Entre Elas
25 The Time Of My Life
Notas iniciais
[Emma]
Quando Regina passou por mim, caminhando em direção à saída, percebi que não podia mais deixá-la ir embora. Não podia deixar se fechar mais uma porta entre nós. Alguém precisava romper aquele círculo vicioso de medo e fuga. Só nunca imaginei que essa seria eu.
Segurei em seu braço com força calculada e nossos olhares se encontraram em um silêncio que falava de uma longa espera. Os corpos estavam próximos a ponto de conseguirem a comunicação eficiente que nossas bocas falhavam em estabelecer. Foi assim que o meu corpo pediu que o dela ficasse, foi assim que o corpo dela consentiu.
Nossos lábios se buscaram com urgência e o primeiro beijo foi demorado, durando quase todo o tempo que nossos fôlegos conseguiram segurar. O segundo, que começara mais calmo, foi se tornando exigente à medida que nossas mãos se aventuravam mais e, num impulso, eu a levei de volta ao sofá.
Ela deitou e eu me ajoelhei, prendendo o seu corpo entre as minhas coxas, puxando-a um pouco apenas para livrá-la da blusa, depois que joguei a minha para trás sem me importar onde pararia.
Linda! Fiquei por um breve momento contemplando-a e percebi que Regina fazia o mesmo.
Quando ela voltou a se mover embaixo de mim, procurando o contato, trouxe-a para um novo beijo, agora mais ousado, mais quente, com as línguas se enroscando em movimentos sensuais. Nós já estávamos muito excitadas, mas queria prolongar as sensações. Amá-la com desejo, mas sem pressa.
Tirei o sutiã dela e percebi que seus seios estavam duros, a ponto de explodir. Quando passei a ponta da língua molhada neles, fui premiada com um gemido delicioso.
— Em...ma! — foi a primeira coisa que ela disse, de maneira entrecortada.
Olhei-a de baixo para cima e sorri antes de capturar o outro seio, enquanto as minhas mãos firmes seguiam passeando pelo corpo dela, tomando posse, fazendo-a minha.
Só quando quase não aguentava mais, foi que cedi à vontade de senti-la totalmente nua. Tirei-lhe a calça e a calcinha, descobrindo depois, entre os dedos, o tamanho do seu desejo.
A penetrei lentamente e ela se contorceu, suspirando mais alto, chamando-me para cima dela. Sorri, encaixando-me em seu corpo, aproximando-me mais do que jamais pensei que poderia. Eu a amava tanto.
Fazer amor com Regina era como ouvir uma antiga balada romântica. Eu fechava os olhos e me deixava levar por sua melodia suave, apaixonada e inesquecível. Sentia como se voltasse para um tempo que não passava, onde tudo parece que vai ficar bem e a felicidade durará para sempre. Meu Deus, como eu a amava. E queria que ela soubesse disso, precisava que ela sentisse isso.
Não sei em que momento nossa amizade se tornou algo mais forte, só sei que eu não quero mais lutar contra esse sentimento. Já é hora de trazer esse barco de volta à praia¹ e colocar ambos os pés em terra firme. Preciso jogar os remos fora¹, porque eu cansei de navegar e parar sempre em muitos lugares… Agora, eu entendo que o meu destino final, meu porto seguro, sempre foi ela.
Eu tinha esquecido como era me sentir assim, sentir essa felicidade… Eu andava tão amargurada e carente… Tudo porque eu não conseguia admitir que o meu amor sempre foi ela. A pessoa mais constante em minha vida, a que desde sempre esteve comigo, dividindo brincadeiras, dividindo sonhos, dividindo toda uma história… A única de quem jamais consegui me cansar.
Meus dedos afundavam em seu interior quase na mesma cadência das batidas do meu coração. Suas unhas marcavam minha pele enquanto os meus lábios procuravam os seus e eu me encontrei no seu beijo, único e eterno… Foi isso que ela sempre foi para mim. E no momento que eu fazia amor com ela, eu pude sentir a mágica acontecendo entre nós… O amor que há tanto tempo esteve esperando quieto e silencioso, para que um dia eu o reconhecesse e o confessasse… Eu amo você, Regina Mills! Abri as pálpebras e me encontrei com seu olhar. Sei que no meu não tinha mais como disfarçar… Estou apaixonada por você!
