Entre Luz e Trevas
3 Capítulo 3 - Me Enfrente!
“Não dá pra acreditar... Será que é o meu fim? Vim de tão longe pra acabar desse jeito? Estou totalmente indefeso. O que alguém com o meu físico pode fazer pra se defender? Não sou forte ou ágil. Devo apenas desistir? Aaron... Me ajuda, por favor...”.
Alef não podia acreditar no horror que estava presenciando. Aquela jovem moça, aos poucos perdendo o brilho dos seus olhos e a consciência enquanto uma besta sedenta por sangue dilacerava sua barriga. O monstro apesar de ter uma aparência humanoide, parecia não apresentar qualquer traço de humanidade. Queria devorar a carne da jovem e faze-la sofrer o máximo possível. Suas garras afiadas entravam por debaixo da pele e voltavam com um órgão que era levado a sua boca, onde o mesmo mordia com voracidade enquanto olhava nos olhos sem luz da vítima. A criatura sentiu a presença de Alef e logo parou sua refeição e fixou seus olhos no rapaz. O medo tomou conta dele. Suas pernas não podiam se mover. Sua boca não emitia nenhum som que pudesse alertar alguém. Seus olhos castanhos não conseguiam parar de fitar aquela abominação em sua frente. Seus dentes estavam completamente cerrados. Após um salto, o monstro se chocou contra o corpo esguio do garoto, o derrubando no chão e imobilizando-o. Por algum motivo, Alef possuía um cheiro que atraia muito a criatura que não parava de cheira-lo e lambe-lo.
— Não consigo resistir mais! Eu preciso provar você imediatamente! – disse a criatura com brilho nos olhos erguendo seu braço e preparando suas garras para seu próximo ataque.
— SE AFASTE DELE, CRIATURA IMUNDA! – disse Aaron correndo em uma velocidade absurda e se aproximando dos dois em um piscar. Antes que a criatura pudesse machucar Alef, lhe foi desferido um chute que o lançou em uma árvore.
— Esse cheiro. Eu sei o que você é. Hehehehe... – disse a criatura levantando-se lentamente ainda cambaleante do golpe que levará. – Como alguém da sua categoria tem coragem de me chamar de criatura imunda?
— Se você tiver machucado ele, vai pagar muito caro! – disse Aaron ajudando Alef a se levantar e verificando se ele havia se machucado.
Alef estava muito confuso com tudo aquilo. Ainda chocado com a cena que havia presenciado e curioso quanto ao dialogo que estava ouvindo.
— Você está bem? – disse Aaron verificando o corpo de Alef. – Eu vou cuidar de você! Não tenha medo! Eu estou aqui!
— HAHAHAHAHAHA! Uma criatura da sua laia, se importando com um ser humano? Chega a ser uma piada! – disse a criatura com uma gargalhada assustadora. – Então... Seu amigo sabe o que você é?
— Cale a boca! O único monstro que tem aqui é você! – disse Aaron após acomodar Alef encostado em uma árvore.
— Você cheira a humano. Mas também cheira a Inccubus. Sim... Você é o fruto de uma relação entre um Inccubus e uma humana! Demônios de tão baixo escalão. Vem ao mundo dos humanos apenas por prazer carnal. Depois das relações, é de costume vocês sugarem a energia da vitima, não é mesmo? Não sabia que era possível fecundar uma humana. Bom. Aí está você. Cria de tamanha abominação. Terei o prazer de eliminar tamanha imundice da face da terra. Hahahahahaha! Depois vou provar o corpo do seu humano que você tanto protege! Farei ele gritar em agonia! Pedir pela morte! Suplicar por piedade! HAHAHAHAHAHAHAHA!
Alef não acreditava no que estava ouvindo. Aaron era um ser sobrenatural então? Por mais horrorizado que estivesse em saber da existência de tais seres, não sentia medo do seu protetor. Queria ter forças suficientes pra fazer aquele ser engolir tais palavras. Mas por que esse sentimento tão de repente? Eles haviam se conhecido há tão pouco tempo. Pelo menos era o que Alef achava. Ele lembrou-se do que Aaron o disse mais cedo. Eles já haviam se conhecido antes. E Alef fez algo que mudou a vida dele.
Aaron estava imóvel. Sentia-se envergonhado por tudo aquilo que o monstro falou ao seu respeito. Sim, era verdade. Aaron é metade humano e metade Inccubus. Porém, não queria que Alef descobrisse. Não dessa forma.
— Continue parado! Abominação! Esse humano vai ser meu!!! – disse o monstro preparando um impulso com suas pernas para partir em direção a Alef.
Uma fumaça negra envolveu Aaron completamente. Uma aura sombria e pesada podia ser sentida pressionando qualquer corpo presente no local. A besta não conseguia dar um passo. O semblante de Aaron mudou completamente. Seus cabelos claros tornaram-se escuros como a noite. Dá sua cabeça, brotaram um par de chifres espirais. Um par de asas negras e uma cauda podiam ser vistos aparecendo em seu corpo. Sua pele morena clara tornou-se pálida. Seu olhar doce e gentil tornou-se indiferente. Seus olhos negros foram banhados pela cor vinho. Seu sorriso que antes iluminava qualquer ambiente se transformou em um sorriso sereno e esnobe. Da sua mão direita, surgiu uma enorme foice afiada. Sua lâmina implorava por sangue inimigo. A parte Inccubus de Aaron havia tomado conta do seu corpo ganhando uma nova personalidade.
— Venha inseto! – disse a nova personalidade de Aaron. O monstro estava apavorado. A aura sombria de Aaron estava impedindo-o de tomar qualquer atitude. – Ué? Não vem até mim? Então pode deixar! Eu vou até você! – disse Aaron aparecendo atrás do inimigo.
— Te peguei! – sussurrou Aaron.
No mesmo instante com um movimente sutil e rápido, Aaron atacou de baixo pra cima o demônio com a sua foice, o partindo ao meio.
— Vermes como você só servem pra alimentar a Whisper.
Whisper, como Aaron chama sua foice, estava absorvendo o sangue do demônio que havia matado. Alef ainda não estava acreditando no que havia acontecido no seu primeiro dia longe de casa. Levantando-se vagarosamente e se apoiando na árvore, ele chama por Aaron. Antes que pudesse terminar de falar, Aaron avança em sua direção prendendo seu pulso e o pressionando contra árvore. Encostando sua boca no ouvido de Alef, o meio Inccubus põe-se a sussurrar.
— Então você é o Alef. Não fazia ideia de que você possuía um cheiro tão bom! O meu outro eu não deve ter percebido, mas eu tenho certeza de que você não é humano! Seu nome, sua face, sua voz, não saem da cabeça dele! É um caos pra mim! E se eu te matasse aqui e agora? Meus problemas estariam resolvidos! Teria outra coisa pra ocupar minha mente!
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