmo ela não vendo pela mascara, eu sorri, porque era esse feito que ela causava em mim. E mesmo ela não vendo o meu sorriso, ela me olhou e sorriu, foi pequeno, mas o suficiente para eu querer fazer o meu melhor. “Bisturi, por favor.”
Foi uma cirurgia de sete horas, Mary tinha feito sua primeira sucção do coágulo com um cateter. Uma hora depois que eu tinha aberto o crânio do paciente, Alex teve que entrar em ação e fazer o seu trabalho. Em alguns momentos eu me perdia olhando para a galeria, apenas para ver se ela ainda estava lá, enquanto todos olhavam para a TV vendo o procedimento, ela apenas me olhava e sempre com o mesmo sorriso que eu sempre retribuía, ela não via, mas eu sorria pra ela. Quando finalmente terminamos Mary tinha um sorriso de orelha a orelha. Jeff seria levado para a UTI até que o efeito da anestesia tenha acabado. Antes de sair da sala, dei uma ultima olhada pra cima, e ela ainda estava lá, com as mãos no queixo, mas ela não me olhava, ela tinha alguma conversa com Alice e Emmett. Joguei as luvas, a mascara e o avental no lixo enquanto Mary fazia a mesma coisa. “Eu estou tão animada Dr. Masen, muito obrigada por ter me deixado fazer parte dessa cirurgia, obrigada por ter confiado em mim.” Ela sorriu ligando a torneira para se lavar enquanto eu fazia a mesma coisa.
“Você mereceu Dra. Moore, tenho certeza que será uma grande neurocirurgiã.” Ela arfou e soltou um suspiro seguido por um enorme sorriso. Normalmente eu teria procurado alguma coisa para criticar, mas a moça estava tão feliz, que eu me lembrei da época em que eu estava no seu lugar. Terminei de me secar e saí suspirando. Era um belo dia. Sorri enquanto tirava a minha touca e colocava no bolso de trás da calça. Passei as mãos pelo cabelo e olhei o relógio. Eram quase cinco da tarde e eu só tinha tomado café-da-manhã. Eu não sentia fome, mas meu estomago reclamava por comida. Tinha uma cirurgia pra fazer as seis então eu tinha algum tempo. Caminhei um pouco rápido pelo corredor, talvez pelo costume, até o aroma suave de morangos invadirem minhas narinas, eu dei um pequeno sorriso, porque só uma pessoa que eu conhecia tinha esse cheiro.
“Bela cirurgia Dr. Masen, fiquei realmente fascinada.” Isabella Swan apareceu do meu lado, apresando os passos um pouco para me acompanhar, diminui os passos e olhei pra ela. Seus cabelos agora estavam amarrados em um rabo de cavalo. Ela não usava jaleco, apenas seu scrubs. Isabella Swan tinha um bonito sorriso no rosto olhando pra frente enquanto caminhávamos.
“Muito obrigado, Dra. Cullen.” Eu tinha que confessar, eu não gostava do seu nome de casada, mas eu seria um hipócrita se reclamasse. “Na verdade, Noah que me motivou a fazer essa cirurgia.” Eu olhei pra ela sorrindo, ela fez uma pequena careta e me encarou.
“Noah?” assenti rapidamente e ela ficou ainda mais confusa. “Mas ele só tem cinco anos, como um garoto de cinco anos motivou um cirurgião?” ela parecia abismada. Dei uma pequena gargalhada.
“Bem, eu não sei. Mas aquilo que ele me disse antes de eu sair. Sobre salvar vidas, por algum motivo eu não estava satisfeito em entrar naquela sala de cirurgia. Mas as palavras de Noah me motivaram.” Ela sorriu olhando pro chão enquanto caminhava. Provavelmente sorrindo ao lembrar do filho.
“Ele sempre fala isso antes de eu sair, isso me motiva também. Algum motivo especial de você não querer entrar na sala de cirurgia com aquele paciente?” Mordi a parte dentro da bochecha e fiz uma careta, eu realmente não queria explicar sobre isso pra ela, não agora.
“Eu gostaria de ter alguém pra me dizer isso todos os dias também.” Sorri dando de ombros, mas ela me olhou, a procura da resposta. Suspirei e mordi o lábio. “Apenas besteira, ele e os amigos parecem ser do exercito, as roupas não em trouxeram boas recordações, só isso.” Ela pareceu entender e assentiu. “Hey, vamos comer alguma coisa? Eu sei que não é romântico e obviamente não é o melhor encontro da vida, mas é o que eu posso oferecer agora.” Ela me olhou corada, e eu quis beija-la. Linda. Isabella mordeu o lábio inferior e deu um pequeno sorriso torto.
