Entre Irmãos

15 Epílogo: Onde o Passado Encontra o Futuro



​A mesa no jardim da nova casa estava posta para um banquete de verão. O sol se punha, pintando o céu com as mesmas cores douradas daquela fogueira de tantos anos atrás. Amigos e familiares celebravam o primeiro aniversário de casamento de Loren e Elijah, mas o clima era de uma revelação ainda maior.

​Loren levantou-se, segurando sua taça de cristal. O silêncio caiu sobre os convidados. Ela olhou para Elijah, que estava ao seu lado, e depois para as fotos de James que ainda adornavam, com honra, o console da sala.

​— Eu queria propor um brinde — começou ela, a voz firme e emocionada. — Durante muito tempo, vivemos sob sombras. Mas hoje, a luz é completa. Eu quero dizer a todos que o nosso amor deu um novo fruto. Eu estou carregando o nosso filho, Elijah.

​Um suspiro de surpresa e alegria percorreu a mesa. Mia e Leo trocaram olhares radiantes. Loren continuou, olhando nos olhos do marido:

​— Muitas pessoas passariam a vida sem conhecer um amor verdadeiro. Eu tive a sorte rara de amar dois irmãos da forma mais linda e pura que existe. James foi o amor da minha juventude, o amor daquela vida que se foi... ele foi o amor da minha vida. Mas você, Elijah... você é o amor para a minha vida. O homem que ficou, que lutou e que me ensinou que o recomeço é o maior ato de coragem.

​Elijah beijou a mão dela, as lágrimas brilhando nos olhos, finalmente em paz com seu próprio coração.

​Dois Anos Depois

​O som de pés pequenos batendo na grama aparada era o novo metrônomo da casa Mackenzie.

​— Pegue ele, Leo! Ele é rápido demais! — gritava Mia, rindo enquanto corria atrás de um garotinho de dois anos, de cabelos escuros e olhos curiosos.

​O pequeno James — batizado em homenagem ao tio que se tornara um anjo da guarda — gargalhava enquanto tentava fugir do irmão mais velho, que agora já era um jovem homem. Leo o pegou no colo, girando-o no ar, enquanto o sol da tarde iluminava a cena perfeita.

​Na varanda, Loren e Elijah observavam a cena, sentados no balanço de madeira, os dedos entrelaçados.

​— Você achou que chegaríamos aqui? — perguntou Loren, encostando a cabeça no ombro dele. — Naquela noite no estábulo, ou naquela manhã no hotel... você achou que veria o pequeno James correndo por aqui?

​Elijah soltou um longo suspiro, um som de puro contentamento.

— Para ser sincero? Não. Eu achei que passaria o resto da minha vida sendo um fantasma. Eu achei que a culpa era o meu único destino.

​Ele se virou para ela, segurando o rosto de Loren com as mãos que agora não tremiam mais de medo, mas de adoração.

​— Tudo o que passamos... as brigas, o gelo, os dez anos de silêncio... valeram a pena por este momento. Você me salvou de mim mesmo, Loren. Você me deu uma razão para parar de fugir e começar a construir.

​— Nós construímos juntos, Elijah — ela sussurrou. — Sobre as cinzas do que perdemos, plantamos algo que nunca vai morrer.

​Elijah sorriu, um sorriso que agora alcançava seus olhos de forma plena.

— Eu te amei naquela fogueira sem saber seu nome. Eu te amei no silêncio daquela cozinha. E eu vou te amar em cada pôr do sol que ainda nos resta.

​Ele a beijou calmamente, enquanto, ao fundo, o riso do pequeno James e dos irmãos mais velhos preenchia o ar, selando a história de que o amor, quando é verdadeiro, encontra o seu caminho de volta para casa — não importa quanto tempo leve ou quantos fantasmas precise enfrentar.

​FIM


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