Entre Médicos
5 Capítulo 05
Notas iniciais
Seattle, Washington
Isabella Cullen
Se alguém me perguntasse como eu aguentava ir trabalhar todos os dias nesse fodido um mês em que estou trabalhando no Seattle Grace, eu diria, sem sombra de duvidas que era única e exclusivamente por amor à profissão. Não existia outro inferno de motivo para eu dizer que adorava ir àquele hospital, a não ser para cuidar dos meus pacientes, porque Deus, Edward Masen foi o pior castigo que eu já recebi na terra, eu não sabia que mal eu tinha feito ou que praga tinha soltado para Deus me castigar desse modo. Se existissem vidas passadas, eu diria que fui a pior a pessoa no mundo, talvez eu tenha sido o próprio Hitler, e agora, Deus me enviou para cumprir a minha pena com o Dr. Ego fodido Masen. Ou tinha a próxima teoria, essa era de Alice, talvez, ele fosse o próprio anticristo zanzando pela terra, atormentando pessoas, e ele me escolheu para atormentar. E não importava o quanto ele fosse malditamente bonito e atraente, ele nunca seria atraente o suficiente pra mim. Não importava o que eu fazia ou como agia, nada, nunca estava bom o suficiente pra ele, aquilo era totalmente e malditamente frustrante, ele sempre queria mais, sempre cobrava mais, e eu não sabia o que fazer, absolutamente não. Ninguém o suportava, apenas os seus pacientes que ele era extremamente doce e gentil, de uma maneira que eu nunca pensei que ele fosse.
Noah tinha começado na escola nova há um mês, ele estava apaixonado pelo jardim de infância, ele amava desenhar e fazer rabiscos que só ele entendia, mas eu amava. Eu o levava quase todos os dias e Jane ia buscá-lo. “Mamãe, me promete que vai comprar minhas luvas de basebol? Eu vou esperar. Você prometeu.” Noah não parava de repetir a mesma coisa desde que saímos de casa a caminho da escola. Ele batucava os seus dedos no banco do carro e balançava as suas pernas impacientemente. Pelo retrovisor eu via o seu rosto ansioso enquanto ele mordia o seu lábio.
“Noah, eu não sei se quando eu sair do hospital, à loja de esportes vai estar aberta ainda, então eu não posso prometer que vou comprá-las hoje, tudo bem?” Pelo retrovisor eu o vi soltar um longo suspiro e deixar os ombros caírem. Há duas semanas ele me pedia essas benditas luvas de baseball, mas eu não tinha sequer tempo de comprá-las. Eu trabalhava como uma maluca.
“Tá legal, mas você vai ter que me levar para jogar algum dia, prometeu também, lembra?” Aparentemente eu andava prometendo coisas de mais. Parei em frente à sua escola e me virei, o encarando no banco de trás.
“Você sabe que a mamãe sempre cumpre o que promete, filho. Eu vou levá-lo, prometo, na minha próxima folga. Tudo bem?” Ele concordou tirando o cinto de segurança e saindo da sua cadeirinha. “Boa aula e seja um bom menino. Eu amo você.” Ele beijou a minha bochecha e me deu um lindo sorriso.
“Tudo bem, eu amo você também mamãe, salve um monte de vidas hoje.” Noah saiu do carro e fiquei estacionada lá na frente até que o vi entrar pelos portões da escola e sumir no meio dos seus colegas. Eu não estava atrasada, surpreendentemente, e isso era novidade pra mim.
Assim que estacionei meu carro em frente ao hospital, Alice, Emmett e Mike me esperavam encostados no porsche amarelo da Alice. Nós tínhamos nos tornados bons amigos, eles eram ótimos, principalmente Alice, Noah adorava aquela pequena mulher. Talvez como Emmett nos disse no primeiro dia, o Hitler nos torturava juntos, e isso nos aproximou mais. Eles estavam alheios em alguma conversa, muito interessante por sinal, e nem notaram minha presença. Alice tinha uma mão presa no braço firme e grande de Emmett, o que não era novidade, já que ela tinha uma queda por ele. Não, uma queda não. Um verdadeiro tombo. Na verdade, quase todas as enfermeiras e médicas desse hospital tinham. Emmett era lindo, engraçado e inteligente, quando queria. Alice dizia que só queria sexo, eu duvidava. “Bom dia pessoal.” Eles param de rir e olham pra mim, Emmett colocou seu enorme braço pesado em cima do meu ombro e beijou o topo da minha cabeça.
