Entre Gregos e Romanos
1 Introdução
Millene. 16. Baco. Nova Roma.
Era assim que eu me apresentava... Até agora.
***
Era uma manhã normal. Acordei, fiz minha higiene matinal e fui para o trabalho diário: limpar o refeitório. Quando estava indo para minhas aulas no centro, fui chamada por um dos guardas, John, para ir até a Pretoria, o que foi bem estranho, Marea e Lyu nunca chamam ninguém, a não ser em casos de extrema emergência fora dos muros do acampamento, então era obvio o motivo de todos estarem me encarando como se um monstro os tivesse atacado e agora estivesse implorando perdão. Corri até lá e dei de cara com nossa pretora e seus cães de guarda. Seus olhos, normalmente brincalhões e centrados (até hoje não sei como isso era possível), agora estavam correndo de um lado para o outro, completamente perdidos. Os cães, que sempre estavam paralisados pelo dever, estavam correndo em volta de sua protegida, em estado de alerta. A cena toda era bizarra e meu coração estava mais acelerado do que nossos pégasos voam.
– Mille – Marea olhou no fundo de meus olhos, cada segundo parecendo mais preocupada -, você precisa sair de Nova Roma imediatamente. Guarde suas coisas e parta. Seu lugar não é mais aqui.
– O que? – o choque que levei foi demais – Eu vivo aqui desde sempre! Não posso ser expulsa! Por Jupiter! O que raios eu fiz?
– Não posso explicar, mas entenda que seu lugar nunca foi conosco. – minha antiga amiga tirou um pequeno papel de suas vestes – Vá para esse lugar o mais rápido que puder. Lyu foi procurar alguém para leva-la até a fronteira. Me desculpe.
Peguei o papel de sua mão e saí correndo para meu dormitório, onde poderia ficar em paz por uns segundos, até arrumar minha mala e partir para o desconhecido. Nada disso fazia sentido. Nunca ninguém antes fora expulso daqui. Todos tinham um lugar, e mesmo que alguém fizesse algo errado, era simplesmente rebaixado de seu cargo e um pouco (ou muito) humilhado pelos membros. Mas banido? Isso é loucura.
“Long Island, Nova York. Falar com Mary” era o que dizia o papel. Teria que atravessar a porcaria dos EUA sozinha, e sendo uma semideusa, as chances de eu chegar lá viva são mínimas.
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