Seattle, Washington

Isabella Cullen

Eu não fazia o inferno de ideia qual era o problema dele parado na minha frente daquele jeito, eu gostaria de perguntar, mas a minha voz não saía. Por que tão bonito meu Deus? Mas é claro, Dr. Ego grande deveria ter algum atrativo para o sexo feminino por que quando ele abria aquela boca só saia uma tonelada de merda, que sinceramente acabava com aquele rosto bonito. Ele era o tipo de homem que não me chamava atenção, eu simplesmente odiava homens arrogantes. Dr. Ego estava parado bem na minha frente, com aqueles braços definidos cruzados na frente do peito e ainda com aquele sorriso que era desconhecido por mim, o único que cheguei a presenciar era o de ironia. Gostaria de saber qual era o problema dele, antes que eu falasse qualquer coisa, ele deu um sorriso baixo e olhou para os lados como se procurasse alguma coisa, em seguida direciona seus olhos amarelos pra cima de mim e para o banco onde eu estava sentada, eu não podia deixar de notar o quanto o som da sua risada era bonita. “Esse banco é meu!” Santo Jesus, era isso que o homem tinha para me dizer? Eu queria gargalhar, era a porcaria da minha vontade nesse momento, mas eu estava surpresa de mais para emitir qualquer som. No momento em que eu percebi que ele falava realmente sério, e sua sobrancelha estava arqueada pra mim como se me mandasse silenciosamente sair do banco.

“Me desculpe Masen, mas estamos em uma praça pública, com bancos públicos, e sinceramente eu não vejo o seu nome aqui.” Fingi olhar em volta para encara-lo novamente, agora ele não tinha mais o sorriso bonito, ele tinha apenas aquela sobrancelha erguida pra mim, esse homem me irritava até fora do hospital. Parecia que ele estava me seguindo.

“Eu moro naquele apartamento ali na frente, todos os dias nesse horário eu caminho aqui, e sento nesse banco, todos que estão acostumados a vir aqui sabem disso, então por meia hora, nesse horário ele é meu. Saia daí.” Edward fodido Masen só podia estar de brincadeira com a minha cara, o homem que mexia em cérebros todos os dias tinha problemas na sua própria cabeça. Gostaria de saber se ele brincava, mas o seu rosto sério e o modo que ele me olhava, dizia que ele não era um homem de brincadeira. Dei um sorriso sínico e cruzei os braços assim como ele, voltei a inclinar a minha cabeça como antes e fechar os meus olhos, eu não sairia dali só por que aquele maldito maluco mandava.

“Procure outro banco então.” Sussurrei de olhos fechados, eu gostaria de abrir e saber se ele ainda estava ali, mas eu gostaria de parecer o mais tranquila e calma possível. Sorri, além de arrogante, estupido era maluco.

“Eu não estou brincado Isabella. Saía do meu banco imediatamente.” Sua voz era calma como se ele estivesse falando com uma criança, outra coisa que me surpreendeu. Aquele homem dos infernos tirava a minha paciência de todas as maneiras possíveis.

“E por que você não procura outro maldito banco e senta essa sua bunda seletiva nele? São todos bancos, e eu estou muito confortável aqui, obrigada.” Abri meus olhos apenas para vê-lo na mesma posição, como uma estatua, eu queria que ele saísse da minha frente. “Ou por que não senta ai do lado e cala a boca.” Agora ele revirou os olhos e passou sua mão naquela bagunça de cabelos.

“Por que eu não gosto de companhias, muito menos a sua.” Ele me deu um olhar de repulsa, quem aquele idiota pensa que é? Nesse momento eu gostaria de dar um tapa na cara bonita dele. “Olhe a sua volta, esse banco fica ao lado do lago, tem o parque onde crianças correm logo ali, em frente tem o cara do cachorro-quente, do lado uma banca de sorvete, eu posso ver o meu prédio daqui e os malditos pássaros não vem por aqui, tem bela sombra onde nenhum outro banco tem e eu posso facilmente olhar para o céu sem bater os meus olhos no fodido sol, eu ocupo esse banco a mais ou menos um ano, faça a gentileza de sair daí.” Sim, ele era absolutamente maluco, mas tinha razão, era um belo banco e em um ponto estratégico, só que não fazia sentido brigar com alguém por isso. Revirei os meus olhos pra ele e voltei à mesma posição de antes como se ele não existisse pra mim. Eu tinha grandes esperanças que ele fosse procurar outro belo banco bem longe de mim.

Ouvi um choramingo bem perto, eu conhecia bem aquele som, abri meus olhos instantaneamente e me assustei quando a menos de dois metros de mim Noah caminhava com a mão na testa com sangue nas pontas do seu cabelo e na sua mão. Seus pequenos olhos estavam molhados de lagrimas e ele tentava não chorar enquanto caminhava até mim. Fiquei de pé e corri até ele, seus pequenos lábios tremiam e as lagrimas descia sem ele permitir. “Noah o que aconteceu?” tentei tirar a mão de cima do ferimento, mas ele deu um passo para trás.

“Ei garoto, você está bem?” Edward Masen se agachou ao meu lado, de frente para o meu menino, eu sequer tinha notado que ele estava ali ainda. Ele tentou tirar a mão de Noah do ferimento e eu sutilmente tirei as suas mãos de cima do meu filho.

“Noah, deixa a mamãe ver, sim?” supliquei mordendo o meu lábio, eu odiava ver o meu filho machucado, o que acontecia regulamente, graças a sua falta de coordenação motora, eu vivia com ele com pequenos machucados no hospital de Forks, eu tinha medo de algum dia alguma assistente social aparecesse lá em casa, pensando que eu o espancava, tamanha era a sua ficha médica no hospital.

“Você o conhece?” Edward agora estava com ele no colo apenas para coloca-lo sentado no banco que estávamos brigando minutos antes.