Ela ofegou pelos lábios entreabertos ainda me encarando e se contraiu em torno de mim. Meus dedos da outra mão mergulharam mais em seus cabelos à medida que me afundava profundamente nela, sendo recebida por suas contrações molhadas.
Regina gemeu alto, desesperadamente buscando meus lábios e abafando seus gemidos em nosso beijo. Seu prazer veio antes do meu, mas não me importei com isso, porque sua cara exultante de satisfação poderia ser meu maior afrodisíaco.
Com meu corpo e alma
Quero você mais do que possa imaginar
Vamos apenas deixar isso acontecer²
...
[Regina]
Acordei um pouco depois das duas da tarde e fiquei por um tempo na cama, enquanto um filme inteiro passava pela minha cabeça, precisamente o filme da minha vida.
Lembrei de quando Emma e eu éramos crianças e implicávamos uma com a outra por qualquer motivo; do nosso companheirismo na adolescência, nos protegendo depois de aprontar; e de como, já adultas, ela segurou minha barra quando me separei.
Essas eram memórias caras para mim, guardadas no álbum das coisas mais importantes da minha vida, que como a maioria das outras, tinham Emma como coprotagonista.
A última lembrança que tive, no entanto, me trouxe de volta aquele mesmo quarto onde estava agora. Na manhã em que a gente devia ter conversado depois de transar pela segunda vez e não o fizemos, de novo. A mesma manhã em que flagrei Emma beijando Tina no banheiro do Irish Café e cheguei à conclusão que jamais poderia confiar na seriedade dela em um relacionamento e terminamos antes mesmo de começarmos.
Ao meu lado, Emma foi despertando lentamente e, de súbito, tive uma sensação de frio na barriga causada pela ausência de certezas do que aconteceria a partir dali.
Ela abriu os olhos e se moveu mais para o meu lado. Quando chegou muito perto foi que pareceu se dar conta que não estava sozinha e me dedicou o sorriso mais bonito de todos ao se virar.
— Bom dia! — falou com a voz rouca, sem desfazer o sorriso. — Ou melhor, já deve ser boa tarde, né? — Eu fiz que sim com a cabeça. — Ainda bem que você está aqui... Achei que tivesse sonhado com o que aconteceu mais cedo, Se não estivesse, ficaria pensando que não aconteceu.
Sorri de volta e olhando bem nos olhos dela, afastei uma mecha de cabelo que caia em seu rosto.
— Não se preocupe. Foi real e muito bom também — respondi.
Ela ficou séria rapidamente e tive receio de que tudo fosse começar a desandar.
— O que foi? — perguntei confusa e apreensiva.
Emma demorou algum tempo calada, fazendo mil coisas passarem pela minha cabeça..
O que disse, enfim, me pegou de surpresa, a ponto de eu não saber como responder. Não estava acostumada com esse tipo de declaração vinda dela:
— Você fica tão linda quando acorda depois de fazer amor. Estava aqui pensando no quanto fui burra por não ter ficado para apreciar das outras vezes.
Diante do meu embaraço ela continuou:
— Prometo que a partir de agora ficarei sempre.
Eu me sentei na cama e encolhi as pernas, envolvendo-as em um abraço, ficando de costas para Emma. Nós duas ainda estávamos nuas, mas isso era o que menos me incomodava naquele instante. Ela se aproximou quase que imediatamente, imitando meu gesto e com delicadeza passou as mãos pelas minhas costas.
— Quer conversar?
Encarei-a novamente com um sorriso fraco. Havia tanta coisa que eu de fato gostaria de dizer, mas não sabia se conseguiria colocar em palavras.
— Emma… — arrisquei. — Eu adorei tudo que aconteceu mais cedo. Jamais vou me arrepender de nada, nem de antes, nem de agora. Mas eu não me sinto à vontade sobre a ideia de ter um relacionamento aberto. Isso não combina comigo, com a minha personalidade, com a forma que encaro minhas relações. Então, eu gostaria muito que ficássemos próximas novamente, que não nos afastássemos daquela forma nunca mais, porque me dói muito. Mas eu acho que não cabe sexo dentro desse esquema. Desculpa!