“Não vejo nada mais perfeito que isso.” Ela concordou. Enquanto caminhávamos, nossos braços passavam um no outro, nossos passos eram lentos e não estávamos tão longe da lanchonete. Então eu dei um suspiro e movi um pouco o braço para o lado, quando eu fiz esse movimento nossas mãos se tocaram, foi coisa rápida, apenas um roçar de peles, mas o suficiente para me deixar arrepiado. Olhei pra ela que ainda tinha seus lábios entre os dentes e a pele corada. Sorri e em um movimento lento e calmo eu peguei as suas mãos nas minhas, ela pareceu se assustar e me olhou com os olhos arregalados. Foda-se. Sou um homem com mais de 30 anos, posso pegar na mão da garota que eu quiser. Eu apenas lhe dei um sorriso quando entrelacei nossos dedos e dei um aperto forte. Isabella então sorriu e suspirou. As pessoas que andavam pelo corredor nos olhavam com os olhos arregalados. Idiotas.
As mãos dela estavam frias e um pouco suadas também, ela estava nervosa. Seus dedos se encaixavam perfeitamente entre os meus, eram mãos pequenas, é claro, mas pareciam perfeitas pra mim. Quando chegamos à lanchonete, estava um pouco cheia, pelo horário, então eu comprei o meu lanche e o dela, mesmo sobre protestos. Nós sentamos em uma mesa um pouco afastada, na mesa que eu sempre sentava, a única diferença, era que em um ano, eu nunca tinha sentado com alguém. Algumas pessoas olhavam e comentavam entre si. Eu tinha pouca paciência, e essas pessoas nos olhando, me tirava do sério. “Isso é um hospital ou um centro de atrações.” Eu grunhi fazendo Isabella sorrir, ela tinha a boca cheia de bolo, então ela colocou a mão na boca.
“Você fica adorável quando está bravo.” Arquei minha sobrancelha e larguei meu sanduiche na bandeja.
“Adorável? Eu pensei que eu parecia tudo, menos adorável.” Fiz uma careta e ela sorriu ainda mais, ela me encantava. Isabella colocou sua mão sobre a minha, sob a mesa e deu um leve aperto.
“Não ligue pra eles, não vale a pena você ficar estressado por isso.” Suspirei e assenti. Olhei ao redor e depois pra ela, Isabella tinha enfiado mais um pedaço de bolo na boca e soltou um pequeno gemido quando tomou seu cappuccino, ela sempre fazia isso e sempre me deixava doido. Lhe lancei um sorriso torto e ela olhou pra mim.
“Eu acabei de ter ideias depravadas com nos nós dois na sala de descanso, aproveitando essa calda de chocolate que sobrou.” Ela deu uma nada sutil gargalhada e aquilo estranhamente fez meu coração dar um grande pulo no peito. Merda.
“Seria realmente interessante Dr. Masen, mas eu tenho uma artroplastia com o Dr. Caius daqui á...” ela olhou no seu relógio de pulso e arqueou a sobrancelha pra mim. “Exatos quinze minutos. E com certeza não daria tempo pra fazer o que minha mente perversa está imaginando.” Ela me lançou uma piscadela e um sorriso sexy. Essa mulher ainda acabava comigo. Inferno. Eu fiquei for quinze segundos imaginando o que ela faria comigo com aquela calda de chocolate.
“Uma pena.” Suspirei passando a mão no cabelo. “Como seu chefe, tenho que dizer que você tem que ir agora e preparar o seu paciente. Como seu namorado, tenho que dizer que eu realmente lamento não termos muito tempo.” Ela me olhou com os olhos arregalados, mas um sorriso grande se formou na curva dos seus lábios, eu não sabia que eu tinha dito para ela ficar tão feliz.