“É meu filho.” Fiquei de joelho na frente do meu filho e sequei suas lagrimas. Pela minha visão periférica, vi Edward me olhando com a boca entreaberta, provavelmente surpreso. “O que aconteceu Noah? Deixe a mamãe dar uma olhada.” Ele lentamente tirou a mão cheia de sangue de cima da testa, antes que eu pudesse examinar melhor Edward me empurrou para o lado. Qual era o problema dele afinal?

“Sua irresponsável, ao invés de estar olhando o seu filho fica discutindo por causa do meu banco.” Juro por Deus, se Noah não estivesse aqui eu com certeza lhe daria um tapa, e chutaria suas bolas, quem ele pensa que é pra me dizer como cuidar do meu filho. “Deixe eu examinar você garoto.” Ele tirou a sua camisa do ombro e passou por cima do ferimento fazendo Noah gemer um pouco.

“Não precisamos que você examine nada nem ninguém, saía daqui. Agora!” Dr. Ego estava furioso e eu podia afirmar isso pelo jeito que ele me olhava, sua mandíbula quadrada estava firme, tão forte que ele poderia trincar os dentes.

“Escute aqui sua irresponsável, eu sou o médico aqui.” Mordi a minha língua e travei os punhos para não bater nele. Eu odiava esse homem. Como ele conseguia ser tão insuportável.

“Eu sou médica também. E posso muito bem cuidar do meu filho.” ele deu um sorriso irônico. Travei a mandíbula e apertei as minhas mãos em punhos, ele certamente tinha perdido o juízo.

“Não é médica, você é uma interna, péssima por sinal.” Antes que eu me defendesse e ele retornasse a colocar a sua camisa na ferida do meu garoto, Noah segurou a sua mão no ar.

“A minha mãe é uma médica sim moço, ela salva um montão de vidas. Ela pode cuidar de mim como cuida de um monte de pessoas.” Arregalei meus olhos para o pequeno menino no banco com a mão do Edward Masen no ar, parece que Noah tinha deixado o Dr. Ego sem palavras também. Eu nunca tinha visto ele me defender assim, talvez por que ninguém nunca tinha me tratado dessa maneira na frente dele. “Tô bem mamãe, a gente tava brincando de pega-pega ai eu caí, vai passar. Sou um garoto forte.”

“Eu posso ver o quanto você é forte garoto, desculpe por falar da sua mãe assim, eu sou um bobo. É que eu sou muito bom com cabeças, só queria dar uma olhada, você me permite?” Noah olhou pra mim como se pedisse permissão e eu assenti enquanto tirava seu cabelo sujo de sangue de cima do machucado. Eu não queria mais discutir, não na frente do meu garoto.

“Tudo bem.” Edward lhe deu um sorriso mostrando todos os dentes, sorriso que nunca vi antes. Ele voltou a limpar cuidadosamente a sua testa. Eu podia facilmente fazer isso. Quando Edward tirou todo o sangue estava mais nítido o seu machucado, não era um corte, estava arranhado, muito arranhado por sinal, a parte esquerda da sua testa toda, estavam arranhados bem profundos, me perguntava como ele não estava chorando. Meu coração ficou minúsculo no peito quando vi toda aquela carne estampada na sua testa.

“Sua cabeça está doendo, grande corajoso?” Edward falava em um tom que eu nunca tinha visto antes, me assustando.

“Não, está tudo bem, só precisa de um curativo. Certo, mamãe?” ele olhou pra mim e sua pequena mão procurou a minha dando um leve apertão. Olhei para o Dr. Ego que olhava a cena tão sério como nunca.

“É sim meu amor.” Não parecia nada sério. Noah me deu um sorriso bonito que foi impossível não retribuir.

“Sua mãe está certa grande corajoso, você é o garoto mais forte que eu já conheci. Agora segure essa camisa fazendo uma leve pressão em cima do seu machucado, para parar o sangue. Quando chegar em casa sua mãe vai fazer um curativo e você vai ficar novinho.” Noah fez o que ele mandou e lhe deu um sorriso de lado. Edward ficou de pé e cruzou seus braços pra mim de novo, com aquela cara de homem das cavernas. “Tome mais cuidado Isabella, não só é uma péssima médica como uma mãe irresponsável.” Antes que eu falasse alguma coisa nada educada ele virou as costas e começou a correr. O filho da puta tinha costas bonitas, cheia de pintinhas, costas largas, bem definidas com dois buraquinhos no final da sua coluna. Revirei os meus olhos. Não importa o quanto quente ele era, aquela boca só saia toneladas de lixo. Eu gostaria de xinga-lo tanto, com nomes que nem existiam, tão alto quanto as minhas cordas vocais permitiam e depois quebrar o seu nariz bonito e lhe dar um chute tão grande para garantir que ele nunca tivesse filhos.

“Mamãe, me compra um sorvete? Eu mereço né? Você viu como eu sou forte? Viu mamãe?” dei um pequeno sorriso e alisei seus cabelos soados, Noah ainda segurava a camisa na testa. Por um minuto eu deixei que as palavras de Edward invadissem os meus pensamentos, Noah era o meu mundo todo, e se algo acontecesse com ele o meu pequeno mundo desabava, o coloquei no colo e beijei seus cabelos, afagando o seu cheiro único.

“Sim, você foi muito forte Noah, mamãe está orgulhosa de você. Vamos pra casa limpar esse machucado e comprar o seu sorvete, sim?” Ele abriu o seu maior sorriso, inflando totalmente o meu coração.

“Tá bom, de morango, quatro bolas, você sabe, eu mereço.” Segurei o sorriso e assenti seguindo com ele no meu colo até o quiosque de sorvete deixando o fodido banco do Dr. Ego grande para trás. Compramos nossos sorvetes e fomos para casa.

