Entre Linhas

4 Entre (chocolate)


Notas iniciais
Olá olá demorei mas estou postando. Esse capítulo, por algum motivo, me deu muito trabalho na hora de escrever. Não sei se está fazendo muito sentido porque usei vários recortes e não consigo mais pensar. Enfim, boa leitura.

Liberdade. Liberdade de amar, liberdade de escolher. Se pudesse optar, certamente acabaria com a maldição que rondava sua família. Ele sabia o sofrimento que tudo aquilo já havia causado; não era justo com ninguém. Talvez metaforicamente a maldição fosse bela: duas pessoas que se amavam mais do que tudo juntas até a morte.

Mas não era bem assim.

Neji, da família Hyuuga. Alguém difícil de amar e ser amado; alguém que dificilmente se abriria com alguém. Com o coração quebrado em mil pedaços, por mais que procurasse quem o curasse, sabia que estaria sempre deslocado.

Recebeu tudo que podia pedir na vida após a morte de seus pais: uma casa amorosa, irmãs para lhe fazerem companhia, aconchego de seus tios. Mas seus pais nunca voltaram. Por mais que tivesse o amor de uma família, ainda se sentia um intruso. Não era a sua família.

Mas quem sabe ainda pudesse ter uma.

Por diversas vezes, Neji pensou ter encontrado alguém que pudesse amar. O outro lado de sua linha, com quem passaria o resto de sua vida. Mesmo assim, nunca conseguiu se apaixonar por ninguém. A jornada parecia difícil.

Aos 15 anos, conheceu uma garota cujo nome mal se lembrava. Agora era como um passado distante, mas na época fora um grande acontecimento para a família Hyuuga: uma namorada. Neji a achara bonita e, quando foi pedido em namoro, simplesmente aceitou. Não durou uma semana, pois não havia qualquer interesse entre as partes a não ser a intenção da outra de enciumar o ex-namorado.

A garota retomou o namoro na semana seguinte, deixando Neji perplexo. Com toda sua inocência, realmente achou que algum sentimento podia brotar dali. Não fora daquela vez, mas continuaria procurando.

Ou talvez não valesse a pena.

Depois da primeira, namorou mais duas ou três — o relacionamento mais longo durou duas semanas —. Todas muito bonitas, mas nenhuma que o fizesse se apaixonar. Grandes decepções em vez de grandes amores. Nunca conseguiu sentir nada.

Talvez seu pai estivesse errado, jamais encontraria a moça que lhe deixaria sem rumo e causaria as tão famosas borboletas no estômago que suas primas comentavam. Talvez tivesse vindo com defeito, sua linha vermelha do amor nunca existiu, pensou diversas vezes. Desistiu de procurar; se o amor realmente existisse, viria até ele de alguma forma.

Não era como se precisasse encontrar alguém para ser feliz, em todo caso.

“É a Tenten-chan!” sua prima exclamou.

Tenten. O que havia naqueles olhos tão castanhos e misteriosos? Por um momento podia jurar que seu coração dera uma batida mais forte que o normal.

Uma aura de mistério a rondava, algo de sobrenatural que o atraía; despertava sua curiosidade de uma forma singular, e havia certo charme nisso. Queria saber como ela podia encontrá-lo quando ele mais precisava e menos esperava...

— Está quieto, Neji-nii.

Neji foi então repentinamente retirado de seus próprios pensamentos. As primas o olhavam com ar de curiosidade e ele mantinha-se indiferente e distante, ainda atordoado. Tentou disfarçar a confusão bebendo um pouco do café que tinha em mãos.

Hanabi ficara completamente satisfeita ao encontrá-los voltando para casa com uma enorme caixa branca com um laço cor-de-rosa. Não precisava de visão raio X para saber que estava repleta de doces, e não esperaria até chegarem em casa: comeria lá mesmo, na rua.

Sentavam-se em frente a uma loja de conveniência: Neji comprara leite com melão para as primas, e café para si. Durante todo o tempo, Hinata tinha uma expressão engraçada, tentando manter o rosto sério — inutilmente, já que um sorriso aparecia em seus lábios a todo momento —. Seu celular ganhara um novo contato naquele dia.

