Notas iniciais
Oie, gente! Mil perdões pela demora absurda. Não tem desculpa, a não ser a minha tristre vida de orfã de criatividade. Um cap cantinho pra vcs, beijo :*

Entre Eles: III — O pub

Talvez um banho a ajudasse a decidir se aceitaria ou não o tal convite totalmente inesperado do Sr. Potter. Ele sempre foi um homem muito simpático, dentro e fora de sala, mas a forma como ele a olhou naquela manhã conturbada a deixou um pouco surpresa, havia um sentimento ali que ela não sabia explicar, algo que ela necessitou a vida inteira.

Segundo o regulamento da faculdade, qualquer relação mantida entre alunos e professores estaria sujeita a uma audiência com a reitoria, por mais que fosse um caso simples, como por exemplo, uma amizade. Hermione estava preocupada mais com isso do que com o fato de não conhecer nada mais além do trabalho profissional de Harry Potter. De longe, ela não concordava com essas medidas rigorosas, mas nada poderia ser feito se a maioria, assim como ela, preferia se calar diante disso. De certa forma evitava um monte de problemas, como injustiças e maus desempenhos na vida acadêmica, mas ainda assim não merece tantas regras...

Os pensamentos continuariam e fariam o tempo de Hermione passar sem ser percebido se sua melhor amiga e colega de apartamento não tivesse batido na porta.

– Você vai enrugar toda aí dentro! – a loirinha ralhou – E, digamos, que você já esteja atrasada uns cinco minutos para o programinha!

– Não sei se vou, Luna. Não parece certo... – Hermione respondeu cabisbaixa.

– Como não parece certo?! – Luna ergueu a voz – Deixa de paranoia, Granger! É só umas bebidas, amanhã você não tem nem aula, o que é que custa? Vamos lá! Já escolhi até seu look. Saia desse banheiro e vá se divertir!

A morena ponderou por mais uns minutos enquanto alcançava a toalha e se secava. Luna nada mais esperou, deixou o outro lado da porta e seguiu para o seu quarto, ela já sabia, muito antes da própria amiga, qual era a decisão e estava satisfeita com isso.

.:x:.

A espera fora do pub estava ficando um pouco estressante. A impaciência o consumia e ele nem sabia explicar o porquê.

O chatearia profundamente se ela não aparece. Mesmo sabendo que qualquer garota em sã consciência não aceitaria um convite estranho daqueles, mas também não custava nada dar uma passadinha ou aparecer só pra uma água, não é mesmo?... Merda! Ele não estava raciocinando direito. Da onde ele tirou aquela ideia maluca de convidar uma aluna pra sair? E ainda mais tendo, um pouco depois de feito o convite, repreender o melhor amigo por estar em circunstâncias parecidas.

Os devaneios foram interrompidos quando uma certa tão esperada Hermione se pôs na frente dele, o assustando, com um sorriso meio inseguro — Céus! De onde ela tinha vindo?– sua respiração estava um pouco acelerada.

– O senhor está ai a muito tempo? – ela quis saber nervosa.

– Nossa! – Harry estava verdadeiramente surpreso. – Estou aqui faz pouco tem... Espera! De onde você veio?

– Bom, desci do ônibus duas paradas a frente... Tive que vir correndo.

– Mas eu disse que pagava seu táxi, é por isso que eu estou aqui fora te esperando.

– Ah, não, por favor! Eu não encontrei táxi e também já estava muito atrasada, eu poderia pagar se tivesse pego um, mas o ônibus foi mais conveniente. Só eu mesma que dei problema, perdendo-me um pouco – Hermione explicou, um pouco rápido demais.

Ainda que surpreso e confuso, Harry convidou Hermione para entrar decidindo não mais discutir por algo tão insignificante quanto a forma como ela veio, estando ali já bastava, não é? E estava linda com um vestido vermelho acima dos joelhos e com saltos da mesma cor.

O pub já estava bem ocupado por um público jovem, havia uma pequena pista de dança ao centro com o barzinho a sua frente e várias mesas redondas de mármore ao seu redor. Harry já havia selecionado uma para a noite, um pouco longe do movimento da dança. Hermione intrigou-se quando percebeu que estava sendo guiada para uma mesa já ocupada, um homem estava sentado de costas para eles. Uma sensação estranha lhe preocupou quando viu que o homem era ruivo, no fundo ela sabia de quem exatamente se tratava, mas ainda assim ficou estática quando este se levantou a pedido de Harry para as apresentações. Ronald derrubou a taça de vinho que segurava quando focou Hermione ao se virar.

– O que ela está fazendo aqui? – o ruivo arregalou os olhos para o amigo.

– O que ele está fazendo aqui? – a morena elevou a voz.

De inicio, Harry se perdeu por completo diante aquela visível incompatibilidade, porém, depois de olhar para Rony, depois para Hermione, para Rony e então para Hermione de novo, o estalo do gatilho ecoou pela sua cabeça, acompanhado de uma luzinha vermelha que piscava as palavras ALERTA VERMELHO! ALERTA VERMELHO!