Assim que colocamos os pés dentro de casa, dei um banho em Noah, limpando sua testa cuidadosamente. Assim que terminamos ele vestiu a camisa velha do seu pai do time de basebol deles e uma calça moletom, a camisa ficava enorme indo até metade das suas canelas. Sentamos no sofá com minha pequena mala de primeiros socorros, Noah era bem familiarizado com os pequenos instrumentos e remédios lá dentro, eu e ele somos os que mais precisavam dessa maleta, nossa coordenação motora era péssima, Carlisle colocava a culpa em mim, eu colocava a culpa em Charlie que tinha dois pés esquerdos. Limpei seu ferimento com antisséptico, agora limpo, era possível ver como estava, ele tinha caído feio, eu ficava intrigada como um garotinho de cinco anos estava sentado no sofá com a pele da testa arrancada enquanto eu limpava o seu ferimento, ele apenas balançava os pés enquanto assistia Bob esponja. Fiz o curativo e lhe dei um analgésico infantil, para a dor ou desconforto.

Na hora do almoço fiz sua refeição predileta, arroz e lasanha de frango, fiz o suficiente para que sobrasse para o jantar. Sempre que ele se machucava ou ficava doente eu o agradava ao máximo, talvez por isso ele nunca se importava com dor. Jogamos vídeo game e assistimos TV a tarde toda, Noah queria que fossemos ao jardim para jogar basebol, mas eu sequer sabia pegar em um taco daqueles. Ele não comentou nada sobre o nosso encontro com o Dr. Ego no parque, o que me deixou feliz, eu não queria falar sobre aquele imbecil. Antes da hora de Jane chegar lavei a camisa ensanguentada do Masen, não era tanto sangue, mas estava dificultando a minha vida para limpar aquela coisa, era uma bela camisa branca de algodão, tive que usar o meu melhor tira-manchas, fodidamente caro, aquele arrogante filho da mãe não merecia o meu sabão caro.

Às seis e quarenta da noite Jane já estava sentada no chão da sala com uma quantidade absurda de brinquedos ao seu redor e Noah estava feliz ao brincar com ela. “Mamãe já está indo, você não sente nenhuma dor mesmo?” ele deu um pequeno sorriso e veio me abraçar, retribui de bom grado, dando um beijo na sua cabeça e o abraçando apertado.

“Está tudo bem mamãe, é sério. Espero que salve um punhado de pessoas.” Gesticulou com os braços os abrindo o máximo que conseguia me fazendo rir.

“Tudo bem então, Jane, qualquer coisa, qualquer cosia mesmo, me ligue, não hesite, se Noah sentir qualquer coisa ligue até na recepção do hospital e peça para que eles me bipem.” Jane dá um pequeno sorriso enquanto revira os olhos, mas porra, quem poderia me proibir de ser uma mãe perdidamente protetora.

“Vá tranquila Bella, vamos ficar bem.” Jane colocou as mãos nos ombros do Noah, atrás dele, o fazendo encara-la e sorrir em seguida.

“Ok, eu amo você homenzinho.” Soltei um suspiro me dando por vencida.

“Amo você também mamãe.” Lhe dei mais um beijo antes de sair correndo de casa. Chegar mais um dia atrasada realmente não estava na minha lista de coisas.


Assim que cheguei ao Seattle Grace eu estava em cima da hora, ao menos não estava atrasada, graças a Deus, corri até o vestiário e encontrei Alice, Emmett e Mike já prontos conversando em um canto. “Hey, boa noite Belinha.” Emmett me lançou um sorriso assim que corri até uma cabine para me vestir.

“Boa noite pessoal.” Falei alto o suficiente para que eles ouvissem enquanto colocava meu scrubs, completamente e absolutamente atrapalhada. Eu não queria ter motivos para aquele imbecil.

“Então Bella, estávamos combinando de amanhã à noite ir ao bar do Billy, a duas quadras daqui, dizem que é ótimo. Vamos?” Alice perguntou com uma voz animada. Terminei de colocar aquela roupa horrivelmente ridícula em um tom azul claro, mas por mais ridícula que fosse eu não podia negar que era muito confortável.

“Não posso Alice, eu tenho um filho. Não vou deixar ele na minha noite de folga.” O silencio reinou do lado de fora da cabine. Uma interna mãe, era novo, não raro, mas diferente. Saí com o jaleco nas mãos e corri para colocar minha mochila no armário. Me virei de frente para eles e amarrei meu cabelo em um coque, os três pares de olhos estavam em cima de mim, como se eles realmente estivessem me julgando, cada um com seus próprios pensamentos. Ótimo. Era tudo o que eu precisava no momento.

“Você é casada?” Emmett analisava meus dedos, talvez a procura de algum metal roliço. Dei um pequeno sorriso enquanto eu mesma conferia os meus dedos.

“Divorciada. Vamos o Hitler não vai esperar muito.” Eles assentiram e saímos juntos a procura do Masen. Mas eles realmente pareciam não ter esquecido aquilo enquanto andavam atrás de mim e mantinham seus olhos focados na minha direção.

“Show, está na pista.” Emmett me lançou um sorriso sexy que me fez revirar os olhos.

“Eu não estou na pista. Sou mais velha que você Emmett, não sou papa-anjo.” Brinquei o fazendo rir. Eu provavelmente era a mais velha dos internos ali, não apenas por ter parado por um ano e alguns meses, mas por ter iniciado a universidade um pouco tarde.

“Mais velha. Sexy.” Ele disse fazendo todos rirem, mas paramos imediatamente ao ver na nossa frente aquela estátua séria como o demônio olhando na nossa direção. Ele parecia entediado e bravo.

“Atrasados! Um minuto e quarenta e quatro segundos, sabem o que pode acontecer nesse tempo? Sabem quantas pessoas podem morrer pelo atraso de vocês? Em um minuto e quarenta e quatro segundos perdidos vocês podem ter matado alguém. Satisfeitos? Eu não tolero atrasos. Quando vão aprender que não passam de internos irresponsáveis e burros? Não se deem ao luxo de chegarem atrasados, nunca!” Ele olhou na minha direção, como se falasse aquilo especialmente pra mim, a minha mão chegou a coçar com a vontade de meta-la na sua cara.

