Entre Dois Mundos - Interativa

1 Prólogo - Início ou Fim?


Em uma dimensão paralela à Terra, existia um mundo denominado Kalaham. Regido pelo deus Suveran, que mantinha tudo em perfeita harmonia. Lidava muito bem com as criaturas que habitavam o mundo, mas parecia não ter a mesma sorte com os próprios filhos, Magnus e Grevenna. Ambos irresponsáveis, preocupavam-se apenas com a própria diversão, e por muitas vezes as consequências de suas brincadeiras afetavam o mundo de Kalaham. O poderoso Suveran tentara de tudo, mas acabou desistindo das proles, ou ao menos foi o que todos pensaram. Desaparecera, completamente, deixando para trás apenas o caos. Kalaham estava condenado sem a proteção do deus. O equilíbrio logo perdeu-se, e tudo apenas piorou com a briga entre os irmãos pelo mundo, que tratavam como um brinquedo qualquer que não quisessem dividir. Foi então que entraram em um acordo: Ambos criariam seu próprio mundo, e aquele que fosse mais próspero, venceria. Mas Kalaham estava quase completamente destruído, e deste modo, não tinham como habitar seus mundos, decidindo-se por uma solução. Acabariam com a Terra, e dela trariam alguns humanos — cobaias — para povoar os lugares. Mas logo a proposta mudou, pois apenas fazer um mundo prosperar seria demasiado chato. E, assim, a condição era de que o mundo mais divertido venceria... E essa diversão não seria para os humanos.

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Gammalt

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Ele estava sozinho, e sabia disso. Ao seu redor, era apenas possível avistar a imensa destruição causada. Pelo quê? Ele não sabia, era apenas um garotinho, como poderia saber? Dias antes, apenas preocupava-se em brincar o bastante antes de sua mãe chamar-lhe para o jantar. E agora, estava sozinho.

Tinha medo. Claro que tinha, e por isso, encolhia-se, abraçando o próprio corpo. Queria chorar, mas não conseguia: Suas lágrimas haviam secado. Chorara tanto quando tudo estava acontecendo... Ainda lembrava-se vividamente do rosto da mãe, plácido e frio, os olhos abertos fitando o nada. Simplesmente acordara, e tudo estava daquela forma. Ninguém se movia — todos possuíam a mesma expressão e peles frias — e logo o garotinho constatou que estavam mortos. A morte... Nunca a vira de perto. Mas, agora, a vivia, a respirava. Apertou os olhos, esperando que quando os abrisse novamente, estivesse em sua cama, e tudo fosse apenas um sonho. Mas não era, o que constatou ao abrir os olhos e apenas visualizar a mesma destruição, o mesmo vazio, silêncio.

Naquele dia, se levantara, como fazia todas as manhãs e correu pela casa. Estranhou o silêncio — afinal, possuía dois irmãos mais novos e muito ruidosos — e caminhou pela casa a procura de algo, alguém, qualquer coisa. Nada. Tudo estava vazio. Apenas quando foi aos seus respectivos quartos é que viu tudo — o que nunca se esqueceria — e não pôde fazer nada. Todos pareciam estar dormindo, em paz, exceto pelos olhos abertos e peles pálidas. Quando saiu para a rua, a procura de qualquer um que pudesse ajudá-lo, viu. O mundo não era o mesmo do dia anterior. A primeira coisa que pôde pensar é que estava sonhando, o que o fez passar horas sentado, esperando algo acontecer, esperando acordar. Mas nada aconteceu. O mundo estava vazio — nem uma única voz era ouvida, nem um único animal — e para todo lugar que olhasse, havia apenas nostalgia. Estava nublado, e nem mesmo a vegetação pareceu sobreviver. Árvores esqueléticas podiam ser vistas por todos os lugares, os troncos e galhos secos como se não vissem água há séculos. A grama estava amarela e quebradiça, e nem o ar era o mesmo. Insosso, ele mal podia respirar direito. E o pior era o cheiro, ou melhor, a falta dele. Não podia sentir nada, ouvir nada, e tudo o que via dava-lhe vontade de fechar os olhos.

E quando estava caminhando sem rumo em meio ao mundo vazio, a encontrou. Uma garota de feições delicadas, cuja aparência não denunciava mais de quinze anos. Possuía olhos azuis, e cabelos brancos lisos que emolduravam-lhe o rosto. Parecia vestir-se de flores. Mas ele percebeu algo mais nela, talvez no momento em que ela lhe sorriu, um sorriso malicioso que não combinava com as feições infantis. Instintivamente, ele deu dois passos para trás. Ela estendeu a mão como se o chamasse, ao mesmo tempo em que sua presença o intimidava. Havia algo de muito sinistro naquela garota, o que o fazia hesitar.

Mas, com algumas palavras, ela o convenceu. Sua única esperança de escapar dali, daquele mundo sem vida, sem chances... Daquele Fim. E ele fora escolhido para povoar o novo mundo, muito superior àquele, e que fora desenvolvido especialmente para ele e os outros integrantes do Futuro. Era apenas um garotinho, como poderia entender o que ela dizia? Mas pareceu certo. O modo como a mulher revelava, com tanto orgulho, apreço, fez com que ele acreditasse. Era sua única opção, acreditar, ou continuar sozinho, ali, naquele vazio. Naquele nada.