“Eu tenho que ir agora, meu chefe é um rabugento, se ele souber que tenho cirurgia em tão pouco tempo e estou gastando esse tempo comendo, ele me mata.” Ela sussurrou com um sorriso brincalhão nos lábios. Rapidamente Isabella ficou de pé e quase caiu quando tropeçou na cadeira, ou nos seus próprios pés, eu não tinha certeza, mas eu ri. Ela revirou os olhos, se abaixou um pouco, mas apenas tempo suficiente para ela beijar de leve o meu rosto. E então ela apenas saiu. Coloquei um sorriso babaca no rosto e olhei ao redor. Eles nos olhavam, enfermeiras e alguns residentes. Não demoraria muito pra radio-corredor se iniciar. Eu odiava isso, olhei pra cada um com o olhar de fogo fazendo cada um abaixar a cabeça.
Quando terminei a cirurgia era 20h, eu não tinha dormido muito na noite passada, mas não era como se eu fizesse muito isso, estava cansado e confesso que com sono, mas eu nunca conseguia dormir mais do que quatro horas. Eu mal tinha colocado os pés pra fora do centro cirúrgico e já me biparam na emergência. Suspirei comecei a caminhar rapidamente pelos corredores. Eu ia descer de escada, mas o elevador estava chegando então eu esperei. Cinco segundos depois as portas se abriram e não consegui esconder o sorriso ao ver Isabella Swan lá dentro, ela estava com suas roupas casuais e uma mochila nas costas, certamente ia pra casa, ela me olhou e também sorriu. “Indo para casa?” apertei o numero do meu andar e caminhei até ela, era apenas nós dois naquela caixa de metal.
“Sim, vai ficar de plantão hoje?” Isabella mordeu seu lábio e eu não me contive em lhe dar um selinho rápido, eu tinha passado o dia sem ter esse tipo de contado com ela. Peguei suas duas mãos e entrelacei com as minhas enquanto ficava na sua frente. Ela parecia tão cansada.
“Sim, se eu não fosse te levaria pra casa. Você vai de taxi?” ela negou com um aceno enquanto eu franzi o meu cenho, como diabos ela iria embora se o seu carro estava no conserto? Quando as portas do elevar se abriram ela ficou nas pontas dos pés e me deu um beijo rápido enquanto apertava as minhas mãos na sua.
“Emmett vai me dar uma carona, na sexta vou pegar finalmente o meu carro.” Eu fiz uma careta, talvez muito exagerada, mas eu não gostava do jeito que Emmett olhava pra ela, Isabella aparentemente não tinha percebido, ele tinha aquela lábia de amigo engraçado, mas eu sabia que bastava apenas uma brecha, uma pequena oportunidade e ele cairia em cima. Isabella sorriu, provavelmente da minha careta, ela beijou meus lábios rapidamente novamente e saímos do elevador.
“Você sabe que não precisa ter ciúmes do Emm, ele é só o meu amigo. Vejo você amanhã.” Ela olha ao redor e me dá mais um selinho antes de ir embora. Bufo e puxo os meus cabelos. Eu só queria beija-la de verdade, só queria tirar o enorme desconforto que senti apenas em imaginar Emmett em um carro com ela. Meu pager bipa mais uma vez, ao menos eu teria uma distração respiro fundo antes de sair correndo.
Meus subordinados deveriam estar me esperando na bancada das enfermeiras para a minha primeira e ultima ordem do dia. Eram oito horas da manhã e eu simplesmente não tinha vontade de ir embora, mas o meu corpo estava exausto e claramente qualquer um via isso pelos meus olhos, ao menos Aro viu. Revirei meus olhos ao ver os fofoqueiros fazendo que sabiam fazer de melhor. Fofocar. Alice gargalha de alguma coisa provavelmente idiota que Emmett contava e Mike tinha o braço nos ombros de Alice. Olhei mais um pouco a procura da figura de cabelos castanhos. Oh, não, Isabella Swan atrasada de novo?! “Onde está Isabella?” Eles pararam de rir no segundo seguinte e me olharam os olhos arregalados. Os três se entreolharam e ficaram calados. Eles realmente não colaboravam comigo. “Eu vou perguntar uma ultima vez, e será bom se vocês abrirem a maldita boca, onde está Isabella Cullen Swan? Ela não chegou ainda?” olhei para o meu relógio de pulso tendo certeza da hora. Mike gaguejou e Emmett encarou Alice que deu de ombros. Santa paciência.
“Hum, ela chegou já tem um tempo Dr. Masen.” Alice foi a primeira que abriu a boca, ela encolheu os ombros e mordeu o lábio. Revirei meus olhos e cruzei os braços no peito os encarando. Alice aprecia que tinha levado um tiro com o meu olhar e deu um passo para trás assustada. “Ela está no vestiário resolvendo um problema.” Problema?!