“Desculpe-nos, Dr. Masen.” Mike sussurrou, ele estava completamente corado. Às vezes eu tinha Vontade de chacoalhar Mike para ele deixar de ser tão bobinho e inocente.

“Eu não preciso das desculpas de vocês. Essa é regra número cinco, não se atrasem, nunca. Não quero me responsabilizar pelo fracasso de vocês.” Ele praticamente gritou para Mike que se encolheu. Esse homem era repugnante. Masen virou as costas e começou a caminhar, nós o seguimos até a lista de traumas, ele se inclinou no balcão das enfermeiras e pegou cinco prontuários, colocou do seu lado e leu silenciosamente um. Nós quatro nos entreolhamos e Mike ainda estava vermelho como um tomate, Alice me olhava temerosa e Emmett encarava as costas do Dr. Ego com um olhar intimidador, como se quisesse mata-lo, eu duvidava muito Emmett lhe lançar este olhar olhando no seu olho.

“Dr. Masen, então estes são seus internos?” Um homem de pele morena, alto, com cabelos negros e curtos, olhos pequenos e puxados, com um sorriso bonito parou ao lado do Dr. Ego pegando um dos prontuários. Era um lindo homem, com seu uniforme escuro de cirurgião, sem o jaleco dando uma boa amostra dos seus braços musculosos.

“Dr. Black. É, são eles.” Masen disse sem grandes emoções e nem ao menos nos olhou, algo no prontuário devia ser bastante interessante, ou ele realmente não queria manter uma conversa duradoura. O moreno olhou para cada um nós com um sorriso.

“Se importaria em me emprestar um por hoje?” Masen parou o que quer que ele lia, e seus olhos imediatamente vieram na nossa direção, passando por cada um de nós, e em seguida ele direcionou seus olhos para o moreno bonito, e aparentemente simpático ao seu lado, com um pequeno sorriso irônico.

“Pegue seus próprios cachorrinhos Black.” Masen não era de muitos amigos e pelo que eu notei, muito menos de colegas.

“Eu não faço parte do programa.” O homem chamado de Black reclamou, como se aquilo realmente o incomodasse.

“Escolha um então.” Ele falava como se fossemos ratos de laboratório prontos para ir ao experimento. Edward dá de ombros e volta a sua atenção para o prontuário a sua frente, nos ignorando totalmente. O moreno o encarou por fração de segundo antes de se virar na nossa direção.

“Ok, bem, meu nome é Jacob Black, obstetra-neonatal. É realmente um prazer conhecer vocês, sempre quis fazer parte do programa, mas infelizmente esse não foi o meu ano. Quem gostaria de entrar na minha equipe hoje? Eu ficaria realmente honrado em ensina-los um pouco por hoje.” Deu um sorriso bonito e totalmente encantador, bom, pelo menos o homem não era antipático. Todos levantaram as mãos, claro, quanto mais longe do Dr. Ego por um dia melhor. Edward não olhava pra nós, apenas assinava algo no prontuário, como se não se importasse realmente com aquilo. Jacob olhou para cada um de nós e seu olhar caiu sobre mim, ele me lançou um sorriso charmoso, talvez ele tivesse notado meu olhar de desespero. “Dra. Cullen, ficaria honrado em tê-la na minha equipe hoje.” Ele leu meu nome no crachá. Sorri, era impossível não sorrir, meus colegas resmungaram e Edward me lançou um olhar de desdém, como se pra ele, aquilo não fosse grande coisa.

“Ótimo!” Suspirei. Ele me entregou um prontuário rosa que estava nas suas mãos. Pela primeira vez desde coloquei meus pés nesse hospital e conheci o Hitler, me senti feliz.

“Boa sorte no esquadrão da vagina, onde tudo e rosado e macio, Dra. Cullen. Eu e meus internos vamos cuidar de traumas de verdade!” Dr. Ego usou todo o seu sarcasmo e me lançou um sorriso completamente sem humor. Idiota. Ele pegou os prontuários e os jogou em cima de Alice caminhando a passos largos na direção oposta fazendo os meus colegas correram atrás dele.

“Ele é um fodido arrogante.” Dr. Black sussurrou, como se fosse um segredo, sorrindo pra mim, ele tinha absoluta razão. “Vamos até o quarto da Sra. Karev, ela aguarda o esquadrão vagina.” Me lançou um sorriso que retribui, ele não era tão ruim, sorria o tempo todo, não que eu estivesse reclamando, ele era absolutamente diferente do Dr. Ego grande. Enquanto o seguia eu lia o prontuário, Melinda Karev, 38 anos, gravida de quadrigêmeos, 32 semanas de gestação, deu entrada pela manhã com dores abdominais. Ótimo. Eu não entraria em uma cirurgia, mas me manteria longe do Masen, aquilo já me bastava, por hora. Ao entrar no quarto não pude deixar de rir, balões cor de rosa, estavam espalhados por toda parte, flores e fotografias. A mulher deitada na cama estava com uma barriga estupidamente grande e sorria ao conversar com um homem que estava sentado em uma poltrona ao seu lado, eles pareciam felizes, ela era loira, com incríveis olhos azuis e o seu marido com as mesmas características. “Boa noite mamãe e papai, como tem passado Mel?” ele perguntou gentilmente, Melinda abriu um largo sorriso e alisou sua barriga enorme.

“Muito bem, Jack.” Ela olhou na minha direção, ainda sorria, mas parecia um pouco confusa. Dr. Black olhou pra mim e deu um pequeno sorriso torto.

“Oh, essa é Isabella Cullen, ela vai trabalhar conosco no caso.” Dei um passo à frente e lhe dei um sorriso reconfortante que foi prontamente retribuído.

