Entre Gregos e Romanos
7 Cap. 6
Eu parecia ser a única boiando naquela situação. Todos pareciam chocados demais para proferir qualquer palavra ou mover qualquer músculo. Menos uma garota que ficou me olhando com uma cara preocupada, mas não parecia ser a mesma preocupação que a das outras pessoas.
–Voltem para seus chalés imediatamente. – Mary ordenou.
Como eu não tinha chalé, observei (do meu lugar) todos saindo aleatoriamente por caminhos diferentes, mas indo na mesma direção. A garota que antes estava me encarando, ficou pra trás, em um lugar um pouco escondido, e acenou para que eu fosse lá. Fiquei um pouco assustada, por que raios aquela garota queria falar comigo? Minha curiosidade falava mais alto que o medo, e a garota loira parecia ser confiável, então fui até lá.
–Oi, moça. Sou a Beatriz, mas pode me chamar de Peach, como a princesa do Mario, sou filha de Atena – soltou uma risada baixa, mas muito fofa -. Eu reparei que você ficou muito perdida com aquilo tudo e duvido que alguém vá te explicar, o que eu não acho justo. – ela olhou em volta, para certificar-se de que não havia ninguém por ali – Aquelas garotas são as caçadoras de Ártemis, a deusa da lua, da caça e da vida selvagem. Elas inicialmente eram semideusas ou até mesmo mortais, que juraram servir à deusa, juraram virgindade eterna e realmente odeiam os homens.
–Ahn, e porque todos ficaram chocados com a aparição delas? – esse negócio de caçadora parecia muito interessante e não fazia sentido o choque dos campistas e da Mary.
–É que elas nunca aparecem por aqui, já que não se sentem confortáveis presas e também tem muitos campistas garotos, o que as incomoda demais. Se elas estão aqui é porque alguma coisa grave está acontecendo, como um mau agouro.
–Obrigada por isso, Peach, por me manter informada. – dei-lhe um sorriso.
–Que isso! Não acho que alguém mereça ser mantido no escuro. – virou e saiu andando, até onde estava um garoto alto de cabelos escuros.
Voltei para a Casa Grande, onde Mary estava em uma reunião com as caçadoras numa grande sala. Entrei no quarto que designaram como meu até eu ser reclamada como filha de algum deus e fiquei deitada na confortável cama que tinha ali, pensando nos últimos dias. Estava assim quando uma garota baixinha e loira, com roupas escuras, entrou pulando no recinto e sentou na minha cama.
–Mille, certo? – mordeu o lábio inferior – Sou a Thay, filha de Dionísio. Como tá esse lugar? – olhou ao redor, parecendo estressada.
–Tá tudo bem, acho. O que faz por aqui? Não deveria estar no seu chalé? – senti que tinha algo estranho.
–Deveria, é só que... ai deuses, o que eu tô fazendo? – falou pra si mesma e começou a balançar os pés nervosamente – Ai caramba, caramba, caramba. Digamos que tem uma história aí, em que uma mãe engravidou de um deus e teve gêmeas, mas só uma podia ficar com a mãe, a outra tinha que ficar em algum outro lugar, porque a proximidade delas é perigosa. E digamos que isso seja minha história. Digamos também que segundo a profecia, eu ia conhecer minha irmã depois que eu completasse 16 anos e que seria extremamente perigoso nós duas ficarmos juntas.
–O que você quer dizer com isso? – a história não estava indo numa direção muito legal.
–Hoje faz 1 mês que eu fiz 16 anos, e eu ouvi dizer que seu aniversário foi no mesmo dia que o meu e que você tem minha idade. Nós duas sabemos que não existe essa coisa de “coincidência” com os deuses, então... – deu de ombros.
–Você tá querendo dizer que nós somos, possivelmente, gêmeas? – meu cérebro simplesmente parou de funcionar corretamente.
–É, lezada, é o que eu tô falando – ela deu risada. – Eu só quero estar errada, porque você parece ser legal...
–Hm, Thay, isso não fez sentido...
–Claro que fez! Se nós formos mesmo gêmeas, a gente não vai poder passar muito tempo juntas, vão fazer de tudo pra que a gente passe o máximo de tempo separadas. Só os deuses sabem o que pode acontecer caso a gente faça amizade e você for a garota citada na profecia.
O pior é que o que ela falou fazia sentido e essa garota parecia ser doidinha, o que me fez querer ser amiga dela e isso me levou a não querer ser gêmea dela, embora isso fosse ser legal, já que eu ia ter uma irmã de verdade, não só aquela coisa de “meios irmãos”, que tenho vários.
–Você acha que a gente deve falar com a Mary?
–Olha, a gente pode tentar, mas como ela vai descobrir isso? Não existe um exame de DNA dos deuses, e infelizmente sua mãe não tá mais por aqui... – seu olhar foi para seu colo.
–O que fazemos então? Esperamos até eu ser reclamada? E caso meu pai seja Dionísio... – mordi minha boca.
–É uma solução. – dito isso, minha possível irmã levantou-se e saiu silenciosamente do quarto.
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