Entre Elas

15 Doce como chocolate, amargo como café


Notas iniciais
- Boa leitura!!!

[Regina]

Emma estaciona na garagem de sua casa e mal sinto os saltos pisarem no chão, logo já estou sendo erguida por ela que me leva nos braços como se eu fosse uma noiva na noite de núpcias. Solto um gritinho em meio a um sorriso, surpreendida com o seu gesto.

— Alguém está especialmente romântica hoje! – Observo, envolvendo-lhe o pescoço no círculo dos braços.

— Sei que você gosta disso! – O menta escuro do seu olhar encontra minhas íris chocolate.

Sua resposta não poderia ser mais honesta. Tudo que ela fez até agora foi pensando em mim, em me agradar. Esta é a forma que encontrou para tentar se desculpar pelo que aconteceu há dois dias, naquele casebre.

Quando termina de subir os degraus da escada e entramos no espaçoso quarto, deita-me sobre a cama delicadamente, numa atitude que não lembra em nada a forma intempestiva com que me tomou da primeira vez.

Seus olhos fixam os meus por um instante e percebo que talvez esteja um pouco nervosa. Também me sinto assim. Da outra vez, não houve tempo para pensar, fizemos por puro impulso. Agora, não teremos essa desculpa e pode ser isso que Emma está remoendo.

Depois de tudo, eu disse que não devíamos ter feito aquilo, mas agora, tenho a oportunidade de dizer que não devemos fazer isso, no entanto, meus lábios estão totalmente selados, quando ouço sua voz num tom mais grave:

— Só conheço uma forma de me redimir realmente pelo que fiz. Mas, dessa vez, não vou cometer o erro de não perguntar… Você quer, Regina?— Ela transpira ansiedade pela resposta à pergunta que eu não esperava que fizesse.

Na verdade, teria sido mais fácil se não tivesse feito, porque, o poder da escolha gera uma responsabilidade pela ação e suas consequências, como aconteceu com Emma no casebre.

Sinto como se a estabilidade da nossa relação fraternal, estivesse, de repente, equilibrando-se na corda bamba. Essa coisa nova que há entre a gente veio para bagunçar completamente os meus sentimentos, por isso não consigo negar.

— Sim! – Apesar do turbilhão na minha cabeça, a voz sai bastante segura, embora nada mais que a simples afirmação me ocorra.

Vejo-a entreabrir os lábios numa expressão charmosa, mostrando-me as discretas covinhas nas bochechas. Consigo distinguir seus traços e suas reações por causa do brilho da lua que atravessa as portas de vidro da pequena sacada, banhando o quarto de um tom azulado.

Lentamente, ela se inclina e os lábios se encontram num beijo delicado, sem demora, sem pressa. Suas mãos escorregam pelas laterais do meu torso, enquanto as minhas se agarram a nuca coberta por fios loiros, aprofundando o contato das bocas.

Os dedos descem, tateando-me as curvas por sobre o vestido e não demora para que Emma chegue à barra. Sua mão direita desliza para baixo do tecido, levando-me a gemer ao sentir-lhe as unhas arranhando-me a pele entre as coxas.

Emma me acaricia com muita suavidade, de uma forma diferente da primeira vez, como se eu fosse um frágil bibelô e ela temesse me partir.

As línguas se encontram novamente e retomam a dança sensual, enroscando-se como dois corpos molhados, embalados pelo ritmo ditado pelo desejo.

Desta vez, sou eu que mergulho as mãos por baixo de sua roupa, afastando-lhe o terninho dos ombros, apertando os bíceps fortes ainda cobertos pela blusa branca, ao mesmo tempo que sinto dois de seus dedos entrando pela lateral da minha calcinha para tocar levemente um clitóris já intumescido.

O beijo é interrompido, em seguida, noto que ela respira mais profundamente, de olhos semicerrados: — Seu gosto é... de hortelã!— As pálpebras se abrem e o calor do verde-esmeralda me aquece.

— Você gosta? – Minha voz sai ainda mais grave.

Os lábios rosados se curvam em um sorriso travesso e a resposta vem sem palavras. Minha boca é mais uma vez provada por ela. Agora, o contato é intenso, mais provocativo. Ainda não consegui distinguir o sabor de Emma. Às vezes, parece ser de chocolate, em outras, de café...Mas é definitivamente delicioso.

Mesmo que embriagada pelo último beijo que trocamos, diviso-a em pé ao lado da cama e percebo que começa a abrir os primeiros botões da blusa, encarando-me com olhos cintilantes:— Ah, Regina Mills… Se você pudesse se ver agora – enquanto fala, se livra da peça, deixando-a cair sobre o tapete – Está tão linda com os cabelos espalhados sobre o meu travesseiro – Sorri, abrindo também o botão e o zíper da calça, permitindo que deslize pelas suas longas pernas.