“Ótimo, quanto mais, melhor.” O homem, que deduzi ser seu marido disse e ela concordou.

“Com certeza!” Concordei lhes lançando um sorriso. “Está com 32 semanas, certo?” me aproximei, Jacob tinha a barriga da mulher exposta e fazia exames rotineiros.

“Sim, mas ninguém sai dessa barriga até as 36.” Ela falava com seus bebês me fazendo lembrar de quando eu estava gravida, era ótimo conversar com o Noah, imagine ela, com quatro.

“Qual o período de uma gestação normal Dra. Cullen?” Jacob questionou sem me olhar.

“Quarenta semanas, trinta e seis semanas pra gêmeos é considerável bastante então trinta e duas semanas pra quádruplos é considerado um sucesso.” Jacob me encarou sorrindo, era errado me sentir um pouquinho encantada por ele? Porra, o homem era lindo e simpático de mais.

“Muito bem Dra. Cullen.” Ele me lançou uma piscadela. “Bem Mel, eu vou pedir uma ultrassom, que vamos fazer agora e saber como estão estas lindas meninas, e o porquê da dor. Tudo bem?” o homem ao seu lado segurou forte a sua mão e beijou a sua testa, um gesto bonito que me fez sorrir.

“Tudo bem.” Jacob pegou o prontuário das minhas mãos e fez algumas anotações. Mandou uma mensagem do seu pager para as enfermeiras, para que preparassem Mel para o ultrassom.

“Dra. Cullen, vou visitar um paciente, me mande uma mensagem quando tudo estiver pronto, fique com Mal, e avalie se ela sente mais alguma coisa.” Assenti e ele saiu. O homem ao seu lado lhe deu um beijo rápido e saiu da sala, ficamos somente eu e ela. Melinda parecia uma mulher feliz. Talvez fossem os efeitos colaterais que mulheres gravidas transmitiam, saber que carregamos um ser dentro de nós é magico. Mel fez uma careta e me aproximei dela.

“Você está bem?” Melinada colocou sua mão na barriga e fez outra careta.

“É a Melissa, ela tem um chute forte, a mais forte eu posso dizer.” Alisou a barriga, mais em baixo, onde provavelmente estava a pequena chutadora.

“Sabe onde está cada uma delas?” Eu muito provavelmente estava um pouco fascinada.

“Claro que sei! Bem aqui.” Pegou gentilmente a minha mão e colocou na parte de cima da barriga. “É a Clair, ela adora se mexer, o tempo todo na verdade. Aqui.” Levou a minha mão para o outro lado. “É a Julie, ela é quieta, muito quieta, raramente se meche, às vezes me assusta, mas quando meche, agita todas as irmãs.” Sorrimos, ela parecia tão incrível e tão fascinada. Melinda desceu minha mão para o lado esquerdo. “Está é a Addison, acho que ela dá cambalhotas aqui dentro, sério.” E por ultimo ela levou minha mão até a Melissa que deu um chute forte me assustando. “Vê? Ela é uma chutadora, o pai dela disse que vai ser jogadora de futebol. É a minha primeira gestação, eu sempre quis ter um bebê, só não imaginava que viria quatro de uma vez, mas na minha idade, eu acho ótimo. Você tem filhos?” Sorri ao passar a mão gentilmente onde Melissa estava, ela me lembrava o Noah, totalmente inquieto, me deixando louca o tempo todo.

“Sim, eu tenho um filho de cinco anos.” Ela mordeu o lábio e fez uma careta. “Tudo bem?” O desconforto que ela dizia sentir me pareciam contrações, mas a bolça não tinha rompido.

“Acho que sim. É a Julie.” Mas uma careta seguida por um gemido.

“Tudo bem, Mel, vou bipar o Dr. Black, ok? Vamos fazer logo o ultrassom e ver como estão essas pequenas princesas.” Ela assentiu e mandei uma mensagem para Jacob. Vinte minutos depois as enfermeiras chegam com o aparelho portátil e Jacob parecia preocupado. O procedimento é feito todo em silencio, Mel parecia preocupada com as dores, o seu marido, Josh, segurava a sua mão em todo o momento, Jacob olhava a imagem dos bebês, a sala era preenchida pelo som de corações batendo sem controle, e completamente, desregulados. Algo estava errado, a sala que há poucos minutos era repleta por sorrisos para todos os lados, agora estava em um completo silencio, todos estavam sérios. Eu me mantinha bem atrás do Jacob mantendo uma distancia considerável, apenas analisando tudo.

“Como estão as meninas?” Josh perguntou. Jacob suspirou e parou o exame, limpou a barriga de Mal e olhou para os pais.

“Os sinais vitais dos bebês estão estáveis mais a placenta está muito baixa. Você está tendo contrações Mel, vamos tentar manter essas garotinhas ai dentro o máximo de tempo possível.”

“Elas não podem nascer agora, é muito cedo.” Ela se remexeu na cama em pânico.

“Vai fica tudo bem Sra. Karev, elas vão ficar bem, mas você precisa manter a calma para que elas se acalmem também. Você consegue?” Segurei a sua mão e ela me deu um sorriso, respirando mais calmamente. Aquele contanto com aquela paciente, era o que eu queria, realmente era, com todos os outros que viriam.

“Por enquanto não podemos fazer mais nada, Mel. Como a Dra. Cullen disse, você tem que manter a calma. Isabella venha comigo, por favor.” Mel suspirou e soltou a minha mão. Saímos do quarto e Jacob fechou a porta atrás dele. “O bebê número dois, Julie, não está bem, tenho que falar com o Dr. Uley urgente. Você está de plantão?” a maldita parte de ser frio e agir como um cirurgião não funcionava pra mim, principalmente com bebês.

“Estou sim, o que aconteceu?” Jacob passou a mão pelo rosto e suspirou.