“Bom dia, Dra. Delicia.” Eu sorri, apenas para em seguida, revirar os meus olhos. Alice e Mike sorriam também, eles já estavam familiarizados com os apelidos e brincadeiras do grande criança que Emmett era.
“Bom dia, Dr. Armário.” Ele me deu um sorriso seguido por uma piscadela e o seu sorriso cafajeste.
“Bellinha, Bellinha, Bellinha, estamos organizando uma reuniãozinha na casa do Emmett, você vai. Certo?” Alice veio para o meu lado enquanto entrávamos no hospital juntos.
“Quando você diz reuniãozinha, o que exatamente quer dizer?” Eu tinha medo de algumas coisas que Alice fazia ou organizava, eu tinha aprendido sobre ela, nesse tempo que a conhecia, que Alice Brandon era extravagante e muito, muito animada, chegava a ser assustador.
“Quero dizer, um jantar, cerveja, tequila, muita conversa fora e alguns colegas de trabalho. Vamos lá, Bellinha, você não faz nada com a gente. Vai ser divertido.” Seus olhos verdes brilhavam em ansiedade e ela dava leves pulos enquanto caminhávamos, ela certamente era um pouquinho maluca.
“Ela tem razão Bella, vai ser divertido, vou pegar a gostosa da enfermeira Jessica.” Mike deu um sorriso safado que, pra mim, não passava de um colegial virgem, talvez porque eu o considerava meu irmãozinho.
“Eu tenho um filho, parece que às vezes vocês esquecem.” Suspirei assim que entramos no vestiário, tinham algumas pessoas ali jogando conversa fora.
“Porra Bella, você sempre fala isso, não é como se fôssemos a um prostíbulo ou algo assim.” Eu não pude deixar de rir com o modo ofendido de Emmett.
“É a sua casa, Emm, o que quer que eu pense?” Ele olhou pra mim com olhos tristes e um biquinho na boca. Adorável.
“Assim você me magoa. Leve o garoto, é só um jantar e algumas bebidas, juro que não vai ter sacanagem, não enquanto vocês estiverem por lá.” Ele deu um sorriso sacana pra min movimentando sugestivamente as sobrancelhas.
“Vou pensar.” Sussurrei entrando na cabine com minha mochila.
“Maldição, mulher. Pare de pensar, leve o seu garoto, ele vai me amar, vamos jogar vídeo game até ele cansar de perder e depois brincar de banco imobiliário.” Eles eram insistentes, suspirei me dando por vencida enquanto tirava o meu casaco.
“Tudo bem, mas se tiver sacanagem, Emmett, eu arranco as suas bolas.” Falei enquanto me trocava, ouvi sua gargalhada estrondosa e gritinhos histéricos da Alice.
“Vai ser um máximo.” Eu não via, mas podia imaginar o tamanho do sorriso de Alice Brandon, ela era extremamente feliz para o seu próprio bem. Os pacientes gostavam, no entanto. Tirei minha roupa quente como inferno, Seattle estava mais fria que de costume, mas o hospital era quentinho e aconchegante, menos nos quartos dos pacientes, que o ar era gélido. Assim que coloquei meu uniforme, senti os pelos dos meus braços eriçarem, tudo bem, não estava tão quentinho assim, pus meu jaleco para amenizar. Sai e esperei meus colegas, sentada em um dos bancos. Assim que todos nós ficamos prontos, respiramos fundo e cada um fez sua oração interna para enfrentar o Hitler. Caminhamos lado a lado até a bancada das enfermeiras, ele estava lá como sempre, lendo um prontuário, ele usava uma touca amarrada na cabeça, cheia de desenhos de cérebros, sinal que ele tinha acabado de sair de uma cirurgia. Isso significava que o homem estava o próprio demônio. Deus me ajude a não lhe dar um murro. Paramos na sua frente e não falamos nada, já estávamos acostumados à sua falta de educação. Assim que ele olhou pra mim pude ver o tamanho das suas olheiras e olhar caído, ele estava exausto e eu nem conseguia imaginar quanto tempo ele tinha passado aqui, o homem parecia que nunca ia pra casa. Edward parecia muito, muito cansado, casando de mais até pra lidar conosco.
