Entre Elas
22 A nova namorada de Regina Mills
Pov Emma
Era um belo sábado de sol quando Mary e eu decidimos levar os meninos para um passeio no parque. Henry ficou super animado com a ideia e Leo, bem, acho que Leo ainda não entendia muito bem onde íamos, mas se o irmão ficava feliz, ele sempre se contagiava dando pulinhos de alegria.
Não sei quantos anos fazia que não acordava tão cedo em um final de semana, sem que realmente precisasse fazer isso, mas me senti totalmente recompensada em meio a todo aquele verde e espaço ao ar livre do "Dolores Park" .
Como era de se esperar em um dia tão bonito, havia um bom número de pessoas que, como nós, estavam ali aproveitando um momento com suas crianças e naturalmente os balanços e outros brinquedos eram disputados tal qual tronos.
Depois de esperarmos algum tempo sentadas no gramado, Mary conseguiu espaço para Henry brincar, enquanto eu cuidava de distrair Leo com seus próprios brinquedos, ele era pequeno demais para estar no meio da algazarra que os mais velhos faziam.
Não era uma tarefa difícil, meu sobrinho já estava bastante acostumado comigo e só depois de meia hora começou a reclamar de fome, apesar de ter se alimentado bem antes de sairmos de casa. Mas ele era mesmo muito comilão, e por isso, tínhamos levado algumas frutas e suco em uma bolsa térmica.
Peguei um pedaço de maçã e o entreguei depois de limpar suas pequenas mãozinhas.
— Ora, ora… Será que estou tendo uma miragem ou é mesmo Emma Swan quem encontro em um parque a esta hora da manhã? — Reconhecendo a voz que se dirigia a mim, levantei a cabeça e olhei por cima dos óculos de sol.
Ruby e Zelena estavam paramentadas em suas roupas justas de ginástica, e a julgar pelo quanto ficaram suadas, deviam estar correndo pelo parque há uma hora ou mais.
— Não é miragem, Rubs. Sou eu mesma. — Respondi com bom humor. — A Ruby que conheci também nunca foi dada a acordar cedo e muito menos a ter uma vida saudável — observei.
— Isso é uma verdade! Mas esse é o efeito Zelena em minha vida… — disse sorrindo enquanto procurava a mão da esposa.
As duas sentaram-se próximo a nós. Cora tinha razão, elas estavam bem felizes juntas e era fácil perceber o quanto faziam bem uma a outra.
— E a mamãe desse garotinho, onde está? — Zelena perguntou enquanto fazia carinho na cabeça de Leo, que devorava o pedaço de maçã segurando-o entre as mãos.
— Está com Henry. — Apontei na direção deles e ao avistá-las de longe, Mary acenou de volta.
Leo terminou de comer a fruta, mas ao invés de pedir outro pedaço, subiu em meu colo para se aninhar. Era certo que não demoraria muito para estar cochilando.
— Não levei a sério quando me disseram que você estava tentando tomar um jeito na vida, Swan. Mas eis que hoje te encontro brincando de tia… — Ruby confessou seu espanto.
— Assumi responsabilidades com os meninos desde que Mary se separou. Ela precisa de ajuda e não me custa dar uma mão.
— E parece que está se saindo muito bem. — Zelena comentou.
— Parece mesmo, — a esposa concordou — embora jamais tenha imaginado que você levasse jeito com crianças, é realmente impressionante.
— Como anda a separação deles? — A ruiva mudou o foco.
— Tranquila. Felizmente ambos concordaram com um processo amigável e tudo tem transcorrido bem até agora.
— Ele já sabe que ela tá namorando? — Ruby foi um pouco mais indiscreta, pra variar.
Esse era um tema que eu vinha evitando há semanas. Apesar de estar conformada com o rumo dos fatos, não era nada fácil para mim falar sobre Regina e Mary. Tudo que eu menos precisava era deixar transparecer o quanto isso me incomodava. Não queria que fossem criadas especulações a respeito, por isso respondi naturalmente:
— Não faço ideia… — ajeitando Leo em meu colo para disfarçar o desconforto.
Como se fosse atraída pela conversa que girava em torno da vida dela, Mary se aproximou, trazendo um Henry não muito feliz consigo. O menino praticamente se jogou sobre o gramado, sentando de braços cruzados para mostrar sua frustração.
— Se deixar, esse mocinho não se cansa de brincar nunca. — Mary falou antes de Ruby se levantar para abraçá-la.
— Você está ótima, May! Com uma pele boa, logo se vê que está de namorada nova… — "a metralhadora" começou a girar. — Com essa cara de bobinha, foi comendo quieto e pegou logo a Regina…
O comentário inapropriado da amiga inconveniente acabou constrangendo todo mundo.
Mary logo ficou vermelha e fez um gesto para lembrar que havia crianças presentes.
Zelena foi a única que conseguiu tomar alguma atitude em meio ao embaraço geral.
