Entre Grades e Destinos
16 O Segredo Revelado
Naquela mesma tarde, no escritório da Wall Street, Matteo Blake estava sentado diante de seus monitores, mas sua mente não estava nos números. O sistema de escuta criptografado que ele havia instalado secretamente no telefone de Ricardo — uma precaução que adotara desde que assumira as finanças — capturou a ligação de Damon.
Cada palavra do irmão mais velho ecoou pelos fones de ouvido de Matteo. Ashley estava no Vermont. Ela não o havia abandonado por capricho; ela havia fugido para o meio do nada. E a menção de Ricardo sobre "o meu aviso" fez a ficha de Matteo cair com a força de um soco no estômago. O pai a havia ameaçado. Ela havia sumido para salvar a própria vida.
Uma fúria fria, calculista e implacável tomou conta de Matteo. Ele não quebrou nada, não gritou, não arrumou confusão. Em vez disso, ele desligou o áudio, salvou os arquivos e pegou seu tablet. Ele cruzou o corredor da empresa e entrou na sala onde Ricardo revisava alguns documentos.
— Ricardo — Matteo disse, a voz saindo perfeitamente controlada, o rosto como uma máscara de gelo. — Aqui estão as planilhas de transição e os fluxos de caixa para o novo centro de contrabando no Vermont. Os fundos já foram pulverizados pelas empresas de fachada legítimas. Damon já pode assinar a compra dos galpões no porto.
Ricardo ergueu os olhos, orgulhoso da eficiência do filho, sem notar o brilho assassino nos olhos escuros dele.
— Excelente, Matteo. Você realmente é o cérebro deste império — Ricardo elogiou, pegando o tablet.
— Eu faço o meu trabalho — Matteo respondeu com um meio sorriso gélido, dando as costas e saindo da sala.
Agora ele sabia de tudo. E se a família Blake havia usado o terror para afastar a única mulher que ele amou, Matteo usaria a sua posição como o Administrador Geral e invisível para sufocar os negócios, trair o pai e acabar de vez, tijolo por tijolo, com o império de sangue dos Blake. A queda deles começaria no Vermont.
Enquanto isso, no Vermont, Damon Blake caminhava pela calçada de paralelepípedos da pequena cidade, avaliando a segurança local. Ele comprava um maço de cigarros quando seus olhos captaram uma placa discreta de madeira pintada de verde em cima de uma charmosa porta de vidro: Dra. Ashley Park – Psicologia Clínica.
Damon soltou uma risada nasalada e caminhou até lá, ficando encostado na parede de tijolos do lado de fora, escondido atrás de um pilar, observando o movimento através do vidro fumê da janela.
Não demorou muito para que Sofia cruzasse a rua a passos rápidos. Ela carregava um bebê miúdo, enrolado em uma manta azul macia. Sofia empurrou a porta do consultório e entrou, chamando pela amiga.
— Ash! O Pietro acordou chorando de fome, achei melhor trazer ele logo para você — a voz de Sofia ecoou abafada para o lado de fora.
Damon aguçou o olhar, aproximando-se da fresta da janela. Lá dentro, ele viu Ashley levantar-se da cadeira com um sorriso radiante. Ela pegou o pequeno bebê nos braços com uma ternura infinita, sentou-se na poltrona de couro e, calmamente, abriu os botões da blusa, aninhando o menino ao peito para amamentá-lo.
O garoto tinha uma penugem de cabelos muito escuros e, por um breve segundo, Damon conseguiu ver o perfil do rosto da criança.
Damon travou na calçada. Sua mente começou a trabalhar em uma velocidade assustadora, ligando os fatos cronologicamente. Ashley havia fugido de Nova York há pouco mais de cinco meses. O bebê tinha apenas alguns meses de vida. A conta era exata. A cor dos cabelos, o formato do rosto... tudo batia.
— Mas que filho da mãe... — Damon sussurrou para si mesmo, os olhos arregalados de choque e uma satisfação perversa. — A loirinha não fugiu só por medo do pai. Ela estava grávida. Aquele bebê... aquele bebê é um Blake. O filho do Matteo.
Um sorriso cruel e ambicioso cruzou o rosto de Damon. Ele sabia que tinha em mãos a arma perfeita para destruir o autocontrole do irmão e garantir que o pai assumisse o controle da próxima geração da família. O jogo no Vermont acabara de se tornar infinitamente mais perigoso.
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