— Está assim desde quando estávamos na confeitaria. Parecia hipnotizado pela chuva. — Hinata deu um sorriso quase imperceptível.

A seu modo, sempre foi mais calado. Isso não significava que ele não sabia conversar ou que era antissocial; introvertido, talvez, mas preferia escolher bem as palavras antes de as proferir. Gostava de estar no controle da situação; estar certo, sem se precipitar e correr o risco de errar.

Tudo o que Neji fazia parecia meticulosamente planejado, e odiava surpresas. O silêncio lhe permitia concentração e apreciava isso, sua mente estava sempre conturbada ainda que sua boca não se movesse. Desde a morte de seus pais, ele se fechou e não falava sobre o que sentira na noite que ficou órfão. Era melhor assim; se não falasse sobre, pensava que esqueceria.

— Estou com vontade de comer chocolate — disse pegando um dos docinhos que comprou. Chocolate, igual os olhos dela.

~x~

“Neji? Melhor você acordar, ou vai pegar um resfriado” a voz suave penetrava em seus ouvidos, parecendo criar cores. O menino abriu os olhos lentamente e um sorriso terno lhe era dirigido.

“Mamãe?” Neji ainda se acostumava à claridade; parecia ter dormido em algum lugar desconfortável.

“Dormiu de novo aqui no templo visitando sua avó. O que eu faço com você, meu querido?” a mãe lhe acariciou o topo da cabeça, descendo as mãos pelos longos fios castanhos do filho. “Sei que sente saudades, mas tem que avisar que está aqui.”

O menino abaixou a cabeça, indo de encontro com a mãe e a abraçando. “Estava rezando para que ela tomassem conta de você, mamãe. Quero que a senhora melhore logo…”. A mulher deu um beijo na testa da criança: “Não se preocupe com isso, Neji. Estarei sempre aqui...”

—

“Neji? Melhor você acordar, ou vai pegar um resfriado” uma voz diferente da de sua mãe dizia.

O jovem levantou-se bruscamente. Correu seus olhos pelo perímetro do quarto, procurando a dona da voz. Um sonho. Suspirou e olhou para o relógio na cabeceira da cama: ainda era madrugada. Voltou a se deitar, encarando o teto e vendo inúmeras imagens passarem a sua frente. Os melhores sonhos eram definitivamente os que sua mãe aparecia bem e feliz — suas lembranças mais preciosas.

Uma semana havia se passado desde que vira a menina de aparência excêntrica correndo pela chuva. Não tinha certeza do que pensar ou se tentava procurá-la e pedir explicações. Talvez tudo fosse obra de sua imaginação e sequer fora ela quem o salvou.

Nada mais fazia sentido em sua mente. O mais provável era que sua vontade de ter seus pais de volta estavam o deixando insensato e, possivelmente, insano. Estava vendo o que queria ver, não era real.

Mas aquela garota era real.

Ele a vira logo a frente de seus olhos, não podia estar enganado. Os cabelos e olhos castanhos não podiam pertencer a outro alguém. Queria entender por que a tal Tenten sempre aparecia em sua vida ainda que desaparecesse tão logo quanto chegava.

Decidiu-se, ia resolver aquele mistério.

Após voltar a dormir e acordar novamente, estava revigorado. Vestiu-se e encontrou as primas no andar de baixo, esperando-o para o café-da-manhã. Finalizou a refeição rapidamente e logo saiu de casa ao lado de Hinata.

Neji não sabia muito bem o motivo, mas estava nervoso. Não conseguia deixar de pensar no quão esquisito Tenten o acharia quando, sem qualquer motivo aparente, ele a abordasse.

Hinata já preparava para se despedir do primo e caminhar em direções opostas, mas o garoto continuou a acompanhá-la. Não falava nada, mas andava atrás da prima como uma sombra.

— Neji-nii?

O garoto por fim percebeu onde estavam. Já em frente à Faculdade de Economia, viu a morena de olhos cor de chocolate de longe. Hinata se preparava para ir até a amiga, mas viu o primo correr à sua frente e parar ao lado de Tenten.

— Pode me responder uma coisa?

A Mitsashi olhou para o Hyuuga incrédula, como se acabasse de ver um espírito.

Notas finais
O que acharam? Deixem sugestões críticas etc E até a próxima! ~ HY