— Nós vamos indo, né amor? — levantou, puxando a esposa pelo braço, antes de se dirigir a mim e a Mary: — A gente se encontra mais tarde. Prometo que a levo amordaçada.
As duas foram embora e minha irmã começou a recolher nossas coisas, balançando a cabeça e ainda rindo da cena. Leo já ressonava em meus braços, alheio a tudo.
— Ela disse que vamos nos encontrar mais tarde? — perguntei confusa e Mary devolveu um olhar mais confuso ainda.
— Você não tá lembrando que dia é hoje?
Era certo que eu andava meio desnorteada e mesmo que parecesse óbvio, eu não sabia a resposta para aquela pergunta.
— Mamãe vai ficar muito magoada quando souber que você esqueceu do aniversário dela.
Foi impossível não me sentir uma péssima filha, pois além de não ter lembrado da data, não estava com o menor ânimo de aparecer na festa que aconteceria logo mais, principalmente porque seria inevitável encontrar Regina.
Regina acompanhada de sua nova namorada.
…
Havia um bom número de pessoas espalhadas pelos jardins quando chegamos à festa. Muitas estavam bebendo e todas pareciam bem animadas. Alguns rostos eram conhecidos, mas a maior parte eu nunca tinha visto na vida. Esperava algo mais íntimo, reservado e com poucos convidados, nada parecido com o que estávamos vendo ali.
— De onde saiu toda essa gente? — perguntei atônita.
Mary balançou a cabeça, parecendo tão abismada quanto eu.
— Mamãe comentou que convidaria alguns amigos da ONG, mas não imaginava que fossem tantos.
— Parece que ela anda bem enturmada. — constatei.
Mas logo notamos que não havia nem sinal da aniversariante, pelo menos até onde a vista podia alcançar.
— Vou ver se ela está lá dentro. — Mary se prontificou.
Enquanto isso, escolhi uma das várias mesas montadas pelo gramado, uma próxima à piscina. Assim que sentei, um garçom passou servindo bebidas.
— O que deseja, senhora? — e exibiu as opções da bandeja.
— Dois martinis pra começar. — Alguém respondeu por mim.
Girei a cabeça na direção da voz sem disfarçar o espanto. Diante do meu silêncio, o homem tratou de colocar os dois copos sobre a mesa e saiu.
— O que faz aqui?
Tina sorriu, claramente se divertindo com a minha surpresa.
— Sua mãe me convidou. Acho que ela ainda não sabe que você me odeia.
— Eu não a odeio, Tina. — devolvi sem a menor vontade de prosseguir com a conversa. — Mas sinceramente também não estou a fim de começar com isso de novo. — disse me levantando.
Tina me segurou pelo braço e me fez sentar novamente.
— Fica, por favor. Preciso falar com você.
Eu até poderia ter recusado e saído para procurar outra mesa, mas não quis protagonizar uma cena, embora tivesse uma péssima recordação da última vez que cedi a ela.
— Ok, estou ouvindo.
Ela ficou séria.
— Preciso pedir desculpas por me comportar como uma louca com você, Emma — parecia ter finalmente recobrado o equilíbrio. — Não tinha o direito de persegui-la, de incomodá-la no trabalho… Sinceramente não sei onde estava com a cabeça.
A sinceridade de Tina me deixou desarmada. Quando chegou, jamais imaginei que viesse se desculpar e não me ocorreu nada melhor para dizer:
— Não se preocupe, já passou... — falei sem jeito. — Acho que também te devo desculpas. Fui um pouco grosseira.
Na verdade ela fora exagerada e impulsiva e eu uma grande idiota. Ação e reação. Apesar da perseguição de meses ter me causado muito aborrecimento, não ia ficar ali julgando-a.
— Então, amigas novamente? — perguntou sorrindo.
Nunca fomos exatamente amigas, estávamos mais para conhecidas. Porém nada impedia que pudéssemos nos tornar a partir dali, e aceitei o abraço que selava o acordo.
Por cima do ombro dela, vi Regina passar pelo outro lado da piscina, chegando na festa. Por algum motivo, desejei profundamente que ela não nos visse. Mas como se o destino quisesse me contrariar, ela levantou a cabeça rapidamente e olhou de lado.
Não sei o que Regina pensou ao me ver tão próxima de Tina, embora não estivéssemos fazendo nada demais. Mas logo baixou a cabeça e seguiu na direção da casa, provavelmente à procura de Mary.
Ainda não tinha me acostumado com a ideia do namoro delas e nem sei quando isso aconteceria, porém o que mais me incomodava era essa distância entre Regina e eu que parecia não ter fim.
…
Uns vinte minutos depois, deixei Tina com Aurora e Jamie, que tinham acabado de chegar, e voltei no carro para pegar o presente que havia esquecido.
Entrei na casa e encontrei minha mãe na cozinha conversando com algumas amigas mais íntimas. Mary e Regina também estavam por lá, perto de um grande balcão projetado, bebendo coquetéis.
Abracei minha mãe, entreguei o presente e já ia saindo para voltar ao jardim, quando Mary me chamou.