“Mike, você vai ficar com o Dr. Vladimir da pediatria. Emmett com o Dr. Sam e Alice com Black. Se eu ouvir, qualquer reclamação de qualquer um de vocês, nós teremos uma conversa bem séria. Agora vão salvar alguém.” Eles não se mexeram, arqueei uma sobrancelha e cada um saiu para um lado. Idiotas. Caminhei em passos rápidos e duros até o vestiário dos internos que não era muito longe dali. Estava vazio pela hora. A procurei entre os armários e a encontrei com a testa pressionada em um deles e o celular preso entre as mãos. Eu não queria gritar com ela. “Posso saber o que você está fazendo aqui Dra. Cullen?” ela se assustou e virou de frente pra mim. Seus olhos chocolates preocupados e o lábio inferior entre os dentes. Eu queria abraça-la, vê-la assim tão vulnerável acabava comigo. Coloquei as mãos na cintura e ela suspirou.
“Que susto Edward. Me desculpe, era realmente importante.” Ela passou as mãos nos cabelos soltos e pareciam preocupada. Meu coração deu uma batida irregular.
“Aconteceu alguma coisa com o Noah?” ela me olhou com um sorriso pequeno e suspirou. Tão bonita.
“Não exatamente. Mas Jane, a babá, vai ter uma prova na hora do almoço e não vai poder busca-lo na escola. Ângela estava trabalhando e eu não conheço ninguém aqui que poderia ir busca-lo pra mim.” Ela sentou-se em um dos bancos ali e parecia pensar. Seu semblante era preocupado. Eu lhe daria uma bronca por estar aqui com seus problemas pessoais enquanto deveria estar salvando alguém. Mas era o filho dela. Era o Noah eu não podia, nem conseguiria ignorar isso. Dei um pequeno sorriso e pensei em um belo jeito de ocupar a minha tarde.
“Se você quiser e confiar em mim, eu posso ir busca-lo e nós ficarmos na sua casa até a babá chegar.” Dei de ombros como se não fosse nada me mais e ela me olhou. Aqueles incríveis e bonitos olhos achocolatados brilhavam e eu queria guardar o brilho deles, por que era fantástico e eu não me lembro ver esse brilho em mais ninguém. Ela arqueou a sobrancelha e ficou de pé em um instante.
“Você tem certeza? Você não está cansado? Eu não quero atrapalhar Edward...” olhei para os lados, apenas para conferir se não tinha ninguém. Coloquei minhas mãos na sua cintura, lentamente, eu estava com tanta saudade da sua pele. Inferno. Eu lhe dei um sorriso torto que fez seus olhos irem diretamente para a minha boca, ela me tirava a orbita.
“Estou forte como um touro. Eu posso descansar a noite. Vai ser bom passar um tempo com Noah. Vamos fazer coisas de homens. Se você confiar em mim, é claro.” Ela me olhou nos olhos por um tempo procurando alguma coisa que eu não sabia o que era. Isabella era uma mamãe urso e eu simplesmente amava aquilo nela. Então ela me abraçou, foi tão rápido que nem vi quando seus braços enrolaram o meu pescoço e seus incríveis lábios macios encheram o meu rosto e meus lábios com pequenos beijos.
“Obrigada Edward. Noah vai adorar. Obrigada de verdade.” Suas mãos seguraram o meu rosto e ela colou sua testa na minha. Ela era tão bonita que me fazia sorrir apenas de olhar pra ela. O cheiro dela me tirava da orbita, o meu coração batia no meu peito como um louco, se eu pudesse não á soltaria tão cedo. Coloquei minhas duas mãos no seu rosto que tinha um sorriso bonito e os olhos brilhantes, afaguei suas bochechas com os meus polegares e a beijei, eu estava morrendo de saudades dela, mesmo tendo a visto ontem, era totalmente irracional. Era um beijo lento, e cheio de carinho, nossas línguas apenas acariciando uma a outra lentamente. Eu adorava beija-la, era a coisa mais incrível que eu já tinha provado em muito tempo. Como eu senti falta daquilo. O que malditamente me assustou. Quando nos separamos nossas respirações estavam desregulares, ambos sorriamos, sua boquinha estava vermelhinha me deixando meio tonto, passei meu polegar pelo seu lábio lentamente, não resistindo e a beijando novamente, um beijo molhado e mais rápido do que eu gostaria.
