Entre Irmãos

1 Kovu (ÚNICO)


Notas iniciais
Eu realmente nem sei o que dizer, portanto, direi apenas que espero que o capítulo esteja postado no lugar certo. Faz tanto tempo que não posto nada por aqui, que já nem sei mais.

Nuka sabia que não era para estar ali. Ele não devia, sua mãe deixara-lhe isso bem claro e não gostava de desobedecê-la. Entretanto, estava curioso. Queria brincar com seu mais novo irmãozinho, ansiava por vê-lo mais de perto. E daquela vez, Nuka não machucaria seu irmão.

Quer dizer, óbvio que aquilo fora um acidente. Ele não queria machucar Vitani, entretanto os dois estavam brincando de lutinha, ela deveria ter se defendido dele!

Mas, Nuka havia aprendido a lição. Não brincaria de luta com seu novo irmão, escolheria outra brincadeira. Pique pega ou esconde esconde, talvez?

Ele entrou a paços rápidos na caverna. Muito bem escondido, aguardara ansiosa e impacientemente aquela oportunidade, que aliás demorou muito a chegar. E sabia que agora, que finalmente seu irmãozinho estava sem ninguém a vigiá-lo, não podia perdê-la. Também estava ciente, entretanto, de que precisava ser rápido em sua visita. Logo, logo sua mãe, ou alguma outra leoa viria buscar o filhote ou ficar com ele, e certamente não gostariam de vê-lo ali.

Assim sendo, Nuka apressou-se em procurar o pequeno. Mas, aonde estaria ele? Não o via em lugar algum. Mas tinha certeza de que ele estava ali, pois não o vira com nenhuma das leoas quando estas saíram.

Mas... E se elas, de alguma forma, o houvessem feito ficar invisível, para levá-lo em segurança dali?

Não! Poxa, aquilo não era justo. Nuka só queria ver seu irmão, elas não deveriam ter feito isso.

—Tira isso da cabeça, Nuka! — Bronqueou a si mesmo. —Essa coisa de invis... Invisilidade... Não... Ah! Não tem como ninguém ficar invisível. Isso não existe! — Tornou a xingar-se.

“Já sei!” Exclamou em pensamento, batendo a pata na própria testa. “Como não pensei nisso antes?”

“Mas, agora eu pensei. Nuka, você é mesmo um gênio!” Elogiou-se, ainda silenciosamente.

“E agora, como foi mesmo que a mamãe chamou ele? Kavi... Kivu... Kovu! Isso, ela chamou ele de Kovu.”

E assim, pôs-se a chamar pelo irmão, enquanto andava pela caverna.

—Kovuu! Kovu, cadê você! Eu trouxe uma comida bem gostosa, se eu fosse você viria correndo para pegar! Humm... — Fingiu comer algo, para ver se atraía o irmão. Obviamente, entretanto, não obteve resposta, isto é. Não da forma que ele esperava.

—Kovu, vem aqui agora! Eu quero brincar com você... — Ordenou, manhoso e chateado, todavia cessou ao escutar qualquer coisa.

Um resmungo baixo, vindo dos fundos da caverna.

—Ahá! Agora achei você! — Exclamou, vitorioso ao passo que se dirigia na direção do som.

—Uau, você é mesmo bom nisso! — Nuka admirou-se ao notar a pequena bola felpuda e escura, jazendo deitada e embrulhada em capim marrom. —Eu quase não te achei, mas, por que você não avisou que estávamos brincando de esconde esconde? Eu nem tinha contado até dez! Mas, tudo bem. Agora, sou eu que me escondo e você quem procura. Tá? — Kovu, contudo, não respondeu. Apenas ficou lá, parado, os olhos quase se fechando enquanto o mais velho falava.

—Vamos, comece a contar! Se bem que, aqui não têm muito lugar pra se esconder, você só conseguiu ficar aí porque é pequeno. Ei! — O filhote havia caído no sono novamente, Nuka indignou-se. —O dia não foi feito para dormir, a mamãe sempre diz. Acorda, é de noite que a gente dorme! — Explicou, tirando bruscamente Kovu de sob o capim e colocando-o no chão de rocha e terra batida.

