Entre Irmãos
11 Capítulo 11: O Peso da Promessa
Dez anos se passaram como um sopro de vento pelas colinas que cercavam a casa dos Mackenzie. Mia, que antes cabia no colo de Elijah, agora era uma jovem de dezesseis anos com os olhos brilhantes da mãe e a determinação dos Mackenzie. Leo, aos quinze, já ostentava a altura do tio e uma voz que começava a engrossar, tornando-se o braço direito de Elijah em tudo.
Durante essa década, Elijah foi o homem que ensinou Leo a dirigir, que consolou Mia em seu primeiro coração partido e que manteve o telhado sobre suas cabeças. Entre ele e Loren, as palavras curtas deram lugar a conversas profundas sobre os filhos, mas a barreira que Elijah erguera no estábulo permanecia lá — invisível e intransponível.
A festa de 16 anos de Mia era um espetáculo de luzes. Mia, deslumbrante em seu vestido de festa, aproximou-se de Elijah no centro do salão.
— Tio Eli, você dança a valsa comigo? — pediu ela, com carinho. — Você é o pai que eu e o Leo precisamos aqui na terra. Eu nunca esqueci o papai James, mas hoje, eu quero dançar com você.
Ouvir aquela palavra — "pai" — saindo dos lábios dela fez o coração de Elijah vacilar. Ele aceitou, e enquanto rodavam pelo salão, Mia encostou a cabeça em seu ombro. Loren observava da beira da pista, o peito apertado de amor por aquele homem que abrira mão de sua própria vida para consertar os cacos da dela.
Ao fim da festa, com os convidados já dispersos e as crianças dormindo exaustas, o silêncio da casa voltou a ser denso. Loren e Elijah ficaram sozinhos na cozinha, organizando o que restara. A luz da lua entrava pela janela, a mesma luz que os vira crescer naquela dança de negação.
Loren se aproximou dele, sentindo que o momento de quebrar o muro era agora. Ela tocou o braço de Elijah, fazendo-o parar.
— Foi lindo o que você fez hoje, Elijah. O modo como olhou para ela... o modo como você cuida de nós.
Ela se inclinou, fechando os olhos, buscando o beijo que esperava há mais de uma década. Seus lábios quase tocaram os dele, mas Elijah, com um reflexo doloroso, virou o rosto. Ele colocou as mãos nos ombros dela, afastando-a suavemente.
— Eu não posso, Loren.
— Por que não? — ela sussurrou, as lágrimas já surgindo. — Olhe para nós! James se foi há dez anos. Nós nos amamos, Elijah. Eu sei que você me ama.
— Eu amo você! — ele explodiu em um sussurro sofrido, os olhos brilhando de agonia. — Amo tanto que dói cada vez que respiro o mesmo ar que você. Mas eu não posso ser seu marido. Eu sou o irmão do James. Eu vim para salvar o que ele deixou, não para tomar o lugar dele na sua cama. Eu não posso olhar no espelho e ver um traidor.
— Traidor de quem, Elijah? De um fantasma? — Loren gritou, a frustração acumulada de anos transbordando. — Você está nos condenando à solidão por um código de honra que ninguém mais exige de você!
— Eu exijo de mim! — ele rebateu, a voz rouca. — Eu sou o protetor desta casa, não o dono dela.
Loren recuou, rindo com amargura enquanto as lágrimas escorriam.
— Protetor? Você é um covarde, Elijah. Você usa a memória do seu irmão como um escudo para não ter que viver de verdade. Se é para viver assim, sob o mesmo teto, sentindo esse desejo e sendo rejeitada todos os dias... então eu preferia que você nunca tivesse voltado! Preferia ter passado dificuldade sozinha a ter esse seu "quase amor" me matando aos poucos.
O silêncio que se seguiu foi como uma sentença de morte. Elijah empalideceu. Ele a olhou por um longo tempo, e a dor em seus olhos era tão profunda que Loren quase se arrependeu no mesmo instante.
— Se é assim que você se sente... — ele disse baixo, a voz desprovida de qualquer emoção. — Então eu não tenho mais lugar aqui.
Sem dizer mais nada, Elijah subiu as escadas. Loren ouviu o som de gavetas abrindo e fechando. Dez minutos depois, ele desceu com uma única mala e sua jaqueta de couro.
— Eu vou para um hotel na cidade — ele disse, parado na porta. — Continuarei pagando as contas. Vou buscar os meninos para a escola e estarei aqui para qualquer coisa que eles precisarem. Mas você tem razão... eu não posso mais morar aqui.
Ele saiu para a noite fria, o som do motor de seu carro ecoando como um adeus definitivo. Loren desabou no chão da cozinha, cercada pelos restos de uma festa linda, percebendo que, na tentativa de finalmente ter Elijah por inteiro, ela acabara de perder a única parte dele que ainda possuía.
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