“Síndrome da hipoplasia. Tenho que falar com o cardiologista, fique na sala com ela, eu volto já com o Dr. Sam.” Balanço a cabeça positivamente algumas vezes tentando me manter pacifica e indiferente.

“Tudo bem.” Ele virou as costas e saiu quase correndo. Voltei a entrar no quarto e Mel conversava com seu marido, tentei ser o mais evasiva possível, monitorei os aparelhos que estavam ligados a sua barriga, mas a todo momento em que eu olhava pra ela, para a sua barriga, uma vertigem me atingia. Não se envolva, não se envolva.

“Qual o nome dele?” Ouvi o seu sussurro enquanto eu regulava o seu soro, lhe encarei com o cenho franzido e ela tinha um pequeno sorriso.

“De quem?” Mel acariciava a sua barriga, o seu marido dormia com a cabeça sobre a cama, sentado na poltrona ao seu lado, mas a mão dele, ainda estava segurando a mão da esposa.

“Do seu filho, você ficou com medo também?” ela mordeu o lábio e lhe dei um sorriso reconfortante.

“Noah, o nome dele é Noah! É normal sentir medo, eu fiquei apavorada na verdade. Tive um parto normal, fiquei por quatorze horas com contrações, e o meu ex-marido, não tirava a câmera de cima de mim, eu gritava apavorada e tudo que ele fazia era filmar, como se aquilo fosse fantástico.” Nós duas rimos e fiquei feliz por ao menos alguns segundos, tirar a sua tensão. “Eu estava amedrontada, mas quando tudo acaba e você vê aquela coisa minúscula, acredite, vale a pena cada dor.” Seus olhos se encheram de lagrimas, mas ela ainda sorria, eu queria poder lhe abraçar.

“Eu tenho certeza que vale.” Trinta minutos depois Jacob e Sam entram pela porta, os dois pareciam cansados e frustrados. Aquilo não era nada bom. Mel chacoalha um pouco o seu marido que rapidamente levanta a cabeça e olha para todos um pouco confuso, assim como a esposa.

“Mel, este é o Dr. Sam, ele é o chefe da cirurgia cardíaca. Ele gostaria de conversar com você sobre a cirurgia da Julie.” Mel e Josh se entreolharam confusos e eu me afastei.

“Cirurgia? Como assim? Que cirurgia?” Josh elevou a voz um pouco.

“Sua filha tem a síndrome da hipoplasia do coração esquerdo, o coração dela, não bombeia sangue o suficiente para atender as necessidades do corpo. A cirurgia vai ser longa, e as chances são de...”

“Não acreditamos em números.” Mel protestou. Ela era extremamente forte e eu admirava aquilo.

“Ótimo por que eu também não. Mas é importante os dois saberem o que se passa na saúde das suas filhas. As câmaras do lado esquerdo do coração não se desenvolveram bem, pra piorar a válvula mitral que conecta as duas câmaras também apresentam alterações. Vamos fazer o possível, para que tudo ocorra bem.” Eles assentiram, mas os olhos de Mel estavam transbordando em lagrimas. Mordi meu lábio para não falar nada imprudente e pessoal de mais.

“Mel, nós vamos fazer uma cesariana de urgência, ainda hoje. O oxigênio do umbigo-umbilical que leva até Julie não está sendo o suficiente. Precisamos manter o coração dela batendo. Então é importante que isso aconteça hoje. Vamos deixar vocês á sós um pouco, eu volto em seguida, querida.” Olhei para Mel antes de sair do quarto e me quebrei ao ver seus olhos cheios de dor. “Sam a sala de cirurgia três e quatro vão estar desocupadas às dez horas. Reúna toda a equipe, quando mais, melhor. Já reservei para nós, assim que Julie nascer, vamos leva-la direto para a cirurgia.” Jacob fechou a porta do quarto atrás de nós e passou uma das mãos pelos cabelos. Sam soltou um suspiro e concordou.

“Ok, Dr. Black, nos vemos lá.” Sam lhe deu um sorriso antes de sair caminhando pelo corredor.

“Isabella, veja pra mim as minhas pacientes do pós-operatório, por favor. Espero você as nove e cinquenta na sala de cirurgia.” Arregalei meus olhos e ele arqueou uma sobrancelha pra mim.

“Sério?” Ele sorriu. Porra, aquilo seria absolutamente fantástico.

“Sério, você é minha interna hoje, é meu dever ensinar você, vai me auxiliar.” Me deu uma piscadela e saiu. Dei um enorme sorriso e soltei um suspiro em agradecimento. Passei as últimas horas fazendo o que ele me pediu. Nunca pensei em me especializar em obstetra-neonatal, minha única dúvida era neurocirurgia ou cardiologia, mas ao ver todas essas mães felizes com seus bebês no colo e sorriso contente me fazia repensar. E aqueles pequenos e inocentes bebês fazia com que eu me derretesse. Eles eram mágicos. Quando terminei de fazer todas as visitas demorando mais que o necessário, olhando os bebês, fui até o refeitório pegar um café. “Bella, é verdade que você está com a mulher dos quadrigêmeos? E um dos bebês tem síndrome de hipoplasia?” Alice parou do meu lado com Emmett ao seu encalço.

“É verdade, vamos fazer a cesariana daqui a pouco. E vocês estão em que caso?” Alice bufou e Emmett fez uma careta.

“Estamos com um aneurisma, Hitler disse que vai escolher quem vai auxilia-lo.” Alice parecia empolgada, com seu primeiro caso de verdade. “Ele hoje está pior, você tem que ver.” Isso não era novidade, eu me perguntava se tinha uma maneira dele ser pior. “Dr. Esquadrão das vaginas é um gato em.” Moveu as sobrancelhas pra mim, revirei meus olhos e não pude deixar de rir. Merda, ela tinha completa razão, mas eu não diria isso a ela, é claro!