Emma me ouviu atentamente pelo tempo que durou o meu pequeno monólogo e depois falou:
— Sabe, a gente devia perder essa mania que tem de tentar adivinhar o que a outra está pensando. Não é porque nos conhecemos a vida toda que isso vai dar certo sempre.
— Do que você está falando? — franzi o cenho.
— De você ter chegado à conclusão que eu ia te propor um relacionamento aberto.
— E... não ia?
— Não! — disse decidida.
— E o que você ia me propor então?
Emma levantou e deu a volta na cama, indo até o closet apanhar uma camiseta e gentilmente me jogou uma também. O quarto estava realmente bem frio, com o ar-condicionado ligado na potência máxima. Depois, ela voltou para a cama, agora sentando-se de frente para mim.
— Eu ia realmente te fazer uma proposta, mas acho que você também vai recusar — falou segurando as minhas mãos que ficaram geladas não só pelo frio. — Eu ia propor que dado o avançado da hora e, como eu não tenho nada para comer em casa, nós fôssemos em um restaurante italiano que fica aqui perto. Mas, como você não gosta muito de massa, sei que vai acabar me convencendo a ir comer sushi, que eu odeio.
Revirei os olhos, fingindo desaprovar a brincadeira dela ao mesmo tempo que sorria.
— Peraí… Você não pensou que eu ia te pedir em namoro, né? — perguntou arqueando uma sobrancelha.
— Não! — eu realmente não tinha pensado, embora desejasse.
— Ah, ainda bem… Porque eu seria incapaz de pedir Regina Mills em namoro sentada em uma cama, estando praticamente nua — fez uma pausa. — Eu teria que no mínimo convidá-la para um restaurante italiano que fica aqui perto… ou deixar que ela me convencesse a ir comer um sushi, que eu odeio. Aí sim eu a pediria em namoro.
Fiquei em choque, sem qualquer reação por um breve momento. Ela estava se tornando especialista em me deixar sem palavras.
— Emma… você tem certeza? — perguntei insegura.
— Que eu odeio sushi? Tenho! Já experimentei vários e não gostei de nenhum.
Encarei-a séria para mostrar meu desagrado com o fato dela continuar brincando com algo importante. Entendendo o gesto, ela disse:
— Desculpa, confesso que tava com saudades de te fazer ficar assim zangadinha. Não resisti. Então vamos de novo, vou tentar ser séria agora — Se ajeitou na cama, empertigou o corpo, colocou a mão sobre o peito e pigarreou. — Regina Christine Mills, eu, Emma Amber Swan declaro, solenemente, que tenho sim absoluta certeza que quero namorá-la em um relacionamento não aberto e monogâmico — frisou.
Balancei a cabeça, me dando por vencida. Um das razões pelas quais eu sempre soube que aquela conversa seria difícil era essa: a dificuldade que Emma tinha para saber a hora de parar com a brincadeira.
Mas me surpreendendo novamente, ela abandonou a postura cômica e voltou a falar, me olhando profundo:
— Eu tenho certeza do que eu quero que aconteça com a gente a partir de agora, Regina. O que eu não posso garantir é que eu vá ser perfeita, como eu queria ser pra você, porque sempre achei que você não merecia menos que isso, e continuo achando. Mas eu não posso te dar. O que eu posso dar não é muito diferente do que dei até hoje: um amor imperfeito e, que mesmo sujeito a mancadas, tenta oferecer o seu melhor.
Ouvir isso me aqueceu o coração. Ela só estava errada em uma coisa: ela era perfeita pra mim, nunca houve ninguém tão perfeito.
— Eu amo você, Emma! — confessei finalmente.
— Eu também te amo, Regina! — disse de forma terna e emendou na sequência: — Mas será que a gente pode se arrumar pra sair agora? Estou com tanta fome que comeria até sushi sem reclamar.