— Experimenta isso daqui, Emma. Está uma delícia — ofereceu estendendo o copo.
Era um drink azul bem forte, algo com curaçao blue, talvez. Tentei recusar, mas ela insistiu e eu acabei virando um pouco na boca.
— É bom, mas muito doce — disse devolvendo o copo e fazendo uma careta.
Minha irmã sorriu olhando para a morena calada ao seu lado.
— Você gostou, Gina?
Gina… É claro que agora elas eram bem mais íntimas que isso, mas foi estranho ouvi-la chamando-a assim.
Regina limitou-se a assentir enquanto ainda bebericava do seu próprio copo. Mary fez a volta no balcão para alcançar umas taças que estavam do outro lado. Enquanto isso Regina e eu ficamos apenas nos olhando em um silêncio constrangedor.
— Experimenta esse — Mary voltou parecendo totalmente alheia à tensão capaz de cortar o ar que pairava acima de nós — é menos doce.
Por um momento fiquei me perguntando como ela podia não perceber.
— Melhor não, Mary... Eu tomei um Martini lá fora com a Ti… — parei a frase no meio para reformular: — Eu já tomei um Martini lá fora. Melhor não misturar.
Regina soltou uma risada levemente irônica que me deixou irritada.
— O que foi? — perguntei séria.
Ela deu de ombros respondendo com displicência:
— Desde quando você se importa com isso?
— Do que você está falando? — perguntei sem saber se o assunto ainda era a bebida.
Ela me encarou.
— Misturar as coisas… Desde quando você se importa?
Sem que ninguém esperasse, Regina colocou o copo sobre o balcão e saiu da cozinha passando pela minha mãe e pelas amigas dela, que riam de alguma piada sem fazer a menor ideia do que tinha acabado de acontecer.
Mary olhou para mim atônita procurando as respostas que eu não tinha.
— Eu vou atrás dela — ela disse fazendo menção de segui-la.
Obedecendo a um impulso, coloquei a mão no ombro da minha irmã e falei, tentando transparecer calma:
— Deixa que eu vou — mesmo sem ter muita certeza de que era o melhor a fazer.
Não tinha visto para que lado Regina fora e saí pela enorme casa da minha mãe procurando meio a esmo. Demorou um pouco até encontrá-la na sala do segundo andar em pé junto à porta que se abria em uma sacada.
— Eu não quero conversar — ela disse sem se virar.
— Eu também não — retruquei me aproximando devagar — prefiro ficar assim me desentendendo com você pra sempre — completei com ironia.
Ela permaneceu calada olhando para fora da casa.
— Desculpa — falei simplesmente.
Regina continuou sem me encarar:
— Você não precisa se desculpar… Eu saí da cozinha pra tomar um pouco de ar fresco.
Inesperadamente eu desatei a rir e foi com isso que chamei a atenção dela. Regina me olhou indignada.
— Do que está rindo?
— Você sempre mentiu muito mal, Gina… — lancei ainda sob o olhar sério.
— Olha quem fala… Você é que sempre foi uma péssima mentirosa — ela devolveu mesmo sabendo que não era verdade.
Regina esteve à frente das nossas travessuras de criança, mas depois que crescemos, eu passei a ser a mente do mal, criando todas as histórias para enganar nossos pais.
— Não era eu quem quase colocava abaixo as armações para conseguir ir às festas que não tínhamos idade, porque tinha medo de mentir pra Cora e Henry.
Percebi que ela não conseguiu reprimir um sorriso.
— Isso não é um defeito, sabia? É uma qualidade.
Eu concordei meneando levemente a cabeça. Depois o silêncio tentou invadir o espaço entre nós novamente, mas fui mais rápida dessa vez:
— Desculpa por ter misturado as coisas. — admiti encarando-a com sinceridade. — Era tudo tão mais fácil antes.
Regina não evitou meu olhar.
— Será que era mesmo, Emma? — ela me surpreendeu com a pergunta. — Ou será que era não falar que deixava tudo parecer mais fácil?
Fiquei sem graça.
— Pode ser, mas agora passou um pouco da hora de descobrir.
Regina não disse nada. Em vez disso, levantou a mão para acariciar meu rosto. Eu fechei os olhos aproveitando o contato. Sua mão era tão macia e seu toque tão suave, que me vi desejando que não parasse.
Fomos nos aproximando lentamente e, de repente, estávamos tão próximas que eu podia sentir o calor que emanava dela me envolvendo. A vontade foi crescendo rapidamente. Pressenti o perigo que se acercava, mas simplesmente não consegui fugir dele.
Desobedecendo completamente a razão, minha mão deslizou pela cintura dela e a outra foi até sua nuca. Deixei os nossos lábios a um passo de se tocarem.
Abri os olhos e procurei nos de Regina qualquer freio que me impedisse de fazer aquilo. Mas não havia nada disso nas orbes castanhas e eu simplesmente já não era mais capaz de dominar a mim mesma.
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