– Espera ai! – ele pediu erguendo as mãos e se virando para o amigo – Não vai me dizer que é ela... Não, não, não, não! Isso só pode ser brincadeira.

Potter ligou os pontos. Agora ele sabia muito bem quem era o problema de Rony e sabia muito bem porque que Hermione parecia precisar tanto de uma bebida mais cedo. E por fim, sabia muito bem a merda que tinha feito. A falta de palavras pairou sobre os três.

– Eu... Eu acho que vou embora – ela quebrou o silêncio constrangedor. Olhava desesperadamente para os lados, já que não conseguia encarar nenhum daqueles homens. Sentia-se perdida e queria mais do que tudo correr para bem longe dali.

– O quê? Não! – Harry pediu.

– Por que não? É só o que ela sabe fazer – a voz de Rony estava cheia de veneno misturado com algumas taças de vinho. A surpresa já rapidamente foi embora, dando lugar a duas coisas perigosíssimas, principalmente juntas: raiva e ressentimento.

A morena respirou fundo e rezou para aguentar um pouco mais, usando todas as forças para ignorar seu professor de história.

– Senhor Potter, agradeço pelo convite, mas não há como eu ficar. Ficaria grata se me entendesse. E não se preocupe, poderíamos marcar outra hora. Sem ele, é claro.

– Sozinhos é? Você é o que eu pensei, afinal! Uma aproveitadorazinha. Se vestindo com roupas apertadas de novo... Deve amar provocar os homens assim.

– Ronald! Isso são modos! Você mal conhece a garota! Queira perdoá-lo, Hermione. É o álcool!

– Está tudo bem – ela mentiu fervendo de ódio pelas palavras do ruivo. Mais não desceria ao nível dele e discutiria com um bêbado, não ali, na frente do pobre Sr. Potter, que sem sombra de dúvidas não merecia nada daquilo – Apenas deixe-me ir, caso contrario a situação pode piorar. E por favor, não pense que esse constrangimento é culpa sua. Tenha uma boa noite.

E sem dar a chance de resposta ao moreno, ela se virou e começou a caminhar devagar para fora do pub. Estava tão nervosa, com raiva e magoada que temia que seus pés a traíssem se aumentasse sua velocidade em mais alguns metros por segundos.

– Você nunca será uma profissional de respeito se continuar agindo assim – Ronald não se conteve em gritar para ela, fazendo-a parar, assim como todos do pub – Foge de tudo, de insultos principalmente, que são os que você deve bater mais de frente. Será uma vergonha como historiadora. É isso que quer, não é? Trabalhar com pesquisas... Sinto em decepcioná-la querida, mas fraquinha como você é, duvido muito que consiga alguma coisa. Mas já sabe onde trabalhar se essa vida não der certo. — ele gargalhou — Há muitas esquinas em Londres!

– Chega, Ronald Weasley! Seu estúpido idiota! Cale a porra dessa boca!

Hermione respirou fundo e se virou. Seus pés não ousariam traí-la enquanto andavam o caminho de volta pesadamente. Os saltos batiam fortemente no chão e quando eles pararam, a mão de Hermione continuou sem pressa. O estalo do tapa foi alto o bastante para narrar o seu efeito. O rosto de Ronald virou bruscamente com o impacto.

– Nunca mais fale comigo nesse tom, seu merdinha bêbado! Você não sabe nem metade do que eu fiz para estar onde eu estou. Engula suas merdas antes de solta-las pras pessoas!

– Como... VOCÊ SABE QUEM EU SOU, SUA...

– ESTOU POUCO ME LIXANDO PARA QUEM VOCÊ É! Nem a Rainha tem o direito de falar assim comigo, nem com qualquer outra pessoa. E se quiser acabar com a minha vida acadêmica depois disso, vá em frente, tente! Não me importo, você é só um revoltadinho fora de época que quer tudo do seu jeitinho e prefiro mil vezes procurar uma outra universidade do que assistir mais uma aula sua.

Sem mais nenhuma palavra, ela sumiu dali sem olhar para trás. Harry depois de um curto tempo de choque correu atrás dela ignorando toda a atenção que a confusão havia exigido dos demais presentes, mas quando chegou lá fora, Hermione já estava em um táxi bem longe dali.

– O que passou pela sua cabeça ou dizer aquelas coisas, seu idiota? – o moreno questionou furioso ao amigo quando entrou de volta no pub – Responda!

Mas Ron não iria responder, ele estava atordoado demais com o que havia acabado de escutar. Uma dimensão obscura tinha o consumido. As palavras de Hermione o perfuravam como laminas, milhares e milhares de vezes.

Notas finais
E ai? O que acharam? Quem pegou mais pesado? Gente, quero deixar claro que essa fanfic pode seguir um curso meio rápido ou não, verei... Mas próximo capitulo, as coisas já iram esquentar. Beijinhos!