“Tenho que ir, vejo vocês depois.” Lhes dei um sorriso olhando a hora no relógio da parede do refeitório. Estava na hora da minha primeira cirurgia e eu não podia estar me sentindo mais empolgada. Fui até o quinto andar e entrei no lavatório, pelo vidro eu já podia ver Mel na sala de cirurgia sendo preparada, Dr. Sam já estava na sala ao lado com toda a equipe pronta para levar Julie.

“Vai ser longas horas, tomou muitos cafés?” Jacob parou do meu lado, eu estava me lavando com o sabão antisséptico assim como ele, estávamos lado a lado e por esse ângulo ele ficava ainda mais bonito.

“O bastante!” Ele sorriu. Terminamos de nos lavar e fomos nos preparar. O meu coração batia completamente descontrolado na minha caixa torácica me fazendo suar. Enquanto eu amarrava a touca cirúrgica na cabeça eu olhava Mel, a minha primeira cirurgia. Uma enfermeira veio e colocou o meu aventar e em seguida as minhas luvas, eu me senti no céu, Jacob e eu nos entreolhamos antes de colocarmos a nossa mascara e entramos na sala. A sala de cirurgia estava cheia, era uma multidão vestida de azul. Mel estava na maca, o seu marido segurava a sua mão e com a outra afagava a sua cabeça coberta por uma touca, eles conversavam e vez ou outra ele beijava a sua testa. Eu me perguntava como ela estava se sentindo, com tanta gente ao seu redor, era apavorante. A equipe era de vinte e três pessoas, incluído médicos e enfermeiros. As incubadoras estavam apostas apenas aguardando os bebês. Fiquei atrás do Jacob, que estava sentado em um banco se preparando. Eu e mais três cirurgiões pegamos uma manta e nos posicionamos com os braços esticados à espera dos bebês.

“Bisturi, por favor.” Jacob sussurrou, então tudo começou, eu não podia olhar para o rosto de Mel, mas eu sabia que ela estava angustiada, assim como o marido. Eu olhava todo o procedimento que Jacob fazia atentamente, tentando pegar cada pequena coisa. Meia hora depois o primeiro choro foi ouvido, um dos médicos do meu lado pegou a bebê, correndo com ela para os exames rotineiros. Minutos depois outro choro ecoou pela sala e outro médico também saiu com ela. Mel nem podia ver as filhas primeiro, era tudo muito rápido. A terceira não chorou o que assustou todos da sala, uma equipe maior, levaram o bebê, tentando fazer com que ela reanimasse. E por ultimo e mais demorado um pouco, Julie nasceu, Jacob olhou pra mim e eu corri para pega-la. Ela era minúscula, muito pequena, quando eu a peguei no colo e vi os seus pequenos olhos olhando pra mim, dei um pequeno sorriso por trás da mascara. Aquilo era realmente o que eu queria fazer, era onde eu devia estar. Eu a encarava e tentava não me emocionar, ela era minúscula e incrivelmente bonita, enquanto eu caminhava com ela para os rápidos exames, tinha medo de derruba-la. A minha espera, tinha uma equipe à espera da pequena Julie, antes de entrega-la eu dei outro grande sorriso pra ela, ela tinha os lábios roxos e a sua respiração era pesada, obviamente, não era um bebê saudável. Eu fiquei ao lado dela, enquanto eles a pesavam e conferiam os seus batimentos, era tudo muito rápido e no mesmo minuto eles a colocaram na incubadora e seguiram com ela para a outra sala de cirurgia ao lado, eu acompanhei a sua ida com os olhos até ela sumir das minhas vistas, quando as portas duplas se fecharam.

“Dra. Cullen, preciso que você termine aqui pra mim. Tenho que ficar com a Julie e o Dr. Sam, depois vá para a UTI neonatal e fique com aquelas crianças, você agora e responsáveis por elas.” Assenti e Jacob saiu do banco e correu para a outra sala. Me sentei no seu lugar e sorri quando peguei a pinça, aquele era realmente um belo dia. Eu fazia com calma para não deixar uma cicatriz muito grande. Enquanto eu estava lá, no lugar do Jacob, não pude deixar de me sentir no meu lugar magico, porque aquilo pra mim era fantástico. Olhei sutilmente para a galeria, não estava tão cheia quando na hora do parto, alguns já tinham ido assistir a cirurgia da Julie, mas ainda tinha algumas pessoas me deixando um pouco mais apreensiva, soltei um suspiro quando vi Alice me encarando boquiaberta e Edward Masen ao lado dela, de braços cruzados e olhar sério. Suspirei algumas vezes e voltei para o meu trabalho, não me importando com os olhares sobre mim. Quando terminei, cinco enfermeiros apareceram para leva-la para o quarto. Olhei para Mel e ela chorava assim como o marido.

“Vai ficar tudo bem, elas vão ficar bem.” Sussurrei antes de levarem para o quarto, Mel me deu um pequeno sorriso triste que me fez suspirar.

“Obrigada!” Ela sussurrou e os enfermeiros saíram arrastando a sua maca, com uma Mel chorosa e o seu marido tentando lhe confortar. Olhei uma última vez para a galeria e Edward ainda estava lá, sozinho. Suspirei e fui para o lavatório. O olhar da pequena Julie ainda estava na minha cabeça. Merda. Jogo as luvas e o avental no lixo. Eu estava um pouco exausta enquanto me lavava.

Assim que cheguei na UTI me direcionei ao quarto onde estavam os três bebês. Duas enfermeiras o monitoravam. Corri até cada uma delas para ver se estavam bem. Todas respiravam com a ajuda de aparelhos, estavam medicadas e calmas. Melissa era a bebê que nasceu sem chorar, todos estavam preocupados com ela, mas estava viva. Era impossível não olhar para aqueles bebês e não se sentir absolutamente encantada. A noite passou calma, todas as três pareciam bem, por volta das oito horas da manhã outra enfermeira entrou no quarto empurrando outra incubadora, era Julie, logo atrás Jacob tinha o semblante cansado e preocupado. “Como foi?” Julie estava cheia de aparelho por todo o seu minúsculo corpo e estava adormecida.