Kovu, imediatamente, protestou a isso, chorando copiosamente. Nuka arregalou os olhos, temeroso.

—Ah, não! Não chora, bebê, para de chorar! — Ele tentava, com um forte e desajeitado chacoalhar, juntamente com palavras de ordem acalmar o irmãozinho, no entanto o choro do pequeno apenas intensificava-se com tais ações. —Por favor, Kovu, para com isso! Se você não parar, a mamãe vai ouvir, vai vir aqui e vai brigar comigo, e eu não gosto quando ela briga! — Com lágrimas de desespero também já lhe escorrendo pela face, o mais velho implorou,.

E kovu, surpreendentemente, pareceu tê-lo obedecido, visto que mágica e abruptamente cessou o berreiro. Seus pequenos olhos verdes, ainda que contendo resquícios de lágrimas, encararam com curiosidade aquele que o segurava, que por sua vez respirava aliviado por ter conseguido calar o mais novo. Com sorte, sua mãe estava muito longe para ouvir, e Nuka e Kovu poderiam brincar até que ele saísse da caverna e sua mãe retornasse, e quando ela voltasse tudo estaria como havia deixado, pois Nuka daria um jeito de arrumar Kovu da mesma forma que o encontrara quando chegou.

Entretanto, o caçula não parecia estar muito disposto para brincadeiras. Em vez disso, ele aparentemente preferia encarar profunda e demoradamente o mais velho, uma expressão de curiosidade em seus olhinhos esverdeados.

—T ta me encarando assim por que? — O primogênito de Scar indagou, estranhando aquele comportamento. Todavia, logo sorriu para o bebê entre suas patas. —É, eu sei que sou muito bonito. Pode olhar o quanto quiser, eu deixo. — Gabou-se. Kovu, por sua vez, abriu um sorriso largo e desdentado, sorriso o qual aos poucos, salientou-se sonoramente. De início, houve apenas uma tímida risada. Mas esta, aos poucos, intensificou-se, até tornar-se numa estridente e gostosa gargalhada, que ecoou por toda a caverna.

—Ei, ta rindo de que!? Eu não contei piada alguma. — Disse, seriamente o maior, entretanto a única resposta que teve foram as gargalhadas do pequeno, que permaneceu correndo os olhos pela face do mesmo.

—Ah, você está rindo de mim? — Nuka inquiriu chateado. —Pare de rir de mim, agora! É feio rir dos outros.

—O que está acontecendo aqui? — Uma voz fez o leão adolescente virar-se abruptamente, uma expressão amedrontada em seu rosto.

—O o oi, d dona Sarabi, eu juro que não machuquei ele! Eu só tava... Tava... B brincando de leve! — Foi logo justificando-se, a leoa mais velha lhe sorriu serenamente.

—Eu sei que não, Nuka. Até por que, se você o estivesse machucando, ele não estaria rindo. — Ela explicou, docemente, aproximando-se dos dois. Nuka continuava com Kovu em suas patas, e embora o pequeno já não gargalhasse como antes, continuava sorrindo.

—É... Acho que sim. Mas, ele está rindo de mim, dona Sarabi, bate nele! — Pediu, Sarabi conteve um arregalar de olhos.

—Eu não vou bater em ninguém, porque ele não está rindo de você. — Ela afirmou, séria, Nuka a fitou confuso.

—Não? Mas é claro que está! — Insistiu ele.

—Não, não está. Ele está rindo para você, é diferente. — A adulta retrucou.

—Diferente? Como assim? — Nuka estava ainda mais confuso.

—Kovu não está rindo para magoá-lo ou zombar de você, está rindo porque simplesmente sente-se feliz. E... Você tem uma idéia do por quê dele estar feliz? — Sarabi, sugestiva, questionou, Nuka negou com a cabeça.

—Talvez... Porque você esteja aqui? — Nuka sobressaltou-se.

—Você acha? — Indagou esperançoso à mais velha, que tornou a lhe sorrir largamente.