Sorri do jeito suplicante dela antes de irmos juntas para o banho.
...
[Emma]
O casamento de Aurora e Jamie aconteceu em um navio, que atravessou a Baía de São Francisco em um final de tarde. O cenário era perfeito, provavelmente o melhor da cidade e o sim foi dito exatamente quando o barco passava por baixo da ponte Golden Gate. Acho que nunca presenciei nada tão emocionante e se até eu achei emocionante é porque deve ter sido mesmo muito emocionante.
A barriga de Aurora começava a aparecer, marcando um pouco o vestido, que era de mangas rendadas; enquanto o de Jamie, um tomara que caia de cauda justa. Ambos simples, mas muito bonitos. A felicidade delas transbordava aos olhos, acredito que não só pelo casamento, mas principalmente porque tinham conseguido superar uma séria crise para estarem ali.
O convés foi todo enfeitado com flores da estação, basicamente a única decoração utilizada no andar de cima, já que não precisava de muito mais para deixar o local bonito e a ocasião especial, a vista bastava. Cadeiras foram organizadas ao redor de um altar preparado especialmente para o evento. Havia muitos convidados, nem fazia ideia que Jamie e Aurora conheciam tanta gente.
Para a recepção, descemos ao restaurante, no deck secundário e, ali sim, o decorador ou decoradora deve ter concentrado a maior parte do seu tempo, pois as mesas, muito bem ornamentadas, ostentavam toda a pompa e circunstância, que costumamos encontrar nesses eventos.
Regina e eu éramos oficialmente um casal, namorando há quase três semanas. Ainda não era um recorde para mim, porém mais duradouro do que mais da metade dos meus relacionamentos anteriores.
Chegamos juntas ao que foi nosso primeiro acontecimento social na nova condição e confesso que gostei da sensação de ser vista em público como a namorada de Regina. Não foi nenhum bicho de sete cabeças que eu pensava antes, foi até bem normal.
Nossos amigos mais próximos já sabiam desde os dias que se seguiram ao pedido, porém não tínhamos tido a oportunidade de encontrá-los desde então. Quando contamos por telefone, a reação da maioria foi tipo: “Ah, grande novidade…”.
No fim, todo mundo sempre achou que a gente namorava em segredo. A grande diferença é que agora todo mundo tinha certeza. E tudo bem, deixa eles pensarem lá o que quiserem.
Nós dividimos uma mesa com Mary e Cora e foi a melhor combinação que poderia ter sido feita. Cora com as suas tiradas maravilhosas, capazes de alegrar qualquer conversa, e Mary, que andava muito feliz pelas coisas novas que vinham acontecendo com ela.
— Então, como vai a vida no seu novo lar? — perguntei, depois que ficamos sozinhas na mesa, quando Cora e Regina se afastaram para falar com alguns conhecidos.
Assim que Mary retornou de Vegas, nós tivemos uma conversa e ela foi a primeira pessoa a saber que Regina e eu estávamos namorando. Precisava entender como ela se sentia em relação a isso antes de sair espalhando, para evitar qualquer constrangimento ou sofrimento que pudesse causar. Acho que foi a melhor conversa que tive com alguém na vida. Não encontrei dificuldades em explicar meus sentimentos e as minhas ações, pela quantidade de vezes que repassei a história toda em minha própria cabeça. E, felizmente, conseguimos nos entender.
Foi nessa ocasião que descobri que ela tinha encontrado um apartamento onde passaria a morar com os meninos e arranjado uma babá qualificada para eles. Mary não disse, mas tive a impressão que começou a se empenhar nisso logo depois do término com Regina, imaginando que eu precisaria em breve de mais privacidade. Por intuição, minha irmã já sabia o que ia acontecer.
De maneira nenhuma eu teria pedido para ela deixar meu apartamento, adorava sua companhia e a dos meus sobrinhos, tinha me adaptado bem a essa rotina familiar e sempre que Regina e eu precisássemos de privacidade, haveria o apartamento dela. Porém, achei melhor não interferir em sua decisão, compreendendo o quanto seria importante para Mary dar esses passos em direção a sua independência definitiva. O processo de divórcio também estava próximo do fim e tinha certeza que não passaria por aperto financeiro.