Com a ajuda dos pés, retira os sapatos, empurrando-os para longe, ficando apenas com um conjunto de lingerie escura.

Eu fico muda, paralisada. Apenas meus olhos se movimentam perscrutando cada detalhe desse corpo poderoso. Tão forte e tão feminino.

Emma se aproxima e deita-se totalmente sobre mim, empurrando-me contra o colchão macio. Seu nariz toca o meu e os fios dourados nos envolvem como um suave manto. As mãos dela estão mais uma vez nas minhas coxas, subindo o vestido que ainda uso. Sem aviso, gira o corpo e me arrasta consigo, invertendo as posições e me deixando por cima.

— Não acredito que você vai permitir que eu assuma o controle! – Atiço, acariciando o contorno de sua boca com a ponta dos dedos.

— Ah, querida… Não se engane comigo – Murmura e sinto-a descer o zíper nas minhas costas com ar malicioso.

Divirto-me com sua travessura e ainda estou sorrindo quando Emma ergue o torso, fazendo com que eu fique sentada de pernas abertas sobre as suas. O vestido logo se amontoa na cintura, revelando o meia-taça que uso.

Primeiro, ela beija a parte exposta do meu seio esquerdo, provocando em mim um calafrio que sobe por toda a espinha. Depois, com o mesmo desvelo, passa os lábios sobre o outro seio, arrepiando-me os minúsculos pêlos da nuca.

Deixa um caminho de beijos subindo do colo até alcançar o pescoço: – Você é tão macia! – Chupa a pele arrepiada. — Sempre adorei o seu cheiro! – Confessa, seguindo o percurso até o lóbulo da orelha, puxando-o entre os dentes.

Entrelaço os dedos em seus cabelos e a trago para mais um beijo, sentindo seu hálito quente me invadir e se misturar com o meu nesse contato sôfrego.

Emma retira o meu sutiã, ao mesmo passo que de uma maneira mais apressada me desfaço do dela. Empurra-me para baixo e minha cabeça fica um pouco pendida para fora da cama. Suas mãos hábeis descem o vestido, deixando apenas a delicada calcinha ainda me cobrindo a nudez.

Acaricia-me inteira, marcando com os lábios e com suas digitais cada centímetro da pele, desde os tornozelos até a parte interna das coxas, arrancando-me suspiros extasiados; provocando em mim ondas de prazer à medida que me explora mais intimamente.

— Me chupe… – Ofego quando ela retira a minha calcinha e sua respiração “toca” meu sexo molhado de desejo.

A boca se apossa dos grandes lábios, chupando-os e mordiscando-os levemente. Agarro-me aos seus cabelos, movendo sua cabeça para cima e para baixo. Sinto a língua fazer sua “mágica” quando serpenteia pela carne tenra, me estimulando o clitóris e intensificando as palpitações no meio das pernas.

Quando penso que vou gozar em sua boca, Emma cessa as chupadas e se arrasta sobre mim, ficando face a face comigo. Enfia uma das pernas por baixo da minha e gruda nossas vaginas me fazendo ciente não só de sua nudez, mas do quanto está molhada.

Move-se, a princípio, devagar, chocando as pélvis e aumentando a fricção dos sexos. Olhos entreabertos, lábios semicerrados, testas coladas. O coração acelera, a respiração fica descompassada. Cravo as unhas na altura de sua cintura. Ela acelera o balanço dos quadris e morde o lábio inferior, antes de me tomar a boca em mais um beijo, metendo a língua dentro de mim, abafando os próprios gemidos.

Me agarro mais a Emma, movimentando-me como posso embaixo dela. Inclino a cabeça, cessando o contato, contraindo-me em êxtase, sentindo seu sexo latejar junto com o meu e, sem que me peça, ou muito menos me implore, simplesmente pronuncio “Emma” em meio a um sussurro rouco, certa que esta não será a única vez que gemerei seu nome durante a noite.

(...)

Depois de uma noite em que o bom sono foi substituído por intenso prazer, o que mais desejava era que pudesse dormir até mais tarde pela manhã, mesmo não estando em casa. No entanto, meus planos foram bruscamente frustrados quando Emma me acordou com a mesma delicadeza que o Katrina devastou Nova Orleans.

Havíamos esquecido completamente que Ruby e Zelena, tendo voltado ontem da viagem de Lua-de-mel, convidaram, ou melhor, convocaram, o grupo para tomar café-da-manhã todas juntas.

Eu estava com muitas saudades delas, mas, de verdade, teria inventado uma desculpa para não ir, marcando algo para depois. Só que a minha melhor amiga parecia estar mais ansiosa para vê-las do que eu, levantando assustada ao ouvir o despertador e passando a me sacudir, o que me fez lembrar do referido furacão.