“Eu tenho que ir agora.” Assenti rapidamente sem tirar os meus olhos dos seus lábios bonitos. Ela sorriu e me deu um selinho rápido. “Tem uma chave reserva embaixo de um vazo de flores na varanda. Cuide dele Edward, por favor. Eu vou ligar pra escola, liberando você para pega-lo.” Ela me olhou um pouco angustiada e mordeu seu lábio delicioso, eles estavam inchados e molhados.
“Fique tranquila. Se você quiser, sempre quando tiver um tempo pode nos ligar. Vamos ficar bem.” Ela assentiu sorrindo e beijou minha bochecha antes de sair caminhando.
“Isabela.” Ela me olhou quando já estava quase na porta. Passei minhas mãos pelo cabelo e soltei um suspiro. “Leah Clarwer quer você na equipe dela hoje.” Ela arregalou seus olhos e veio de novo para perto de mim.
“O que? Edward ela me odeia, só pode ser piada.” Eu dei um pequeno sorriso sem graça e neguei.
“Eu tentei colocar você com a ortopedia, mas Leah praticamente exigiu você, eu não podia dizer, não. Sinto muito.” Ela fez uma careta e suspirou como uma criança birrenta.
“Ah meu Deus. Me considere uma mulher morta.” Ela gemeu “Ah Edward, o colégio dele acaba as onze. Se Leah me matar diga que eu o amo.” Eu sorri e fui até ela lhe dando um ultimo beijo do dia. Ela era extraordinária. Leah não encostaria um dedo nela, eu não deixaria.
“Exagerada!” beijei sua testa saindo dali. Fui até a sala dos médicos para trocar de roupa. Eu tinha tempo antes de ir buscar Noah. Quando sai do hospital não vi mais nenhum dos meus internos. Eu realmente tinha ficado supresso quando essa madrugada Leah tinha exigido Isabella na sua equipe, tentei argumentar, mas eu não podia negar. Mas a minha garota sabia se defender sozinha.
Quando Abri a porta do meu apartamento dei um suspiro, mas depois sorri, eu não teria que passar o dia aqui. Tudo estava escuro, as cortinas fechadas e a casa cheirava a lavanda, Bree, a faxineira devia ter passado por aqui ontem. Ouvi um latido e não demorou nem três segundos e Sony já tinha pulado em cima de mim lambendo a minha mão e meu braço. Sorri a afaguei sua cabeça. “Hey Sony, sentiu minha falta garotão?” Ele latiu e eu sorri. Joguei a minha mochila no sofá e fui caminhando até o quarto. Sony correu e se jogou na minha cama ficando com a barriga pra cima e me encarando como se me mandasse acaricia-lo. Revirei meus olhos e tirei a camisa indo para o banheiro. Joguei minhas roupas no sexto e fui tomar um banho, meu corpo dolorido me pedia cama, mas eu não daria isso a ele. Alguns minutos depois e de banho tomado, enrolei uma toalha na minha cintura e fui até o closet. Coloquei um jeans escuro, uma camisa branca e procurei meu par de tênis os encontrando a cima da minha cabeça, em uma prateleira. Bree. Ergui um pouco o braço para puxa-los e junto com eles, veio uma caixinha preta que caiu no chão. Meu estomago revirou. Abaixei-me apenas o suficiente para apanha-la. Eu não abria aquela caixa a... Muito tempo, apertei-a entre minhas mãos e senti um calafrio. Me sentei no chão no closet, com aquela caixa de papelão entre minhas pernas. Aquela caixinha, todo o meu passado estava ali dentro. Ela estava cheia de relatos. Meu coração deu um pulo no peito quando eu a abri. Tinham documentos, cartas, fotos e objetos. Nossas vidas estavam ali dentro.