— Ainda está aquela loucura de mudança recente — ela contou empolgada. — Não consegui terminar de arrumar todas as caixas e às vezes quando preciso de alguma coisa, fico louca sem saber direito onde está. Mas em breve vou conseguir dar um jeito nisso.
Me senti contagiada pela animação dela.
— Se precisar de ajuda, estou às ordens. Sábado que vem levo duas garrafas de vinho ao seu apartamento e garanto que no fim não vai sobrar nenhuma caixa sem organizar.
Ela sorriu daquele jeito tímido e cativante de sempre.
— Obrigada, Em… Mas Graham ficou de me ajudar nisso este final de semana.
Fiquei surpresa, essa novidade de Graham na vida dela era tão novidade que eu nem estava sabendo.
— Graham? Aquele cara que encontrámos com Regina no shopping? — perguntei só para ter certeza.
— Esse mesmo. Nós trocamos telefones naquele dia, depois que você e ela sumiram e a gente teve que ficar inventando assunto pra passar o tempo. Há alguns dias ele lembrou de mim e me mandou uma mensagem. Enfim, estamos nos conhecendo.
Arregalei os olhos de espanto e balancei a cabeça concordando.
— Nossa, quanta informação! Sua vida anda mesmo bem movimentada. — Comentei. — Está feliz? — perguntei verdadeiramente interessada na resposta.
— Sim, muito! Principalmente porque estar me envolvendo com alguém é só mais um detalhe importante em minha vida, mas não o centro dela. Aconteceu com Regina e agora com Graham. Isso tem me feito bem, mais do que qualquer outra coisa.
Naquele momento o meu peito se encheu de orgulho. Fiquei muito feliz por enxergar a mulher que minha irmã tinha se tornado. Era bem gratificante assistir à evolução dela.
— Você merece tudo que está acontecendo, Mary, assim como o que ainda acontecerá de bom em sua vida daqui pra frente.
Ela agradeceu com um sorriso que chegou aos olhos.
— E você e Regina, como estão? — foi a vez dela demonstrar interesse.
— Eu ainda tenho medo dela olhar a qualquer momento pra mim e perguntar: “por que foi mesmo que eu aceitei namorar com você?” e me deixar em seguida, mas estamos muito bem. Ainda. — frisei.
Mary riu, dessa vez mais como uma gargalhada, divertindo-se com o que eu disse.
— E vai continuar tudo bem, Emma. Vocês já meio que namoram há tantos anos, não vão terminar de uma hora pra outra.
— Até tu, Brutus? — arqueei a sobrancelha.
— O quê?!
— Com essa história de que a gente namora há muito tempo.
— E não namoram? Vocês sempre foram mais casal que qualquer casal que já conheci. Só faltavam os aditivos e agora vocês incluíram — deu uma piscadela maliciosa.
Corei ao perceber do que ela estava falando. Eu não costumava me envergonhar com esse tipo de comentário, mas ainda era muito cedo para fazer qualquer menção sobre sexo e Regina com ela. Por mais que tivéssemos resolvido tudo com maturidade, demoraria um pouco até eu me sentir confortável sobre esse detalhe específico.
Felizmente, percebi que os nossos amigos começavam a formar um grupo junto à escada, para fazer as fotos que integrariam o álbum do casamento, de onde Regina acenava buscando chamar a nossa atenção.
— Vamos, chegou a hora dos cliques — falei para disfarçar meu constrangimento.
[Regina]
Depois de fazermos uma infinidade de fotos em grupo, dos casais e com as noivas, todas as mulheres solteiras se reuniram em volta de Jamie e Aurora para o momento em que jogariam os buquês.
Eu achava aquela tradição boba e fofa ao mesmo tempo. Um simples arranjo de flores não tinha o poder de prever o futuro e revelar quem seria a próxima convidada a casar. Prova disso, era o fato de ter sido Emma quem apanhou o buquê no meu casamento, sentada displicentemente em uma cadeira próxima à multidão de mulheres que o disputavam e sequer tiveram a chance de tocá-lo quando, matreiro, ele caiu sobre o colo da loira nada interessada em tradições românticas. Mas sempre gostei da brincadeira, por facilmente se tornar um dos momentos mais divertidos da festa, com todo mundo meio que se acotovelando como se daquilo dependesse suas próprias vidas.