“Peguem os prontuários e vão para a emergência, eu não quero lidar com vocês hoje.” Deu as costas e simplesmente saiu, enquanto caminhava retirou a toca e passou os dedos naquela bagunça iminente, era uma mania, aqueles dedos sempre estavam naqueles cabelos. Ele estava mais nervoso que todos os outros dias. Eu me perguntava o que diabos tinha acontecido. Meus colegas e eu, caminhamos até a emergência, recebi um bip de uma ambulância que estava a caminho, sorri, talvez eu pegasse algum trauma grande, por que 89% dos casos que chegam em ambulância, são realmente sérios e de extremo cuidado. Cheguei à saída do hospital onde a ambulância estacionaria a poucos minutos. Dois minutos depois a ambulância parou e os paramédicos abriram as portas, eu corri até lá e vi um homem deitado em uma maca, com uma mascara de oxigênio e desacordado, ao lado tinha uma mulher, provavelmente sua esposa.
“Justin Wyn, sessenta e quatro anos, foi encontrado desacordado pela esposa em casa. Está sem fluxo de oxigênio.” O paramédico dizia enquanto corríamos com ele para dentro. A mulher que o acompanhava estava chorosa e nervosa, um dos paramédicos teve que segura-la, para tentar lhe acalmar. Corremos com o paciente para a sala de trauma.
“Continue com o oxigênio, vamos entubar.” Eu só tinha feito uma intubação uma vez na em toda a minha vida. Mas como meu chefe nunca me ensinava na prática, eu teria que me virar e salvar a vida deste homem. Uma enfermeira veio me auxiliar e eu me sentia extremamente mais segura com ela ali, meu coração batia malditamente rápido de mais, fazendo as minhas mãos tremerem levemente, fazer aquilo era fácil em bonecos, mas em uma pessoa de verdade que podia morrer de verdade era um pouquinho apavorante. O homem só respirava por ajuda de aparelhos, respiração lenta e peitos chiando, não eram bom sinal. “Lily, eu quero que leve o Sr. Wyn para fazer alguns exames de rotina, por favor, broncoscopia, radiografia torácica, e uma biopsia pulmonar, tudo bem?” Ela assentiu, terminei de escrever os exames no prontuário e ela saiu para fazer os pedidos. Estabilizei o Sr. Wyn e fui procurar sua esposa, ela estava sentada em uma poltrona com as mãos no rosto. “Sra. Wyn?” Ela se levantou e me comovi com seus olhos cheios de lágrimas, mordi meu lábio, não se envolva. Ela muito provavelmente era bem mais jovem que o marido. Seus olhos esverdeados estavam banhados em lagrimas e ela parecia um pouco apavorada, lhe dei um pequeno sorriso tentando com que assim, ela pudesse se acalmar um pouco.
“Como está o meu marido? Por favor, me diga que ele vai ficar bem.” Suplicou, eu gostaria de abraçá-la, mas aquilo era completamente fora dos padrões. Mas eu continuei com o sorriso, ao menos assim, ela poderia se sentir um pouquinho melhor.
“Ele está estável, não se preocupe. Solicitei alguns exames, eu apenas preciso que me dê algumas informações sobre ele, por favor. Tudo bem?” Ela concordou limpando suas lágrimas. “Ele fuma?”
“Sim, como um louco, eu disse pra ele parar, mas quem disse que aquele homem me escuta, Justin tosse como um velho doente.” Sorriu tristemente. Assenti prontamente, ainda com um pequeno sorriso puxando os cantos dos meus lábios.
“Ele tem reclamado de dores no peito ou na região torácica?” Ela pareceu pensar um pouco enquanto olhava para um ponto perdido no chão. Então como se lembrasse de alguma coisa ela dá um pequeno sorriso.
“Ele tem dificuldades de respirar as vezes, e sempre se cansa com facilidade. Ele também tem tosses o tempo todo. Mas Justin sempre reclama o tempo inteiro, ele é fraco para dores então ele fica o tempo todo reclamando de dores ali, dores aqui.” Ela sorri eu acompanho, mas não com tanto humor. “Ele vai ficar bem, não vai?” Coloquei uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e olhei para a mulher que praticamente me implorava para salvar o seu marido. Se aquilo realmente estivesse completamente em minhas mãos, eu faria o meu melhor, mas aquilo não dependia unicamente de mim.
“Estou fazendo o possível, Sra. Wyn. Gostaria de ficar com ele antes de levarmos para os exames?” Ela ergue a sobrancelhas em surpresa e logo em seguida abre um grande sorriso.