Em minhas mãos tinham cada parte, cada momento. Peguei uma das inúmeras fotos, eram nós quatro, estávamos abraçados. Era nossa formatura na faculdade de medicina. Eu estava feliz, nós estávamos felizes. Dei um suspiro e amassei aquela foto. Passado. Em seguida peguei outra, essa tinha apenas nós três, em um parque tomando sorvete eu tinha 20 anos ali. Passado. Também amassei jogando no mesmo lugar da outra. Tinha mais um punhado de fotos ali. Eu não me daria ao trabalho. Tudo isso tinha ficado pra trás. Coloquei as duas fotos amassadas dentro da caixinha e fui até a lareira que estava ligada, Bree dizia que aquilo deixava a casa mais arejada, eu achava que ela era doida. Mas agradeci por isso. Antes de jogar aquela caixa lá dentro, abri pela ultima vez e no meio de todas aquelas fotos e objetos, peguei apenas duas para guardar. Eram as minhas prediletas. Joguei o objeto no fogo e fiquei por alguns segundos o vendo queimar, vendo uma grande parte da minha vida sendo queimada, pelo menos ali. Caminhei lentamente até o quarto com as fotos nas mãos. As coloquei na cama e fui calçar meus sapatos. “Que tal um passeio, Sony?” ele latiu fazendo-me rir. Eu me senti ainda mais leve jogando aquelas porcarias fora. Coloquei a coleira em Sony e antes de sairmos do quarto olhei mais uma vez as fotos. Eu sentia tanta falta dele, tanta que ainda doía. Então foi apenas essa que deixei, coloquei no meu criado mudo, e a outra foto que eu também guardaria, amassei e arremessei no sexto de lixo no quarto. Foda-se ela.
Me senti bem tomando o ar puro do parque, Sony tinha feito suas necessidades e estava feliz. Quando faltava pouco para buscar Noah. Levei Sony pra casa e desliguei a lareira, vendo apenas pó ali, eu achei que aquilo me faria mal, por isso nunca tinha jogado fora, mas eu me sentia muito mais leve.
Peguei as chaves do carro com um sorriso e sai cantarolando, eu estava totalmente em êxtase em ter uma tarde com o Noah. A escola não ficava muito longe, Isabella tinha me mandado a localização por mensagem e eu perguntei se ela estava bem com Leah, mas ela não respondeu, ela muito provavelmente estava ocupada, Leah a encheria de trabalho, disso eu não tinha duvidas. Estacionei em frente ao colégio do Noah alguns minutos depois. Eu estava em cima da hora então crianças e mais crianças saiam pelos portões. Seus pais os esperavam na calçada enquanto eles corriam e gritavam em suas direções. Jesus, Maria e José. Era o inferno. Eles corriam e gritavam como pequenos malucos, empurravam uns aos outros e eu me assustei, eu nunca tive muita convivência com crianças, apesar de gostar. Desci do carro e fui até o portão. Eu me sentia apavorado. Alguns pivetes esbarraram em mim enquanto corriam. Loucos. Aquilo me fez reconsiderar se eu realmente queria filhos.
Um senhorzinho simpático e de cabelos brancos estava na porta, ele era provavelmente o porteiro. Ele, que se apresentou como Joseph, perguntou o meu nome e pediu minha identidade. Segundos depois ele falou com alguém pelo seu rádio e logo em seguida vi uma cabeleira amarela caminhando lentamente até o portão. Noah era o mais sensato de todos aqueles moleques. Ele era um menino muito bonito, obviamente se destacava entre as outras crianças, Noah não se parecia muito com a mãe dele, mas ainda sim, tinha alguns traços que eram o que o deixava mais encantador. Eu sorri quando o vi e ele me olhou surpreso, correndo na minha direção. “Edward, o que você tá fazendo aqui?” Baguncei seus cabelos e ele abraçou minhas pernas. O garoto tinha me abraçado. Eu dei um sorriso grande e me agachei ficando na sua altura. Noah sorria com os olhos arregalados, o puxei para um abraço que ele rapidamente atribuiu e eu suspirei sentindo o meu coração bater forte. Sim, eu queria filhos, um monte deles.
“Vamos ter uma tarde garotos, o que você acha?” Ele arfou em surpresa e deu um pulo comemorando. Eu o adorava.
“Jura? Vai ser muuuuuito legal, podemos jogar vídeo game, brincar com os meus carrinhos e você pode desenhar comigo e depois podemos colorir e depois brincar de novo e colorir de novo e jogar de novo. Legal!” ele deu um soquinho no ar que me fez sorrir, levantei e baguncei seus cabelos. Noah segurou a minha mão para atravessarmos a rua e aquilo nunca pareceu tão certo.
“Juro, sua mãe não podia sair do hospital e parece que sua babá tinha uma prova ou alguma coisa assim. A gente vai ter uma tarde muito divertida!” Eu não tinha uma cadeira apropriada para uma criança então tivemos que ser ilegais, o ajudei a se acomodar no banco de trás com o cinto de segurança. Eu tinha que providencia uma cadeirinha o mais rápido possível. Passamos o caminho todo conversado como estava indo na sua escola e eu gargalhava sempre que ele deixava claro que odiava a escola. Eu adorava conversar com ele.