—Eu tenho certeza. Nuka, o Kovu pode até ser apenas um filhote, mas filhotes também gostam de conhecer novos leões. — Ela arguiu.

—Hum, é bom mesmo que você não esteja rindo de mim! — Enfatizou para o menor. —Eu sou seu irmão mais velho, você tem que me respeitar. Entendeu?

—Nuka, não seja tão duro com ele. O Kovu ainda é muito pequeno para entender a maioria das coisas, ele ainda vai fazer algumas coisas desagradáveis antes de aprender.

—Mas, ele vai aprender? — Nuka perguntou.

—Claro que sim. À medida que ele for crescendo, vai aprender o certo e o errado. — Esclareceu, Nuka assentiu.

—Sabe, eu ia ensinar ele a brincar de esconde esconde, mas acho que ele já aprendeu. — Sarabi não conseguiu evitar um riso.

—E por que acha isso? — Indagou com curiosidade.

—Porque quando eu cheguei, ele estava bem escondidinho ali, ó. — Apontou para o ninho de capim parcialmente destruído.

—Nuka, como eu já disse. O Kovu ainda é um bebê, e não consegue fazer muitas coisas. E brincar de esconde esconde é uma delas. — Nuka, novamente, a encarou confuso. —Sua mãe deve tê-lo deixado ali para que ficasse mais confortável,. Afinal filhotes também não gostam de dormir no chão.

—Ah... — Triste e chateado, Nuka fechou o semblante. —E o que ele consegue fazer?

—Infelizmente, ele ainda não consegue brincar das mesmas coisas que você, mas ele pode ouvir. — O adolescente, mais uma vez, não a compreendera.

—Eu garanto que você têm muitas histórias para contar, não é? — Ele assentiu convicto.

—Então, tenho certeza que Kovu irá gostar muito de ouvi-las.

—Sim! Eu tenho, vou contar uma agora mesmo. — Disse, todavia Sarabi interveio. Kovu, mesmo com aquele falatório todo, havia adormecido por mais uma vez.

—Agora não, Nuka, ele está dormindo.

—Mas, ainda é dia! E ninguém dorme de dia. — Retorquiu.

—Nuka, bebês dormem de dia. Também dormem à noite, filhotes como o Kovu precisam dormir muito. — Sarabi redarguiu, para a frustração de Nuka.

—Ah, que coisa mais chata. Quando ele vai acordar, pra eu poder contar as minhas histórias? — Sarabi suspirou.

—Logo, logo ele acorda. Mas, por agora, seu irmão precisa descansar.

—Você veio ficar com ele? — Nuka, de repente, perguntou.

—Na verdade, não. Eu estava passando por aqui quando o ouvi rir. Então, resolvi ver qual era o motivo, fiquei curiosa. — A leoa respondeu. Era óbvio, entretanto, que Kovu estava sem supervisão de nenhum adulto, ou seja. Sarabi ficaria ali, ao menos até Zira retornar. —Mas decidi que vou ficar aqui, agora. — Nuka cerrou mais uma vez o semblante.

—E... Eu posso ficar aqui com vocês? — O irmão mais velho de Kovu e Vitani perguntou, embora já estivesse à espera de um não.

—Pode, se prometer não acordá-lo. — A idosa apontou para Kovu, que dormia pesadamente já arrumado em seu ninho de feno.

—Eu prometo! Eu pro...

—Shh! — Sarabi o interrompeu.

—Eu prometo. — Nuka sussurrou, sentando-se ao lado da leoa.

Obviamente, ele tentara despertar seu irmãozinho por várias vezes. Afinal, queria conversar com ele! Todas, entretanto, eram frustradas por Sarabi, que mantinha-se vigilante em cada movimento seu. Portanto, como ficar quieto estava tornando-se insuportável para Nuka, resolveu levantar-se e sair dali.

Afinal, pelo menos, conseguira ver e ficar um pouco com seu irmãozinho, e embora não houvessem brincado. Teriam muito tempo para isso, quando Kovu ficasse um pouco maior. Por hora, estava satisfeito com o que conseguira fazer.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!