“Tudo bem!” A abracei pelos ombros, fazendo com ela me olhasse e me abrisse o seu mais incrível sorriso, acompanhei a mulher até o quarto do seu marido. Ela ficou com ele por volta de quinze minutos, até Lily aparecer e o levarmos para os exames. Eram procedimentos demorados, quarenta minutos depois Lily levou o paciente para um quarto, onde a sua esposa o aguardava. Voltei para a emergência até que os exames do Sr. Wyn estivessem prontos. Fiz algumas suturas, fiquei sabendo por Mike que Alice estava em algum caso grande. Sortuda dos infernos. Enquanto suturava a testa de uma garota, recebi uma mensagem no meu pager sobre os exames do meu paciente estarem prontos. Mike, que estava sem fazer nada, se prontificou a terminar isso pra mim. Caminhei rapidamente até o laboratório e peguei seus exames, os abrindo rapidamente, a biopsia pulmonar indicava o que eu já previa, o homem tinha câncer pulmonar. Mandei uma mensagem para a Dra. Leah, a chefe da oncologista do hospital. Esperei até ela aparecer para lhe entregar os exames. E quando ela apareceu não parecia realmente muito interessada naquilo, Leah era alta, muito alta, pele morena, cabelos negros a cima dos ombros e completamente lisos, seus olhos eram negros e pequenos. Mas ela parecia ser mais uma arrogante como Edward, quando ela apenas pegou os exames das minhas mãos sem ao menos falar comigo qualquer pequena coisa. Seguimos em silencio até o quarto do Sr. Wyn, ele estava acordado, mas com uma máscara de oxigênio no rosto, eu me perguntava como ele não tinha descoberto sobre o câncer antes. “Sr. Wyn, sou a Dra. Leah Clearwater e vamos conversar um pouco.” Sua esposa segurou firmemente as mãos do homem que tinha um olhar cansado e insatisfeito.
“O que o meu marido tem de errado?” Leah me lançou um olhar como se estivesse totalmente entediada.
“Nos explique um pouco sobre o pulmão, e a doença que o atinge, Dra. Cullen.” Os dois pares de olhos viraram pra mim e lhes dei um sorriso tentando em vão, reconforta-los.
“Existe um tipo de câncer que se chama carcinoma de células escamosas. De 25 a 30% dos cânceres de pulmão são carcinomas de células escamosas. Esses tumores começam nessas células, que têm características achatadas, e revestem o interior das vias aéreas nos pulmões. Esse tipo de câncer de pulmão está relacionado com o tabagismo e tendem a ser encontrados na região central dos pulmões, perto de um brônquio. Pessoas que fumaram muito são mais propensos a desenvolver esse tipo de câncer.” Sra. Wyn tinha olhos arregalados e o seu marido parecia estar pensando nas minhas palavras. Eu não queria ter sido a que lhes dava o diagnostico.
“Eu tenho câncer?” Ele retirou a mascara de oxigênio e sussurrou, ele parecia não respirar bem e voltou a colocá-la, seus batimentos estavam altos demais.
“Estágio quatro para ser mais especifica. Podemos fazer uma cirurgia e tentar a retirada do tumor.” Olhei para Leah espantada, ela só podia ter enlouquecido. Não, ele não podia fazer uma cirurgia, ninguém retirava um tumor no estágio quatro, por que diabos ela mentia para o homem? Ele já era idoso e uma cirurgia assim era impossível.
“Nós queremos então, se isso pode salvar o meu marido. Vamos operar!” Sua mulher deu um pequeno sorriso sem humor e apertou a mão do marido que estava sobre a cama, eles trocaram um olhar bonito e apaixonado me fazendo arfar um pouco.
“Não, não podemos operar, a doença já disseminou para os gânglios linfáticos, a única solução é fazer radioterapia ou quimioterapia, o senhor pode ser curado, mas se fizer essa cirurgia irá morrer naquela sala.” Os três pares de olhos se viraram na minha direção, Dra. Clearwater bufava de raiva, como um touro, mas eu não a deixaria matar o meu paciente. Eu tinha sido um pouco atrevida e aquilo certamente tinha sido um pouco errado, mas era o certo, e eu estava aqui para fazer o certo.
“Eu sou a médica aqui, eu digo o que vamos ou não fazer, você é uma interna e ainda não aprendeu muito, querida, fique quieta.” Ela me olhava como se fosse rasgar a minha garganta com bisturi a qualquer minuto. Ela era a cirurgiã, e no momento em que ela olhou pra mim, eu sabia que abrir a boca tinha sido o meu enorme erro. “Nós podemos operar se assim vocês quiserem, não será uma cirurgia fácil e muito menos rápida, é uma cirurgia bastante arriscada, mas sou uma das melhores oncologistas de Seattle, farei o possível para salvar a vida do seu marido. Estou com uma nova pesquisa e seria bastante interessante tentarmos.” Ela queria usar o meu paciente como uma cobaia! Eu saí dali antes de arrancar os seus cabelos negros e sedosos, ela era irracional e eu era apenas uma maldita interna.
