Entre Livros
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Estava no salão das mulheres juntamente com as outras garotas, folheando uma revista. Todas elas pareciam dizer a mesma coisa: “será que realmente estamos seguros?”. Fazia dois dias que acontecera o enterro de Tiny, mas mesmo assim a mídia fazia questão de que lembrássemos.
Dava pra ver que isso estava deixando o rei louco. Ele proibira a entrada da imprensa até segunda ordem (não que isso fosse ruim) e quase tivera um ataque no café da manhã, quando um mordomo lhe entregou um jornal. Seja lá o que estava escrito, isso fora o bastante para fazer o rei levantar da mesa irritado, dizendo “malditos rebeldes”.
Até que, Celeste começou a brigar com uma criada que havia derrubado água nela sem querer, chamando a atenção de todos.
—Sua incompetente, fique sabendo que informarei diretamente ao príncipe Maxon sobre a PÉSSIMA- falou a última palavra com um grande desprezo- qualidade em que estamos sendo servidas. Logo logo você será despachada.
Depois disso, a criada começou a tremer, implorando para que Celeste não fizesse isso e pedindo desculpas pela milésima vez. Eu não estava mais aguentando, precisava interferir.
—Primeiramente- disse, me levantando e indo até elas- você já falou com o príncipe alguma vez, sem ser naquele dia do ataque Celeste?
—Não, por enquanto- falou com um sorriso malicioso, sem deixar se abalar- com certeza ele virá até mim muito antes de você, isso se ele não te esquecer- terminou me olhando de cima para baixo. Revirei os olhos.
—Isso é o que você pensa né. Se você realmente conhecesse Maxon, saberia que ele nunca despediria essa criada apenas por frescuras suas- então, me virei para a criada, dizendo- fique tranquila, Maxon é um homem bom, e provavelmente vai entender.
—Você fala isso como se conhecesse ele. Acorda, você não tem chances contra mim.
—Bitch, please- falei, com um sorrisinho- conheço Maxon mais que você- não queria contar vantagem, mas ela merecia. Acertei em cheio, parecia que ela tinha levado um soco na cara, mas logo ela se recompôs.
—Até parece, como se Maxon fosse falar com você.
—Acredite se quiser- falei, virando de costas para ela, e antes de sair do salão das mulheres, completei- não preciso provar nada pra você.
Então, fechei a porta.
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Era tarde, provavelmente 23:00 , quando decidi visitar Aspen. Eu havia pedido para que minhas criadas me deixassem sozinha por essa noite, na qual me senti aliviada quando elas concordaram sem questionar.
Fiquei surpresa ao perceber que a porta da área hospitalar estava aberta. Fui caminhando lentamente até seu fundo, e quando me aproximei da porta improvisada de lençóis, percebi que alguém estava chorando.
Dei uma espiadinha e vi que era America. Ela segurava a mão de Aspen, como se fosse a única coisa que a mantinha de pé. Continuei olhando, querendo saber o que estava acontecendo.
—Você não se lembra de NADA?- perguntou America, chorando.
—Me desculpe senhorita, mas como eu já havia lhe dito, não tenho ideia de quem seja você.
—Nem da casa da árvore? Dos nossos momentos juntos? Nosso namoro de DOIS anos?- perguntou sussurrando, com medo de que alguém escutasse, mas alto o suficiente para que eu entendesse.
—Nada- disse Aspen, e percebi que ele realmente tentava se lembrar, frustrado ao não conseguir.
Isso era agonizante. Não fazia ideia de como America descobriu que Aspen estava no palácio, mas depois de tudo, não duvidava de mais nada. Não podia simplesmente observar, precisava fazer com que ele recuperasse a memória.
Não sabia como explicar, mas sabia exatamente o que os dois estavam sentindo. America, desespero. Não sabia como viveria sem ele. Aspen, decepcionado consigo mesmo por não conseguir lembrar de uma coisa assim, um relacionamento de 2 anos, e agonizado por fazer America sofrer.
Pelo visto, conseguia entender os sentimentos dos personagens. Isso foi apenas mais um motivo para que eu tentasse fazer com que as memórias de Aspen voltassem. Eu estava fazendo um esforço tremendo, tanto que minha cabeça chegara a doer.
O mundo começou a girar, mas mesmo assim não desisti, até que ouvi Aspen dizendo:
—Meri...é você? Eu...eu me lembro de tudo- falou chocado.
—Que?!- perguntou America, quase gritando. Aspen não falou nada, apenas puxou America para um beijo.
Satisfeita, sai da ala hospitalar discretamente. Eu não estava me sentido muito bem, minha visão estava embaçada, e já não conseguia mais enxergar para onde estava indo , sendo guiada por meus instintos. Até que, simplesmente desmaiei.
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Acordei com a luz do sol em meu rosto. Abri os olhos e percebi que estava na ala hospitalar. Vi Maxon com a expressão preocupada ao conversar com o médico. Ao perceber que eu havia acordado, se aproximou e disse:
—Parece que você tem uma pré-disposição para hospitais-falou, com um sorrisinho.
—Deve ser isso mesmo- respondi, rindo. Olhei para ele, e vi que sua expressão estava séria- o que foi?
—Querida, essa é a milésima vez que você vem parar na ala hospitalar, estou ficando preocupado- disse, pegando em minha mão.
—Eu estou bem- falei, sem tanta certeza.
—Eu não diria isso senhorita- interrompeu o médico- enquanto estava desacordada, fiz uns exames e detectei algumas toxinas em seu organismo.
—Mas não são daquele gás?- perguntei, preocupada.
—Não senhorita, mas eu receio que essas novas toxinas estejam danificando suas células.
—Como?!
—Sim, ainda preciso fazer mais alguns exames, mas uma coisa eu posso afirmais: você está ficando doente, e provavelmente precisará de algum tratamento.
Depois disso, comecei a chorar. Maxon veio me abraçar, tentando me acalmar, mas uma coisa eu ainda não entendia. Como eu podia ficar doente, se eu que manipulava o livro. Foi ai que eu percebi qual era a consequência de eu ter alterado tantas coisas, de eu estar ali. O livro estava me matando.
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