A manhã seguinte trouxe um céu cinza e denso, como se a cidade soubesse que algo prestes a acontecer precisava de cenário. Sara e Grissom se reuniram com os agentes federais em uma sala improvisada no porão do Instituto. Na tela, ampliada por satélite, a localização do último sinal da fita cassete: um galpão industrial abandonado no distrito naval.


— Encontramos uma correspondência parcial de DNA na cadeira usada no vídeo — disse a agente Malone. — É compatível com Lina Maddux. Mas ainda não conseguimos confirmar se está viva. Só que esteve lá... recentemente.


Sara apertou os braços contra o corpo. Era frio, mas o calafrio vinha de dentro.


— Ele está encenando cada etapa. Deixando vestígios que não são pistas. São convites — disse ela.


Grissom assentiu. — Ele quer que cheguemos até ela. Mas com o tempo dele. O roteiro dele. O ato final está sendo construído.


— E qual seria esse ato? — perguntou um dos agentes.


Sara respondeu sem hesitar:


— Me transformar nela.


No galpão – Mais tarde


Com máscaras, coletes e precaução extrema, a equipe se aproximou do local onde o sinal da cassete foi rastreado. A entrada lateral estava aberta — exatamente como na casa da Pine Street.


Desta vez, a encenação era mais direta. No centro do galpão, sob holofotes programados para acenderem assim que alguém entrasse, havia duas cadeiras lado a lado.


Em uma delas, uma mulher desacordada, com traços faciais reconhecíveis mesmo após os anos: Lina Maddux.

— Viva... — murmurou Sara, emocionada. — Meu Deus, ela está viva.


Grissom se aproximou com cuidado. Lina respirava, fraca, sedada. Ao lado dela, um projetor antigo começou a rodar sozinho. Imagens distorcidas de todas as vítimas anteriores passavam em sequência. Embaixo do telão, um painel com uma frase:


“Para o último ato, a protagonista precisa tomar seu lugar.”


— Ele quer que você entre na cena — disse Grissom, apertando a mão dela com firmeza. — Mas você não vai sozinha.


Antes que pudessem reagir, uma explosão isolada de gás de contenção se espalhou. Os agentes recuaram, mas Grissom e Sara permaneceram ao lado de Lina, cobrindo os rostos.


Do alto-falante escondido, a voz voltou, agora distorcida por um filtro de palco:


“A plateia está formada. Falta o seu monólogo, Sara.”


Hospital – Algumas horas depois


Lina foi levada em segurança. Ainda inconsciente, mas estável. A perícia encontrara marcas de cativeiro antigo e cuidados rudimentares para mantê-la viva — como se o criminoso a quisesse em “bom estado” para a última cena.


No hospital, sentados lado a lado, Sara e Grissom finalmente respiraram.


— Eu nunca pensei que a encontraria viva — disse ela, com os olhos fixos na janela.


— Você a encontrou porque teve coragem de enfrentar tudo de novo — respondeu Grissom.


Ela virou o rosto devagar, com os olhos marejados.


— Eu me sinto quebrada, Grissom. Como se tudo isso... tivesse me transformado.


— Você não está quebrada. Está inteira demais para caber nas expectativas de monstros. E eu vejo tudo o que você é, mesmo no meio do caos.


Ela segurou a mão dele.


— Você também mudou. Parece mais… aqui.


Ele sorriu, cansado.


— Eu fiquei muito tempo longe. Com medo do que significava amar alguém como você. Mas agora entendo: amar você significa lutar com você. E por você.


Eles se abraçaram. Ali, no corredor de um hospital silencioso, dois corações calejados se permitiram repousar por instantes.


Mas o descanso seria breve.


No Instituto – Quase madrugada


Uma caixa de madeira fora deixada na sala dos investigadores. Sem digitais. Sem remetente. Dentro dela, um único item: uma máscara de teatro grega — metade riso, metade choro.


E uma nova carta:


“Ela está de volta. Mas e você, Sara? Está pronta para o palco final?”

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.