“Bella?!” Jake esbarou em mim e seus prontuários caíram no chão. “Alguém está morrendo?” Era uma piada completamente inadequada e ridícula para se fazer em um hospital. Olhei pra ele com uma sobrancelha arqueada o fazendo rir. Nos abaixamos no chão e eu o ajudei com os seus prontuários.
“Eu só estou fugindo de Leah Clearwater.” Bufei e ele deu seu sorriso bonito. Passei as mãos pelos meus cabelos.
“Ela pode ser como o Masen, os dois se merecem, acredite. Oh, tenho novidades.” Arqueou suas sobrancelhas juntas dando um ar de mistério. Eu apenas amava trabalhar com o Black, ele era simplesmente incrível e certamente eu gostaria de ser uma cirurgiã como ele um dia.
“O que?” Jacob abriu o seu incrível sorriso que deixava algumas garotas um pouco perdidas. Ele certamente tinha o sorriso mais bonito que eu já cheguei a ver, era charmoso, mas ao mesmo segundo era infantil e doce.
“As bebês da Mel recebem alta hoje, dá pra acreditar?” Me contagiei com a noticia e sorri também, me esquecendo por um momento que em algum momento eu seria uma interna muito encrencada. As triplas de Mel tinham ficado internas no hospital pelo resto do mês, sim, triplas, Julie, dois dias depois da cirurgia do pequeno coração não aguentou. “Quer ir se despedir?”
“Claro que sim.” Saí com ele até a parte da pediatria, elas evoluíram muito bem, todos os dias era uma vitória nova. Eu não podia acompanhá-las todos os dias, mas sempre vinha por aqui antes de ir embora, com Jake. Eu tinha me apegado de uma maneira muito especial a elas. Porque elas eram nada menos do que incríveis. Ficamos com as bebês pelos próximos quarenta minutos antes de me biparem. Fiz uma careta, eu adoraria me despedir da Mel.
Era um acidente com dois carros que se colidiram, quatro pessoas feridas. E graves. Pelas quatro horas seguidas fiquei ocupada com dois dos pacientes, junto com o Dr. Caius, ortopedista. Uma criança de seis anos teve cinco paradas respiratórias, até chegar a óbito. Foi um dia completamente desgastante, eu me senti uma fraca e imponente. Uma criança com quase a idade do meu filho tinha morrido pela irresponsabilidade dos outros, o casal que eu julgava ser seus pais ainda estavam desacordados, a mulher em cirurgia e o homem esperando uma transfusão sanguínea. Eu já estava exausta, meus pacientes estáveis. Eu tinha vinte minutos de lanche, mas eu não tinha um pingo de fome, então resolvi gastar esses minutos escondida em uma das salas dos atendentes, talvez eu pudesse ligar para Noah e avisá-lo que chegaria tarde.
Assim que fechei a porta atrás de mim fechei meus olhos e pude soltar toda a respiração que eu nem sabia que segurava. “Eu perdi um paciente que eu tinha uma grande ligação hoje.” Me assustei e quase sai correndo dali quando abri meus olhos e vi o Dr. Ego Grande sentado no beliche de baixo, encolhido com as mãos no rosto, ele estava sem a parte de cima do seu uniforme, e seus cabelos adoravelmente desnorteados. Eu não sabia o que dizer, ele sabia que era eu ali, certo? Por que diabos ele mantinha uma voz amena e baixa enquanto falava comigo? “Eu fiquei na sala de cirurgia tentando salvar a sua vida por doze horas, doze horas, e ele morre de hemorragia. Cassete.” Então ele tirou as mãos do rosto e pude ver seus olhos vermelhos e cansados, muito cansados, como se ele não dormisse há dias.
“Sinto muito.” Sussurro, porque realmente eu não sabia muito como agir com ele, Edward era um completo mistério. Ele deu um sorriso nada feliz e puxou suas mechas desgrenhadas. Eu queria sair dali, mas eu me sentia desconfortável de deixa-lo falando sozinho, se ele não tinha educação, bem, eu tinha.