O buquê de Aurora passou raspando pela minha cabeça, indo parar direto nas mãos de Oberlin. Houve uma pequena cena cômica quando os nossos amigos começaram a colocar pressão sobre Tina por causa disso. Brincadeira, claro. Elas estavam namorando há muito pouco tempo e aposto que nenhuma das duas pensaria em casamento tão cedo.
Consegui pegar o de Jamie, o segundo a ser jogado, mas logo Emma veio me convidar para dançar e eu apenas entreguei-o a mamãe, sentada em uma das mesas próximas, numa conversa bem aproximada com Sarah Fischer.
Emma me chamou a atenção depois por ter ido atrapalhá-las. Soube assim, que minha mãe andava “ficando” com a dona do Irish Café. Mas, tudo bem, não me aborreceria por ela ainda não ter me contado. E, de qualquer forma, Sarah era maravilhosa. Se elas decidissem começar a namorar, com certeza teriam minha bênção.
— Hoje você está ainda mais gata, sabia? — Emma elogiou enquanto dançávamos na pista, ao som de uma música romântica. Uma balada dos anos 80/90, obviamente. As únicas aprovadas por ela.
— Você também está um espetáculo! Adorei o vestido — devolvi o elogio.
Minhas mãos estavam em volta do seu pescoço e ela me segurava pela cintura, me conduzindo no ritmo lento.
— Engraçadinha… foi você quem escolheu.
— Sim, só que eu estou falando do conjunto da obra… Em especial, do conteúdo.
Emma sorriu com malícia, mas logo em seguida franziu o cenho, como se lembrasse de algo totalmente diferente.
— Gina, você pensa em se casar novamente? — questionou na sequência, mudando o rumo da conversa.
Por que eu sabia que essa pergunta viria até o final da noite?
— Não acredito que isso seja sobre eu ter ido tentar pegar o buquê. É só uma brincadeira, Emma. Participei desse momento em todos os casamentos que fomos, sempre que estava solteira.
— Eu sei, não foi por causa do buquê. Ou melhor, foi, mas não da maneira que está pensando. Apenas ativou minha curiosidade — explicou.
— Então vamos lá, senhorita curiosa... Eu não trago mais ilusões sobre casamento, pela forma como o meu primeiro acabou. Por isso, não tenho a resposta pronta para essa pergunta.
— E se eu quisesse casar, você pensaria sobre o assunto? — Emma insistiu.
— Você quer casar? — Me surpreendi.
— Também não sei ainda… Falo hipoteticamente.
Me aproximei um pouco mais de Emma, diminuindo a pequena distância que havia entre nós, apoiei o queixo no ombro dela e falei baixo perto do seu ouvido:
— Então por que não deixamos pra falar sobre isso quando uma das duas achar que está pronta? — Sugeri. — Por enquanto, penso que deveríamos nos concentrar apenas em aproveitar o momento maravilhoso que a gente está vivendo.
Ela sorriu concordando e respondeu baixinho também:
— Tem razão… E por falar em aproveitar o momento, sabe o que eu estava pensando?
— Não, me surpreenda! — eu disse, embora com um pressentimento.
— Eu nunca transei no convés de um navio — percebi que estava certa.
— Hum… Sério? — entrei na onda dela.
— Muito sério!
— E aí?
— E aí que quando estávamos lá em cima, por acaso, eu notei que tem um cantinho bem discreto perto de um dos mastros... Se for rapidinho e silencioso ninguém vai perceber.
— Por acaso, né? — sorri mordendo o lábio. — Você é uma safada, Emma Swan! Sempre foi uma safada.
Ela se afastou um pouco e me olhou com aquela cara sem-vergonha que me dava o maior tesão.
— Você precisa saber que tem coisas que nunca vão mudar.
E eu esperava que não mudassem mesmo.
FIM
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