Isso era pela falta que sentia do casal, ou um pretexto para fugir novamente de uma conversa séria. Pelo sim, pelo não, depois da noite romântica, resolvi dar um voto de confiança e ficar com a primeira opção.

O encontro seria em um dos nossos lugares preferidos, o Irish Coffee, tão versátil quanto a bebida, onde você poderia ir durante o dia para tomar um café, à noite para beber com os amigos, por isso também lembrava um pub, ou ainda para dançar, quando a casa convidava bandas alternativas ou dj's famosos, momentos em que se transformava em uma espécie de boate.

Só essa flexibilidade seria motivo suficiente para justificar o seu sucesso, já que era um dos points mais bem frequentados de São Francisco, comparando-se aos concorrentes das várias áreas em que atuava. Mas, todos sabiam que grande parte de seu êxito vinha do charme da dona, Sarah Fisher, a própria definição da simpatia, que conhecia cada um dos clientes mais assíduos, como o nosso grupo, pelo nome, transformando-o também em um espaço acolhedor.

As meninas estão lá quando chegamos, ocupando uma grande mesa, como de costume. Inclusive Tina, que eu não via há alguns dias, desde que Emma começou a evitá-la, fugindo da suposta perseguição dela. A única que não vejo é Jamie, o que é bem estranho, uma vez que ultimamente ela e Aurora são quase a mesma pessoa.

De longe, percebemos que o clima está bem animado, ao ouvir gargalhadas e a voz estridente de Ruby bastante empolgada.

— Espero que a graça não esteja em falar da vida dos ausentes. – Swan diz, sarcástica, ao nos aproximarmos da mesa. – As seis cabeças se voltam ao reconhecer a voz.

— Quem ouve até pensa que você se importa com o que falam. Dra. Emma! – Ruby a provoca. levantando-se para nos receber, com uma expressão radiante. É nítido que a viagem a fez muito bem.

Após os abraços, que também são dados em Zelena, vamos à procura das duas cadeiras vazias para nos sentarmos, que, por ironia, estavam colocadas justamente ao lado de Bell, a quem Emma tratou friamente, fazendo uma cara de insatisfação ao se dar conta de sua presença. Percebendo a situação, escolhi a cadeira que estava mais próxima da “stalker” para evitar maiores problemas.

Fico de frente para Mary, que me sorri de forma doce, parecendo muito feliz em me ver. Devolvo o sorriso, só que um pouco constrangida, porque logo penso o que acharia se soubesse que agora também estou “oficialmente” envolvida com a irmã dela. Apesar de não ter nada sério com nenhuma das duas, essa não deixa de ser uma situação bem estranha, pela qual nunca tinha passado.

— Então, sobre o que falavam antes de chegarmos? – Pergunto, casualmente, para desviar um pouco o foco dos meus pensamentos.

— Ruby estava contando uma história super engraçada que aconteceu com a gente em Bora-Bora. – Zelena esclarece.

— Mas eu não vou repetir, porque fica chato. Depois, conto para vocês. – Ela diz, dirigindo-se a nós. — Agora, digam quais as novidades por aqui. Soube que comemoraram o tradicional aniversário duplo no final de semana… Todos estavam lá na casa do lago?

— Todos, menos eu. – Tina se pronuncia, antes de poder responder à pergunta feita a mim e a Emma.

— Ih… Lá vem confusão! – Belle exclama e revira os olhos ao ouvir a queixa velada de Bell.

Olho para Swan e a vejo observando fixamente o cardápio que conhece de cor, fingindo estar alheia à situação.

— Opa, opa! O que é que está rolando aqui e eu não sei? – Ruby logo se interessa pelo assunto. Zelena ainda tenta controlar a indiscrição da esposa, tocando levemente sua mão e balançando a cabeça, repreendendo-a silenciosamente, no entanto, Lucas insiste.

— Nunca tivemos segredos nesse grupo, amor. – Sorri para a ruiva. — Vamos, quem vai falar? – Seu tom é levemente autoritário, mas sua expressão divertida trai a intenção.

Por um momento, faz-se silêncio, nem mesmo Tina se pronuncia novamente e, para minha surpresa, quem resolve explicar as coisas é Mary.

— Emma está fugindo de Tina. – Ela lança um olhar diferente, que não consigo definir, na direção da irmã.

Ao ouvir seu nome, a loira ergue os olhos.

— Mas isso não é por causa do que aconteceu em Vegas não, né? – A lobinha mata a charada.

Tina dá uma risadinha irônica e Emma fecha o cardápio parecendo um pouco irritada.

— Gente, vamos deixar isso pra lá? Elas vão conversar e resolver essa questão depois! – A sempre diplomática Belle interfere, a tempo de evitar que os ânimos se exaltem.

Os pedidos de todas chegam. Emma e eu fazemos os nossos, dois macchiatos, que também não demoraram a vir.