“Eu aprendi uma musica hoje Edward. Ela é legal fala sobre estrelinhas e a galaxa! Você quer ouvir? Eu decorei ela todinha pra cantar pra mamãe.” Ele estava claramente empolgado enquanto balançava os pés no banco de trás, olhei pelo retrovisor e sorri.
“Canta pra mim então.” Então ele começou a cantar na sua voz infantil uma musica sobre estrelas e galáxias. Foi divertido e completamente adorável, eu queria poder ter filmado aquele momento pra mim. Levei Noah para um almoço no McDonalds e nos entupimos de sanduiches e sorvete, que Isabella não sonhasse com isso. Nós compramos quatro McLanche feliz, apenas pelos brinquedos, Noah estava feliz com seus quatro brinquedos.
Quando chegamos na sua casa, ele desceu correndo até a porta com seus brinquedos na mão. Peguei sua mochila e travei o carro, peguei a chave reserva onde Isabella tinha me dito. Abri a porta e Noah entrou correndo.
“Vamos no meu quarto Edward. Vou trocar de roupa e a gente pode ir jogar.” Eu sorri com a sua empolgação. Subimos as escadas correndo até o seu quarto. Era simples, porém gritava que era um quarto de garoto com paredes brancas, uma cama com uma colcha cheia de dinossauros, prateleiras nas paredes cheias de ursos e brinquedos um closet e muitos, muitos outros brinques no chão. Todo aquele colorido me deixou um pouco tonto, porra, como uma criança podia ter tanta coisa. Ele foi trocar de roupa e fui dar uma olhada nos seus inúmeros brinquedos. Sorri pegando sua coleção de bonecos do quarteto fantástico, ele tinha uma pista de carro no meio do quarto, eu fiquei malditamente impressionado, aquilo era enorme. Andei mais um pouco e vi uma bicicleta, exatamente para o seu tamanho no canto do quarto, ela era nova e parecia nunca ter sido usada. Noah saiu do closet alguns minutos depois com uma camisa de dinossauros, uma calça moletom, e um par de crocs com alguns heróis em miniatura pregados em cima. “Agora podemos jogar vídeo game.” Ele apareceu correndo no quarto. Eu olhei pra ele e para a bicicleta.
“E essa bicicleta grande corajoso? Você não gosta?” Ele veio do meu lado e encolheu os ombros. Noah mordeu o seu lábio, como a sua mãe fazia e olhou para o chão, como se estivesse envergonhado.
“Gosto, mas eu não sei pedalar. Só sei andar com essas rodinhas idiotas.” Eu sorri com o seu pavor. Ele se achava um menino grande para andar de rodinhas. Quando na verdade, ele não era.
“Ninguém nunca te ensinou?” Olhei atentamente para a bicicleta, era azul, com alguns detalhes pretos, e do Batman, era exatamente para a sua idade.
“Não, papai nunca tinha tempo, ele só trabalhava, e quando o vovô Charlie ia me ensinar à gente se mudou. Mamãe também nunca tem tempo.” Ele deu ombros entortando os lábios. Filho de cirurgiões. Eu entendia aquilo completamente, meus pais nunca tiveram realmente muito tempo para um momento de diversão comigo, mesmo que eu saiba agora, que não era culpa deles. Porém, se eu tivesse um filho, eu jamais queria negligencia-lo como um pai.
“Okay, então vamos pedalar.” Ele arqueou uma sobrancelha pra mim. “Você sabe se sua mãe tem ferramentas aí?” Então lentamente seu sorriso se abriu e eu tinha ganhado o dia.
“Acho que tem lá em baixo, eu pego, eu pego.” Peguei a bicicleta com uma mão e descemos as escadas também correndo. Se Isabella Swan visse aquilo, ela nos mataria. Noah abriu uma gaveta e tirou uma caixa de ferramentas de lá, na verdade, ele não aguentou muito o peso, então eu corri até lá, e tirei a caixa das suas mãos. Nós dois nos sentamos no chão da sala e coloquei a bicicleta de cabeça pra baixo analisando aqueles parafusos das rodinhas. Abri a caixa e tinha um bocado de ferramentas ali, cocei a nuca e olhei novamente para a bicicleta. Noah também a olhava atentamente. “Tem certeza que sabe fazer isso Edward?” Noah me olhava desconfiado. Não podia ser mais difícil que abrir uma cabeça, podia?!