“Dia ruim?” ele estava mesmo mantendo um diálogo formal comigo? Ele nunca, nunca, neste mês tinha feito isso com qualquer um de nós. E aquilo parecia um pouco assustador. Quer dizer, muito apavorante.
“Sim.” Aqueles benditos olhos amarelos olhavam pra mim como se realmente estivesse interessado no que estava fazendo, ele devia ter adquirido algum transtorno bipolar. Edward Masen se levantou e eu pude mais uma vez ter a bela visão do seu abdômen bonito e pálido. Santo Deus do céu, o homem era sexy pra caralho, com a blusa na mão, apenas com a calça e tênis, santo homem gostoso. Eu não julgava as enfermeiras e cirurgiãs terem fantasias com ele desse jeito por ai. Mas eu era realmente, completamente imune a ele.
“Devia estar feliz, eu não passei o dia na cola de vocês.” Ele dá um sorriso torto, completamente sem humor, então em seguida ele faz uma careta me assustando um pouco. “Sinto-me mal.” Ele parecia mesmo mal, o rosto abatido e olhar triste, seu paciente devia ser mesmo muito importante. Caminhei até ele e coloquei minha mão na sua testa, talvez isso tivesse abatido seu sistema nervoso e ele estivesse delirando de febre. Assim que minha mão foi até a sua testa, ele fechou os olhos e um sorriso torto surgiu no seu belo rosto. Ele estava quente, mas inferno, o homem era literalmente quente, não de febre. “Mãos suaves.” Ele sussurrou ainda com o seu sorriso torto no rosto, retirei minha mão como se tivesse levado um choque. Ele com certeza não estava bem.
“Acho que você não está com febre.” Sussurrei e ele deu um sorriso surpreendentemente lindo. Merda.
“Não, não estou.” Abriu seus olhos lentamente e eu não conseguia desviar os meus olhos dos dele, era algo estranho e extremamente assustador. Sua mão segurou minha nuca com uma força extraordinária, me assustando de início, ele entreabriu os lábios e senti sua respiração com cheiro de café muito, muito próxima de mim. O que diabos ele estava fazendo?
“Sinto muito pelo seu amigo.” Sussurrei e tentei dar um passo para trás, mas sua outra mão foi automaticamente para minha cintura. Santo homem de pegada firme. Mas ainda era o Dr. Ego grande.
“Não, não sente. Eu sinto. Você não o conhecia, eu sim, então não diga que sente.” Ótimo, o ogro arrogante tinha voltado. Tentei mais uma vez me afastar, mas ele me segurou pela nunca e cintura. Coloquei minhas duas mãos no seu peito para afastá-lo e foi a pior coisa que eu fiz, santo inferno. Sexy. Duro. Olhei nos seus olhos e foi à segunda coisa pior que fiz, em um minuto ele estava olhando pra mim e no outro ele tinha me imprensado na porta e seus lábios chocaram nos meus, de uma forma rude e dura. Arregalei meus olhos e não me mexi. Qual era o seu maldito problema? Quando senti a ponta da sua língua querendo se enfiar na minha garganta, lhe empurrei com força e quanto ele se afastou um pouco, lhe dei um tapa tão forte no rosto que ele deu três passos pra trás e minha mão ardia. Seus olhos estavam arregalados e sua mão no local onde bati, ele esfregou sua bochecha e tirou a mão do local, inferno, meus cinco dedos estavam marcados ali, apertei minha mão em punho tentado amenizar o ardor. “Qual é o seu maldito problema?” Ele grunhiu, como sempre, seus olhos estavam cheios de raiva e ele respirava fortemente.
“Eu que pergunto, quem você pensa que é seu arrogante imbecil? Eu não sou como essas estúpidas que você está acostumado a foder pelos cantos do hospital. A próxima vez que você encostar um dedo em mim, eu não vou usar a minha, vai se o meu joelho, e tenha em mente que não será no seu rosto. Então fique bem longe de mim seu estupido.” Saí da sala quase correndo, eu estava sem ar e petrificada. Jesus, eu tinha batido nele, no meu chefe. No maldito Dr. Edward Masen. Parei de correr e encostei-me em uma pilastra, minha mão ainda ardia feito o inferno e a palma dela estava extremamente vermelha.
“Bella, você está bem? Precisa de alguma coisa? Você está malditamente pálida.” Alice parou ao meu lado com o olhar preocupado. Eu não queria falar, eu gostaria de chorar, ele iria fazer da minha vida um inferno. Antes que eu respondesse fui chamada por Leah. Santa maravilha!
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