Aproveito para fazer um resumo do que aconteceu na casa do lago dos Swan, satisfazendo a curiosidade de Ruby que acabou gerando todo o climinha. Na realidade, não tinha nada de novidade. As mesmas pessoas e basicamente as mesmas coisas que fazemos todos os anos, já que a parte mais interessante, e que realmente era nova, implicando Emma, Mary e eu, não podia ser contada.

— Tem certeza que você não esqueceu nada, Regina Mills? – A advogada morena pergunta, levando um copo de suco de laranja à boca.

— Sim, acho que disse o mais importante. – Dou de ombros, não entendendo o porquê do questionamento dela, mas noto que passo a ser o centro das atenções. Apenas Aurora, parece alheia ao que se passa, com uma expressão um pouco preocupada, olhando para a tela do celular.

— E essa marca de chupão aí no seu pescoço? – Instintivamente coloco a mão sobre o local que ela aponta. — Parece uma novidade interessante, não é, Mary Margaret? – Volta-se com ar bem malicioso para a aludida, que a censura com o olhar, e descubro que a morena sabe pelo menos uma parte da história, certamente ouvida da boca da própria Sra. Nolan, embora tenha sido a parte desconhecida para ela que deixou aquela marca comprometedora ali, alguém que esboçou uma expressão confusa, claramente surpresa com a insinuação de Lucas.

Como um gongo providencial para nos salvar da saia justa, o celular de Emma começa a tocar ruidosamente. Ela pede licença e sai para atender, seguindo na direção do banheiro. Quase que imediatamente, Tina também se levanta e vai atrás dela.

— Acho que agora elas vão se entender. – Zelena comenta conosco, quando a moça se afasta o suficiente.

— Só espero que não se engalfinhem. – Belle completa, causando riso em todas nós. Aurora, mais uma vez, é a única que não toma parte na conversa.

Percebendo a distância dela, Mary, sentada ao seu lado, questiona: — Você está tão calada, querida… Algum problema?

— Desculpem não estar tão participativa hoje, meninas. Realmente não estou bem. — Seu semblante denota apreensão.

— O que houve? – Indago, preocupada.

Ela solta um suspiro longo.

— Descobri que estou grávida. – A notícia pega a todas de surpresa.

Era para ser motivo de felicidade, mas a atual situação dela apagava um pouco a alegria do momento. Pela sua reação, não fora uma coisa planejada. O filho com certeza era de Phillip, o ex-noivo.

— Eu contei a Jamie e ela simplesmente sumiu. Desde ontem à tarde que tento falar e o telefone só vai para a caixa de mensagens. – Continua e sua voz está numa crescente de tristeza. — Menti quando disse que ela viajou, porque tive vergonha de contar o que realmente aconteceu. – Acaba por desabar em um choro sentido.

— Phillip já sabe? – Mary pergunta, passando a mão pelas suas costas, tentando confortá-la.

— Não, esperava que ela pudesse me apoiar e aí eu teria forças de contar para ele, mas agora, não sei o que fazer. – As lágrimas caem mais rapidamente, no entanto o choro passa a ser mais controlado.

— Sei que essa não é uma situação nada fácil. Mas estaremos aqui para apoiá-la no que precisar. – Belle apressa-se em dizer, sendo ratificada por nós.

— Obrigada, meninas, vocês são ótimas. Eu só queria que Jamie tentasse entender, porque esperava que isso não mudasse as coisas entre nós. – Conclui, enxugando o rosto.

— Pense que essa notícia deve ter sido um choque. Ela pode ter dado um tempo para colocar a cabeça no lugar. – Ruby finalmente diz alguma coisa sensata.

Ficamos mais algum tempo dispensando total atenção a Aurora e, logo, já está parecendo mais animada com a ideia de que Jamie precisa apenas processar a informação para que as coisas voltem ao normal entre elas.

Então, dou-me conta que nem Emma, nem Tina retornaram à mesa, mesmo fazendo mais de vinte minutos que saíram daqui. Temo que as duas possam estar brigando, como Belle imaginou, e, preocupada, sigo para onde ficam os banheiros.

Ao chegar à porta, vejo Swan prensando Tina contra a bancada da pia; ao contrário do que nossa amiga supôs, elas não estão brigando, mas sim atracadas num tórrido beijo. Por alguns segundos, talvez minutos, fico estática, apenas assistindo essa inesperada cena.

Quando as bocas se separam, Emma levanta os olhos e observa o espelho em frente. Parece ficar espantada com o que vê refletido ali e gira de repente, encontrando-me parada no vão de entrada. Seus olhos se abrem completamente e movimenta os lábios, talvez na intenção de dizer alguma coisa, porém, antes que ela consiga articular qualquer palavra ou frase, movo os calcanhares, saindo do banheiro e deixando as duas a sós.

Notas finais
- Até o próximo!!!