“Nada bem, ela teve duas paradas cardíacas na cirurgia, Sam fez tudo o que pode. Agora ela está estável. Temos que aguardar e ver como ela se sai. E as outras três? Como passaram a noite?” ele caminhou por cada uma as examinando, eu via o sorriso dele para cada uma delas.

“Bem, Melissa ainda preocupa um pouco, ela não parece estar respirando bem.”

“É por isso que estou aqui!” Me virei para aquela voz e Dr. Ego grande estava parado na porta do quarto. Com um sorriso sínico e olhar penetrante. Até no dia em que eu não era sua interna o homem me atormentava. Eu queria poder revirar os meus olhos. “Os exames neurológicos dela deram algumas alterações. Ela não tem oxigênio cerebral suficiente. ” Edward olhava o seu prontuário parando bem em frente à incubadora dela.

“Ela passou a noite agitada. ” Sussurrei logo atrás dele.

“É claro que passou, foi uma noite agitada pra ela, não é pequena lutadora?” Franzi o cenho quando ele caminhou para o lado da incubadora e abriu um sorriso, um enorme e grande sorriso para aquela bebê, apenas não parecia o Dr. Masen ali, realmente não. “Você é uma pequena guerreira e eu vou cuidar de você.” ele sussurrou pra ela como se fosse um segredo, olhei para Jacob que tinha as sobrancelhas erguidas. Ele colocou as mãos dentro da incubadora e foi examina-la lentamente, enquanto sussurrava alguma coisa que eu não conseguia ouvir. Em seguida começou a desligar os aparelhos me fazendo arregalar os olhos.

“O que você está fazendo?” Caminhei na sua direção rapidamente e ele apenas revirou os olhos, mas não me encarava diretamente, ele tinha toda a sua concentração na pequena bebê.

“Dividir o leito com a Addison vai ajuda-la.” Eu já tinha lido sobre isso, um gêmeo ajuda o outro, mas ser colocado em pratica, era novo pra mim. Ele pediu a minha ajuda para transferi-la para a incubadora da irmã, Edward colou Melissa bem ao lado da Addison e voltou a religar todos os aparelhos. Elas apreciam incríveis justas, tão pequenas, mas tão especiais. Eu estava completamente apaixonada por aquilo. “Elas vão ficar bem.” Sussurrou sorrindo pra elas. Como se ele não fosse o ogro que parecia ser, eu via os seus olhos brilharem em admiração enquanto ele olhava pra elas. Um bip descontrolado na sala foi ouvido.

“A pressão baixou. Taquicardia.” Uma enfermeira correu para o lado de Julie assim como eu e Dr. Ego.

“Saturação de oxigênio?” Dr. Ego perguntou. Eu estava um pouco apavorada ao lado dele, enquanto ele parecia tão calmo e controlado.

“Caindo, apenar do fluxo de oxigênio elevado.” A enfermeira disse. Coloquei meu estetoscópio para ouvir a sua respiração.

“Sem sons de respiração.” Gaguejei um pouco, Edward soltou uma praga.

“O pulmão colapsou.” Ele pegou uma espécie de agulha e me entregou. Eu apenas a peguei tremendo um pouco. “Enfie isso entre a segunda e terceira costela, não vá muito fundo. Vai ouvir uma pequena rajar de ar.” Fiz o que ele pediu me abaixando para poder ouvir o ar de seus pulmões. Eu estava um pouco nervosa, tentei controlar as minhas mãos tremendo, respirando profundamente. Eu sabia fazer aquilo. É claro que sabia! Só nunca tinha colocado em pratica.

“Ouvi.” Sussurrei, ele colocou seu estetoscópio ao lado e me deu um sorriso.

“Ótimo. Ela é bem forte, acabanou de passar por uma cirurgia e agora isso, vamos ter que inserir um tubo no peito direito dela.” Edward suspirou. Ele parecia ter um coração, afinal de contas.

“Bom trabalho Isabella. Vou dar noticias a Mel.” Jacob sorriu pra mim e saiu da sala. Edward foi examinar cada uma das meninas e saiu da sala em seguida. Pelo resto do meu turno eu fiquei com as meninas, todas reagiam bem, Addison e Melissa estavam progredindo rapidamente, a ideia do Dr. Ego no compartilhamento de leito tinha dado resultado. Surpreendente. Assim que meu turno acabou, chequei as bebês uma ultima vez e fui para o vestiário trocar de roupa, Alice e os meninos já estavam lá.

“Como as meninas estão?” Emmett perguntou tirando a camisa. Eu me senti um pouco cansada. Sentei-me no banco bem na sua frente para tirar os meus tênis.

“Estáveis.” Dei de ombros. Fui em silencio para a cabine e troquei de roupa o mais rápido possível, eu só queria ir pra casa e ficar com o Noah.

“Não vai com a gente para o bar?” Alice fez um biquinho engraçado enquanto saiamos do hospital. Ela tinha a sua bolsa da Prada pendurada no ombro e um vestido que parecia ser mais caro do que a minha casa.

“Não posso, eu tenho que ir pra casa.” Alice revirou os olhos e resmungou sobre os garotos estarem demorando no banheiro. Fomos para o estacionamento, e fiquei com Alice encostada no seu carro. Já estava anoitecendo e eu só queria dormir abraçada ao meu garoto. Alguns minutos os garotos aparecessem. Eles empurravam os ombros um do outro em uma brincadeira tola. Emmett obviamente era mais forte que o pobre Mike. Emmett colocou seu braço sobre o meu ombro e me questionou sobre a ida ao bar. Conversamos mais um pouco antes de eu ter que ir. “Até amanhã pessoal!”

Notas finais
E então, gostarão? Odiaram? Não deixem de comentar e falar a opinião de vocês. Beijos e até semana que vem.