Entre Duas Faces
1 Onde tudo começou
Notas iniciais
"Sabe aquele momento em que você descobre que sua vida não faz sentido algum, então estou vivendo esse momento"...
Wallace pv on:
–Filho, acorde- Diz minha mãe abrindo a janela de meu quarto permitindo que a luz solar acerte meu rosto.
–Mãe !-Digo cobrindo os olhos- Não tem aula hoje, é Sábado !.
–Mas levante, vamos ter um passeio em família- Diz ela.
–Ah que droga- Digo virando-me para o outro lado da cama.
Ela sorriu e seguiu pra fora de meu quarto. O que achei estranho porque geralmente ela implicaria comigo com essas coisas de família, que pra variar eu odeio. Não é que eu odeio minha família, mas já basta para mim passa a maior parte de meu dia dentro de casa junto deles; não quero passar o final da minha semana em um carro escutando The Rolling Stones e comendo frituras e ainda mas junto de meus pais, que sempre acabam discutindo para qual o melhor sabor de recheio para bolo (Morango ou chocolate)
Me levanto depois de um longo pensamento, lavo meu rosto e sigo ate a janela de meu quarto, observando a nova família que havia se mudado para a casa a frente da nossa.
–Wallace !-escuto minha mãe chamar — Anda logo seu pai está esperando.
–Se quiser podem ir sem mim-digo esperançoso.
–Pare de idiotice, ande logo- Diz ela com uma voz furiosa.
Prefiro não discutir. Escovo meus dentes, vou ate minha gaveta, pego meu livro e meu celular e sigo ao encontro de meus pais.
–Achei que sairíamos daqui após o anoitecer- Diz minha mãe, me olhando severamente.
–Não mandei me esperar- Digo revirando os olhos.
–Olha como você fala comigo, garoto !- Diz minha mãe, dando me um tapa com força na cabeça.
Cambaleei e acabei caindo em cima de um garoto.
–Me Desculpa — diz minha mãe ao garoto- não pensei que meu filho fosse tão mole.
–Qual é, como é que eu ia saber que você ia me dar um tapa- Digo ainda no chão.
–Relaxa não foi nada- Diz o garoto sorrindo.
Ele é um pouco maior que eu mas aparentava ter minha idade, pele branca, olhos de um castanho claro e um sorriso muito bonito. ele estica seus braços me oferecendo ajuda, me levanto um pouco sem graça.
–Obrigado cara !- Digo olhando para baixo.
–Você tem o costume de cai sempre em cima de desconhecidos na rua ?- Me pergunta ele com tom de ironia.
–Na verdade não- digo com um sorriso de canto, agora olhando para seu rosto fixamente.
–Bom, meu nome é Josh parece que somos vizinhos agora-Diz ele olhando também fixamente para mim.
–Você é filho dos novos vizinhos?- Pergunta minha mãe.
–Se ele disse que somos vizinhos, obviamente ele é filho dos vizinhos cê não acha ?- Digo ironizando.
–Seu mal educado ! Você acha que esta falando com quem? -Diz minha mãe me dando outro tapa.
Josh ri.
–Sim, senhora sou seu novo vizinho- diz Josh sorrindo.
–E então vamos sair daqui hoje ?- Grita meu pai do carro.
–Já estamos indo- minha mãe retribua o grito- Vamos filho, Tchau Josh prazer em conhece-lo.
–Prazer- Diz Josh sorrindo.
–Então, a gente se ver- digo me virando.
–Espera ! -diz Josh me puxando pelo pulso- Você não me disse seu nome.
–Err.. -Digo totalmente corado- Sou Wallace
–Wallace ? Hum... Gostei do nome-diz ele sorrindo.
–Filho anda logo, seu pai esta esperando-Grita minha mãe do carro.
–Eu já estou indo, que droga- digo já irritado.
–Então, talvez mais tarde você e eu poderíamos dar uma volta ou algo do tipo? pra que eu possa conhecer melhor a cidade, que tal ?- Me pergunta ele me olhando fixamente.
–Ah Claro, pode ser- Digo o olhando.
–Então, a gente se ver por ai- diz ele virando-se.
Me viro também e vou ate o carro onde estavam meus pais
–Achei que não viria- Diz minha mãe
–Me deixa em paz- Digo colocando os fones de ouvido.
Minha mãe me encara com uma cara de raiva, mas a ignoro. Seguimos ate um restaurante de beira de estrada, não muito longe de minha casa, seu nome é Rancho Da Cultura Americana. não é um lugar para se gabar mas ate que era uma espelunca jeitosinha. Assim que entramos já fui encarado por cinco garotos, e umas três garotas pediram meu numero de telefone, isso sempre acontece, talvez porque sou diferente dos outros garotos que pensam somente em bundas e peitos eu já sou mais de conhecer a pessoa cuidar e dar carinho, ou talvez seja porque sou bonito, acredito eu que seja a primeira opção.
–Posso ajuda-los- Nos pergunta o garçom.
–Oras, esse não é seu trabalho, então porque pergunta-digo com ignorância.
–Sim, Desculpa senhor, O que vão querer?- Diz ele
–Algo para comer, é obvio-Digo
–Sim é claro, você quer algo em especial?- Me pergunta ele já irritado.
–Isso não é da sua conta, vai ate a porcaria da cozinha e me traz comida- Digo com tom de autoridade.
–Ótimo-Diz ele bufando.
–Wallace, o que é isso ?- Me pergunta minha mãe
–Deixa eu me divertir-Digo sorrindo.
–Assim que ele voltar aqui pesa-o desculpas, entendeu ?- Me pergunta ela com tom de autoria.
–Tá- Digo virando o rosto.
Minutos se passaram estava eu vendo o canal de noticias, enquanto meus pais conversavam.
–Desculpe senhor-chega o guri garçom-Não tive ideia do que lhe trazer.
–Quanto a isso me desculpa por minha ignorância- digo sorrindo -estava apenas descontando minha raiva em você.
Ele sorri.
–Faça isso sempre que quiser, Lindo- Após dizer isso ele se aproximou de mim, roubando-me um beijo.
Não tive reação alguma, muito menos meus pais, eles estavam com a cara de surpreso, quanto a atitude do garoto que na real me surpreendeu também.
–Você é louco, garoto- grita minha mãe -você acha que meu filho é o que ?
–Amor fica calma- Diz meu pai.
–Calma ? como posso ficar calma você viu o que esse garoto fez com nosso filho- Diz minha mãe ainda gritando.
–Me desculpa senhora, não tive a intenção-Diz ele olhando para mim.
Ele com certeza não estava com cara de quem está totalmente arrependido. Sai então dali rapidamente para não me envolver na treta toda, só fiquei observando de longe enquanto minha mãe gesticulava com os braços, tenho certeza de que ela disse poucas e boas, e pra falar a verdade eu nem quero saber. Depois de longos minutos saiu minha mãe bufando do restaurante, entrei rapidamente no carro antes que fosse carregado pelo "Furacão Mamãe". Ela entrou no carro sem comentar nada e seguimos caminho para casa.
–Não havia necessidade de engolir o garoto- Digo me escondendo atrás de meu livro.
–Eu devia ter feito pior-Diz ela tentando se controlar.
Dali para frente o caminho todo foi um silêncio que doía na alma.
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