Entre Luz e Trevas

1 Capítulo 1 - Primeiros Passos


“Já está na hora de crescer e ter um pouco mais de responsabilidade!”. São as palavras que ecoam na cabeça de Alef, um jovem que acabara de completar 22 anos e estava saindo da casa dos pais no interior para morar em uma cidade grande. Ao logo desses anos, Alef nunca foi de fazer muitas amizades. Raramente saía do seu quarto. Seu companheiro era um vídeo game no qual passava horas e horas jogando. Não queria deixar sua vida cômoda por nada. Após muita discursão, ele decidiu que aceitaria cursar uma universidade em outra região. Com uma despedida dolorosa, porém conformada, Alef embarcou no ônibus rumo ao seu destino. Não sabia muitos detalhes ao certo sobre onde ele iria ficar. Sua mãe só o alertou de que dois rapazes da confiança dela estariam lá para busca-lo, e ambos dividiriam a casa com ele. Abrindo a janela do ônibus e olhando para o horizonte, o jovem rapaz refletia sobre sua nova vida. Imaginou os possíveis lugares onde poderia trabalhar, como seria cansativa a vida de universitário, a saudade da família e principalmente como seria morar com mais dois rapazes da idade dele.

Retirando da sua mochila um envelope contendo informações e fotos sobre os dois jovens que morariam com ele, Alef põe-se a analisar o conteúdo pela primeira vez. Sua empolgação com a mudança era tão pouca, que não teve nem a curiosidade de ver os rostos dos seus novos ‘colegas de quarto’ antes de embarcar. “Aaron, 25 anos, Psicologia... Só tem isso aqui falando dele? Como minha mãe é específica. Bom. Cara de responsável ele tem. Por que será que eu nunca ouvi falar dele? ... Mas o que? ... Como assim o nome do outro é Minho?”. Não contendo o riso, Alef solta uma gargalhada no ônibus enquanto imagina o motivo pelo qual uma mãe escolheria Minho para ser o nome do seu filho. “23 anos e faz Sistemas de Informação. É... Só tem dizendo isso aqui mesmo. Onde será que minha mãe encontrou esse povo? Minho... pff”. Enquanto gargalhava por causa do nome do rapaz, Alef acabou deixando os papeis com as informações dos moradores da casa, voarem pela janela. Quando se deu conta do que houve, ignorou completamente as pessoas que estavam no veículo e gritou:

— EU NÃO ACREDITO!!! NÃO GRAVEI O ROSTO DE NENHUM DOS DOIS!!!

Depois de doze horas de viagem, enfim havia chegado à cidade. Sua nova vida começaria em Belo Horizonte. Em duas semanas iriam começar suas aulas. O motivo de ter se antecipado, era de conhecer melhor o lugar e usufruir de tudo que ele tinha a oferecer. Afinal, Alef vinha do interior, portanto, tudo era limitado para ele. Chegando a estação, pegou suas malas e foi para a coluna mais próxima, escorando-se nela e tentando lembrar-se dos rostos das duas figuras.

— Vamos, pensa um pouco... O tal do Aaron tinha cabelos negros, parecia ser alto na foto e seus olhos eram castanhos... – murmurou baixinho pra si mesmo. – O tal do Minho... hehehehe... Minho... Cabelos claros, olhos castanhos também... Será que os olhos dos dois eram castanhos mesmo? Aaaaaa que complicação...

Pra onde Alef olhava, não conseguia notar familiaridade em nenhuma das pessoas presentes. A estação estava lotada. Mesmo se existisse algum conhecido ali, seria difícil de encontrar. Enquanto procurava incansavelmente dentre a multidão algum dos rapazes, o celular de Alef toca e em seu visor ele percebe que é o número de Minho.

— Como esse número veio parar aqui? Será que foi minha mãe que anotou? Obviamente... – com uma leve insegurança ele atende ao telefone. – A-alô?

Uma voz suave e tranquila o responde:

— Olá Alef! Sou eu! O Aaron! Tudo bem contigo? Estou aqui na estação pra te levar pra casa! Você é esse garoto encostado na pilastra com essas sete malas? Hehehehe... – disse Aaron, desligando o celular e indo em direção a Alef.

— Ló-lógico! Eu estou de mudança! É normal eu ter tantas malas! E eu sabia! Seus olhos são castanhos! – disse Alef percebendo o que falou e logo em seguida ficando vermelho e sem graça. – E-esquece... Coisa minha... Então! Onde fica a nossa república e quantos minutos são daqui até lá? Cadê o tal do Minho?

— Vamos levar essas malas até o carro, e a caminho de casa nós conversamos direito!

Os dois seguiram em direção a saída da estação para irem até o carro. Alef não conseguia desviar o olhar de Aaron. Ele parecia ser uma pessoa muito responsável. Apesar da pouca idade, ele passava confiança e maturidade a Alef. Talvez desse pra entender o motivo pelo qual a sua mãe confiou tanto nele pra ser seu colega de quarto. Chegando ao carro, um corolla preto com aparência de novo, Aaron abriu o porta-malas e começou a organizar as bagagens de Alef.­

— Antes de tudo, eu devo te alertar. Não moramos aqui em Belo Horizonte! Somos do interior! Leva mais ou menos uma hora pra chegar ao centro da cidade. Então como você veio do interior, com certeza não vai estranhar! – disse Aron enquanto fechava o porta-malas.

— Oi? Você está me dizendo que eu saí da minha cidade no interior, pra morar em outra aqui?

— Calma! Não é tão ruim! Além do mais, eu levo a gente na faculdade sempre! Então a maior parte do tempo, passamos aqui! – De repente o jeito sereno e tranquilo de Aaron sumiu. Em sua face predominava um olhar vazio. Seus olhos fitavam os de Alef. Era como se Aaron olhasse dentro da sua alma e soubesse tudo que ele estava pensando. Como se desejasse algo dele. – Alef. Por mais que eu ou o Minho implore. Não importa o que você ouça. Mantenha sua porta de quarto trancada e não nos deixe entrar de jeito algum!

— É uma piada isso não é?

Notas finais
Minha segunda tentativa de texto! Sou um escritor amador! Por favor, não deixem de comentar! Uma crítica construtiva sempre ajuda =)