Um novo mundo... Um novo começo... As frases que ela lhe dissera passavam, girando, pela sua mente

Já se passara algum tempo, mas a garota continuava exatamente igual, o que Gustaf achava muito bizarro, embora soubesse que ela era muito mais velha que aparentava. Mas aquilo era pouco se comparado ao mundo para qual ele fora levado, e a explicação muito limitada que recebeu, anos depois, quando pensava no porquê de tudo ter acontecido. Aparentemente, era um jogo entre dois deuses de outra dimensão, paralela a terra. Eve — como a "deusa" gostava de ser chamada, já que não parecia ter apreço pelo seu verdadeiro nome, Grevenna — apenas contou-lhe aquilo depois de muita insistência, e, claro, muitos elogios. Gustaf ficara imensamente zangado quando soube que eles apenas haviam destruído toda a terra para provar, de um modo um tanto infantil, qual deles era o mais poderoso. Para isso, cada um criaria um mundo, uma dimensão, e o habitaria com alguns humanos escolhidos na Terra. Os que não eram escolhidos simplesmente morriam, como acontecera com toda a família de Gustaf quando ele possuía apenas nove anos. Fora o primeiro a ser escolhido, mas os outros chegariam logo. E a competição egoísta entre os dois deuses começaria.

Era tudo muito confuso, mas depois de viver tanto tempo ali, acabava se acostumando a coisas confusas. E porquê ele fora o primeiro escolhido? Eve precisava de alguém — ou a mente e memórias de alguém — para construir e aprimorar seu próprio mundo. E, dentre bilhões de pessoas, Gustaf fora o azarado. E passou tanto tempo ali, sozinho — já que a deusa estava sempre ocupada com coisas fúteis– que acabou se esquecendo de como era ter companhia. E não sabia bem se a ideia de começar a receber os habitantes, que estavam congelados em uma espécie de pseudo-Terra, era boa ou má.

Já não sabia de nada.

Mas o pior de tudo era o que viria a seguir. Afinal, não seria divertido — como Eve mencionara algumas vezes — se os habitantes apenas vivessem. E Gustaf temia o que estava por vir, mesmo que, no fundo, estivesse preparado. Anos de profunda solidão e tédio mudaram totalmente o garotinho de anos atrás. E agora, nem mesmo ele sabia quem era.

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Katzen

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Em uma imensidão completamente vazia, um homem alto e robusto, com cabelos negros e compridos, e olhos divertidos, andava ao lado de um tigre de porte grande.

– Isso vai ser realmente divertido... – Ele murmurou, como que para si mesmo. – Eu soube que Eve já iniciou, sempre apressada.

O tigre apenas se virou para encará-lo, sem esboçar emoção alguma.

– Sabe, querido Sher, que ela até mesmo pegou um humano? Eu nem me toquei que já passara tanto tempo... Mas ela é mesmo muito persistente. Leva tudo tão a sério...

E o homem gargalhou, virando a cabeça para trás. Tudo que tinha feito, até agora, era criar um mundo vazio e insosso. Acabara por se distrair com os felinos – seres tão complexos e interessantes – e esquecera completamente que o foco seriam os humanos. Uma pena. Sher, o tigre que ele pegara para si ainda filhote, não era apenas um animal. Era seu objeto de estudo. Tinha a mente tão meticulosa.

O homem sentou-se em uma rocha, e o tigre deitou aos seus pés, manso como um filhote. Havia sido criado da melhor forma possível, bem alimentado, e no fim das contas, imortalizado. O Deus jamais deixaria que sua preciosidade simplesmente vivesse tão pouco.

– Agora terei de começar minha busca... Humanos. Ah, humanos. São tão chatos, entediantes e patéticos. – Ele sorriu, um olhar predatório, quase tão felino quanto o do tigre. – Porém eu farei deste meu mundo um lugar divertido. E não pense que será divertido para os humanos, claro que não... Eu sou quem tem de se divertir. E claro, no fim, eu vencerei.

O homem então levantou-se, para se dirigir ao mundo humano. Lá escolheria alguns para seu mundo, o melhor mundo. Tão bizarro e confuso como a cabeça do Deus que caminhava com um molejo cômico. E tão predatório quanto à mente felina.

Katzen. Esse foi o nome escolhido pelo Deus Magnus.

Notas finais
Primeiramente, para que entendam, os capítulos se passarão em mundos diferentes, e no título de cada um deles estará escrito o nome do mundo, para não haver confusão.

Os mundos são Gammalt (os capítulos que se passarem nesse mundo serão escritos por mim, Nattav) e Katzen (escritos por Anne). Você deverá escolher um dos mundos, e fazer uma ficha para ele. Também pode fazer uma ficha para cada mundo (de personagens diferentes, claro!), pois depende do criador do mundo aceitá-los. As melhores fichas entrarão (ainda não estipulamos um número certo) então caprichem!

Link das fichas:

Gammalt - http://www.tfaforms.com/283684
Katzen - http://www.tfaforms.com/283844

Qualquer dúvida, perguntem por review ou MP para qualquer um de nós ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.