Entre Irmãos
1 Capítulo 1: O Silêncio das Flores Brancas
O cheiro de lírios sempre fora o favorito de Loren Proença. No dia de seu casamento, eles adornavam cada canto da capela. Hoje, eles tinham um cheiro insuportável de morte.
Loren estava parada diante da lápide de mármore cinza, a chuva fina colando os fios loiros ao seu rosto pálido. Ela não sentia o frio. Não sentia nada além de um vazio vasto e negro que parecia ter engolido seu coração no momento em que o xerife bateu à sua porta três dias atrás.
— Mamãe? O papai está com frio lá embaixo? — A voz pequena de Leo, de apenas cinco anos, cortou o silêncio do cemitério. Ele apertava a mão da irmã mais nova, Mia, que choramingava baixinho, sem entender por que o pai não os tinha pegado no colo naquela manhã.
— Não, querido... — a voz de Loren falhou. — Ele está no céu agora.
Ela fechou os olhos, tentando buscar a imagem do sorriso de James, mas a única coisa que via eram os faróis do carro contra a escuridão da estrada.
— Loren.
A voz era profunda, rouca e tão terrivelmente parecida com a de James que Loren deu um sobressalto, seu coração saltando no peito. Ela se virou bruscamente, esperando ver o marido, um milagre, qualquer coisa que acabasse com aquele pesadelo.
Mas não era James.
O homem parado a poucos metros de distância vestia um casaco escuro, encharcado pela chuva. O cabelo preto estava colado à testa e a mandíbula estava tensa. Os olhos eram da mesma cor dos de James, mas onde os de James brilhavam com luz, os deste homem eram poços de sombra e culpa.
— Elijah — Loren sussurrou, o nome soando como um pecado em seus lábios.
Elijah Mackenzie não via a cunhada há seis anos. Ele não estava lá no casamento. Não estava lá no nascimento dos sobrinhos. Ele era o irmão que ninguém mencionava nas festas de Natal.
— Sinto muito, Loren — disse ele, dando um passo à frente, mas parando ao ver o recuo instintivo dela. — Eu soube... e vim o mais rápido que pude.
— Você demorou seis anos, Elijah. Chegou tarde demais para o seu irmão — Loren disse com uma amargura que nem sabia que possuía.
Elijah olhou para a lápide e depois para as duas crianças que o encaravam com curiosidade e medo. Ele apertou os punhos dentro dos bolsos.
— Eu sei que sou a última pessoa que você quer ver. Mas James era meu sangue. E esses são meus sobrinhos. Eu não vou deixar vocês sozinhos no escuro.
Loren olhou para o homem que era a imagem cuspida de seu grande amor, mas que parecia um estranho completo. Ela não sabia que, ao aceitar a ajuda de Elijah, estava abrindo a porta para um tipo diferente de tempestade.
A chuva apertou, e no horizonte de uma cidade que agora parecia pequena demais para tanta dor, o luto começava a dar lugar a algo muito mais complicado.
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