“É claro que eu sei. Vamos operar essa bicicleta, certo Dr. Noah?” Seus olhos brilharam e ele assentiu. Na verdade, eu não absolutamente nada daquela droga. Mecânica nunca foi muito a minha coisa predileta no mundo. Eu não sabia qual ferramenta usar. Porra. Mas eu tinha que me virar, tinha um garotinho em total expectativa e eu com certeza iria supri-las. Nós passamos belos 20 minutos tentado tirar aquela porcaria. Usamos todas as ferramentas daquela droga, sem saber qual era certa. Quando finalmente conseguimos Noah comemorou.
“Conseguimos Dr. Edward.” Eu sorri ficando de pé e pegando sua bicicleta nas mãos.
“Belo trabalho Dr. Noah. Agora vamos ver como o paciente se sai lá fora.” Noah foi pegar seus equipamentos de segurança. Quando ele voltou com eles em uma mochila eu o ajudei a coloca-los, ele realmente ficava adorável com aquele capacete, Isabela iria pirar se nos visse nesse minuto. A rua da sua casa era calma e bem tranquila, Noah parecia assustado e totalmente inseguro. Coloquei a bicicleta no chão. Noah veio para o meu lado meio incerto.
“E se eu cair? Eu sou bem desastrado.” Ele enrolou as mãos umas nas outras e mordeu o lábio, aquilo me lembrou muito a sua mãe.
“Eu vou estar do seu lado Noah. Não vou te soltar, combinado? Eu nunca deixaria você se machucar grande corajoso.” Ele concordou veemente. “Certo, agora eu vou segura no guidão enquanto você sobe, tudo bem?” Ele assentiu. Noah montou na bicicleta meio que sem equilíbrio. Eu nunca pensei que ensinaria uma criança a andar nisso, mas nada parecia mais certo. “Certo, agora é só pedalar, eu vou estar segurando você, qualquer coisa é só usar o freio.” Ele mordeu o lábio e suspirou.
“Promete que não vai me soltar?”
“Eu prometo!” lhe assegurei.
“Promessa de mindinho?” Ele ergueu seu dedinho mindinho e eu sorri entrelaçando nossos dedos.
“Promessa me mindinho amigão!” Então ele respirou fundo e ajustou seu capacete ates de segurar firmemente os guidões e começar a pedalar lentamente. Eu segurava a todo momento. No inicio ele cambaleou um pouco com a bicicleta, mas minutos depois, ele já estava conseguindo o seu equilíbrio.
“Isso é um máximo Edward.” Ele gritou pedalando mais uma pouco mais. Noah já se sentia seguro, sorrindo e acelerando cada vez mais e eu estava totalmente sem folego.
“Tente frear um pouco, Noah.” Ele obedeceu, mas continuou ainda um pouco rápido, eu já estava ofegante, estávamos quase no final da rua e ele gritava como um pequeno maluco. “Qualquer incidente ou se você sentir medo, é só frear. Eu vou estar aqui combinado?” Sussurrei ofegante e ele pareceu não entender. Tentei lembrar o que o meu pai fazia quando me ensinava. “Noah, agora eu vou soltar um pouquinho, lembre-se, é só frear.” E quando vi que ele já tinha um pouco de equilíbrio, soltei a selim da bicicleta e ele pedalava sozinho, mas sem perceber que eu tinha o soltado. Parei respirando ofegante e quando ele olhou pra trás e me viu longe, se apavorou andando em ziguezague. Eu tentei correr até ele. “Noah usa o freio!” e antes que ele caísse para o lado consegui segura-lo. Foi quase como um filme. A bicicleta caiu no chão, mas ele estava são e salvo nos meus braços, Noah me olhou com os seus olhos brilhantes, não de lagrimas, de felicidade, ele sorriu. Eu estava ofegante e com falta de ar. Eu já estava velho pra isso.
“Irado! Quero de novo!” ele berrou levantando a bicicleta e montando em cima, e eu continuava com as mãos nos joelhos totalmente ofegante. “Você é meu herói Edward, vem me ajudar.” Porra, eu era o herói dele. Eu literalmente, tinha ganhado o dia.
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